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Sites estrangeiros ridicularizam bloqueio do YouTube no Brasil

O bloqueio do site YouTube em alguns lugares do Brasil, devidoà proibição da divulgação do vídeo picante da modelo Daniela Cicarelli, gerou uma onda de protestos na Internet. Enquanto blogueiros e colunistas reagiram com ironia, ridicularizando a proibição, internautas republicaram o vídeo em diversos outros sites.  

Na semana passada, o juiz Enio Santarelli Zuliani, do Tribunal de Justiça de São Paulo, exigiu que o vídeo fosse removido do YouTube.  Na sexta-feira, a Brasil Telecom, uma das maiores operadoras de telecomunicações do país, chegou a bloquear o acesso ao site de vídeos para internautas brasileiros, acatando uma decisão da Justiça brasileira.  

O porta-voz do YouTube, Jaime Schopflin, disse à BBC Brasil, na sexta-feira, que a empresa tem trabalhado para retirar do ar os vídeos de Cicarelli que são recolocados pelos internautas.  Enquanto no YouTube as imagens estão sendoretiradas, o vídeo, com pouco menos de cinco minutos, ainda era facilmente encontrado nesta segunda-feira em outros sites, como DailyMotion.com, BoingBoing.Net, Porkolt.com e até mesmo na página de vídeos do Google, empresa proprietária do YouTube.  Protestos A censura também gerouprotestos de colunistas e blogueiros em todo mundo.  

O empresário e escritor americano Peter Rost, que tem um blog sobre política, ironizou Cicarelli e o namorado Renato Malzoni, protagonistas do vídeo.  'No final o que esta história prova é isso: não seja pego com algasno seu calção de banho. E se for pego, tente achar um advogado para banir o YouTube em todo o país', escreve Rost, que publicou ao lado de seu artigo o polêmico vídeo.  

No site InformationWeek, sobre notícias de economia e tecnologia, o colunista Mitch Wagner critica o casal por protagonizar a cena picante em público e depois tentar bloquear as imagens na Justiça.  'Se você não quer que multidões vejam você fazendo sexo, por que você faria isso na praia com outras pessoas por perto?', escreve Mitch.  'Plataformas abertas – como YouTube, MySpace,Blogger e Facebook – oferecem muitas oportunidades de se expressar livremente, conectar com pessoas, criar arte e promover discussões políticas, e não devem ser ameaçados por censura – especialmente para proteger os direitos de uma modelo boba que deveria ter mais noção – ainda mais porque ovídeo já está em toda a Internet.'

YouTube volta, mas sem vídeo de Cicarelli

Durou apenas três dias o bloqueio ao site de vídeos YouTube, o mais acessado no mundo todo. No início da tarde de ontem, o desembargador Ênio Santarelli Zuliani, do Tribunal de Justiça de São Paulo, mandou que as operadoras telefônicas desbloqueassem o acesso ao site até que o mérito da questão seja analisado por três desembargadores. O pedido de bloqueio foi feito por advogados da modelo e apresentadora Daniela Cicarelli e do namorado, Tato Malzoni, flagrados fazendo sexo numa praia da Espanha. Desde que foi concedida a primeira decisão judicial, houve uma confusão em torno do despacho. Segundoo TJ, inicialmente era para bloquear o vídeo com imagens picantes da modelo. No entanto, por um erro de interpretação do juiz Lincon Antônio Andrade de Moura, que redigiu o ofício encaminhado às operadoras, constava no documento a ordem de bloquear o site. Com o novo despacho, determinado o desbloqueio, a Brasil Telecom e Telefónica, que juntas atendem mais de 50% dos usuários brasileiros, liberaram o acesso ao YouTube ontem no início da tarde. As demais empresas, como a Telemar e Vésper, ainda nem haviam efetuado o bloqueio.

A trapalhada do juiz despertou a ira de internautas (leiaabaixo). Apesar da liberação, o novo despacho do desembargador deixa claro que pode haver novo bloqueio. 'Não está excluída a imposição de medidas drásticas, como bloqueio preventivo, de trinta dias ou mais, até que o YouTube providencie a instalação de software com poder para moderar asimagens cuja divulgação foi proibida', diz nota de Zuliani. Mas o controle de sites como o YouTube, em que os internautas postam cerca de 35 mil vídeos por dia, é muito difícil.

Segundo o advogado Renato Opice Blum, especialista em direito na internet, seria mais fácil banir o portal inteiropor conta das restrições técnicas. As empresas terão de informar à Justiça eventuais dificuldades para restringir o vídeo. Sistema de busca A dificuldade de fiscalização, sobretudo no YouTube, que é um site interativo, ocorre porque o vídeo de Cicarelli pode ser inserido na página com osmais variados termos, que não mencionem o nome da modelo ou o local em que foram gravadas as cenas picantes.

