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FNDC se reúne com ministro das Comunicações

Nesta segunda-feira, 26, a coordenação executiva do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) reuniu-se com o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo. O encontro teve como foco o debate sobre o novo Marco Regulatório das Comunicações.

O FNDC apresentou ao Ministério o balanço político realizado em sua 16ª Plenária, que apontou como pauta central de atuação para o Fórum a luta para que a proposta de um novo arcabouço legal para as comunicações fosse colocada pelo governo para debate público.

Os integrantes do Fórum reafirmaram a Plataforma dos 20 Pontos para uma Comunicação Democrática, entregue ao ministro em 18 de outubro, e cobraram uma interlocução maior do ministério com a sociedade civil, não apenas no processo de construção da consulta, mas também das políticas de comunicação por meio da constituição de uma mesa de diálogo. Embora reconheça o esforço do Ministério das Comunicações em organizar o funcionamento administrativo e desburocratizar o setor, o FNDC entende que questões fundamentais para ampliar a pluralidade e a diversidade das comunicações e garantir a universalização do acesso à banda larga têm ficado ausentes da agenda.

Nesse sentido, o Fórum questionou a opção que vem sendo feita pelo Ministério de promover alterações de modo fragmentado, ao aprovar decretos e portarias que incidem sobre questões administrativas mas não mexem nas desigualdades estruturais do setor. Um exemplo é a portaria que modifica a norma de funcionamento das rádios comunitárias, que acabou limitando ainda mais suas condições de funcionamento. Outro é o decreto que alterou o sistema de licitações das concessões, que poderia ter modificado os critérios das outorgas a fim de fortalecer o sistema público e a diversidade do sistema, mas limitou-se a mudanças pontuais. Além de se configurarem como 'oportunidades perdidas', algumas dessas medidas têm sido tomadas sem processos de consulta pública e diálogo com a sociedade civil. Diante das colocações feitas a este respeito, o ministro Paulo Bernardo já orientou que o FNDC fosse consultado sobre o novo decreto das rádios comunitárias que será publicado pelo ministério.

O FNDC informou ao ministro Paulo Bernardo que está estruturando uma campanha em defesa da Liberdade de Expressão e do novo marco regulatório das comunicações e registrou que é preciso um envolvimento maior do governo no debate público para desfazer a ideia – construída pelos setores contrários ao estabelecimento de regras democráticas – de que regulação é censura. Apontou, ainda, que o debate regulatório deve ser feito sem tabus, não se restringindo a aspectos econômicos e técnicos, mas buscando incorporar instrumentos de defesa dos direitos humanos, de respeito à diversidade, de proteção à infância e adolescência, em consonância com os artigos 220 e 221 da Constituição Federal, e à luz do que já é praticado em vários países como Inglaterra, França, Portugal e Estados Unidos.

O Fórum mostrou ainda preocupação com o processo de judicialização da política de comunicação, com inúmeras ações no Supremo Tribunal Federal e em outras instâncias do Judiciário para anular conquistas como a Classificação Indicativa e a Lei 12485 – a nova lei da TV por Assinatura.

O ministro Paulo Bernardo reafirmou o compromisso de colocar em consulta, ainda no primeiro semestre, as questões elaboradas para subsidiar o debate sobre o marco regulatório, e sinalizou que o ministério vai deixar aberta a consulta pelo tempo que for necessário para garantir uma ampla participação social. Sobre o teor do que será colocado em debate, o ministro afirmou que o governo não pretende “impor censura aos meios de comunicação” e foi vago ao abordar as questões envolvendo regulação de conteúdo.

Na avaliação do FNDC, a reunião com o ministério confirma a necessidade de se deflagrar uma ampla campanha em defesa da Liberdade de Expressão e que aponte para a construção de um novo marco regulatório para as comunicações.

A estratégia do governo de apresentar o debate para a sociedade através de questões, se não for combinada com um debate profundo sobre o tema e que enfrente a oposição conservadora dos meios de comunicação, pode ter um resultado desfavorável, redundando apenas numa reestruturação técnica que não englobe questões essenciais para a efetiva democratização das comunicações.

Neste sentido, o FNDC reafirma o convite a organizações, intelectuais, jornalistas, movimento sociais e a todos os que lutam por uma comunicação mais democrática para participarem do Seminário que acontecerá no dia 4 de maio, em São Paulo, para construir a campanha pela Liberdade de Expressão.

