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Projeto de lei reproduz no Brasil dispositivos do SOPA americano

Esta semana trouxe duas surpresas para os internautas brasileiros, ambas vindas da Câmara dos Deputados. O deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG), autor do polêmico substitutivo sobre crimes pela Internet (PL 84/99), vai presidir a comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática. Mas susto mesmo foi a apresentação da versão nacional do ainda mais controverso projeto sobre pirataria online, já batizado de Sopa brasileira.

Ao assumir a comissão temática de comunicação e informática – ou seja, aquela que tem a palavra final nos pareceres técnicos de leis que envolvem a Internet – Azeredo até procurou tranquilizar os adversários, declarando que o substitutivo que ganhou seu nome não será prioridade. A conferir.

No momento, o que parece ser a ameaça mais séria ao mundo conectado é o projeto 3362/2012, apresentado na última terça-feira pelo deputado, também do PSDB, Walter Feldman (SP). “Era só o que faltava, uma sopa à brasileira”, disparou o professor e pesquisador Silvio Meira, do Cesar, em seu blog.

Sopa é o acrônimo para Stop Online Piracy Act, o projeto apresentado ao Congresso dos Estados Unidos, que prevê bloqueio de sites considerados infratores das leis de direitos autorais. Foi alvo de tantos protestos, nos EUA e por todo o mundo, que seu autor, o republicano Lamar Smith, suspendeu a proposta.

Alheio aos protestos, o deputado Walter Feldman apresentou projeto muito parecido à Câmara. Em essência, a autoridade de registro – provavelmente o Ponto.BR, ligado ao Comitê Gestor da Internet brasileira – poderá determinar o bloqueio de páginas “que cometam ou facilitem” infrações contra os direitos autorais.

O projeto prevê que essa declaração de “infrator” poderá ser dada de ofício, independentemente de ação judicial. Detalhe: a autoridade brasileira poderá carimbar como infratores tanto sites nacionais quanto páginas que repousam em servidores fora do país.

Segundo Feldman, a aprovação da lei é “urgente”, pois “se observa na Internet brasileira violações sistemáticas e evidentes desses direitos, perpetradas por intermédio de sítios domésticos e estrangeiros dedicados a distribuir em território brasileiro bens e serviços que violam as normas mais básicas de propriedade intelectual”.

Projetos de lei sobre a Internet abundam na Câmara e no Senado – entre os deputados, contando com a Sopa brasileira – dez novas propostas foram apresentadas antes mesmo da segunda semana de retomada dos trabalhos legislativos este ano.

Comitê regulador de imprensa no Reino Unido é fechado após escândalos

A Comissão de Reclamações contra a Imprensa do Reino Unido confirmou nesta quinta-feira que será fechada e substituída por outro organismo. A organização, vinculada ao Parlamento inglês, foi criticada após o escândalo das escutas telefônicas ilegais nos tabloides ingleses.

O grupo nomeou um "diretor de transição", que será responsável por conduzir o fim da atual comissão o mais rápido possível e planejar a criação de um novo corpo, que teria os mesmos recursos, mas com equipe diferente. O decisão pelo encerramento foi feita em uma reunião em fevereiro.

A organização, que tem participação de membros dos meios de comunicação, é considerada fraca e ineficiente pelas vítimas das escutas ilegais dos tabloides, que tem recorrido à Justiça para reparação. Ela apenas tem o poder de exigir direitos de resposta aos jornais, mas não pode, por exemplo, aplicar multas.

Uma das principais críticas da comissão é a autora da saga "Harry Potter", J.K. Rowling, que foi vítima de um grampo em seu telefone por um jornalista do tabloide "News of The World", fechado em julho de 2011. Ela chamou o grupo de "sem dente, e, na melhor das hipóteses, apenas um exercício de tapa na cara".

O diretor da entidade, David Hunt, afirmou que, após a reestruturação, os britânicos receberão "um regulador da imprensa com dentes pela primeira vez". "O grupo terá uma estrutura autorregulatória independente que todos irão aprovar". O representante não deu mais detalhes de como será o novo organismo.

Demissão

A reestruturação do comitê vem uma semana após a demissão de James Murdoch, filho do presidente da News Corporation, Rupert Murdoch, da Presidência da News International, filial que reúne os jornais britânicos do grupo americano de imprensa, em meio ao escândalo das escutas.

A News Corporation anuncia que "James Murdoch, diretor executivo adjunto, renunciou ao seu posto de presidente executivo da News International" e vai "se focar na expansão internacional das atividades de televisão" do grupo.

