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Anatel e teles se reúnem com autoridades do Amazonas para discutir melhoria dos serviços

Está marcado para a próxima terça-feira, 11, em Manaus, o encontro entre representantes da Anatel e das operadoras e autoridades locais – representantes do governo estadual, do Legislativo, do Judiciário e da sociedade civil. A missão dos representantes do setor de telecomunicações será prestar contas das medidas que estão sendo adotadas para por fim à situação de descalabro dos serviços no estado e em toda a região Norte – orelhões que não funcionam, interrupções frequentes na telefonia fixa e cobertura deficiente da telefonia móvel, e qualidade ruim do sinal.

De acordo com levantamento da Anatel realizado em junho deste ano, 47% dos orelhões da Oi em Manaus não estavam funcionando.  O problema se estendia ao interior e atingia também os orelhões da Embratel, instalados em regiões fora da zona urbana. Ambas as operadoras informam que estão cumprindo o plano de ação pactuado com a Anatel, para colocar os orelhões em funcionamento.

Em relação às interrupções na rede fixa, a situação da região Norte – o problema também vem aumentado de expressão nos estados do Sul e no Sudeste – não é melhor.  A quantidade de interrupções da rede fixa por dez mil acessos em serviço foi de oito no Brasil em 2010, e de 25 “caladões” na região Norte. E o número de interrupções que afetaram 10% dos acessos em uma comunidade ou deixaram mudos mais de 50 mil usuários vem crescendo em todo o país, de acordo com levantamento da Anatel relativo a junho deste ano.

Se o movimento não fosse contido, com investimentos das operadoras na substituição de equipamentos velhos e melhoria da manutenção, as interrupções na telefonia fixa aumentariam em 50% em 2012.

Reversão do quadro

Segundo as duas maiores concessionárias – Oi e Telefônica –, essa previsão não deve se cumprir, pois os investimentos estão sendo realizados para reverter esse quadro. João de Deus Pinheiro de Macedo, diretor de planejamento executivo da Oi, explica que a operadora enfrentou um crescimento das interrupções na rede de telefonia fixa este ano – ela tinha conseguido reduzir o índice de 2009 para 2010, de 13 mil para 8 mil interrupções – em função do aumento da frequência de interrupção de energia nas pequenas cidades e comunidades. “São cidades com centrais de cinquenta, cem assinantes, onde não temos guardas de segurança para impedir o roubo de baterias”, explica. Quando falta energia e a bateria foi roubada, cai o serviço.

Para solucionar o problema, a Oi, além do trabalho de reposição das baterias, fortaleceu o sistema de manutenção das centrais de pequeno porte das regiões que estão sendo mais atingidas por quedas de energia. “Estamos programando também reuniões com as concessionárias de energia elétrica, de quem somos clientes, para discutir como podem melhorar o serviço de energia elétrica nessas áreas”, diz João de Deus.

Quanto ao aumento das interrupções do serviço de telefonia fixa, este ano, na região de concessão da antiga Brasil Telecom, incorporada pela Oi, João de Deus diz que o fato está relacionado a enchentes na região. E esclarece que também aí haverá um reforço na manutenção dos equipamentos.

Brasil pode ser quarto país do mundo a proibir publicidade infantil

A proximidade do Dia das Crianças – celebrado em 12 de outubro no Brasil – dá ainda mais luz a uma discussão que voltou seriamente à pauta em junho deste ano: a possibilidade da proibição de publicidade dirigida ao público infantil. Sobre o tema, muitas questões são levantadas e, se aprovado o projeto de lei do deputado federal Luiz Carlos Hauly (PSDB-PR), o Brasil pode se juntar aos outros três países do mundo que proíbem a prática: Noruega, Suécia e Canadá (este último, apenas da província de Quebec).

As polêmicas sobre o assunto são muitas. Afinal, qual a seria a influência de um comercial de um produto dirigido a um consumidor com menos de 12 anos? Em meio à discussão, há pontos de vista diversos: associações de defesa dos direitos de crianças e adolescentes são radicais: acreditam não devem ser permitidos anúncios a crianças de quaisquer idades. Publicitários e anunciantes acham que a autorregulamentação, que existe desde 2006 e é feita pelo Conar, dá conta do recado. Já as emissoras, que veiculam tais anúncios, acham que tal proibição pode inviabilizar a produção de atrações de qualidade para o público infantil, já que elas dependem dos anunciantes para se manterem no ar. Com tantos interesses distintos, era claro que o tema seria polêmico. E, independentemente de a lei ser aprovada ou não, o tema continuará controverso.

