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MDIC discute produção de conteúdo

A Secretaria de Inovação do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) realiza a segunda reunião do Grupo de Trabalho sobre Conteúdos Digitais, nesta quarta-feira (16/03), no Rio de Janeiro. O encontro faz parte da programação do Rio Content Market, evento internacional de conteúdo multiplataforma, voltado para a indústria televisiva e mídias digitais.

Entre os assuntos em destaque está a criação de um Programa Clusters de Animação e Jogos Eletrônicos voltados aos Arranjos Produtivos Locais. A idéia é articular o setor empresarial, entidades de classe do setor audiovisual e instituições de ensino com o objetivo de formular um projeto de núcleo de excelência em capacitação.

Também vai ser discutida a formulação de um projeto de estímulo à produção de conteúdos digitais interativos. O objetivo é capacitar profissionais da área audiovisual para atender as demandas de conteúdos digitais multiplataformas oriundas do novo padrão da televisão brasileira de TV Digital, o ISDB.

Grupo de Trabalho sobre Conteúdos Digitais está ligado ao Fórum de Competitividade de Tecnologia da Informação, conduzido pela Secretaria de Inovação do MDIC. Representantes de empresas de software, de entidades de pesquisa de computação e de empresas do setor de informática também compõem o GT sobre conteúdos digitais.

A reunião marcada para o próximo dia 16 tem a coordenação do diretor do Departamento de Tecnologias Inovadoras, João Batista Lanari Bó.

Ministério Público cobra obrigações contratuais e deixa operadores de cabo preocupados

Uma ação do Ministério Público Federal em Jaú/SP contra a BigTV e a Net Serviços (que comprou a BigTV) está deixando operadores de TV por assinatura preocupados. O MPF está questionando as empresas pelo suposto descumprimento de obrigações contratuais, entre eles e a obrigação de cobertura da cidade em que o serviço é prestado. A preocupação de operadores de TV por assinatura ouvidos por este noticiário é que, na prática, isso gere uma onda de questionamentos semelhantes, já nem todas as operações atendem rigorosamente todas as obrigações estabelecidas nos contratos de concessão.

A ação civil pública do MPF em Jaú/SP começou a tramitar no dia 11 de março, sexta-feira passada. Segundo a ação, há um ano venceu a obrigação de operadora atender a 90% dos domicílios, mas o índice efetivo de atendimento era de 48,5%. A BigTV teria pedido adiamento desse prazo contratual em 2007. Segundo apurou este noticiário, esta situação se repete em várias operadoras de TV a cabo que entraram no mercado a partir de 1999. Apenas estas empresas têm obrigações de cobertura, já que as metas eram parte dos editais lançados em 1997 e foram anexadas aos contratos das empresas vencedoras. Na ocasião da licitação, quem se comprometesse com as metas mais agressivas de cobertura ganhava mais pontos técnicos. Praticamente todas as empresas optaram por se comprometer com o máximo de obrigações, para não perder pontos preciosos na disputa.

Anatel

A ação do Ministério Público Federal também é contra a Anatel, que deveria ter fiscalizado. O pedido do MPF é para que em 30 dias seja apresentado um cronograma de expansão das redes para atender ao estabelecido em contrato.

A Anatel vem desde 2009, segundo fontes da agência, mandando ofícios para as operadoras cobrando o cumprimento das metas de cobertura. Na verdade, as primeiras metas começaram a vencer logo após o início da operação de cada operadora de TV a cabo, já que os índices a serem atendidos eram progressivos, mas a partir de 2009 todos os índices teriam que ter sido atingidos nas outorgas que entraram em funcionamento em 1999. Segundo fontes da agência, não existe ainda nenhuma ação sancionadora, mas a Anatel está exigindo o cumprimento das metas até o início do processo de renovação dos contratos de concessão. Como as outorgas de cabo valem por 15 anos e o processo de renovação começa dois anos antes, em 2012 as operadoras que venceram os editais a partir de 1999 terão que estar com suas responsabilidades contratuais cumpridas. Informalmente, operadores de TV a cabo alegam que seria inviável colocar rede disponível para atender a 90% dos domicílios de uma cidade, já que dificilmente isso terá algum retorno econômico. Alegam ainda que essa obrigação não existe para todas as operadoras de cabo e que ainda que seja um item do contrato, seu cumprimento inviabilizaria a prestação do serviço como um todo.

De fato, os operadores de cabo mais antigos, cujas concessões vencem no final deste ano e já estão em processo de renovação, não têm as mesmas obrigações de cobertura. As maiores operadoras de cabo do Brasil estão nesta condição, pois são originárias das antigas licenças de DISTV convertidas em outorgas de cabo em 1996.

