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PAC fica devendo projeto para incentivar a inclusão digital

Setores da sociedade envolvidos com a democratização da comunicação avaliam que o Plano de Aceleração de Crescimento anunciado pelo Planalto é insuficiente quanto ao estímulo à inclusão social pela digitalização dos meios de comunicação.

Há pouco mais de um ano, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) lançou um manifesto motivado pela definição do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), então em fase de estudos. O Fórum se posicionou sobre a digitalização, considerando-a como um processo de decisiva importância para a determinação da cultura nacional, da produção audiovisual, da democratização da comunicação, da cidadania e do desenvolvimento sustentado. Sustentou que a digitalização representava mais do que uma nova tecnologia. “Trata-se de uma oportunidade histórica, em virtude da inovação científica e tecnológica, de equipararmo-nos todos. De passarmos, nesse setor, a competir de igual para igual com os países desenvolvidos e suprimirmos nossas deficiências em estágios anteriores do desenvolvimento econômico”, dizia o FNDC.

O Plano de Aceleração do Crescimento (PAC), anunciado pelo governo federal recentemente, trouxe medidas para a área de infra-estrutura do País que contemplam a promoção do desenvolvimento tecnológico dos setores da TV digital e de semicondutores. Porém, não traz em seu texto planos relacionados à inclusão possibilitada pela TV digital. Basicamente, o programa estimula a pesquisa, desenvolvimento e produção dos equipamentos aplicados à TV digital, exceto os set top boxes (conversores para sinal digital), que contarão com os incentivos da Zona Franca de Manaus, e de bens de microeletrônica (semicondutores).

Os benefícios constam da isenção de IRPJ (microeletrônica), redução à zero das alíquotas do IPI, do PIS, da COFINS e da CIDE incidente sobre a venda de equipamentos transmissores de sinais e as vendas de semicondutores e displays, e sobre a aquisição de bens de capital e as transferências para aquisição de tecnologia e softwares. O PAC também amplia os limites do valor de venda a varejo de microcomputadores e notebooks beneficiados com alíquota zero de PIS e COFINS, cujos limites atuais de R$ 2,5 mil e R$ 3 mil, respectivamente, passarão para R$ 4 mil, em ambos os casos.

Limitações

Durante a semana, através da imprensa especializada, surgiram várias manifestações de representantes do setor de telefonia e de especialistas, considerando que os incentivos previstos no PAC são limitados. Segundo o coordenador-geral do FNDC, Celso Schröder, as medidas anunciadas no plano do governo para a TV Digital estão plenamente de acordo com o ponto de vista da manutenção do modelo de negócios da televisão aberta brasileira. Para Schröder, desde que o governo decidiu-se pelo padrão japonês, privilegiando em sua decisão os fatores tecnológicos, nada mais coerente do que lançar, agora, políticas que contribuam neste sentido. “A articulação e o projeto [do governo para a TV digital] são tímidos para a dimensão que uma planta dessas representa, que é muito maior do que o mercado de um só país”, avalia.

O documento lançado há um ano pelo FNDC estimava que, para o campo democrático, a digitalização da televisão poderia ser uma possibilidade inédita de romper com a monopolização e a oligopolização do mercado de radiodifusão no Brasil, “abrindo uma fase extremamente dinâmica para a competição e o estabelecimento de novos atores”.

Representantes da Associação Brasileira de Telecomunicações (Telebrasil) criticaram a ausência de incentivos ao setor, no PAC, que não contemplou as Tecnologias de Informação e Comunicação (TICs). Eles declararam à imprensa, durante a semana, que a entidade vai procurar sensibilizar órgãos do governo no sentido de construir uma diretriz política interna a favor da inclusão digital.