Alvo certo

Na TV aberta, não é novidade de que parte das emissoras dedica sua grade matutina à programação infantil. No entanto, o crescimento da TV por assinatura aumentou a vigília das associações de proteção às crianças. Do total de telespectadores da paga, segundo dados publicados pela Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), referentes a 2010, 12% dos consumidores dos canais tinham de 4 a 11 anos. No entanto, se as crianças não representam a maioria dos consumidores de TV, são elas que compõem o público que mais tempo dedica a assistir a televisão: média de 2h34 diários.

Gabriela Vuolo, coordenadora de Mobilização do Projeto Criança e Consumo, do Instituto Alana, garante que a questão não é ser contra ou favor da publicidade, mas seu direcionamento. "Não há problema quanto à publicidade, desde que ela seja direcionada para os pais. A gente entende que a criança não tem habilidades e ferramentas psicológicas para compreender as mensagens embutida nos anúncios. O direcionamento precisa ser mudado e aí precisamos desse lado criativo dos publicitários para criar anúncios legais para os pais", afirma.

O Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec) reitera o posicionamento da Alana e completa: o alto índice de obesidade infantil registrado no Brasil nos últimos anos teria muito a ver com anúncios dirigidos ao público de menos de 12 anos. "Aqui no Brasil, a famosa mistura de arroz e feijão está perdendo espaço para os alimentos processados, como salgadinhos e refrigerantes. Uma criança que fica em torno de cinco horas por dia diante da TV, tem acesso a cerca de trinta anúncios publicitários a cada hora. E boa parte disso é de alimentos", diz Adriana Charoux, pesquisadora da entidade.

"A publicidade às vezes passa por cima, inclusive, de coisas que já estão asseguradas pela legislação, como o caso do McLanche Feliz, da venda casada de lanches com brinquedos. Existem algumas cidades no país que já estão fazendo ajustes para fazer essa venda separadamente", completa.

Chuva de informações

Por ocasião do Dia das Crianças, em 1° de outubro do ano passado, o Criança e Consumo monitorou dez horas de programação (das 8h às 18h) de sete canais de TV: dois abertos (Globo e SBT) e cinco fechados (Cartoon Network, Boomerang, Disney XD, Discovery Kids e Nickelodeon). No total, foram contabilizadas, aproximadamente, 1,1 mil inserções, de cerca de 350 publicidades diferentes.

De acordo com o levantamento, do total de anúncios, mais de 76% foram de brinquedos, sendo que as empresas que mais anunciaram foram a Hasbro, a Mattel e a Candide. Entre os canais, os que mais veicularam propagandas voltadas para crianças foram Cartoon e Discovery Kids, que registram uma média de 13 e 11 inserções a cada meia hora, respectivamente.

O objetivo do levantamento era o de mostrar a quantidade de propagandas às quais as crianças eram submetidas na programação da TV e pedir providências às entidades responsáveis. "Existem muitos estudos e mesmo os dados do IBGE mostram os impactos da publicidade mal direcionada. Temos crianças obesas, erotização precoce, estresse familiar. Os estudos mostram essa relação direta da publicidade com o comportamento das pessoas", explica Gabriela Vuolo, da Alana.

Mais que uma escolha de mídia, completa Gabriela, a mensagem deve se preocupar com a linguagem utilizada. E este seria, atualmente, um dos maiores pecados do mercado anunciante nacional. "A publicidade tem que ser direcionada para adultos. Por exemplo, não creio que uma criança de menos de 12 anos leia a Folha de S.Paulo. No levantamento que fizemos, pudemos perceber que as peças usam personagens infantis. Eles as colocam no meio dos desenhos e a criança não tem discernimento para diferenciar publicidade de programação. Eles fazem isso para, justamente, alimentar essa confusão na cabeça dela. Então, fica muito claro que aquela publicidade foi direcionada para a criança e não para o adulto".

Mesmo com tantos apontamentos, o Idec afirma que, obviamente, não é a publicidade a grande vilã dos males infantis, mas não ameniza suas responsabilidades. "Não podemos afirmar que é culpa exclusiva da publicidade, mas certamente ela tem uma participação importante nisso. Especialmente considerando que o público infantil é determinante na escolha de compras dos familiares. E ela não tem a formação cognitiva completa até os 12 anos. Neste contexto, de forma nenhuma demonizamos a publicidade e falamos que ela é causadora de todos os males que enfrentamos hoje, mas com certeza ela é um vetor de comunicação e educação muito poderoso", afirma.