A ideia da Anatel, segundo posicionamento do conselho diretor no final do ano passado, é que estas operadoras também tenham obrigações de cobertura como contrapartida ao fato de só pagarem o custo administrativo da outorga (R$ 9 mil) na renovação. Contudo, tudo isso ainda depende da publicação da nova versão do Regulamento de TV a Cabo, que está no conselho diretor.

Boa parte da rede óptica brasileira tem problemas de qualidade, diz CPqD

Cerca de 38% de toda a planta óptica do Brasil apresenta falhas de dispersão de sinal (PMD, ou modo de dispersão de polarização, em português). Em outras palavras, possuem assimetrias e imperfeições que fazem com que as ondas viajem a velocidades diferentes e a propagação dos pulsos ópticos ocorra de forma aleatória, o que limita a taxa de transmissão de dados nas fibras. Além disso, 46% dessa infraestrutura tem seu sinal enfraquecido ao longo do cabo por apresentar atenuação acima dos 0,24 decibéis (dB) por quilômetro, valor mínimo recomendado por organismos internacionais. O diagnóstico é do CPqD. Entre backbone e backhaul, cerca de 30 mil quilômetros de fibras foram analisados. Apesar disso, segundo Edna Aparecida Sabatina Saito, da gerência de Marketing de Produto e Inovação Óptica do CPqD, a amostragem representa a realidade de toda a infraestrutura óptica do país. Grande parte ainda opera com hierarquia digital síncrona (da sigla em inglês SDH), uma tecnologia inferior ao sistema de multiplexação por divisão de onda de luz (da sigla em inglês WDM), que permite a transmissão de dois ou mais canais simultâneos por um mesmo meio de transmissão. “Nosso parque de fibras está bem desatualizado, some-se a isso a mão-de-obra terceirizada que muitas vezes corta e emenda essas fibras de qualquer maneira”, diz.

Apesar da imunidade à interferências eletromagnéticas e da maior capacidade de transmissão de dados em relação aos cabos metálicos, os cabos ópticos são compostos de fibras de vidro ou de materiais poliméricos com capacidade de transmitir luz de diâmetros ínfimos, da ordem de micrômetros (mais finos que um fio de cabelo) até milímetros. Por isso, são muito sensíveis a torções, dobras, trações e demais condições de stress.

Tendência é piorar

Segundo a especialista, a tendência é que este cenário piore ainda mais se nada for feito. Isso porque os serviços estão exigindo cada vez mais largura de banda e, com a evolução das redes, o enfraquecimento, perda e dispersão dos feixes de luz ao longo do cabo óptico também aumentarão. “Neste ano já começa a surgir as primeiras RFPs (solicitações de propostas) de sistemas de 40 Gbps e a expectativa é que o 100 Gbps chegue entre 2012 e 2013, no Brasil em 2014”, adverte. Ela cita o exemplo de uma grande operadora nacional que migrou uma parte de seu backbone de 10 Gbps para 20 Gbps. “Fizeram e o sistema caiu, pois 73% do trecho daquela infraestrutura não estava apto para atender esse aumento de capacidade”, revela.

De acordo com a especialista, somente 4% de todo esse backbone carecia de substituição de cabos ópticos. Os outros 96% necessitavam apenas de medições, análises e algumas correções, sem grandes investimentos. Reparos de fusões malfeitas e instalações de multiplexadores em pontos estratégicos do link, segundo ela, foram suficientes para restabelecer a qualidade de todo o trecho. “As vezes um equipamento multiplex é o suficiente e sete vezes mais barato que um regenerador”, explica.

Edna cita outro dado para justificar a necessidade da consultoria de uma empresa especializada antes de a operadora construir ou buscar evoluir sua malha óptica: “a operadora gastará 30% em novos equipamentos para fazer o mesmo que faria com um simples serviço de análise e readequação da rede”, diz.

Processo que investiga denúncia de irregularidades em licitação da EBC não foi concluído

O ministro Ubiratan Aguiar, do Tribunal de Contas da União (TCU), afirmou hoje (10) que o processo que investiga denúncias de irregularidades em licitação realizada pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC) em dezembro de 2009 ainda não foi concluído.

Procurado pela EBC, o ministro Ubiratan Aguiar informou que o processo ainda não foi concluído, ao contrário do que diz a reportagem Auditoria do TCU confirma fraude em licitação de R$ 6,2 milhões da TV Brasil, publicada na edição de hoje do jornal O Estado de S. Paulo. Segundo Aguiar, o processo ainda se encontra em fase de tramitação técnica e não há qualquer conclusão oficial a respeito do tema.

“A matéria ainda não foi examinada pelo ministro relator, não havendo, portanto, qualquer conclusão oficial. Está sendo examinada no âmbito técnico, onde estão sendo reunidas informações para despacho posterior. Nenhum julgamento, entretanto, será realizado sem observância do direito de defesa, vale dizer, sem ouvir os argumentos das partes envolvidas”, disse.

