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Jornalistas sem diploma devem ter registro restabelecido

SÃO PAULO – As delegacias regionais do Trabalho (DRTs) devem restabelecer o registro de jornalista dos profissionais que não possuem diploma, informou na terça-feira, 6, uma portaria do Ministério do Trabalho, publicada no Diário Oficial da União.

A portaria determinou que as DRTs suspendam a fiscalização da exigência do diploma em casos de profissionais que possuem apenas o registro de jornalista. A decisão foi baseada na liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) que manteve o exercício da atividade jornalística independente do diploma de curso superior.

De acordo com a portaria do ministério, os autos de infração por falta de diploma emitidos a partir de 19 de dezembro do ano passado, data de publicação da liminar, devem ser "desconstituídos". Além disso, as DRTs devem intimar também, individualmente, aqueles que tiveram seus registros profissionais restabelecidos.

 

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Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital realiza encontro

Com o objetivo de discutir o processo de digitalização no país e traçar estratégias de ação, a Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital promove encontro, nos dias 15 e 16 de março, no Rio de Janeiro.

O primeiro dia será marcado por debates sobre radiodifusão digital, como aspectos políticos e econômicos, tecnológicos e regulatórios da radiodifusão. No dia 16, haverá uma plenária de entidades da sociedade civil, com a proposta de analisar a conjuntura nacional do setor e desenvolver as propostas de ação das entidades. Além disso, também está programado um ato público, na Praça XV, no centro da capital carioca, a partir das 17h30 do dia 15.

O evento acontece no Clube de Engenharia (Av. Rio Branco, 124) e as inscrições devem ser feitas pelo endereço: encontrofrentedigital@yahoo.com.br. Os participantes inscritos receberão um caderno de textos sobre os temas. Na lista de convidados, constam  representantes do governo e da sociedade envolvidos no processo.

Jonas Valente, jornalista e integrante da frente, afirma que “o encontro é de extrema importância para rearticular esta que foi uma grande iniciativa de reunir diversas entidades no ano passado para disputar os rumos desta transição tecnológica da TV brasileira”. Entre os temas pautados, Valente destaca a definição do plano básico de canais, a criação de canais públicos e estatais e o formato destes, a formatação das possibilidades interativas da programação e a política de incentivo à produção de conteúdo digital.

 

Rádio digital avança sem debate público

No momento em que se transita para a digitalização dos meios de comunicação, a velocidade peculiar ao rádio manifesta-se ainda mais intensa nas decisões políticas e de mercado acerca das escolhas tecnológicas. Neste caso, porém, tal rapidez pode ser prejudicial aos futuros ouvintes: sociedade e a comunidade científica estão sendo praticamente ignoradas. Os empresários do setor adiantam as suas preferências, antecipando-se a qualquer possibilidade de debate público sobre a questão. Para justificar o processo oblíquo de escolha do que será o rádio digital no Brasil, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) abriu, nesta semana, Consulta Pública para avaliar o Iboc, padrão americano escolhido pelos radiodifusores para ser implementado no país.

Enquanto ainda se definem especificações técnicas e critérios diplomáticos de cooperação entre Brasil e Japão para a implementação da TV digital brasileira, o sistema de digitalização do rádio se encaminha, ao que tudo indica, para uma definição bem mais rápida. A agilidade, característica intrínseca do rádio, se transpõe para as decisões políticas sobre o veículo, com resultados discutíveis. Para colher contribuições acerca do sistema americano de Rádio Digital AM Iboc (In Band on Channel), em fase de testes desde o ano passado, a Anatel abriu a Consulta Pública nº 771, em 5 de março de 2007, que estará vigorando até 24 de abril (leia íntegra da Consulta), baseada no documento Proposta de Critérios e Procedimentos para Avaliação do Sistema de Rádio Digital AM Iboc elaborado pela Universidade de Brasília – UnB.