Autorregulação

Atualmente, a publicidade direcionada ao público infantil brasileiro é balizada por normas do Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária (Conar), conselho formado por representantes da sociedade civil, fabricantes, anunciantes e publicitários.

Desde junho de 2006, o Conselho impôs regras para a produção e veiculação da publicidade dirigida às crianças. "Dado o rigor das normas éticas postas em prática mais o monitoramento pela equipe do Conar das peças publicitárias do gênero, associado às denúncias de consumidores e autoridades, houve crescimento significativo no número de representações abertas e liminares concedidas", informa a entidade, em nota.

O aumento da demanda referente ao tema pode ser comprovado por números fornecidos pela associação. De meados de dezembro do ano passado até agosto passado, o Conar havia sustado, liminarmente, dez anúncios dirigidos a crianças e adolescentes. "A reforma do código atendeu ao propósito de manter elevados os padrões éticos da comunicação e, principalmente, dar respostas apropriadas às justas preocupações da sociedade com a formação da suas crianças e adolescentes, integrando-se aos esforços para a formação de cidadãos responsáveis e consumidores conscientes e na difusão de hábitos de vida saudável, secundando o insubstituível papel dos pais, professores e das autoridades".

A eficácia das medidas, no entanto, é contestada pelas associações. Para elas, falta imparcialidade nos julgamentos realizados pelo Conselho. "Deixamos de mandar coisas para o Conar porque entendemos que ele não é um órgão sério e capaz de fazer esse julgamento de maneira imparcial. Chamaram o instituto de 'BruxAlana' e que nós estávamos preocupados com a obesidade, mas que isso era um problema dos meninos loirinhos da Dinamarca. Que no Brasil, os meninos sofrem é de desnutrição. Foi bem diferente até do tom que nós tínhamos com eles", afirma Gabriela, do Alana.

"Não temos nenhum problema com os publicitários ou anunciantes. Nosso problema é com o conteúdo direcionado. No entanto, eles se mostraram em desacordo com isso. Não é uma birra e nem enfrentamento gratuito, mas precisamos de coisas que promovam qualidade de vida e não o contrário. E, enquanto o conteúdo publicitário andar ao contrário disto, nós vamos nos manifestar contrariamente", diz o Idec.

Atitudes responsáveis

A maior parte das empresas anunciantes afirma respeitar as regras de conduta impostas pelo Conar. O McDonald's, empresa citada pelo Idec por fazer a venda casada de lanches e brinquedos, afirma respeitar todas as orientações em suas iniciativas dirigidas às crianças. "Isso se aplica tanto às suas peças de publicitárias, que não são veiculadas em programas para audiência em idade pré-escolar, quanto às promocionais, sem qualquer tipo de divulgação de produtos em escolas", afirma a rede.

A empresa salienta, ainda, que o personagem Ronald McDonald's, símbolo da rede, faz apresentações que têm em seu roteiro mensagens "exclusivamente educativas". "Os shows são realizados em escolas, hospitais, orfanatos e restaurantes da rede, e não há distribuição de brindes ou produtos e nem são realizadas promoções de qualquer tipo. As apresentações promovem conceitos de saúde, valorização da amizade, importância dos esportes para uma vida saudável e respeito ao meio ambiente".

A Coca-Cola, anunciante presente em diversas mídias e horários, afirma ter assinado compromisso público e voluntário – junto de 21 empresas líderes do setor de alimentos e bebidas – de não dirigir propagandas a menores de 12 anos. "A Coca-Cola Brasil acredita que esta é a postura de empresas responsáveis. Por isso, apoiou ativamente o desenvolvimento destas diretrizes relacionadas à publicidade para crianças e estamos felizes que a indústria de bebidas e alimentos brasileira tenha decidido adotá-las", explica Marco Simões, vice-presidente de Comunicação e Sustentabilidade da Coca-Cola Brasil.

Também do ramo de bebidas, a Ambev garante estar em dia com o código adotado pelo Conar. E afirma que, juntamente com o compromisso público assinado pela companhia em 2009, aplicável à publicidade dirigida a crianças, os princípios gerais se tornaram extremamente rígidos. "A Ambev tem por princípio obedecer a todas as leis e regulamentos aplicáveis às suas atividades, onde quer que atue. A empresa mantém um código de marketing responsável e é signatária do Conar no Brasil".

