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França lança primeiras advertências por downloads ilegais

Dois provedores de acesso à internet na França enviaram os primeiros correios eletrônicos de advertência por downloads ilegais na web, confirmou nesta segunda-feira o organismo francês encarregado de aplicar a lei aprovada há pouco mais de um ano.

Conhecida como HADOPI (Alta Autoridade para a Difusão de Obras e Proteção dos Direitos na Internet, em francês), a lei prevê que no caso de um download ilegal identificado e reiterado que o usuário tenha suspenso o acesso à internet depois de duas advertências e por decisão de um juiz.

Segundo o site PcInpact, os provedores franceses de internet, telefonia e tv a cabo Numericable e Bouygues Telecom foram os primeiros a enviar e-mails de advertência a seus clientes.

Se cometer uma terceira infração, o usuário corre o risco de ser multado e ter suspenso seu acesso até um ano, sem possibilidade de se inscrever em outro provedor.

A lei promovida pelo governo francês foi alvo de um caótico percurso legislativo e da censura, em junho de 2009, do Conselho Constitucional, instância suprema que garante a constitucionalidade das leis.

Audiência pública discute novas diretrizes para o curso de jornalismo

Uma comissão de especialistas recebeu no início de 2009 uma missão do Ministério da Educação (MEC): redesenhar as diretrizes para o curso de jornalismo. A decisão partiu do próprio ministério, que entendeu como prioritário para a educação do país rediscutir os rumos dessa área acadêmica. Dentre outras conclusões, a comissão fez a leitura de que é preciso fortalecer o curso de jornalismo como uma área autônoma. Para recolher mais opiniões sobre a proposta de novas diretrizes, a Câmara de Ensino Superior do Conselho Nacional de Educação (CNE) irá realizar uma audiência pública em Brasília, em 8 de outubro, às 10hs, no auditório do CNE.

As recomendações sistematizadas no documento são: criação de um programa nacional de aperfeiçoamento docente em jornalismo; direcionamento do campo de pesquisa em jornalismo para o aperfeiçoamento da prática; uma consulta da academia às empresas e sindicatos, no intuito de capacitar os ingressantes no mercado em setores estratégicos e reciclar jornalistas já diplomados com objetivo de especializá-los em campos diversos da mídia atual; e a regulamentação dos processos didáticos para a aplicação das diretrizes.

A proposta mais controversa, no entanto, é a de autonomia do curso de jornalismo dentro da área da Comunicação Social. Segundo o documento, “a responsabilidade social do jornalismo, seu papel essencial na democracia e a competência específica exigida para exercê-las, lidando com as novas tecnologias, aspectos enfatizados ao longo deste documento, recomendam uma formação fundamentada na ética, na competência técnica, no discernimento social e na capacidade crítica, habilidades que só podem ser adquiridas em uma sólida formação superior própria.”

O professor da Universidade Metodista de São Paulo José Marques de Melo, presidente da comissão, conta que o Ministério da Educação já vinha fazendo um levantamento de cursos que estavam desvalorizados no Brasil, e decidiu por revisar as diretrizes do curso de jornalismo. “O que nós procuramos fazer é criar uma flexibilidade e não engessar o curso de jornalismo, de forma a valorizá-lo para além de uma simples habilitação”.

As mudanças valorizarão o campo específico do jornalismo na academia e no mercado. É o que pensa a diretora da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) Valci Zuculoto. “Uma das coisas que a gente acha que foi positiva foi o reconhecimento das especifidades da nossa área” relata a diretora. “Nós não somos a favor da preparação de um profissional para o mercado capitalista, e sim para ter conhecimento de qual é o seu papel e como servir à sociedade”.

A Comissão teve o prazo de 180 dias para concluir os trabalhos e submeter as propostas para as novas diretrizes para o Conselho Nacional de Educação. Além de José Marques de Melo, fizeram parte dela os professores Alfredo Vizeu (UFPE), indicado pelo Fórum Nacional de Professores de Jornalismo (FNPJ); Eduardo Meditsch (UFSC), indicado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj); Luiz Gonzaga Motta (UnB), indicado pela Associação Brasileira de Pesquisadores em Jornalismo (SBPJor); Manuel Carlos Chaparro (USP); Sônia Virgínia Moreira (UERJ); Sergio Mattos (UFBA); e Lúcia Maria Araújo, representante do Canal Futura.