Conforme matéria do informativo Telebrasil em Foco, dia 29/1, o vice-presidente da Telebrasil, José Fernandes Pauletti, acredita que a população precisa aprender a utilizar os serviços do governo com base nas TICs – através da internet – para educação, saúde e segurança. Porém, deve haver vontade política do governo de adotar essas tecnologias para aumentar a quantidade e a qualidade da prestação se serviços. Pauletti citou o exemplo do Network Readness Index (NRI), um serviço que classifica os países pela infra-estrutura de sua rede (considerando o preparo da população, do serviço público e do governo), e que foi utilizado no Fórum Econômico Mundial para medir quanto a economia de um país está preparada para se beneficiar dos desenvolvimentos das TICs. O Brasil, diz, ocupa 39º lugar. Segundo Sílvio Genesini, diretor estatutário da Telebrasil, “o uso intensivo da TICs pelo governo tem um efeito alavancador ainda mais poderoso do que outras medidas consideradas mais concretas”.  José Fernandes Pauletti, segundo a matéria, considerou que o governo poderia estar com um conceito de infra-estrutura – energia, petróleo, estradas – ultrapassado.

Voz comum

O FNDC destacou, no manifesto publicado há um ano, a retroalimentação entre a democratização da comunicação, suscitada pela digitalização – através da oferta de interatividade, multisserviços, multiprogramação – o desenvolvimento do mercado de bens eletrônicos de consumo, e a geração de emprego e renda. “Há, entre a democratização da comunicação social, a convergência das novas tecnologias de informação e comunicação (TICs) e o desenvolvimento da economia nacional, um estreito enlace. Trata-se de uma nova economia, de uma nova indústria, que alguns denominam como “indústria do conhecimento”, apontava o texto.

A Telebrasil defende a existência de “uma voz comum” para os órgãos de classe e as associações que representam o setor da TICs, para construir, com o governo, uma plataforma ampla e unificada. O já citado manifesto lançado pelo FNDC observa que a base objetiva para o avanço da democratização pode ser fornecida pela confluência tecnológica e a possibilidade de interatividade entre emissor e receptor nela contida. “Dependendo do contorno desse processo, se decidirão as bases para o exercício da democracia, da soberania e da inserção internacional do Brasil no Século XXI”, projetava o Fórum.

Para o consultor em políticas de comunicação Israel Bayma, se o PAC não inclui o setor de telecomunicações, isso mostra principalmente que o Ministério das Comunicações (Minicom) não participou efetivamente neste sentido. “É sinal que o ministério não formulou seu conjunto de contribuições para colaborar com o projeto”, sustentou. Ele pondera, entretanto, que a inclusão digital também é obtida através de investimentos na área de infra-estrutura (objeto do PAC). Bayma avalia que o texto do Plano poderia orientar, por exemplo, para o equacionamento sobre o uso do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (FUST), mas não o fez.

Quanto à desoneração do ICMS para as empresas de telecomunicação, considera, “este é um assunto que deve ser tratado pelos estados, e não pelo governo federal”. Assim como o FNDC em seu documento, o consultor não considera aceitável legitimar a TV digital no País sob o ponto de vista do desenvolvimento tecnológico e da indústria eletroeletrônica. “O Plano contribui, mas não viabiliza exatamente a inclusão. Espero que este PAC seja apenas um primeiro programa, que ainda receba contribuições da sociedade e que possa conter detalhes de inclusão social”, afirmou.

Juiz nega pedido de apreensão de biografia de Roberto Carlos

A biografia de Roberto Carlos não será retirada das livrarias. A decisão judicial foi divulgada em comunicado distribuído à imprensa pela editora Planeta do Brasil, responsável pela publicação da obra, lançada no final do ano passado. As informações são do Portal do Estadão 'Contrariando o parecer do Ministério Público, o juiz Dr. Tércio Pires indeferiu o pedido de busca e apreensão do ensaio biográfico', diz o texto da editora.