Representante do setor alimentício, a Danone afirma que só faz comunicação de produtos que estão em linha com sua missão de saúde e nutrição ao consumidor. No caso das crianças, só são feitas comunicações dirigidas de produtos que atendam às necessidades nutricionais deste público, no caso, o Danoninho. "Toda comunicação dirigida ao público constituído por crianças de 3 a 12 anos, expostas à publicidade da marca, é restrita aos produtos cujo perfil nutricional e tamanho de porção estão em conformidade com as diretrizes da Política Nacional de Alimentação e Nutrição, bem como com o Guia Alimentar para a População Brasileira do Ministério da Saúde", diz a empresa. "Vale destacar ainda que a Danone apoia a autorregulamentação, por meio da cooperação entre iniciativa privada e autoridades de saúde, em linha com as mais atuais práticas de marketing e comunicação responsável", completa.

A TV Globo, emissora que recebe maior reparte do bolo publicitário nacional, defende a importância dos patrocinadores para viabilizar programas de qualidade. "Acreditamos que, se a proposta for aprovada de forma radical e os anunciantes ficarem impedidos de anunciar, ocorrerá a diminuição da oferta de programas criados e produzidos para crianças por falta de patrocinadores", afirma a Central Globo de Comunicação.

De todos os lados dessa balança, argumentos não faltam. No Congresso, os parlamentares terão que debater a necessidade de uma lei que regule, de fato, a comunicação publicitária, sem que haja ares de censura. Nos Procons espalhados pelo país, apenas 1% das reclamações têm a ver com anúncios. E o impasse parece bem longe de uma resolução que seja razoável a todas as partes. Vejamos os próximos rounds desta disputa.

Parâmetros utilizados

Atualmente, a publicidade dirigida ao público infantil é autorregulada pelo Conar. Veja como:

– Crianças e adolescentes não devem ser usados como modelos para vocalizar apelo direto, recomendação ou sugestão de uso ou consumo por outros menores ["Faça como eu, use…"].
– O planejamento de mídia deve refletir as restrições técnica e eticamente pertinentes, buscando-se o máximo de adequação à mídia escolhida.
– São reprovados anúncios capazes de provocar qualquer tipo de discriminação, a utilização de formato jornalístico e a exploração de situações capazes de infundir medo às crianças.

Já eram recomendações do código, anteriores à reforma de 2006:
– Respeitar a dignidade, ingenuidade, credulidade, inexperiência e o sentimento de lealdade do público-alvo.
– Dar atenção às características psicológicas do público-alvo e seu discernimento limitado.
– Evitar eventuais distorções psicológicas nos modelos publicitários e no público-alvo.
– Peças publicitárias não devem associar crianças e adolescentes a situações ilegais, perigosas ou socialmente condenáveis,
– Impor a noção de que o consumo proporcione superioridade ou inferioridade e provocar situações de constrangimento com o propósito de impingir o consumo.
– Os anúncios devem valorizar a prática de atividades físicas.
– Na publicidade que se utiliza de personagens do universo infantil ou de apresentadores de programas dirigidos a este público-alvo, recomenda-se que as veiculações ocorram apenas nos intervalos comerciais, de modo a evitar a confusão entre conteúdo editorial e espaço publicitário e que não haja estímulos imperativos, especialmente se apresentados por pais e professores, salvo em campanhas educativas.

 

Net, Claro e Embratel integram redes para oferecer serviços convergentes

A partir do dia 15 deste mês as operadoras Net, Claro e Embratel passsam a vender pacotes multisserviços, que incluem telefonia fixa e móvel, TV por assinatura, vídeo sob demanda, banda larga fixa, internet 3G e acesso Wi-Fi em locais públicos e nas residências. O anúncio foi feito hoje (05) numa coletiva que reuniu os presidentes das três empresas controladas pelo grupo do empresário Carlos Slim que operam no Brasil. Net e Embratel já tinham vendas conjuntas. A novidade é a inclusão, no combo, dos serviços da Claro.

Na entrevista, o presidente da Embratel, José Formoso, destacou a integração de redes e serviços e anunciou que a parceria resultará no lançamento de novos produtos, baseados na plataforma convergente; enquanto seu conterrâneo, o também mexicano Carlos Zenteno, presidente da Claro, enfatizou que a América Móvel investirá R$ 10 bilhões no país, entre 2011 e dezembro de 2012. Já o presidente da Net, José Antonio Félix, anunciou a instalação de hotspots, que começa pela cidade de São Paulo. "A rede Wi-Fi começa por São Paulo para que os clientes possam navegar com mais qualidade em determinados pontos e a segunda cidade onde os hotspots serão instalados deve ser o Rio de Janeiro", informou.

