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Call center da Anatel não atende regras do Decreto SAC

Apesar de ser o órgão regulador da telefonia, o call center da Anatel – principal instrumento de interação dos usuários com a agência – é deficiente, derruba chamadas de consumidores, não possui indicadores de qualidade e funciona em horário reduzido.

A avaliação é do Tribunal de Contas da União e a conclusão é que a Anatel não respeita o que está previsto no Decreto do SAC. O Decreto, de 2008, estabeleceu regras para garantir alguma qualidade nos serviços de atendimento aos consumidores, tratando sobre itens como tempo de espera, acesso a deficientes e a possibilidade de contato com um atendente, e não somente com máquinas.

À pedido do Senado Federal, o TCU fiscalizou, entre abril e junho de 2009, os serviços de call centers das agências reguladoras. E embora o próprio tribunal ressalte que o Decreto se destina aos fornecedores de serviços, manteve o entendimento de que os órgãos reguladores devem acompanhar as mesmas regras como forma de preservar a eficiência e a qualidade dos serviços públicos.

A Anatel não está sozinha na avaliação de que o atendimento é deficiente – a ANS, que regula os planos de saúde, também tem falhas – mas não deixa de ser emblemático que o órgão que fiscaliza e regula a telefonia mereça uma séria de aprimoramentos em seu sistema telefônico, responsável por 94% dos atendimentos aos consumidores que procuram a agência.

Alguns dos problemas verificados são comuns a outros órgãos, como o funcionamento somente das 8h às 20h – e não 24 horas por dia. No caso da Anatel, a redução do horário se deu por “questão de contingências orçamentárias e por considerar que as demandas não poderiam ser tratadas fora do horário de funcionamento dos outros setores da Agência”.

Tampouco existe acesso diferenciado ao serviço de atendimento para os portadores de necessidade especiais. A Anatel promete, no entanto, que esse acesso estará disponível a partir do novo contrato para serviços de call center. Com essa nova licitação, a agência também promete aumentar o número de atendentes.De acordo com o relatório do tribunal, a equipe da central de atendimento, incluindo atendentes, supervisores e gerente, conta, em média, com 300 funcionários.

A ampliação do atendimento parece ser fundamental, uma vez que a própria Anatel admite que com a mudança do número de atendimento do 0800 para o 133, que se deu em janeiro do ano passado, “houve aumento inesperado e aparentemente perene da quantidade de ligações telefônicas recebidas”. Como resultado, diz o TCU, “as filas de espera nas linhas telefônicas estão crescendo, inclusive com a necessidade de se retirarem usuários, derrubando a chamada”.

A Anatel também não realiza pesquisa de satisfação com os usuários do seu call center. O que existe é uma análise estatística por meio de amostragem, em que são escolhidas, aleatoriamente, algumas respostas. “Sem as pesquisas periódicas, a Anatel não obtém importantes subsídios para a elaboração e revisão dos regulamentos referentes aos seus serviços, bem como para outras ações regulatórias de enforcement da qualidade.”

Ainda de acordo com o TCU, não existem indicadores de satisfação do usuário. “A não confecção de indicadores para a satisfação dos cidadãos faz com que a agência não conheça profundamente a opinião dos usuários sobre seu atendimento. Tais informações são importantes para balizar e melhorar a fiscalização e a regulação, já que são fontes de informação para diversas áreas da Anatel.”

Fust poderá custear instalação de cinemas, teatros e bibliotecas

A Câmara analisa o Projeto de Lei 6993/10, do deputado Antônio Roberto (PV-MG), que destina pelo menos 3% dos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FustO Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações foi instituído pela Lei 9.998/00 com o objetivo de proporcionar recursos para cobrir a parcela de custo relativa ao cumprimento das obrigações de universalização de serviços de telecomunicações que não possa ser recuperada com a exploração do serviço.

 

Cabe ao Ministério das Comunicações formular as políticas, as diretrizes gerais e as prioridades que orientarão as aplicações do Fust e definir os programas, projetos e atividades financiados com recursos do fundo.) para subvencionar a instalação e a manutenção, por instituições sem fins lucrativos, de espaços de difusão da cultura nacional, como cinemas, teatros e bibliotecas, em municípios que não contam com estabelecimentos desse tipo.