Roberto Carlos em Detalhes (Planeta, 504 páginas, R$ 59,90), escrito pelo historiador Paulo Cesar de Araújo, foi publicado sem autorização do cantor. Roberto Carlos disse que leu apenas trechos do livro, o que foi suficiente para que ele condenasse toda a obra.

Ele declarou que se sentiu ofendido e concluiu que houve invasão de privacidade com a divulgação de histórias sobre a sua vida. Roberto Carlos em Detalhes conta a trajetória do cantor, sem omitir fatos dolorosos como a amputação de parte de uma perna, sua relação com a atriz Myriam Rios e a morte de Maria Rita, sua última mulher.

Em entrevista coletiva, Roberto Carlos disse assim: 'O livro tem coisas não-verdadeiras, que ofendem a mim e a pessoas queridas, expostas ao ridículo. É um absurdo, uma falta de respeito lançar mão da minha história, que é um patrimônio meu. Me sinto agredido na minha privacidade. Isso me irrita, me incomoda, me entristece'.

Depois de notificar a editora, o advogado do rei, Marco Antônio Campos, entrou com queixa-crime onde pedia o recolhimento dos livros do mercado. O juiz Tércio Pires, da 20ª Vara Cível do Fórum Criminal de São Paulo, negou pedido. 

Circulação de jornais cresce no mundo e no Brasil

Um informe divulgado pela Associação Mundial de Jornais (WAN, na sigla em inglês) mostra que há uma boa perspectiva para a indústria jornalística. Os dados coletados entre 2000 e 2005 indicam crescimento de 9,95% na circulação mundial dos jornais. O estudo também registra um fato inédito: pela primeira vez na história da imprensa escrita, o número de títulos diários em circulação ultrapassou 10 mil.

Outro fenômeno marcante nos últimos cinco anos é o sucesso dos jornais gratuitos, cuja circulação dobrou. Já os jornais pagos alcançaram mais de 450 milhões de exemplares diários e superaram 1,4 bilhão de leitores em todo o mundo.

“Os jornais vivem uma situação bem melhor do que se acredita”, diz Timothy Balding, diretor geral da WAN. O desempenho do setor contraria a idéia de que os jornais enfrentam a pior crise nos últimos anos por causa da concorrência com as mídias digitais. “Na verdade, os dados mostram que a indústria jornalística está saudável e vigorosa e vem sabendo enfrentar a competição crescente de outras mídias”, diz Balding.

BRASIL

No mercado nacional, a situação positiva se repete. Os últimos dados disponíveis, do Instituto Verificador de Circulação (IVC) e referentes a 2006, mostram que a circulação diária dos jornais no Brasil cresceu 6,5%, totalizando 7.230.285 de exemplares vendidos. A recuperação de mercado dos jornais diários foi iniciada em 2004, depois de três anos de declínio, e consolidou-se em 2005, quando atingiu a média diária de 6,789 milhões de exemplares.

Embora seja expressivo o avanço dos jornais gratuitos no exterior, o presidente do IVC, Pedro Martins Silva, não vê cenário similar para o Brasil. Entre outras razões, ele aponta a dificuldade para se aferir a circulação desses diários, o que inviabiliza o investimento publicitário dos anunciantes.

Brasil está na lista de países que amordaçam jornalismo

Cuba, México, Venezuela, Bolívia, Brasil, Chile e Argentina foram, nesta ordem, as piores áreas da América Latina para exercer o jornalismo em 2006 por causa de leis e práticas 'mordaça' patrocinadas pelo poder político. Segundo o relatório 'Indicadores de Jornalismoe Democracia em Nível Local na América Latina', publicado nesta quarta-feira pela ONG Cadal, a América Latina foi a segunda região do mundo, depois do Iraque, em número de jornalistas assassinados em 2006, e a segunda também em profissionais presos, depois da China.Cuba aparece no estudo comoo pior país para exercer o jornalismo, com uma grande propaganda governamental, um bloqueio informativo fortalecido pela doença de Fidel Castro, e a dificuldade de entrada de jornalistas procedentes do exterior.