O atendimento aos clientes dos pacotes multisserviços será integrado. A nova central de atendimento será instalada na cidade de Americana, no interior de São Paulo. O faturamento dos serviços será entregue em uma única correspondência, mas o cliente receberá duas contas no envelope, pois a regulamentação não permite o envio de contas dos serviços de telefonia fixa e móvel numa mesma fatura.

Embora exista um processo de reorganização societária na América Móvel, os executivos evitaram falar de planos para uma possível fusão das empresas, enfatizarando que trata-se de um lançamento comercial. "Cada companhia continua trabalhando de forma independente, com seu foco de negócio", disse Zenteno. "As três empresas são altamente focadas", reforçou Félix, acrescentando que "fusões futuras ficam para o futuro" e que esse é um assunto para os acionistas discutirem.

Integração de redes

Formoso comentou que as redes estão sendo redesenhadas para que tenham capacidade de agrupar todos os serviços na mesma plataforma, mas ainda não está definido com quem ficará a gestão da rede. "Cada empresa tem um DNA e as redes se completam", explicou. As empresas esperam ter ganho de escala com a integração das redes, mas os executivos evitaram falar em números.

Anatel quer que canais de TV paga tenham qualidade isonômica de imagem

Apesar de a Anatel e a Ancine agora dividirem a função reguladora em relação aos Serviços de Acesso Condicionado (SeAC), que inclui todas as modalidades de TV por assinatura, a área técnica da Anatel, em sua proposta de regulamentação do novo serviço, decidiu que era importante incluir alguns artigos tratando da relação entre operadores e programadores.

Na verdade, os dispositivos repetem ou o que já existe na regulamentação atual, ou o que está previsto na Lei 12.485/2011, que criou o SeAC e estabelece as novas regras para o mercado de TV paga, mas avança sobre regras de qualidade de sinal que não existiam até agora.

O que os técnicos da Anatel querem é que os acordos comerciais entre a operadora e programadoras ou empacotadoras não imponham, por parte da operadora, participação no controle ou imponham interesses financeiros na empresa programadora ou empacotadora.

A Anatel também não quer que o operador de TV paga obrigue a programadora ou a empacotadora a preverem direitos de exclusividade, nem restrinjam a capacidade de competição das programadoras e empacotadoras. Além disso, a contratação de programação deve sempre ser feita por meio de empresa localizada em território nacional. Mas não existe mais a proposta da Anatel, que chegou a aparecer na minuta de Regulamento de TV a Cabo, de proibir cláusulas de exclusividade nos contratos.

Qualidade dos sinais

Outro aspecto em que a Anatel está propondo regulamentar questões de conteúdo diz respeito à qualidade dos sinais dos canais.

A agência, por exemplo, está sugerindo, na minuta de regulamento que está sendo elaborada, que a operadora em hipótese alguma discrimine os diferentes canais em função da qualidade da imagem, nem alterem a qualidade do sinal entregue pela programadora. Se a proposta for adiante, muitas operadoras que hoje têm parâmetros técnicos diferentes de qualidade (compressão, bitrate etc.) para diferentes canais precisarão ajustar seus headends para assegurar a todos a qualidade entregue pelo programador.

A regulamentação do SeAC sugere que caberá à Anatel dirimir dúvidas ou resolver conflitos nos casos que envolvam os canais de programação obrigatória. E isso poderá ser feito inclusive por provocação de qualquer usuário.

TV aberta

No caso da retransmissão dos sinais das geradoras de TV aberta, a operadora deve garantir isonomia na recepção, tratamento dos sinais e taxa de compressão, segundo a proposta dos técnicos da Anatel. O objetivo da agência é que o sinal de cada geradora local chegue ao assinante sem distinção de qualidade e que tenham no mínimo a mesma qualidade dos sinais livremente recebidos pelo ar. Sabe-se que hoje é prática no mercado, por exemplo, a exigência, por parte de alguns radiodifusores, de determinados parâmetros mínimos de qualidade.

TVs universitárias

A Anatel está sugerindo que a gestão dos canais universitários obrigatórios aos operadores do Serviço de Acesso Condicionado seja gerida por uma entidade representativa local. Esta entidade poderá ser a própria universidade da área de abrangência em questão, ou uma entidade neutra em caso de várias instituições. Caberá a esta entidade coordenar a grade e distribuir o sinal. A Anatel não especifica como será solucionado caso de conflitos entre universidades.