 

“Grande parte da nossa população vive em pequenos núcleos urbanos, sem acesso a eventos culturais, inteiramente dependente da programação de televisão”, argumentas o deputado. Ele assinala que “significativa parcela da sociedade brasileira” não tem contato com manifestações culturais que lhe dariam alguma capacidade crítica em relação aos acontecimentos políticos, sociais, econômicos e culturais, permanecendo à margem da história, relegada ao papel de simples agente passivo”.

 

Antônio Roberto sustenta que o projeto vai contribuir para mudar essa realidade, ao criar opções de entretenimento e lazer e fazer com que o habitante de pequenos municípios tenha acesso a material de leitura e a eventos culturais de boa qualidade.

 

Tramitação

 

O projeto foi apensado ao PL 1481/07, do Senado, que amplia o acesso a redes digitais de informação em estabelecimentos de ensino. As propostas aguardam votação pelo Plenário.

Anatel autoriza entrada da PT na Oi

O Conselho Diretor da Anatel aprovou por unanimidade na manhã desta sexta-feira, 29, a entrada da Portugal Telecom (PT) no bloco de controle da concessionária Oi. A agência não impôs nenhuma contrapartida à empresa para a manutenção da anuência. Mas isso não significa que a Oi não terá desafios a superar para confirmar a validade da autorização.

Isso porque a Anatel adotou a nova interpretação da Advocacia-Geral da União (AGU) de que os Procedimentos de Apuração por Descumprimento de Obrigações (Pados) também devem ser quitados para que a companhia comprove "regularidade fiscal". Nem todos os Pados entram nesse critério. Devem ser quitados obrigatoriamente os processos transitados em julgado, ou seja, que não tem mais previsão de recurso da concessionária na esfera administrativa.

Isso não significa, porém, que a empresa não tenha mais nenhum meio de contestação. Na verdade, o movimento natural das companhias sempre foi recorrer ao Poder Judiciário contra as multas aplicadas pela Anatel. Com a quitação que deverá ser feita agora, esse direito não se extingue. Mas, obviamente, fica mais complicado para a companhia contestar na Justiça um sanção já paga à agência.

20 dias

A Oi terá 20 dias para fazer esse acerto de contas na Anatel e obter o certificado de regularidade fiscal junto à agência. Caso ela não cumpra esse prazo, a concessionária corre o risco de ter a anuência prévia ao negócio revogada. Apesar da Oi, especialmente após a compra da Brasil Telecom, ser a campeã em multas administrativas no setor de telecomunicações, o montante a ser quitado representa menos de 10% do total de sanções pendentes de pagamento.

Segundo o conselheiro João Rezende, 28 Pados contra a Oi já transitaram em julgado e, portanto, devem ser quitados. Esses processos representam R$ 74 milhões em multas. Pelos últimos balanços da Anatel, o montante de penas contra a Oi supera a casa do R$ 1 bilhão, mas a grande maioria dos processos ainda pode ser objeto de recurso por parte da concessionária.

Polêmica

Apesar de existir um posicionamento da Coordenação-Geral de Correições (CGCOR) da AGU – local hoje responsável pelo controle do recolhimento de débitos das autarquias – em favor da interpretação de que a existência de Pados não quitados caracterizam débito fiscal, o assunto ainda gera polêmica dentro da Anatel. Tanto que, apesar de existir uma instrução normativa desde fevereiro deste ano da procuradoria da Anatel confirmando essa interpretação, esta é a primeira vez que o método é aplicado na análise de um pedido de anuência prévia.

Segundo fontes da Anatel, a agência não fez qualquer análise dos débitos dos Pados quando concedeu recentemente a anuência prévia à mudança de controle na Vivo, onde a Telefônica assumiu plenamente o comando da operadora celular com a saída da PT.

Outro fato intrigante na comparação entre o processo Vivo/Telefônica e Oi/PT é que, no primeiro caso, a agência aguardou o fechamento dos mercados para anunciar sua decisão. Já no processo julgado hoje, a Anatel optou por confirmar a decisão em entrevista coletiva marcada incialmente para às 12h e depois remarcada para às 12h30, em seu escritório regional em São Paulo.