Empresas cumpriram parcialmente compromisso de revitalização dos TUPs no Amazonas

Levantamento realizado pelo Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal do Amazonas para a Assembleia Legislativa do Estado mostra que as empresas cumpriram parcialmente o compromisso de revitalizar os TUPs do Estado, assumidos em outubro do ano passado, quando foi realizada uma audiência pública em Manaus com representantes das empresas de telefonia e da Anatel. O levantamento mostra que tanto Oi quanto Embratel consertaram alguns aparelhos, mas ainda existem muitos que permanecem inoperantes.

No município de Tabatinga, por exemplo, apenas 12 TUPs funcionavam antes do compromisso assumido em outubro; hoje esse número pulou para 70 – distante ainda dos 220 aparelhos instalados no município. Em Parintins, onde há 399 TUPs instalados, o avanço foi menor ainda. De 27 Tups em funcionamento antes da primeira audiência, hoje funcionam apenas 30. Do total de 2.026 TUPs da área urbana verificados, antes da primeira audiência funcionavam 139; hoje funcionam 360. Na área rural a situação se repete. Dos 317 TUPs verificados em área rural, 58 funcionavam antes do compromisso de recuperação e hoje funcionam 113.

A situação da Embratel talvez seja um pouco mais complicada. O levantamento testou 85 TUPs da concessionária instalados em área rural, sendo que quatro funcionavam antes da primeria audiência e hoje funcionam 13. Em alguns municípios pesquisados, como Itacotiara, Caruari, Lábrea e Tabatinga, não houve avanço nenhum. Nesses cinco municípios nenhum TUP da concessionária funcionava na primeira verificação, mesma situação encontrada na segunda visita. Houve até um caso de piora. Em Manacapuru, dos seis telefones instalados na área rural, apenas um funcionava na primeira visita. Na segunda, quando foi feita a verificação da recuperação dos cinco que não funcionavam, constatou-se que o único que fazia ligações não faz mais.

Os dados foram apresentados pelo deputado Chico Preto (PSD/AM), que é presidente da Comissão de Gestão e Serviços Públicos em audiência pública na Assembleia Legislativa do Estado, convocada justamente para atestar os compromissos assumidos em outubro. Estão previstas mais três audiências públicas sobre esse assunto na Assembleia Legislativa do Estado para este ano.

"A Assembleia não vai ficar muito tempo nesse blá, blá, blá. E se preciso for, o Poder Legislativo dispõe de mecanismos para criar constrangimentos, para chamar a atenção sobre o assunto, para que alguém nos escute. Espero que não tenhamos que chegar ao limite de uma CPI. Espero, também, que pelo caminho do entendimento, do compromisso e da sensibilidade sejam adotadas todas as providências necessárias para solucionar os problemas apontados”, disse o deputado, de acordo com o seu site oficial.

Banda larga nas escolas

O deputado também apresentou números sobre o atendimento do Programa Banda Larga nas Escolas no Amazonas. Segundo dados da Anatel e do Ministério da Educação, a Oi, concessionária da região a quem cabe o cumprimento dessas metas, atendeu 561 escolas de um total de 1.222. Além de não ter atendido todas as escolas em área urbana do Estado, a maior parte daquelas que receberam banda larga (539) estão na capital, Manaus.
 

Proposta do novo Aice está na pauta da Anatel desta semana

A regulamentação do novo Aice (Acesso Individual Classe Especial), um dos itens da pauta do conselho diretor da Anatel desta quinta-feira (29), traz alterações em relação à proposta que passou por consulta pública entre março e abril do ano passado. Segundo o relator da matéria, conselheiro Marcelo Bechara, a principal preocupação é tornar o serviço atrativo para os clientes de baixa renda sem prejudicar o equilíbrio financeiro das concessionárias.

O serviço, previsto no Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU 3) publicado em junho do ano passado, será destinado a famílias inscritas no Cadastro Único de Programas Sociais, cuja renda chega a três salários mínimos. “Como tem critério de elegibilidade, o novo Aice foi estruturado como um serviço de caráter social”, afirma o relator.

Pela proposta, o novo Aice terá assinatura mensal de aproximadamente R$ 13,31 com impostos. Na avaliação da agência, o serviço deve beneficiar cerca de 20 milhões de famílias. Atualmente, o Aice possui cerca de 180 mil assinantes e custa R$ 24,41 ou 45% a mais, enquanto a assinatura básica do telefone fixo sai por R$ 40,24.

Para evitar a inadimplência, receio apresentado pelas concessionárias durante audiência pública sobre o serviço, a proposta prevê a forma de pagamento pós-paga até o limite da franquia, de 90 minutos em chamadas de fixo para fixo. A partir daí, o serviço será pré-pago.

Outra exigência da proposta é de divulgação do serviço pelas concessionárias. De acordo com Bechara, a falta de informação foi um dos fatores da baixa adesão ao Aice como é hoje. Além disso, o atendimento da solicitação passa a ter prazo de sete dias, ante os 30 dias previstos no regulamento em vigor.

