Arquivo da categoria: Notícias

Para empresas de MMDS, incertezas regulatórias são ameaça a investimentos

O debate realizado nesta quarta, 7, na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado sobre a faixa de 2,5 GHz serviu para consolidar as posições dos diferentes setores sobre o tema.

Para João Reino, presidente da operadora de MMDS Acom, segunda maior operadora do serviço no Brasil, a força política das operadoras móveis tem funcionado a favor da mudança da destinação da faixa. "O lobby das celulares é muito maior do que o nosso. Nós estamos sofrendo muito; estamos há três anos investindo nessa insegurança", protestou o executivo. Segundo o presidente da Neotec, Carlos André Albuquerque, as negociações das empresas de MMDS com a Anatel não avançaram até agora. E, se a proposta for mantida como está, essas operadoras estarão fadadas a fechar.

"Como um empresário faz investimentos em um setor de capital intensivo com instabilidade regulatória e políticas de desincentivo? Porque a CP 31 é isso: um desincentivo", reclamou Albuquerque, referindo-se à consulta pública sobre a mudança de faixa. "Caso isso prevaleça, será o fim do MMDS no Brasil", acrescentou.

Triple play

Para o presidente da ABTA, Alexandre Annenberg, o maior derrotado com uma decisão desfavorável ao MMDS será o consumidor de serviços de telecomunicações. Annenberg defendeu a necessidade de a agência reguladora assegurar que as empresas ofereçam a seus clientes o famoso "triple play", pacote de serviços conjugados de voz, vídeo e dados. Essa oferta conjugada pode trazer benefícios para o consumidor, na visão do executivo, além do papel estratégico das empresas de MMDS na expansão das políticas de inclusão digital. "O MMDS é o meio para se fazer a inclusão digital no Brasil. É por isso que ele precisa desse dito 'latifúndio' de radiofrequência", afirmou Annenberg, rebatendo as críticas de que a fatia de 190 MHz no 2,5 GHz destinada hoje à TV por assinatura seria grande demais para a execução desse serviço.

Para celulares, faixa de 2,5 GHz é fundamental para quarta geração

Se as empresas de MMDS protestam sobre a redução de seu espaço no 2,5 GHz – que passaria dos atuais 190 MHz para apenas 50 MHz -, as operadoras móveis também insistem em seu posicionamento de que, sem essa fatia do espectro, o Brasil ficará para trás na corrida pela quarta geração da telefonia celular, o 4G. Foi isso que se viu na audiência pública sobre a faixa de 2,5 GHz realizada nesta quarta, 7, na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado.

O vice-presidente de Políticas Públicas da GSM Association (GSMA), Ricardo Tavares, alertou para a necessidade de que exista espaço para as móveis no 2,5 GHz para que as empresas possam investir na tecnologia LTE o mais rápido possível e, assim, aproveitar os ganhos de escala gerados pela migração de vários outros países para esta plataforma 4G. "O LTE é a tecnologia que garante eficiência para a comunicação móvel", afirmou Tavares.

Investimentos

O executivo da GSMA disse ainda que o setor tem exigido vultosos investimentos para a expansão da rede de forma a atender a crescente demanda por conexões móveis para o tráfego de dados. Segundo ele, as empresas celulares investiram praticamente todo o seu lucro nos próximos anos para assegurar esse crescimento.

O presidente da Acel, Luiz de Melo Júnior, também citou a baixa rentabilidade da telefonia móvel como um dos aspectos que não pode ser deixado de lado nessa discussão. Segundo Melo, a operação móvel é um ramo de capital intensivo e "o lucro não é tão alto assim". Apesar disso, as empresas têm aplicado muitos recursos no crescimento da planta e já teriam investido R$ 66 bilhões na última década. O presidente da Acel comparou o setor de telefonia celular com outros setores de infraestrutura (como a indústria de petróleo) para mostrar a importância econômica desse serviço para o país. E voltou a comparar a clientela da telefonia celular (mais de 176 milhões) com os consumidores de MMDS (aproximadamente 350 mil) para dizer que a telefonia móvel é o grande veículo de inclusão digital do país.

Anatel evita se posicionar sobre 2,5 GHz e defende apenas alinhamento internacional

No debate sobre a destinação da faixa de 2,5 GHz realizada nesta quarta, 7, na Comissão de Ciência e Tecnologia do Senado, a Anatel procurou não tomar partido diretamente na discussão. O conselheiro Jarbas Valente disse que a proposta da Anatel para a faixa foi feita com base em estudos de projeção pela demanda dos serviços e reafirmou a necessidade de ampliação das radiofrequências destinadas à telefonia móvel, sem especificar se o 2,5 GHz é imprescindível nesse plano de expansão. Valente disse ainda que as comparações entre os dois setores não são produtivas, uma vez que se tratam de segmentos bastante distintos.

O posicionamento mais claro da Anatel é com relação à necessidade de o Brasil estar alinhado às tendências internacionais para conseguir os ganhos de escala de uma escolha tecnológica global. Jarbas Valente analisou que o Brasil deve tentar se posicionar como um "produtor" de tecnologias, apesar de o país não possuir um parque industrial de fabricação de equipamentos celulares atualmente. "Temos que entrar como produtor também. Quem ficar só como consumidor nessa relação, vai sair perdendo", ponderou.

Banda larga terá política fiscal, industrial e regulatória

O Plano Nacional de Banda Larga vai propor incentivos fiscais, uma política industrial para a produção nacional, a política regulatória e qual será o alcance da rede do governo na universalização do acesso à internet em banda larga.

A informação é do assessor de Inclusão Digital da Presidência da República, Nelson Akio Fujimoto, que participou na manhã desta quinta-feira (08/04) de audiência pública na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara.