Para o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), estes são os arremates de um processo que iniciou torto, pois não incluiu qualquer tipo de consulta além do que já estava dado: a escolha do padrão americano pelos radiodifusores. “Sem nem mesmo um arremedo de debate, como foi o da TV digital, a Anatel baterá o martelo pelo Iboc”, declarou o coordenador-geral do FNDC, Celso Schröder. A consulta da Anatel limita-se a um único padrão, mas poderá servir como justificativa pública para embasar a decisão final. Em levantamento realizado no ano passado, o FNDC estimou que a transição para o padrão proprietário Iboc poderá custar R$ 15,7 bilhões ao cidadão e mais de R$ 1,3 bilhão às emissoras (leia matéria).

Legitimado pelo ministro

Em entrevista concedida a Abert (Associação Brasileiras das Emissoras de Rádio e TV), esta semana, o ministro Hélio Costa anunciou a criação de um Comitê Consultivo interministerial, com a participação da indústria e os radiodifusores, que observará a Consulta Pública do Iboc. Da indústria, participarão especialmente os representantes das áreas de transmissão e recepção – os radiodifusores, através de suas associações e as emissoras educativas, comunitárias e culturais. (acesse trechos da entrevista).

Segundo Costa, em 90 dias será divulgado um estudo indicando o sistema de rádio a ser adotado no país. Ele anunciou, ainda, que há um cronograma para implantação do rádio digital até dezembro, nas capitais. Confirmando mais uma vez sua posição, Costa disse que o padrão americano Iboc é o mais adequado à realidade brasileira, mas ainda não está definido. Adiantou que os radiodifusores terão acesso a linhas de crédito especiais.

Na opinião de Regina Motta, pesquisadora em Comunicação e professora da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), que participou dos estudos do Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD), difícil é imaginar que o modo como os radiodifusores pressionam o poder público pela adoção do padrão norte-americano IBOC não vai influenciar nessa escolha. “Se for para haver um debate tal qual o da TV Digital, para depois dele resolver por um padrão que já estava previamente escolhido, a iniciativa é só um gasto de dinheiro público.” A seu ver, nesta decisão, tudo indica que o Ministério das Comunicações vai passar por cima tanto das comunidades acadêmicas e científicas, quanto da sociedade civil.

Para Nélia Del Bianco, coordenadora de pesquisa "Jornalismo e Sociedade" na UnB, a tendência é clara: a escolha recairá sobre um modelo de transmissão digital que não coloque em risco o status quo das emissoras existentes. “Neste caso, o Iboc oferece segurança em tempos de incerteza, porque mantém os radiodifusores onde estão, com suas freqüências, e garante a transição pela coexistência (um valor caro aos processos de transição tecnológica) com o analógico”, reflete.

Segundo a pesquisadora, a tendência por um modelo comercial que desconsidere o processo de adaptação de emissoras públicas e comunitárias revela a essência do modelo de concessão de rádio e televisão no Brasil, de natureza patrimonialista. “Um bem público explorado pela iniciativa privada com enfoque essencialmente comercial”, analisa Nélia, acrescentando: “Aqueles que já exploram os serviços ganharam o direito de continuar no sistema de forma indefinida, sem o questionamento de sua prática de uso”. A escolha dos radiodifusores de emissoras comerciais pelo Iboc, reforça a pesquisadora, é um esforço para combinar vantagens tecnológicas com a possibilidade de preservação do negócio e da marca.

Testes não empolgam

Apesar da escolha dada, há informações de que os radiodifusores não estão muito animados com os primeiros testes com o Iboc, por conta do delay. Segundo Nélia, o digital apresenta um atraso (chamado delay) de oito segundos em relação ao analógico, que, na fase de transição, quando os dois sistemas conviverão por algum tempo, o ouvinte perceberá. “Você começa a ouvir uma notícia, aí sai do digital, passa para o analógico e o analógico já está lá na frente, pulando uma parte da notícia. A sensação é de que há um avanço no tempo. Mas quando se dá o contrário, com a queda do sinal digital e o retorno para o analógico, o ouvinte é obrigado a escutar a repetição da fala do locutor pelos mesmos oito segundos”, explica.