Pesquisa aponta lacunas em cobertura jornalística sobre direitos das mulheres

Abordagem sobre mulheres na política focada majoritariamente na disputa presidencial de 2010, violência contra as mulheres reduzida a caso de polícia e, nos dois temas, ausência de enfoque em políticas públicas. Estas são algumas deficiências da cobertura jornalística brasileira identificadas pelo projeto Monitoramento da Cobertura Jornalística como estratégia para a promoção da equidade de gênero.

Realizado pela ANDI, Instituto Patrícia Galvão e Observatório Brasil da Igualdade de Gênero, o monitoramento analisou a cobertura de 16 jornais de todas as regiões brasileiras em 2010 – quatro deles com circulação nacional –, observando os temas Mulheres e Política, Mulheres e Trabalho e Violência Contra as Mulheres.

Para Jacira Vieira, pesquisadora e diretora-executiva do Instituto Patrícia Galvão, o ano de 2010 foi marcado por presença importante do tema Mulheres e Política nos veículos pesquisados. "Há uma significativa produção midiática nos espaços de opinião, impulsionada pela candidatura expressiva de duas mulheres, Dilma Rousseff e Marina Silva. Então foi um ano excepcionalmente singular, por si só justificaria o interesse jornalístico pelo tema”, explica.

Apesar disso, o ponto negativo na cobertura é exatamente o enfoque quase que total nas eleições presidenciais, assunto presente em 40,99% das 231 notícias analisadas. "Isso é desfavorável. Porque no futuro pode ser que a gente não tenha um cenário de mulheres concorrendo, e aí não vai haver destaque jornalístico para o tema nas mulheres na política?”, questiona.

Entre as lacunas da cobertura, aponta a ausência de matérias sobre ações de estímulo à participação feminina na política. "Foi um tema quase ignorado, a imprensa garantiu apenas espaço residual”, ressalta.

De fato, apenas 4,24% das matérias trataram da Lei Eleitoral, embora a norma tenha sofrido mudanças importantes para o estímulo das mulheres na política. Uma minirreforma determinou que os partidos devem preencher cota de 30% de mulheres candidatas, ao invés de apenas reservar esse percentual para as mulheres. "Isso teve cobertura mínima, o tema não recebeu a devida atenção e faltou profundidade”, afirma.

Sobre a temática Violência Contra as Mulheres, a pesquisadora e editora-chefe da Agência Patrícia Galvão, Marisa Sanematsu, considera que há uma cobertura importante e significativa, quando mais de 20% das 1.506 matérias pesquisadas tiveram chamadas nas capas dos veículos. "A violência doméstica é um dos temas mais abordados, visto como um crime, não mais como uma coisa privada”, comemora.

Por outro lado, a pesquisadora enfatiza que "não falta quantidade, mas falta qualidade”. Isso porque as matérias têm enfoque policial, privilegiando abordagem individual do caso, presente em 73,78% das notícias analisadas. Até mesmo as chamadas nas capas têm apelo sensacionalista.

35,10% dos textos sobre violência cometida contra mulheres são publicados nas seções de notícias locais. Os cadernos policiais ficam com 15,70%, enquanto nos espaços opinativos estão menos de 6% das matérias, o que dá uma mostra da abordagem pouco reflexiva sobre o tema.

"A violência não é problematizada, não é vista como algo que tem a ver com políticas públicas e legislação. Por isso, as fontes mais ouvidas, 25,83%, são representantes policiais, delegados e delegadas. São ouvidos ainda especialistas, porém geralmente são advogados, e não estudiosos do assunto”, critica. A sociedade civil representa apenas 1,41% das fontes procuradas por jornalistas.

Marisa conclui que a cobertura é pouco crítica. 96% dos textos não fazem referência a serviços de denúncia ou atendimento às vítimas de violência, enquanto mais de 86,67% das notícias não mencionam nenhuma das legislações existentes na área. Apenas 2,13% das notícias sobre o assunto abordaram políticas públicas. Outro problema diz respeito à Lei Maria da Penha, muito citada, mas de conteúdo ainda pouco conhecido, segundo a pesquisadora.

"À mídia falta fazer seu papel de fiscalizador, crítico do Estado e prestar serviço, indicando locais onde as mulheres possam denunciar e procurar ajuda”, assinala.

Por fim, ela espera que o estudo cumpra seu papel de "apontar os pontos positivos, mas fazer a crítica à cobertura, apontando caminhos para que a mídia possa contribuir a esse esforço contra a violência de gênero”, arremata.