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Anatel diz que mudará designação dos canais de 60 a 69 UHF

A Anatel tem um grande desafio pela frente para conseguir encaixar todos os canais de TV digital nos espectros congestionados das diferentes cidades. Nos próximos três meses, os técnicos da agência irão se dedicar à criação de um modelo de distribuição de canais que não comprometa a entrega futura de freqüências, sobretudo nas grandes cidades, onde os espaços para manobra são limitadíssimos. Para evitar problemas, a Anatel pensa, desde já, em alterar a designação dos canais 60 a 69, atualmente usados pelas repetidoras de sinais de televisão aberta. Hoje essas repetidoras usam a faixa em caráter primário. A reguladora irá manter o serviço, mas apenas em caráter secundário, para abrir espaço para a transmissão digital.

A mudança deve ser encaminhada pela área técnica ao conselho da Anatel apenas em meados de outubro, junto com as demais mudanças que estão sendo traçadas para a remoldagem do espectro visando comportar os novos canais digitais. A preocupação maior é garantir que não faltem canais no futuro por conta da alta concentração demográfica em algumas regiões. Locais como a capital paulistana tem se mostrado um desafio para a reguladora pelo potencial de interferência entre as emissoras. Essas interferências podem limitar o uso do espectro, prejudicando a distribuição dos canais. E será muito difícil abrir espaço para novos players.

Além de São Paulo, outras duas cidades importantes já estão com seus planos de distribuição de espectro desenhados. São elas Rio de Janeiro e Brasília. No entanto, a Anatel não deve divulgar tão cedo esses planos, por conta da análise detalhada que está sendo feita para a região de São Paulo. Como a área paulistana é a mais complexa nas questões de interferência, ela será usada como parâmetro de adaptação das demais cidades quando o estudo for concluído.

Outra dificuldade é a necessidade de que existam canais digitais e analógicos em funcionamento simultâneo durante todo o período de transição para o novo sistema de transmissão de TV, que durará 10 anos. A limpeza dos canais 60 a 69 não será suficiente para solucionar esse impasse e, por isso, a questão está sendo discutida com o Minicom. Por enquanto, apenas no canal 69 há perspectivas de caber ambos os sinais, analógico e digital.

Com relação às operações das repetidoras e retransmissoras de TV que atualmente usam esses canais, a expectativa é de que, ao longo do processo de transição, esse serviço será naturalmente transferido para os satélites. Hoje, as grandes empresas do setor já utilizam capacidades dos satélites em operação para repetir os seus sinais para suas afiliadas.

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MPF vai fiscalizar programação regional de TV

Violência explícita, exposição de pessoas ao ridículo e apologia à tortura são cenas comuns na programação regional da televisão brasileira em horários livres para crianças e adolescentes. A constatação, presente em uma série de denúncias de organizações da sociedade civil que lutam pelos direitos humanos e pelo direito à comunicação, nos últimos tempos também tem sido constatada pelo Ministério Público Federal (MPF). “Tais problemas não são detectados pelo Ministério da Justiça, visto que os programas regionais não são monitorados. Daí, a necessidade da atuação do Ministério Público em cada capital, particularmente das Procuradorias Regionais dos Direitos do Cidadão”, afirma Fernando Martins, procurador da República que integra o Grupo de Trabalho de Comunicação Social do MPF.

O GT coordenou, em junho, uma oficina de trabalho no Recife sobre programas noticiosos policiais exibidos pelas emissoras de televisão que violam sistematicamente os direitos humanos, que reuniu procuradores de outros estados, como Rio Grande do Norte, Piauí, Minas Gerais e Paraíba, além de Pernambuco. No encontro, foram apresentados aos procuradores casos práticos de violações e experiências de ações de controle público já realizadas. Os procuradores recomendaram a realização de um monitoramento por parte do MPF dos programas regionais por meio de clippagem junto às assessorias de comunicação das capitais. Além disso, elaboraram um roteiro de monitoramento de programas policiais regionais que violem os direitos humanos nos casos de exposição da violência, exposição do ridículo e apologia à tortura.