No dia 28 de outubro de 2006, o Ministério das Relações Exteriores emitiu uma resolução na qual era estabelecia que para que um jornalista estrangeiro entre na ilha deverá ter um visto jornalístico, que tem que ser solicitado 21 dias úteis antes da data proposta, e terá que coordenar com as autoridades cubanas as entrevistas que deseja realizar.Já o México apareceu no segundo lugar por causa das ameaças e dos crimes cometidos contra jornalistas que ficaram sem solução.Além disso, segundo o professor Fernando Javier Ruiz, autor da pesquisa sobre o México, a forte presença de máfias neste país promove a 'auto-censura'.Venezuela e Bolívia aparecem como paísesnos quais o Estado usa a imprensa para escorar o poder político, de acordo com o estudo do Centro para a Abertura e o Desenvolvimento para a América Latina (Cadal).Os jornalistas destes dois países vivem em um ambiente 'polarizado', no qual 'tarde ou cedo se vêem obrigados a se posicionar', afirmou Ruiz.

O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, já anunciou medidas no âmbito da comunicação como a não renovação de algumas das licenças de rádios e televisões particulares, a sanção de uma lei que regule os meios de comunicação impressos e o aumento do tamanho e da coordenação dos meios de comunicação a serviço do Governo.Já a Bolívia vive momentos de comoção interna por causa do confronto entre o Governo de Evo Morales e as forças opositoras, o que faz com que o Governo mantenha uma relação de 'tensão' com os meios de comunicação.Brasil e Chile contam com 'leis mordaça' que controlam o exercício jornalístico, como a ameaça de prisão para crimes contra a honra, o desacato, a sindicalização obrigatória dos jornalistas, o controle dos conteúdos noticiados, e normas que restringem o aparecimento e o desenvolvimento de novos veículos de comunicação comunitários.A Argentina se apresenta como o país com a legislação menos restritiva de todo América Latina, embora imponha 'práticas mordaça' para o exercício do jornalismo, como a concessão com critérios políticos da publicidade oficial, das licenças de rádio e de televisão, as dificuldades para o aparecimento de novos meios ou o abuso de parte dos veículos privados por sua posição dominante.O presidente do Fórum de Jornalismo Argentino (Fopea), Daniel Santoro, afirmou que, durante os três anos do Governo de Néstor Kirchner, 'foi instaurado um sistema de telefonemas parajornalistas receberem queixas por suas matérias'.

Cai ritmo do crescimento do consumo de TV

Depois de aumentar meia hora por dia entre 2001 e 2005, o consumo de TVs aberta e paga no Brasil teve redução no ritmo de crescimento no ano passado, revela estudo do Ibope. Durante 2006, o brasileiro assistiu à televisão durante impressionantes 5 horas, quatro minutos e 23 segundos por dia, dois minutos a mais do que em 2005. Em 2001, essa média nacional era de 4h37min15s. Pela primeira vez nos últimos anos, houve queda no consumo por parte de um segmento da população: as pessoas com mais de 50 anos viram quatro minutos a menos de TV em 2006 (5h34min28s) _mas continuam sendo as maiores consumidoras do veículo. O crescimento do consumo foi maior na classe C e menor na D e E (que são as que mais vêem TV, 5h18h58s por dia).

O estudo, de acordo com o Ibope, mostra que a televisão resiste ao crescimento de novas mídias, principalmente a internet. Para Dora Câmara, diretora do Ibope Mídia, os mais jovens aderiram às novas tecnologias, mas as consomem simultaneamente à televisão. A queda entre os mais velhos, explica o Ibope, se deve a uma maior dedicação deles a atividades físicas e a viagens. 'A internet poderia estar afetando o meio, mas a TV continua intacta, tanto que foi vista por 95% da população em 2006. A TV resiste porque entrega um produto que o público quer ver', analisa Dora.