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Religião em emissoras da EBC é tema de consulta pública

A presença das diferentes religiões na programação das emissoras de rádio e TV da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) está em discussão. O Conselho Curador da EBC abriu consulta pública com objetivo de construir novos parâmetros para a forma como a religiosidade é tratada pelos veículos de natureza pública. Os conselheiros aprovaram, ainda, um parecer que identificou privilégio e proselitismo religioso na programação.

Hoje, a TV Brasil exibe três programas, cuja produção e exibição deveria ser suspensa, de acordo com o parecer do Conselho Curador: Reecontro, exibido aos sábados, vinculado a uma vertente evangélica; e os católicos A Santa Missa e Palavras da Vida que vão ao ar todos os domingos. A missa católica é, inclusive, gravada nas dependências da EBC no Rio de Janeiro. Na Rádio Nacional de Brasília, é transmitida uma missa católica aos domingos, que também deve ser retirada do ar, segundo a proposta dos conselheiros.

A decisão sobre a continuidade ou não dos programas, bem como as diretrizes para que os veículos da EBC tratem o tema da religiosidade serão decididos pelo Conselho Curador após apreciarem as contribuições da Consulta Pública. O edital da consulta foi publicado no dia 7 de agosto e prevê um prazo de 60 dias para que entidades e pessoas físicas apresentem suas contribuições (saiba como participar).

O parecer que serve como base para a consulta foi formulado pela Câmara de Cultura, Educação, Ciência e Meio Ambiente do Conselho Curador a partir de uma provocação da Ouvidoria da EBC. O texto – disponível aqui – diz que a presença dos programas mencionados configuram “um injustificado tratamento a religiões particulares, por mais importantes que sejam, por maior respeito que mereçam”.

Daniel Aarão, conselheiro da EBC e um dos membros da câmara responsável pelo parecer, diz que a percepção do Conselhou sobre o tema é de que a programação das emissoras públicas deve refletir a pluralidade. Para o conselheiro, que também é historiador e professor da Universidade Federal Fluminense, é inviável abrir espaço na programação para todos os grupos religiosos e o modo atual de privilegiar dois grupos num meio público não é “razoável”.

Na avaliação do conselheiro, a religiosidade é uma característica marcante dos brasileiros e deve continuar a ser abordada pelos veículos da EBC, seja retratando vivências, leituras acadêmicas do fenômeno ou a discussão sobre temas que envolvam conceitos religiosos diversos. “Não é, portanto, uma perspectiva antirreligiosa”, ressalta Aarão.

“Estamos muito preocupados que os programas sejam sempre muito plurais, por isso começamos a discutir a necessidade de fazer um balanço de todos os programas pra ver como eles exprimem a pluralidade étnica e religiosa no país”, comentou. A tendência, segundo ele, é o conselho manter os programas religiosos nas TVs e rádios, “mas sem que uma ou outra religião monopolizem o espaço disponível”.

Entre as propostas apresentadas pelos conselheiros, está o estabelecimento de um prazo para que as confissões religiosas presentes na grade de programação encontrem outro espaço para a apresentação dos conteúdos. Enquanto os programas estiverem no ar, o Conselho Curador sugere que seja realizado um processo de seleção de propostas para programas que tratem do tema religião. Estes programas não podem, ainda de acordo com o parecer, realizar nenhum tipo de proselitismo e buscar representar ao máximo a diversidade religiosa do país.

Todas estas propostas serão reavaliadas após o término do prazo da consulta pública.

Para ABTA, competição de parabólica e de TV aberta dificulta queda no preço da TV paga

O presidente da ABTA (entidade que representa as operadoras de TV por Assinatura), Alexandre Annenberg, contestou os números apresentados hoje pela Ancine (Agência Nacional do Cinema), que apontam para um alto preço do serviço no Brasil e pela falta de competição no mercado de TV paga. "A realidade do mercado brasileiro é única e não pode ser comparada com a Argentina", reagiu o executivo.

Ele assinala que o preço dos canais pagos está diretamente vinculado ao número de clientes a eles associados (ou à taxa de penetração) e,  no Brasil, esta taxa é pequena porque existem aqui 18 milhões de antenas parabólicas transmitindo gratuitamente  múltiplos canais de TV, competindo diretamente com a TV paga. "Além disso, a ótima qualidade da TV aberta impede o crescimento mais rápido da TV por assinatura", completou. Annenberg assinalou ainda que o serviço não cresce mais porque não tem licença da Anatel.

O executivo contestou também a informação de que o mercado de TV por assinatura não tem competição. "Em todas as cidades onde há serviço de TV a cabo, há pelo menos um competidor em outras tecnologias como o MMDS ou o DTH". Assinalou que a TV por assinatura brasileira tem um grande número de competidores – pelo menos 50 operadoras de cabo, 29 de MMDS e 10 de DTH (via satélite)". A competição está plenamente instalada", afirmou.