Sua renúncia ocorre depois de dez jornalistas do "The Sun" serem detidos por pagarem supostos subornos a funcionários públicos e enquanto continua a investigação sobre as escutas telefônicas feitas no extinto "The News of the World", da mesma rede.

DA ASSOCIATED PRESS, EM LONDRES

TCU manda Anatel dar publicidade às multas

De 2005 a 2009, a Anatel cancelou 133 multas e suspendeu 755, de um total de 19.399 penalidades aplicadas, o que corresponde aos percentuais de 0,69% e 3,89%, respectivamente. Em termos financeiros, os cancelamentos correspondem a 1,89%, e as suspensões, a 13,29% do montante total aplicado. O levantamento realizado por determinação do Tribunal de Contas da União demonstra que, entre as 17 entidades auditadas, a maioria tem graves problemas com a arrecadação das multas,e a agência reguladora de telecomunicações está entre as de melhor resultado.

Segundo o TCU, a relação percentual média entre o montante arrecadado e o montante financeiro associado às multas aplicadas foi de 3,7%, o que significa que deixaram de ser recolhidos mais de R$ 24 bilhões. O tribunal entende que a dificuldade dos órgãos públicos para cobrar as multas que aplicam se reveste em prejuízo ao erário e contribui para aumentar a percepção de impunidade.

Para o TCU, contribuem para essa deficiência normas e procedimentos administrativos prejudiciais à arrecadação; número elevado de instâncias recursais; e prazos dilatados entre as etapas de cobrança. Também afirma que, além de autuações suspensas ou canceladas, as alterações frequentes na legislação; a suspensão de créditos por decisão judicial; e a falta de recursos dos órgãos públicos para processar todas as penalidades contribuem para a "peça de ficção" representada em parte das multas aplicadas pelo poder público.

No caso da Anatel, que foi considerado como menos grave, o tribunal aponta que os números verificados “refletem o trâmite processual” da agência, ressaltando que a exigibilidade das multas se inicia com a publicação do trânsito em julgado dos processos no Diário Oficial da União, em consonância com o regimento interno da entidade. Dessa forma, ressalta o TCU, a efetiva arrecadação das multas pode ser adiada em função da grande quantidade de processos ainda em trâmite administrativo, em fase recursal, com ou sem feito efeito suspensivo concedido pela agência. Adicionalmente, avalia que a arrecadação também pode ser prejudicada pela suspensão da exigibilidade das multas, concedida em algumas situações por meio de decisão judicial.

Por essa razão, em acórdão, aprovado nessa quarta-feira (7), determina que, entre 2012 e 2016, todos os 17 órgãos federais incluam em seus relatórios de gestão o tema “arrecadação de multas”. O item deve abordar o número absoluto e percentual de autuações que correm grave risco de prescrição; quantidades de multas suspensas ou canceladas administrativamente e os percentuais de recolhimentos de multas nos últimos dois exercícios.

Além da Anatel, o TCU analisou as agências nacionais de Águas, de Aviação Civil, de Energia Elétrica, de Saúde Suplementar, de Transportes Aquaviários, de Transportes Terrestres, de Vigilância Sanitária, do Cinema e Gás Natural e Biocombustíveis. E ainda o Banco Central; Comissões de Valores Mobiliários; Cade; Ibama; Tesouro Nacional; Superintendência de Seguros Privados e o próprio tribunal.

O relatório traz ainda o grau de inscrição de inadimplentes no Cadin. No caso da Anatel ficou em 30,3%. E o baixo percentual de ajuizamento de ações de cobrança das multas aplicadas, com risco de prescrição dos respectivos créditos, que na agência de telecomunicações chega a 12,1%.

Concessionárias levam banda larga popular a 621 municípios até dezembro de 2011

Relatório de acompanhamento sobre oferta de conexão a internet popular pelas operadoras divulgado pela Anatel aponta que, até o quarto trimestre de 2011, 621 municípios foram atendidos, número superior ao estabelecido na meta para o período de 544 cidades, conforme consta nos termos de compromisso assinados pelas concessionárias. As ofertas dos links no atacado já estão disponíveis em 909 municípios.

De acordo com o relatório, a Oi, concessionária de maior cobertura no país, levou a banda larga popular a 375 municípios até dezembro de 2011, 75 a mais do que estabelecia a meta para o período. A Telefônica cumpriu exatamente o que foi estabelecido: 299 municípios até dezembro do ano passado. A CTBC ultrapassou a meta em dois municípios, atendendo a 15 cidades e a Sercomtel levou o serviço aos dois municípios estipulados para atendimento no período.