A EBC informou, por meio de nota, que não recebeu nenhuma notificação do TCU e reiterou que a licitação não foi realizada às pressas, conforme denúncia anterior também publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo.

A reportagem, intitulada TV de Lula contrata por R$ 6 milhões empresa onde atua filho de Franklin, de setembro do ano passado, trazia denúncias de irregularidades na contratação da empresa Tecnet, responsável pelo gerenciamento do arquivo audiovisual da EBC.

Na época, o então ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República (Secom), Franklin Martins, e o secretário executivo da EBC, Ricardo Collar, divulgaram nota afirmando que o processo, realizado por meio de pregão eletrônico, foi legal e transparente e que venceu a empresa que ofereceu o menor preço.

Área técnica da Anatel fecha proposta de mudança no Plano de Metas de Universalização

Após meses de negociação com as concessionárias de telefonia fixa, a equipe técnica da Anatel concluiu esta semana uma primeira proposta de alteração do Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU III), que vigorará até 2014. E, à primeira vista, os argumentos apresentados pela Oi ao longo do debate parecem ter convencido a agência reguladora. A grande maioria dos pedidos feitos pela concessionária foi atendida pela proposta que já circula no Conselho Diretor. A questão das metas de backhaul, como já se sabia, ficou fora do PGMU, para ser negociadas como compromissos voluntários.

Um dos pontos mais sensíveis do novo PGMU deverá ser a liberação do uso da faixa de 450 MHz pelas concessionárias como forma de viabilizar a instalação de TUPs e acessos individuais no interior do país. Desde a primeira apresentação do PGMU à sociedade, as empresas contestaram a possibilidade de cumprir as metas rurais sem a liberação da faixa de 450 MHz, visada também pela Telebrás no contexto do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). A ideia de expandir o serviço às áreas rurais chegou a ser abandonada no início do debate sobre as novas metas, mas agora retornou com força total.

Dívida rural

Técnicos ouvidos por este noticiário argumentam que o setor possui uma "dívida" com as áreas rurais, já que depois de 13 anos de privatização o atendimento dos brasileiros que estão fora dos grandes centros ainda é bastante precário. Assim, abrir mão dessas metas específicas não seria a melhor opção para a agência reguladora. A saída foi ressuscitar a liberação da faixa de 450 MHz para as empresas. Na opinião dos técnicos, expressa na primeira versão do relatório, o uso dos 450 MHz seria o "caminho técnico mais natural e racional".

Prevalecendo essa hipótese, seria imposto às empresas apenas um "ônus regulatório", ou seja, a fixação de compromissos de atendimento sem a cobrança tradicional pelo uso da faixa de radiofrequência. O custo original para exploração da radiofrequência seria descontado na planilha de cálculo do próprio PGMU, equilibrando as contas das novas metas. Mas, ainda assim, as contas não fecham. Para completar a diferença de custo, a área técnica aponta como imprescindível o fim do recolhimento efetivo do "ônus da concessão".

A Anatel já decidiu no ano passado flexibilizar a cláusula do contrato de concessão que trata do ônus, permitindo que esse pagamento seja revertido para o financiamento das metas de universalização. Na prática, as empresas deixarão de recolher os 2% pagos bienalmente sobre seu faturamento bruto a título de manutenção da concessão. A desoneração, no entanto, entrará na planilha de custos do PGMU, equilibrando as contas.

Alternativas

Mesmo com o claro empenho da área técnica em viabilizar as metas rurais por meio do 450 MHz, a equipe sugeriu outras duas opções para que o Conselho Diretor possa deliberar qual o melhor caminho. A mais radical seria eliminar as novas obrigações de instalação de acessos individuais (telefones na casa dos consumidores) e postergar as exigências de instalação de Telefones de Uso Público (TUPs) nas regiões mais distantes. Neste contexto, a faixa de 450 MHz não seria usada, mas ainda assim o abatimento do ônus da concessão seria necessário para equilibrar as contas.

A terceira alternativa é assegurar que todas as metas rurais sejam custeadas com recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust). Nessa hipótese, sequer o pagamento do ônus precisaria ser descontado. Apesar de parecer mais simples e econômico, o caminho de uso do Fust mostrou-se complicado na história da Anatel. Em tese, o fundo serviria exatamente para custear esse tipo de expansão dos serviços de telefonia, mas em uma década de existência pouco mais de 1% dos recursos foram de fato aplicados no setor. Na verdade, o Fust continua servindo, basicamente, para colaborar com o superávit primário do governo federal, já que não pode ser usado em outro setor que não o de telecomunicações.