Bloqueio

Para Annenberg, as operadoras de telecomunicações querem entrar no mercado de TV a cabo para bloquear a expansão da banda larga no Brasil. "A rede de TV a cabo é de última geração, com capacidade de oferecer banda larga de mais qualidade e com mais velocidade. A rede de cobre das concessionárias ainda é muito antiga. A disputa é pela banda larga, e não pelos canais de TV", concluiu.

Embratel começa a instalar fibra óptica em São Paulo

A Embratel iniciou por Osasco um plano nacional de instalar redes de fibra óptica e cabo nas cidades para entrar no mercado de banda larga residencial — até agora, o serviço era ofertado apenas para o mercado corporativo. A meta é, em três anos, oferecer o serviço de banda larga para 4 milhões de residências. "A estratégia é fazer uma oferta combinada de produtos, usando as redes de fibra e de cabo para banda larga e telefonia e o serviço de TV por assinatura por meio de satélite (DTH)", informou, ao Tele.Síntese, Antônio João Filho, diretor executivo de televisão da Via Embratel. A operadora não pode, pela regulamentação atual, oferecer TV paga por meio do cabo. Por outro lado, vem liderando o crescimento no serviço de TV paga por DTH, já ofertado em mais de 4,5 mil municípios.

"Começamos com a oferta de banda larga residencial há um mês, com velocidades acima de 1 Mbps até 120 Mega", informou Antônio João. Na fase inicial, o serviço está disponível para cerca de 50 mil residências e a cidade de Osasco foi escolhida por ter "um perfil de consumo bom" e por ser uma área onde Net Serviços não opera. "A estratégia é não competir com a Net", ressaltou o executivo. Segundo a assessoria de comunicação da empresa, a banda larga de R$ 1 Mega está sendo oferecida por R$ 29,80 a mensalidade, no plano Via Completo, que combina a aquisição da banda larga com serviços de telefonia e de TV por DTH. O serviço de telefonia, por enquanto, não está sendo comercializado, mas a empresa está oferecendo para testes, por seis meses, gratuitamente. A oferta combinada tem diferentes pacotes. No menor, o pacote essencial, o assinante pode contratar a TV paga, com 55 canais, por 12 meses, mais a banda larga de 1 Mega, pagando mensalidade de R$ 84,7 (e tem seis meses de telefone fixo para testar). O maior pacote "TV Família Cinema" é combinado com a banda larga de 12 Mega e custa R$ 234,8 mensais (também num contrato de 12 meses) e o cliente tem direito a 96 canais, além do telefone para teste.

Meta de 1 milhão no DTH

O serviço de TV por assinatura por meio do satélite é o que mais tem crescido no país, segundo os dados da Anatel. A Embratel, que lançou o seu Via Embratel em dezembro de 2008, encerrou junho deste ano com 655,7 mil assinantes. A meta para o final de 2010 é ter 1 milhão de clientes no serviço de TV paga, segundo Antônio João.

A operadora, que focava inicialmente as classes econômicas de menor poder aquisitivo, está oferecendo sua TV paga para todas as classes sociais e está investindo no conteúdo de alta definição. No início de junho lançou nove canais de HD. O pacote HD oferece 96 canais SD, mais os 9 canais HD e o acesso a banda larga de 12 Mega por mensalidade de R$ 309,8.

Em estudo, Ancine diz que preço por canal por assinante é mais alto no Brasil

A Agência Nacional de Cinema (Ancine) está, aos poucos, se preparando para atuar como uma agência reguladora do mercado audiovisual como um todo, e não só do meio cinematográfico. Não que a agência já não tenha atribuições relevantes em relação aos conteúdos em outras plataformas, como o registro de obras, acompanhamento de produções e administração do recolhimento da Condecine. Mas o que ficou claro na apresentação de Manoel Rangel, presidente da agência, durante a ABTA 2010, é a preocupação da Ancine no diagnóstico setorial em áreas que vão além do mercado de cinema e na proposição de ações regulatórias específicas. A agência deverá ter uma atuação reguladora bem mais importante no setor de TV paga caso mantenha-se a proposta de legislação de TV paga do PLC 116 no Senado.

Segundo Rangel, os objetivos da Ancine serão sempre o de reduzir os preços ao consumidor, estimular o investimento privado em toda a cadeia e possibilitar maior diversidade cultural e presença de conteúdo brasileiro (de estoque e conteúdos independentes) nas diferentes plataformas.

Rangel procurou demonstrar, com dados econômicos e estudos setoriais, que a TV por assinatura está com um custo por assinante por canal bastante elevado em relação a outros mercados internacionais. E mostrou que o setor de TV paga tem uma grande deficiência na exibição de conteúdos brasileiros.