Críticas ao modelo

Com a sugestão de separação do curso de jornalismo, suscita-se uma antiga discussão acadêmica: a formação do estudante deve ser abrangente ou específica? Embora a comissão tenha concluído a favor da especificação, há setores da academia que não concordam com o método. É o caso da Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social (Enecos). Para um dos coordenadores nacional da entidade Pedro Alves as novas diretrizes do jornalismo vem com único e exclusivo interesse de atender à demandas do mercado. “A nossa concepção é outra, que garanta a qualidade na formação dos comunicadores sociais, dando suportes técnicos e teóricos para que o comunicador possa exercer sua função social a favor do povo”, diz Alves.

Diretora do curso de comunicação da UFRJ, Ivana Bentes, acredita que a proposta é um retrocesso para a área da comunicação. “Essa visão de jornalismo é estreita, arcaica e está sendo defendida por setores corporativistas do jornalismo”, afirma a professora. “Com a saída do jornalismo da grande área, isso traria efeito direto não só para essa profissão, mas também para as outras habilitações, que ficariam incompletas”.

Outra crítica feita é em relação a forma adotada para a elaboração das novas diretrizes. “O método de formulação da proposta foi antidemocrático porque nada foi divulgado ou debatido nas escolas de comunicação do Brasil”, diz Pedro Alves, da Enecos. “Fizemos um mapeamento no primeiro semestre e em muitas escolas, os professores, os técnicos e os estudantes não sabem da existência de uma nova diretriz para o jornalismo.”

Retrospecto histórico

O primeiro currículo de jornalismo veio com a criação do primeiro curso da área, em 1946. Todas as escolas de comunicação do país eram obrigadas a segui-lo. Com a chegada da Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1961, a graduação passaria a ter um currículo mínimo e não mais uma grade fechada, garantindo autonomia e flexibilidade às instituições. Foi então que, em 1962, apresenta-se o primeiro currículo mínimo para o curso de jornalismo.

Com a chegada da nova Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, em 1996, iniciou-se uma mobilização para a atualização do currículo do curso de Comunicação Social. Daí então é que, em 1999, com amplos trabalhos junto à diversas entidades da sociedade civil, se formulou as “Diretrizes Curriculares para o Curso de Comunicação Social”. A principal diferença dessa vez era que não existia mais um currículo mínimo, e sim indicadores de como seria o curso, que agora abrangia toda a área, mas possibilitava a criação de habilitações, como a de jornalismo.

Governador do Paraná consegue liminar que censura post no Twitter

Após suspender a divulgação de pesquisas de intenções de voto de sete institutos e proibir, por meio de liminar, a veiculação de matéria da revista IstoÉ, o governador eleito do Paraná, Beto Richa (PSDB), conseguiu censurar um texto de 112 caracteres de um usuário do Twitter. 

O condenado pelo Tribunal Regional Eleitoral do Paraná (TRE-PR) é o publicitário Maurício Betti, que tuitou o suposto vazamento de uma pesquisa censurada do Datafolha, na última sexta-feira (01). 


Sob pena de multa de R$ 50 mil, o juiz auxiliar Juan Daniel Pereira Sobreiro determinou que Betti deletasse o tuite e publicasse retratação. 

"Em atendimento à liminar concedida na representação nº 2192-04.2010.6.16.0000 do TRE/PR retratamo-nos nos seguintes termos: 'As informações sobre a pesquisa eleitoral ref. ao Datafolha não são corretas porque a referida pesquisa encontra-se suspensa por ordem da Just.Eleitoral", dizia a retratação, que teve de ser dividida em dois posts, já que excedia o limite de 140 caracteres. 

Na última semana, a coligação "Novo Paraná", que apoiou a candidatura de Richa, mobilizou seu departamento jurídico para barrar a divulgação de pesquisas e reportagens que indicassem o candidato petista Osmar Dias como o primeiro na corrida pelo governo do estado. 


De acordo com a coligação, as pesquisas continham falhas na metodologia, sobretudo porque não especificavam o perfil de seus consultados. 

Ivan Bonilha, coordenador jurídico da campanha de Richa, afirmou à revista Época que tomou conhecimento do tuite por meio de uma denúncia. "Não importa se ele tem poucos ou muitos seguidores. Se ele quisesse mandar para uma pessoa só, haveria meios para isso. Mas se ele colocou no Twitter, é porque queria tornar a informação pública", disse. Ele garantiu, ainda, que a campanha de Richa não monitorou redes sociais. "Não há monitoramento, estamos preocupados apenas com o cumprimento da legislação eleitoral".   