Segundo Fujimoto, após a apresentação do plano, com o aval do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, será iniciada uma etapa de discussões com a sociedade para viabilizar a implantação das ações, que terão metas de curto (2010), médio (2012) e longo prazos (2014).

Aos deputados da CCTCI, Fujimoto destacou que o objetivo geral do plano será ampliar o acesso à banda larga no Brasil para os cidadãos, instituições do governo, entidades da sociedade e empresas, de modo a promover oportunidades, desconcentrar renda e incorporar os cidadãos hoje excluídos desse serviço.

Ele destacou ainda a importância de capacitação da população para o uso das novas ferramentas e informou que no sistema nacional de banda larga os ativos do governo deverão ser utilizados de forma colaborativa para uso público e privado.

Segundo o assessor da Presidência, o Brasil tem hoje ativos da Eletronet, recuperados na Justiça, além de fibras da Eletrobrás e, em alguns trechos, fibras da Petrobras. “O importante é que todas essas fibras existem e o direito de passagem delas está disponível”, completou. A meta, segundo ele, é reposicionar o Brasil no cenário mundial da banda larga, elevando a densidade e reduzindo o custo do acesso.

O presidente do Serpro, Marcos Mazoni, que também participou do debate, destacou a importância de se reforçar a infraestrutura de banda larga no país, e disse que a nova rede vai possibilitar que os serviços públicos cheguem aos cidadãos.

A deputada Luiza Erundina (PSB-SP), autora do requerimento de audiência pública, defendeu a atuação do governo para reverter os baixos índices de acesso da população à internet em banda larga. “É preciso descentralizar a prestação desse serviço e ampliar o acesso reduzindo custos e aumentando a velocidade e a qualidade dos serviços”, disse.

Uma reunião de apresentação do plano ao Presidente Lula, iniciada também na manhã desta quinta-feira, acabou inviabilizando a participação do coordenador do Programa de Inclusão Digital da Presidência da República, Cezar Alvarez, e do secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins, na audiência de hoje, que foi a segunda para debater o tema na CCTCI.

Segundo o primeiro vice-presidente da Comissão, deputado Julio Semeghini (PSDB-SP), uma terceira audiência poderá ser agendada para que os deputados possam discutir o plano com o coordenador Cezar Alvarez.

Também participaram da audiência de hoje o presidente da Abranet (Associação Brasileira de Internet), Eduardo Fumes Parajo; o gerente de Infraestrutura da TelComp, Luiz Henrique Barbosa da Silva; e o presidente da Associação Nacional para Inclusão Digital (Anid), Percival Henriques de Souza Neto.

O representante da TelComp criticou uma forte participação estatal no Plano, e defendeu o compartilhamento da infraestrutura já existente como forma de fortalecer o ambiente competitivo. “É uma ilusão achar que só o setor público vai conseguir”, disse.

Parajo, da Abranet, destacou a necessidade de levar, além do acesso à internet, o conhecimento aos cidadãos brasileiros ainda excluídos digitalmente. Segundo Parajo, a infraestrutura de aproximadamente 1700 provedores de acesso à internet espalhados pelo Brasil deveria ser aproveitada no plano do governo.

O presidente da Anid também defendeu a participação de micro e pequenas empresas de base tecnológica, incluindo as lan houses. “Os pequenos provedores de internet localizados no interior do Brasil precisam de estímulo e reconhecimento”, disse.

Já o representante da Anatel destacou que a Agência faz um acompanhamento constante das metas e cumprimento dos contratos pelas empresas de telecomunicações, e que está pronta para ajustar as regulamentações do setor no que for necessário para viabilizar as ações do plano.

Confira o áudio e as apresentações da audiência pública.

Líderes fecham novo acordo para votação do PL do Fust

Os líderes dos partidos na Câmara fecharam ontem à noite novo acordo para votação do projeto de lei 1481/07, que altera o uso do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações) permitindo sua utilização no financiamento da implementação de internet banda larga nas escolas públicas. A votação, contudo, somente deverá ocorrer na próxima semana, uma vez que os deputados debateram o projeto sobre ficha limpa durante toda a sessão de ontem.

Pelo acordo, os líderes primeiro votarão o pedido de urgência para o projeto, para depois votar a matéria. E prevê a manutenção da criação do comitê gestor para o fundo, desde que seja coordenado pelo Ministério das Comunicações, que é o responsável pela formulação de políticas públicas para o setor. Esse item era combatido pelos partidos de oposição, que viam o comitê como um ‘cabide de empregos’.

O acordo estabelece ainda que o comitê seja instituído por meio de decreto, que deverá incluir não só os componentes, como também suas atividades e atribuições. O texto a ser votado é o substitutivo da comissão especial que analisou a proposta, que foi relatado pelo deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE).

Caso seja aprovado, o projeto mudará a destinação de recursos do Fust para que eles possam ser usados para financiar programas, projetos e atividades de serviços de telecomunicações prestados em regime privado, como o acesso à internet em banda larga.

Atualmente, esses recursos só podem ser usados por prestadoras públicas de serviço. Um exemplo da destinação do Fust é a implementação do Plano de Metas para a Universalização do Serviço Telefônico Fixo Comutado (PMU) em localidades com menos de 100 habitantes. Nesses vilarejos, cabe ao governo instalar orelhões com recursos do fundo. Em locais com até 600 habitantes, o Fust é usado para financiar a instalação de telefones residenciais.

O fundo é formado pela contribuição de empresas prestadoras de serviços de telecomunicações, de 1% de sua receita operacional mensal com a prestação de serviços. A arrecadação é de cerca de R$ 800 milhões por ano.