Um levantamento da agência, atualizando análise que havia sido realizada em 2007, estudou pacotes de operadoras em cinco países. O critério de análise foi comparar a média de preços de pelo menos duas operadoras de cada país (no caso brasileiro foram cinco), a partir dos canais no segundo pacote mais barato, excluídos canais de transporte obrigatório (must carry).

O levantamento mostra que no Brasil o preço ao consumidor por canal por assinante fica entre R$ 2,88 e R$ 1,97, o que, segundo Rangel, é um valor bem acima do Chile, onde o preço do canal por assinante está entre R$ 1,08 e R$ 1,24; Espanha, entre R$ 1,80 e R$ 0,82; Portugal, entre R$ 0,82 e R$ 0,81 e; Argentina, entre R$ 0,89 e R$ 0,51. Questionado, sobre a influência tributária sobre esta variação, Rangel afirmou que esse não pode ser colocado como o fator preponderante para a diferença, porque no mesmo levantamento feito em 2007 os valores praticados no Brasil eram muito maiores, entre R$ R$ 1,92 e R$ 6,84. "Não houve nenhuma mudança tributária desde então. O que fez com que houvesse diminuição de valores foi a competição entre operadoras, que se ampliou de 2007 para cá", disse.

De fato, desde 2007 o mercado de TV paga presenciou o início da operação de pelo menos quatro operações de DTH (Telefônica, Oi, Embratel e CTBC). Rangel destacou também que na análise feita em 2010, foi considerado o cenário em que há dois novos operadores, e nesses casos, o preço por canal por assinante é menor ainda, reforçando a sua hipótese de que a competição é que leva à redução de preços. Para Sean Spencer, diretor geral da TAP Latin America, associação que representa operadores internacionais na América Latina, não é possível descartar a questão tributária que, segundo ele, é muito mais elevada no Brasil.

Outro dado do estudo da Ancine é que, nos pacotes analisados, há menos canais. No caso de Espanha e Portugal há entre 31 e 54 canais nos pacotes analisados. Na Argentina e Chile, entre 42 e 86. No Brasil, o total de canais nos pacotes estão entre 26 e 47 canais.

Olhando especificamente o cenário competitivo na cidade do Rio de Janeiro (onde há três operadores de DTH de grande porte operando, uma operadora de cabo e uma de MMDS), a conclusão da Ancine é que o preço dos canais por assinantes são 30% maiores do que no Chile, 70% maiores do que em Portugal e Espanha e 171% mais caros do que na Argentina, considerando as operadoras analisadas. Nos demais países, as operadoras analisadas foram ZON e Portugal Telecom, em Portugal; Digital + e Telecable na Espanha; DirecTV, Telmex e VTR no Chile.

Pouco conteúdo nacional

Outro estudo trazido pela Ancine procura mostrar a baixa incidência de conteúdos nacionais nos canais de filmes brasileiros. Foram analisados os canais Canal Brasil, Cinemax, HBO, HBO Family, HBO Plus, Maxprime, Telecine Premium, Telecine Action, Telecine Light, Telecine Pipoca, Telecine Cult e TNT. Segundo a Ancine, considerando o canal Brasil, a incidência de filmes nacionais é de 811 filmes em 4727 títulos exibidos em 2009, ou seja, 14,6%. Desconsiderando o Canal Brasil, esse percentual cai a 1,4%, ou apenas 64 títulos. O quadro não muda na análise dos canais de séries e seriados: 1,2% do tempo da programação foi dedicada a programação nacional, o que dá apenas 34,5 horas anuais, contra 2.754 horas exibidas no ano. Segundo Manoel Rangel, esse pequeno percentual se deveu às coproduções financiadas com recursos do Artigo 39, e no caso do Canal Brasil, trata-se de um canal que tem um incentivo de distribuição colocado na Lei do Cabo. "E ainda assim uma grande operadora brasileira, que já havia tirado o Eurochannel, de filmes europeus, está despejando o Canal Brasil e retirou de sua programação a MTV brasileira para colo9car o da MTV americana". Rangel não citou, mas referia-se à Sky.

Questionado se a política de cotas estabelecida no PLC 116/2010 (que cria novas regras para a TV paga) não poderia levar a uma ampliação do custo dos canais ao operador (e portanto ao assinante), agravando ainda mais o problema, Manoel Rangel lembrou que na redação proposta há um período de transição que ajudará a resolver problemas pontuais. "E a demanda que se criará por conteúdos em TV por assinatura com a entrada de novos operadores dará escala a esse novo conteúdo, e levará a uma redução dos preços", disse o presidente da Ancine. A política de cotas visa ampliar, segundo Rangel, a presença do conteúdo nacional na TV paga, criando um mercado potencial hoje inexistente e dando escala "para que esse conteúdo dispute espaço com aqueles que chegam aqui amortizados".