Paródia: Folha tira site “Falha de S.Paulo” do ar

A Folha de S. Paulo conseguiu, por meio de uma liminar antecipação de tutela), tirar o site Falha de S. Paulo do ar. A página foi criada a cerca de 20 dias e fazia uma paródia do jornal, com críticas à cobertura do veículo. O site era mantido por Lino Ito Bocchini e Mario Ito Bocchini, que pretendem recorrer da decisão da 29ª Vara Cível de SP, que condena os irmãos a pagarem multa diária de R$ 1.000 caso descumpram a determinação.

A alegação da Folha de S.Paulo para mover a ação é o "uso indevido da marca" na página de paródia. O processo contém mais de 80 páginas.

Para Lino Bocchini, a atitude da Folha foi “violenta”. “Não recebemos nenhum e-mail antes, nenhuma ligação. A liminar chegou direto. É uma ação muito violenta”, afirmou. O jornalista disse ainda que o veículo se contradiz com o processo. “Eu sempre li a Folha e concordei com os editoriais com defendem a liberdade de expressão. Mas agora a Folha vai contra tudo o que ela defendeu”, criticou.

Segundo a advogada Taís Gasparian, que trabalha no caso, a Folha não questiona nem a sátira, nem o nome do site, apenas o uso da marca, que envolve o logotipo e layout do jornal.

Lino não concorda com a alegação. “A Folha foge da discussão central, que é o impedimento de fazer uma crítica ao jornal”, contesta. O jornalista ainda ressalta que ele e o irmão não são filiados a nenhum partido e apenas questionam a cobertura do veículo.

De acordo com ele, a intenção é recorrer da decisão, mas a tarefa é difícil. “Não somos uma empresa, nem organização. Apenas criamos um site, uma paródia. Nós não temos advogado, mas agora vamos ter que procurar um”, disse.

O Twitter do Falha de S. Paulo e um vídeo crítico, que satiriza uma campanha do jornal, continuam no ar, mas os autores temem que a Justiça decida retirá-los.

Justiça prorroga por mais 30 dias consulta pública do PGMU

As concessionárias conseguiram prorrogar por mais 30 dias o prazo da consulta pública do Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU) em liminar concedida ontem pela Justiça Federal do Rio de Janeiro. O prazo concedido pela Anatel terminaria neste sábado, dia 2, após uma prorrogação de 10 dias que já havia sido definida pela agência.

A agência tem pressa porque ela quer enviar ao governo o documento final no máximo até o mês de dezembro, para que possa ser publicado o Decreto presidencial com as novas metas de universalização a serem cumpridas pelas concessionárias pelo período de 2011 a 2016. A renovação dos contratos de concesssão deve ser assinada pelos empresários até o dia 31 de dezembro, no documento são anexados as novas regras e obrigações que deverão ser cumpridas das empresas para o próximo quinquênio.

As operadoras alegam, no entanto, que as novas obrigações apresentadas pela agência são muito diferentes daquelas submetidas à consulta pública há dois anos, e que há poucos dias conseguiram começar a entender as premissas adotadas pela agência, com as quais precisam confrontá-las com seus números.

Conforme a Anatel, as novas metas teriam um déficit de R$ 1,7 bilhão, a valor presente, que seria coberto pela receita da oferta do backhaul (construído também no contexto do serviço público, e pela diminuição no número dos orelhões). As concessionárias alegam que o rombo é muito maior, pois as premissas usadas pela agência para fazer os cálculos não se confirmariam com a realidade do sistema.

Os empresários entendem que essa discussão deve demandar muito mais tempo e cautela, e por isso acham que os contratos de concessão podem ser assinados sem que o novo plano geral tenha que ser assinado este ano.

Com a prorrogação concedida pela justiça – se a Anatel não conseguir derrubar a liminar – os prazos para a publicação definitiva do documento vão ficando apertados, visto que o Conselho Consultivo da agência tem direito de analisar a proposta da Anatel pelo período de um mês antes de ela ser encaminhada do governo. Talvez, a alternativa seja negociar com o conselho consultivo um prazo menor.