Os procuradores também definiram um procedimento para coibir a violação dos direitos humanos pelas emissoras. Após a constatação de conteúdos violadores, serão enviadas recomendações às emissoras e, no caso de recusa de diálogo por parte do concessionário de televisão, serão elaboradas ações civis públicas requerendo a retirada do ar das cenas e até a suspensão da emissora por 30 dias ou a cassação da concessão para execução do serviço de radiodifusão. É possível também pedir a produção de vinhetas e programas que difundam e promovam os direitos humanos, a título de contra-propaganda.

“É importante que estes procedimentos sejam acordados entre o Ministério Público Federal e os ministérios públicos estaduais locais, pois já existem uma série de ações de monitoramento da programação, mas quando queremos denunciar, não sabemos direito a quem recorrer”, questiona Rosário de Pompéia, do Intervozes e do Fórum Pernambucano de Comunicação (Fopecom). Segundo ela, as organizações articuladas no Fopecom apresentaram em agosto do ano passado uma representação aos ministérios públicos Estadual e Federal. “Este procedimento se criado com Grupo de Trabalho de Comunicação Social do MPF será um avanço, pois pressiona os procuradores locais a agir localmente e cuidar dos casos que escapam ao monitoramento nacional”, afirma.

Renata Ribeiro, advogada que assina a representação das organizações do Fopecom diz que é preciso ampliar o espectro do monitoramento, que não pode ficar restrito aos programas policiais ou policialescos. “Os programas de televisão locais desrespeitam os direitos humanos, especialmente das mulheres, crianças e jovens infratores. Trata-se do não cumprimento das normas constitucionais que estabelecem os princípios da programação televisiva. Nossa intenção com a representação foi fazer com que as emissoras locais respeitem as normas constitucionais e os tratados internacionais assinados pelo Brasil”, afirma.

Mais que conteúdo
Edgard Rebouças, pesquisador da Universidade Federal de Pernambuco e integrante da Campanha pela Ética na TV afirma que a portaria da Classificação Indicativa editada pelo Ministério da Justiça reforça o papel do monitoramento local da programação. “Vai ser preciso um maior acompanhamento não só das violações de direitos humanos, mas do cumprimento da classificação, já que a portaria deu total liberdade para a auto-classificação dos programas pelas emissoras. Cabe à população denunciar os programas que não estão sendo classificados ou classificados de forma equivocada. As redes nacionais estão cumprindo a portaria, mas as redes regionais não cumprem. Como isso está longe do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, ninguém vê”, diz.

Ivan Moraes, do Movimento Nacional de Direitos Humanos e do Fopecom, aponta na mesma direção: “Especialmente no Nordeste, temos um espaço reduzidíssimo para a programação local. Quando há programação regional, os próprios mecanismos da Justiça têm dificuldade de interferir sobre estas questões. O ministério público estadual diz que não pode fazer nada, porque a concessão é federal. Já o Ministério Público Federal diz que não pode fazer nada, porque a programação é local. Precisamos de mecanismos formais que nos auxiliem a coibir este tipo de coisa”, diz.

Rebouças, entretanto, diz que a oficina realizada ajudou a dirimir o equívoco apontado pelo Fopecom. “As concessões são federais, mas não é só o MPF que pode agir. O estadual também pode e deve. E a oficina e o procedimento que foi tirado dela servem para comprovar isso”. Rebouças informa que, em paralelo às movimentações junto aos ministérios públicos, na Universidade Federal de Pernambuco deu-se início à elaboração de um projeto para constituição de um Observatório Regional de Mídia e Direitos Humanos, que tem como objetivo acompanhar a programação, elaborar relatórios e pareceres, dialogar com agências, anunciantes e emissoras, além de acionar os procuradores para que tomem providencias. “A grande barreira é a estrutura deste projeto, que é cara. Estamos tentando viabilizá-la junto a agências de fomento e apoiadores locais”, afirma o professor.