Dados relevantes

Para o consultor legislativo do Senado, Igor Vilasboas Freitas, que trabalhará na redação do PLC 116/2010, facilitará a análise do projeto se, juntamente com os estudos específicos, a Ancine projetar objetivos e metas a serem atingidas em termos de preços por canal por assinante e em termos de participação percentual do conteúdo brasileiro. Rangel disse que a agência procurará contribuir com estas informações.

Operadoras desmentem notícia sobre acordo para serviço de TV paga móvel

Fontes das operadoras móveis e do mercado de TV por assinatura negam a informação publicada em matéria do jornal Folha de S. Paulo na edição desta quarta-feira, 11, de que as quatro grandes operadoras celulares brasileiras estariam preparando o lançamento em outubro de um serviço de TV móvel com assinatura mensal. A matéria foi a manchete principal do jornal.

O que está acontecendo de fato, segundo apurou este noticiário, são conversas entre um provedor da plataforma (a M1nd) e cada uma das operadoras que já têm hoje modalidades de serviços de TV por assinatura móvel sobre rede celular (TIM e Oi). O objetivo destas conversas é tão somente alterar a forma de empacotamento do produto. Trata-se de uma negociação que já acontece há mais de um ano e foi noticiada por TELETIME News em maio de 2009. Atualmente, TIM e Oi vendem pacotes de acesso a TV móvel de 30 minutos, 120 minutos ou 24 horas. Embasada em pesquisas com os telespectadores, a M1nd propõe que o pacote passe a ser mensal e que dê a possibilidade de o cliente escolher seu próprio lineup de canais. No momento, a TIM oferece 15 canais e a Oi, 16. A M1nd está concluindo negociações com o intuito de aumentar para 128 o número de canais distribuídos por sua plataforma. Como também já foi noticiado, a M1nd mantém negociações com outras operadoras, do Brasil e do exterior, para lançar o serviço de TV móvel, mas não há nada fechado até o momento.

TIM

Em maio de 2009, este noticiário informou que a TIM já estudava a possibilidade de mudar o empacotamento de seu serviço de TV móvel. Em razão da matéria da Folha desta quarta-feira, a operadora enviou comunicado oficial reiterando que "está sempre atenta a todas as oportunidades do mercado e, no momento oportuno, anunciará novidades do seu serviço de TV móvel, TIM TV". Especula-se no mercado que, nesse caso, possa haver de fato algum lançamento em outubro, como anunciou o jornal.

A Oi, por meio de comunicado, esclareceu que as informaçõs da matéria da Folha não procedem e informou que "não prevê investimentos para a TV digital móvel e que desde 2009 está focada no serviço de TV por satélite onde já dispõe de 265 mil clientes". A Vivo, por sua vez, negou que haja alguma negociação com a M1nd.

Pesquisa

De acordo com as pesquisas conduzidas pela M1nd, os consumidores estariam dispostos a pagar até R$ 29,90 por mês para acesso ilimitado ao serviço de TV móvel, sem cobrança à parte pelo tráfego de dados. A palavra final sobre preços de pacotes, contudo, caberá às operadoras.

As pesquisas da M1nd também indicam um interesse do consumidor em comprar vídeo on demand (VOD) e pay per view no celular. A plataforma da empresa está preparada para essa oferta e há conversas em curso com as operadoras sobre essa possibilidade.

TV analógica e TV digital terrestre

Cabe lembrar que o serviço oferecido hoje por Oi e TIM com a plataforma da M1nd nada tem a ver com TV analógica e nem com TV digital terrestre. Existem de fato alguns modelos de celulares com receptores de TV digital terrestre no padrão ISDB-T vendidos no País por algumas operadoras, mas a transmissão é feita pelas emissoras de TV, a recepção é gratuita e os canais em questão são aqueles da TV aberta. As operadoras não têm nenhum envolvimento.

No serviço da Oi e da TIM são oferecidos canais típicos de TV fechada, como Cartoon Network e CNN, e a transmissão é feita pela rede de dados das operadoras.

Quanto à TV analógica, o mercado brasileiro foi invadido há mais de um ano pela oferta clandestina de celulares com receptor desse sinal, a maioria fabricados por marcas desconhecidas na China, importados ilegalmente e não homologados pela Anatel. Mais recentemente, contudo, apareceram os primeiros modelos com receptor analógico devidamente legalizados, fabricados por marcas reconhecidas internacionalmente, como a ZTE e outros aparelhos montados com chips da Telegent. Tal como na TV digital terrestre, na transmissão analógica o sinal também é gerado pelas emissoras de TV e a recepção é gratuita.