O Iboc é uma tecnologia cara e que ocupa uma faixa larga do espectro. Tanto que a empresa Ibiquity, proprietária do padrão Iboc, pediu à Comissão Federal de Comunicações, agência reguladora dos setores de radiodifusão e telecomunicações nos EUA, a ampliação do uso de espectro de 200 kHz para 250kHz. (leia matéria). Se a ampliação da banda digital é requisito técnico para que o sistema funcione sem interferência, o aumento da faixa concedido a uma emissora significará que outras terão que sair para dar espaço a ela. Considerando ainda o alto custo de implantação dessa tecnologia, pode-se deduzir que cairão fora do espectro as pequenas rádios comerciais, as comunitárias e as educativas.

A pesquisadora da UnB esclarece que, para ser disseminada, uma nova tecnologia passa por aceleradores e freios de acordo com a indústria, o poder econômico, pressões competitivas e políticas em confronto naquele momento. “Atualmente, as rádios estão tentando entender como funciona essa tecnologia. Falta capacitação técnica e em muitas rádios será necessário trocar os transmissores. A rádio Globo em SP ainda funciona com transmissores analógicos”, lembra. Nélia pondera, entretanto, que por mais que a tendência seja a indicação do Iboc, é provável que se abra espaço para o padrão aberto europeu DRM (Digital Radio Mondiale), por exemplo, para atender às emissoras públicas. Quanto às comunitárias, diz, “pouco se fala e não parece ser uma preocupação no momento”.

 

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Rádios americanas pagarão US$ 12,5 mi por aceitar ‘jabá’

Ouvintes americanos exasperados por ouvir a mesma música dezenas de vezes no rádio podem ter algo a comemorar: acordos entre o governo dos EUA e as emissoras podem alterar as listas das 'mais tocadas'. A quarta maior companhia da área terá que pagar ao governo US$ 12,5 milhões, além de providenciar 8.400 inserções de meia hora para gravadoras independentes e artistas locais por ter aceitado 'jabá' -dinheiro ou outra remuneração de gravadoras em troca da veiculação de suas músicas. Ainda cabe recurso à decisão.

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Rádios comunitárias de São Paulo aguardam chance de concessão

São Paulo – O prazo para que associações comunitárias do município de São Paulo peçam ao Ministério das Comunicações uma concessão para operar uma rádio comunitária na cidade se encerrou hoje (5). Em 45 dias, o ministério deve publicar um mapa com a localização geográfica de todas associações que pleiteiam a concessão.

A Associação Cultural e Comunitária Flor do Morro, uma das muitas associações comunitárias da periferia paulistana, sediada na Zona Leste, no bairro da Vila Alpina, deu entrada em 1998 no ministério com o pedido de regularização de sua rádio. Nove anos mais tarde, a entidade poderá conseguir obter a legalização da emissora. 'Sentimos a necessidade de um canal de comunicação ágil e barato. E também para integrar as várias entidades sociais, associação de amigos de bairros, pastorais sociais, movimentos populares e a integração daprópria comunidade', explica Antonio Zanon, um dos idealizadores da rádio.

A rádio foi planejada por um grupo de aproximadamente 15 pessoas em 1995. Apesar da intenção de se regularizar, a entidade nunca foi autorizada a funcionar. 'Achamos que todos têm o direito de ser bem informado, sobretudo o que acontece na comunidade, fato que nem sempre os grandes meios de comunicação fazem acontecer. Eles não vão se preocupar com as coisinhas, entre aspas, que está acontecendo no bairro', diz Zanon. As inscrições foram abertas no último dia 7 de dezembro. Essa foi a primeira vez que o governo federal abriu a possibilidade da regularização de rádios comunitárias na cidade. Até o momento, não é possível saber quantas entidades fizeram a requisição ao ministério.

 

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