Esse artifício vem sendo usado para driblar os filtros, que buscam palavras-chaves para barrar o acesso ao conteúdo. Nas lan houses (estabelecimentos que permitem acesso público à internet) de Brasília, o banimento do YouTube causou indignação e prejuízo. Numa loja que funciona no Pátio Brasil, nos três dias em que o site de vídeo não pôde ser acessado, os internautas desapareceram. 'Muita gente entrava, acessava o computador e saía imediatamente', conta o proprietárioda casa, Felipe Porto. Ele tem duas lan houses com 26 computadores. 'Muita gente ainda reclamou comigo achando que a lan tem alguma coisa a ver com isso', conta Porto.

Em um cybercafé do Sudoeste, os internautas perguntavam se era possível o acesso ao YouTube antes de entrar. Para explicar aos internautas o que estava acontecendo com o portal de vídeos, a dona do estabelecimento, Iáscara Souto, afixou recortes de jornais para os usuários lerem. Para o advogado Pedro Morais, da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a decisão judicial caracteriza censura prévia porqueo bloqueio impediu acesso dos internautas a informações públicas. 'No YouTube não há só vídeos picantes', diz. Ele afirma que Cicarelli tem todo o direito de pedir que seu vídeo seja retirado do ar. 'Mas bloquear o site caracteriza arbitrariedade', atesta.

 

Ministério Público e NET:acordo para digitalização de canais gratuitos

O Ministério Público Federal, por meio da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Estado de São Paulo, e a Anatel preparam o texto final de um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC) para ser firmado com a NET Serviços e por meio do qual a empresa deve se comprometer a concluir a digitalização, o mais rápido possível, dos canais básicos de utilização gratuita (como os canais comunitários e TVs do Legislativo e Judiciário) em São Paulo, Rio de Janeiro e Porto Alegre.  

Desde que a NET iniciou, em 2006, a digitalização de suas operações naquelas cidades,  os clientes da operadora ficaram obrigados a guardar na memória os passos que precisam ser dados para assistir aos canais obrigatórios.  A NET optou por migrar para a tecnologia digital primeiro os canais comerciais não obrigatórios.

Com isso, os obrigatórios ficaram disponíveis apenas por meio da transmissão analógica. Para ter acesso a eles, o usuário precisa fazer a sintonia por meio do controle remoto da própria TV e não no controle da TV a cabo. Por enquanto, não há previsão certa de quando o troca-troca de controle remoto irá acabar. A Anatel já tem pronta  uma proposta de TAC, mas aguarda sinalização do procurador dos Direitos do Cidadão, Sérgio Suiama, que cuida do caso em São Paulo. A assessoria do procurador informou que ele já voltou do recesso e trabalha na proposta, mas não quis precisar quando o termo poderá ser firmado. 

Segundo Paulo Miranda, secretário-executivo da ABCCOM (Associação Brasileira de Canais Comunitários), em encontros realizados com o procurador Sérgio Suiama, houve um acerto prévio de que a digitalização dos canais obrigatórios estaria concluída em Porto Alegre em maio de 2007, a partir de julho no Rio de Janeiro e, em São Paulo, entre outubro e novembro. 

Representação  A ABCCOM foi uma das signatárias, juntamente com a Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, o FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) e outras entidades de representação enviada ao Ministério Público de São Paulo, em junho do ano passado, contra a NET pela exclusão dos canais obrigatórios na transmissão digital.  As entidades argumentaram que a NET estaria "afrontando" a Lei do Cabo, que determina a transmissão dos canais básicos, e também o direito do consumidor, especialmente pela falta de isonomia da condição de acesso a  odos os canais disponíveis. 

Em resposta ao Ministério Público, A NET argumentou que a Lei do Cabo não especifica a tecnologia através da qual devem ser transmitidos os canais básicos de utilização gratuita, somente determina que a operadora torne os canais disponíveis aos assinantes e isso a empresa vem fazendo. 

 

Procuradora pelo Tele.Síntese, a NET respondeu, por meio de sua assessoria, que a transmissão pela tecnologia analógica é transitória e está de acordo com as determinações da Lei do Cabo e da Anatel.  "Nesse momento, a Net Serviços trabalha para formalizar um acordo com os canais obrigatórios e posterior anuência da Anatel, como objetivo de antecipar o lançamento dos canais obrigatórios na plataforma digital no menor espaço de tempo possível", disse a empresa.

Compensações 

Miranda afirma que as associações querem incluir outros itens no termo de compromisso a ser assinado com a NET. Entre eles, que a operadora se comprometa a conceder dois pontos gratuitos a cada canal comunitário para que as TVs comunitárias possam acompanhar se a operadora veicula o que é produzido. Hoje, para fazer esse acompanhamento, as TVs comunitárias precisam ser assinantes da NET. "Não estamos sendo prejudicados? Então queremos compensações nesse acordo", alega Miranda.  

 

A Intervozes, entretanto, não irá referendar o TAC. "Não vamos assinar porque é aceitar uma moratória flagrante. Do ponto de vista prático, esses canais estão fora do ar", protesta Diogo Moyses, representante da entidade. De acordo com ele, as outras associações tendem a aceitar a proposta do Ministério Público porque acreditam que se forem pela via judicial ficarão mais tempo ainda fora do ar.