Minicom prepara novas outorgas de TV e conclui novo regulamento em abril

O Ministério das Comunicações colocou entre suas prioridades para o setor de radiodifusão para este ano a edição de um novo Plano Nacional de Outorgas de TVs e rádios comerciais, além da revisão do Regulamento de Radiodifusão (Decreto 52.795/1963). A revisão da regulamentação já havia sido anunciada pela Presidenta Dilma Rousseff na mensagem anual ao Congresso, mas ao que tudo indica está mais adiantada do que parece. Deve ficar pronta, pelo menos no nível técnico, ainda em abril.

Em relação às outorgas, o diretor do departamento de outorgas e serviços da Secretaria de Comunicação Eletrônica, Dermeval da Silva Jr., explica que no último ano esse processo ficou parado em função do ajuste nas normas internas, e também para processar a fila de processos existentes. "A ideia agora é atender a demanda por novas outorgas de TV entre 2012 e 2013. As de FM devem levar um pouco mais de tempo", diz ele. Ele explica que o Minicom está se baseando em estudos de atratividade econômica estabelecidos em conjunto com o Tribunal de Contas da União em 2011. "Esses estudos nos deram os parâmetros de preço mínimo a ser cobrado. Mas temos que lembrar que radiodifusão não é só atratividade econômica. Em alguns casos, mesmo que não haja atratividade, vamos propor a abertura de outorgas", disse Dermeval Jr. Antes da publicação dos editais, haverá uma consulta pública sobre as localidades. Segundo ele, a intenção inicial é atender à demanda reprimida.

Novo regulamento

Sobre a nova regulamentação, Dermeval da Silva Jr. explica que a ideia é consolidar a regulamentação existente e também fazer algumas alterações que não estejam amaradas no marco legal. Ele explica que o novo Regulamento de Radiodifusão não deve esperar o debate sobre o novo marco das comunicações, que também é um item que ainda está na pauta de 2012. "Entendemos que o regulamento está muito defasado, é de 1963, e precisa de ajustes, e que isso não precisa necessariamente esperar o novo marco", explica. Haverá, contudo, algumas questões que não poderão ser mexidas por força de lei. O debate sobre este regulamento já está em curso na Anatel e assim que a proposta for finalizada, ainda em abril, será levada à Casa Civil para ser discutida com o governo.

Dermeval Jr. participou nesta segunda, 26, em Brasília, de seminário realizado pela Abert para discutir as novas regras de radiodifusão com o Minicom e os procedimentos fiscalizatórios com a Anatel. A Abert pretende levar este seminário a outras cidades brasileiras.
 

Governo anuncia medidas para popularizar o cinema

O governo federal quer popularizar o cinema em áreas onde a população tem pouco ou nenhum acesso a esse tipo de entretenimento. Hoje (26), a presidenta Dilma Rousseff publicou no Diário Oficial da União mensagem instituindo o Programa Cinema Perto de Você, destinado à ampliação, diversificação e descentralização do mercado de salas de exibição cinematográfica no Brasil e a estimular a exibição de filmes nacionais.

Por meio do programa, serão disponibilizadas linhas de crédito e de investimento para implantação de complexos de exibição e medidas tributárias de estímulo à expansão e à modernização do parque exibidor de cinema.

O governo criou, também, o Regime Especial de Tributação para Desenvolvimento da Atividade de Exibição Cinematográfica (Recine). Dessa forma, suspende a exigência de diversos tributos para estimular a aquisição de máquinas, aparelhos, instrumentos e equipamentos novos, destinados a complexos de exibição ou cinemas itinerantes.

Entre os tributos suspensos – para pessoas jurídicas beneficiárias do Recine – estão a contribuição para o PIS/Pasep e a contribuição para o Financiamento da Seguridade Social (Cofins); o Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) incidente na saída do estabelecimento industrial ou equiparado; o IPI incidente no desembaraço aduaneiro; e o Imposto de Importação, quando os bens ou materiais de construção, sem similar nacional, precisarem ser importados.

Outra medida do programa é o Projeto Cinema da Cidade, que estimulará a instalação de cinemas em zonas urbanas ou cidades desprovidas ou mal atendidas por falta de salas de exibição. Nesses locais serão priorizados os filmes nacionais.

Para se candidatarem ao Projeto Cinema da Cidade, os municípios ou estados precisam estar de acordo com as especificações técnicas definidas pelo Programa Cinema Perto de Você, inclusive no que se refere a acessibilidade. As salas precisam estar implantadas em imóveis de propriedade pública; e a operação das salas deve preferencialmente ser feita por empresa exibidora.