A Oi atendeu a 544 municípios com oferta de links para banda larga no atacado até dezembro de 2011, número obtido no terceiro trimestre do ano passado e que não teve acréscimo entre setembro e dezembro. O mesmo aconteceu com a oferta da Telefônica, que atendeu 350 cidades, número atingido em setembro de 2011. Já a CTBC levou os links de banda larga a 15 cidades no último trimestre do ano passado. A Sercomtel não ofertou esse serviço.

Apesar de ultrapassarem as metas estabelecidas para a banda larga popular no varejo, as ofertas privilegiaram regiões onde, tradicionalmente, há competição. Foram atendidos 329 municípios do Sudeste e 189 do Sul, enquanto no Norte o serviço chegou a 22 cidades e a 46 no Nordeste. Na região Centro-Oeste, 35 cidades foram atendidas até dezembro de 2011.

Os termos de compromisso assinados pelas concessionárias preveem a oferta de varejo com 1Mbps de download, 128 kbps de upload com preço de até R$ 35 para clientes residenciais, e R$ 29,90 em localidades que oferecem isenção de imposto. A oferta de atacado permite acesso à rede da autorizada, conectada a internet, para clientes corporativos e prefeituras, com preços 20% menores do que os praticados no mercado. A meta total estabelecida é fechar o ano de 2015 com 5.379 municípios com oferta de banda larga popular no varejo.

Pai da ‘mordaça digital’ presidirá comissão de Tecnologia da Câmara

O deputado Eduardo Azeredo (PSDB-MG) foi eleito nesta quarta-feira, 7, por unanimidade, presidente da Comissão de Ciência, Tecnologia e Informática. A escolha de Azeredo provocou reações entre ativistas da liberdade da internet porque o tucano foi o relator no Senado de um projeto chamado de “mordaça digital” por este movimento. A proposta polêmica de Azeredo está pronta para votação justamente na comissão que será presidida por ele.

Para os ativistas, o projeto traz uma supressão de direitos dos usuários da internet. Na visão deles, os provedores passariam a ter função policial por serem obrigados a manterem informações de navegação e poderem repassar esses dados ao Ministério Público mesmo sem ordem judicial.

“O projeto tem ações que são inaceitáveis no mundo real e que se deseja implantar na internet. É a mesma coisa de se permitir às companhias telefônicas fazer grampos ou aos Correios abrir correspondências sem ordem judicial”, diz Marcelo Branco, ex-diretor da Campus Party e assessor para internet da campanha da presidente Dilma Rousseff em 2010.

Idealizador de um movimento chamado de “Mega Não” em oposição ao projeto, o publicitário João Carlos Caribé vê na indicação uma estratégia dos que desejam a aprovação da proposta. “O Azeredo é o pai do projeto. Ele desencarnou do Senado e reencarnou como deputado para fazer esse projeto andar. Com ele na presidência da comissão vai ser impossível impedir a aprovação”, afirma o publicitário. “Ele foi o autor da maior ameaça à liberdade civil de todos os tempos, então essa escolha nos traz tristeza e preocupação”, complementa Marcelo Branco.

O projeto tem como principal objetivo criar uma legislação contra crimes cibernéticos. Azeredo destaca que ações recentes feitas por hackers contra sites governamentais e de bancos reforçam a necessidade da proposta. “O governo tem sido omisso”. Ele diz, porém, não pretender usar o cargo para acelerar a tramitação. “É um assunto que será tratado no tempo certo”. O líder do PSDB, Bruno Araújo (PE), diz que a indicação do colega deve-se a sua história no Congresso. “A história dele é muito maior do que isso, mas este projeto tem boas qualidades e precisa avançar”.

A mobilização dos ativistas levou o então líder do PT, Paulo Teixeira, a apresentar no ano passado outro projeto sobre o mesmo tema. Essa nova proposta tem apoio de deputados do PMDB, PSB, PC do B e PDT. Para o petista, esta articulação enterrará o projeto de Azeredo. “O projeto dele perdeu força, morreu. A reação da sociedade foi muito grande.
Essa colocação dele como presidente não mudará isso”. O tucano chegou a ser convidado a aderir ao projeto de Teixeira, mas recusou. “É um projeto incompleto e que ainda teria passar pelo Senado. Não dá para esperar mais dez anos por isso”.

Além do questionamento ao mérito da proposta de Azeredo, ativistas defendem ser necessária a definição de um “marco civil para a internet” antes de se definir uma lei de crimes. Projeto nessa direção foi enviado ao Congresso no ano passado pela presidente Dilma Rousseff. Uma comissão especial foi criada para analisá-lo, mas não chegou a ser instalada porque PSDB, PMDB e PSOL ainda não indicaram seus representantes.