Anúncios desse tipo costumam afetar a negociação das ações das companhias abertas e, por isso, os órgãos públicos costumam divulgá-las apenas após às 17h, quando o pregão da Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) é concluído. Às 13h30, os papéis da Tele Norte Leste Participações, holding da Oi, registravam queda de 2,51% nas ações ordinárias (R$ 33,72) e de 2,12% nas preferenciais (R$ 25,80).

Interatividade deve ser obrigatória em receptores nacionais

O ambiente interativo pode ser obrigatório nos receptores de TV digital, sejam eles set-top boxes ou televisores com recepção embutida. Em conversa com jornalistas durante o Futurecom nesta quinta, 28, Roberto Pinto Martins, secretário de telecomunicações do Ministério das Comunicações, afirmou que o decreto 5.830/06, que implementa a TV digital no Brasil, tem três pilares que precisam ser respeitados. Pelo decreto, a TV digital brasileira precisa comportar transmissões e recepção SD e HD; comportar transmissão/recepção móvel e portátil; e ter interatividade. "Os equipamentos vendidos no Brasil precisam ser compatíveis com o arcabouço legal", afirmou.

 

Antecipação

 

Roberto Pinto Martins falou ainda sobre a fabricação imediata de receptores de baixo custo. Segundo ele, os set-top boxes foram necessários na transição para TV digital nos países mais adiantados neste processo. O secretário de Comunicações propõe que se adiante este processo no Brasil, privilegiando a fatia da população que não tem acesso aos televisores com recepção embutida. Para isso, aposta nos três consórcios criados para produzir receptores de baixo custo.

 

Segundo o assessor especial da Casa Civil André Barbosa, estes consórcios já estão conversando com BNDES, Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal em busca de financiamento para a produção dos equipamentos. Além do financiamento, Barbosa acredita que possa haver um subsídio por parte do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal. "Da mesma forma que uma operadora móvel subsidia os aparelhos, os bancos poderiam subsidiar os receptores aos clientes, que poderiam usar aplicações bancárias através dos televisores", explica. "Será necessário desenvolver aplicativos que sejam compatíveis os televisores de CRT", disse, referindo-se principalmente ao projeto gráfico dos aplicativos de interatividade. Um aplicativo desenhado para televisores de alta definição não teria uma boa visualização em televisores SD. "Não sei se a Globo ou o SBT vão se interessar em fazer isso, mas TV pública certamente, sim".

 

Para André Barbosa, o set-top box não se popularizou no Brasil porque os principais fabricantes de equipamentos eletrônicos, que são os que "têm acesso ao varejo", preferiram apostar nos televisores com receptor embutido. Para os equipamentos populares, Barbosa diz que haverá uma parceria com os Correios, que podem atuar tanto na campanha de divulgação quanto na distribuição de equipamentos.

Brasil precisa investir em TIC para estimular desenvolvimento afirma Ipea

O Brasil precisa ampliar os investimentos em Tecnologias da Informação e Comunicação (TICs) se quiser estimular a pesquisa e o desenvolvimento. A área de TICs inclui setores de equipamentos e serviços tecnologicamente avançados.

 

Essas tecnologias contribuem de forma significativa para os ganhos de produtividade em todos os setores da economia e têm importância estratégica para o desenvolvimento do país, destaca o boletim Radar do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea), do bimestre setembro-outubro.

 

De acordo com o documento, o setor de TICs é responsável por parcela significativa dos esforços privados em pesquisa e desenvolvimento (P&D). O estudo cita como exemplo os Estados Unidos, onde as empresas desses setores respondem por cerca de 35% do total de P&D investido por empresas privadas norte-americanas.

 

O Ipea ressalta que, diante do crescente debate público sobre telecomunicações no Brasil, é de fundamental importância a produção de estudos e análises que possam contribuir para a formulação e implementação de políticas públicas para o setor. Deve-se, para isso, buscar convergência tecnológica com as tendências do mercado global.

 

O ideal, de acordo com o estudo do Ipea, é saber para onde caminha a fronteira tecnológica do setor para o país alinhar as diferentes políticas públicas na mesma direção. Fator que servirá de apoio determinante para o fortalecimento da produção científica e tecnológica brasileira e para construir vantagens competitivas que permitam ao país ser um ator relevante em nível mundial. O estudo foi produzido pela Diretoria de Estudos e Políticas Setoriais, de Inovação, Regulação e Infraestrutura (Diset) do Ipea.