Cicarelli é autora do processo contra o YouTube

Daniella Cicarelli não diz a verdade quando afirma que não foi ela que entrou com a ação que resultou no bloqueio do site de compartilhamento de vídeos Youtube para todos os brasileiros. Ela é, sim, autora da ação, junto com seu namorado e coadjuvante nas cenas de alta temperatura erótica gravadas em vídeo edivulgadas no dito site, Renato Malzoni Filho. É o que se pode notar na decisão da Justiça que proibiu a exibição da peça e que foi reproduzida pela Consultor Jurídico. Ali consta o nome de Daniella como autora, junto com Malzoni.  

Em entrevista à TV Globo e à colunista Mônica Bergamo, da Folha de S. Paulo , Daniella afirmou que o responsável pelo processo judicial é apenas seu namorado. 'Eu não estou processando o YouTube . O processo é dos advogados do Tato [Malzoni]', disse a modelo para a Folha . 'Quando surgiu essa história toda, vi que, se quisesse processar, teria que processar todo mundo que divulgou a história: os jornais, as revistas, todo mundo. Decidi só processar o paparazzo.'  

A ação originária, que foi ajuizada logo depois da divulgação das cenas de amor na praia espanhola, leva, sim, a assinatura de Daniella Cicarelli e do namorado. Já o agravo que resultou na interdição do Youtube , no início desta semana, e que faz parte do mesmo processo, leva apenas a firma de Malzoni.  

A ConJur tentou falar com a modelo em seu celular, mas o telefone estava desligado. A revista ligou para o escritório de seu empresário. Foi informada que Daniella não tem assessoria de imprensa e que o escritório não está autorizado a passar informações sobre a vida pessoal dela. A ConJur também mandou um e-mail para Daniella, mas não obteve resposta até a tarde desta quarta-feira (10/1).

Defensoria Pública faz mutirão em São Paulo

Quarenta e um atendimentos a rádios comunitárias. Este é o balanço final do mutirão, realizado nos dias 11, 12, 18 e 19/12 na Defensoria Pública, para orientar associações comunitárias interessadas. O Ministério das Comunicações (MC) publicou, no início de dezembro, o aviso de habilitação para a cidade de São Paulo. O aviso é a primeira etapa para a regularização, e desde então corre o prazo de 45 dias para as entidades enviarem a documentação necessária à Brasília. É o primeiro publicado para a cidade de São Paulo, uma das últimas capitais do país que ainda não regularizou seu serviço de radiodifusão comunitária. 

Participaram da iniciativa a Defensoria Pública, o Escritório Modelo Dom Paulo Evaristo Arns – PUC/SP, a AnoregSP (Associação dos Notários e Registradores do Estado de São Paulo) e a Associação Mundial de Rádios Comunitárias. 

Segundo Renata Tibyriçá, defensora pública responsável pelo mutirão, as dúvidas se referiam à documentação exigida pelo Ministério, principalmente, à adequação dos estatutos ao Novo Código Civil e à Lei da Radiodifusão Comunitária (9.612/98) e aos manifestos de apoio. 

A orientação jurídica às rádios continua, mas agora com hora marcada. Para agendar orientação na Defensoria Pública, os interessados devem ligar para (11) 3104-7152 e entrar em contato com a defensora Renata ou com Bruno. O horário de atendimento na Defensoria vai das 10hs às 18hs de segunda à sexta, exceto feriados.  

Para agendar orientação no Escritório Modelo Dom Paulo Evaristo Arns, os interessados devem ligar para (11) 3872-6992 ou (11) 3873-3200 e entrar em contato com Mara, Cláudia, Júlia ou Renata. O horário de funcionamento do Escritório Modelo vai das 9hs às 18hs, e o horário de atendimento das 13h30 às 17hs. O atendimento funciona durante as férias, com exceção dos dias 22/12, 4 e 5/1. 

A iniciativa de articulação para o aviso de habilitação é inédita no país. Os encontros de preparação contaram com a presença de representante do MC, da Defensoria Pública, do Escritório Modelo Dom Paulo Evaristo Arns e das rádios comunitárias, e contribuíram para a definição de diretrizes adequadas à realidade paulistana. As entidades e organizações ligadas à radiodifusão pressionaram e, pela primeira vez, o MC divulgará a lista das rádios que pleitearam a autorização, bem como sua distribuição geográfica, antes de decidir quais efetivamente serão contempladas.

 A publicidade destas informações visa estimular a realização de acordos entre as rádios que concorrem no mesmo espaço, e também contribuir para que a sociedade denuncie entidades que não sejam estritamente comunitárias, como as ligadas às igrejas ou particulares. 

Contatos:Renata Tibyriçá (Defensora Pública) e Bruno Lupion (Jornalista)

Coordenadoria de Comunicação Social e Assessoria de Imprensaimprensa@defensoria.sp.gov.br www.defensoria.sp.gov.br3104-7152 / 8542-4262