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Pesquisa do IBGE destaca desempenho do setor em 2005

Rio de Janeiro – As telecomunicações foram o destaque do setor de serviços no ano passado, de acordo com os resultados da Pesquisa Anual de Serviços divulgada hoje (25) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Com receita de cerca de R$ 87 bilhões, o segmento composto por 1.690 empresas foi responsável por gerar 19,4 % de toda a receita operacional líquida do setor de serviços no país, que totalizou R$ 450 bilhões em 2005.

Segundo Eduardo Pontes, economista do IBGE, o bom desempenho do setor é reflexo das inovações e também da concorrência na área de telefonia. “As telecomunicações estão num ramo dinâmico da economia, que vem junto com as inovações, com a tecnologia de comunicação e informação, atrelado à forte concorrência no mercado de telefonia fixa e móvel e também à nova tecnologia de convergência”, avaliou.

O segmento, que reúne empresas de grande porte, também registrou a maior produtividade do setor de serviços em 2005, avaliada em R$ 434,00 por pessoa ocupada. E um dos salários médios mensais mais altos pagos pelo setor de serviços: o equivalente a 11,3 salários mínimos –a média global contabilizada pelo IBGE é de 2,9 salários mínimos.

No ano passado, o segmento empregou mais de 482 mil pessoas.

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‘Conferência Preparatória’ idealizada por Hélio Costa é adiada

Marcada para meados de agosto, a Conferência Nacional Preparatória de Comunicações foi adiada, ainda sem previsão de nova data. De acordo com os organizadores – o Ministério das Comunicações; a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara; a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação, Inovação e Informática do Senado e a Anatel –, há problemas de “agenda e logística” para realizar o evento entre os dias 14 e 16 agosto, como previsto anteriormente.

Dessa forma, mais uma incógnita se soma às que já rondavam o evento, cujo nome já foi “conferência”, “congresso”, “seminário internacional” e, finalmente, “conferência preparatória”. A principal delas e que preocupa as entidades participantes da Comissão Pró-Conferência Nacional das Comunicações diz respeito ao caráter deste encontro de agosto.

De acordo com o deputado federal Luiz Couto (PT-PB), membro da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara e um dos articuladores pró-Conferência dentro do Congresso, a resposta recebida de um dos colegas parlamentares envolvidos na realização do evento de agosto foi a de que este “vai definir o marco regulatório das comunicações”. “Quem é que deve definir o marco regulatório: entidades estrangeiras presentes em um encontro internacional ou a sociedade brasileira em uma conferência ampla e democrática?”, questiona Couto.

Bráulio Ribeiro, do Intervozes, ressalta, ainda, que não está clara a relação entre o evento e a entrada do Executivo federal no processo de construção de uma conferência ampla, construída nos moldes das demais já realizadas em outras áreas. “Há uma leitura dentro da comissão pró-conferência de que o objetivo do Ministério das Comunicações foi sufocar o movimento que vem das comissões da Câmara pela realização de uma conferência ampla”, explica.

Corrobora a visão da comissão que agrega parlamentares e entidades da sociedade civil o fato de que em nenhuma das manifestações dos organizadores há menções de que a “conferência preparatória”, agora adiada, se constitua um passo na direção da construção da Conferência Nacional das Comunicações.

O Ministério das Comunicações, que fez o primeiro anúncio do evento, chamando-o à época de “Conferência Nacional”, respondeu através de sua Assessoria de Imprensa que “já foram ouvidos todos os setores da sociedade envolvidos e, agora, a organização do evento passou à Câmara e ao Senado”.

Na página da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática na Internet, o objetivo do evento é descrito como “colher elementos que contribuam para a elaboração de políticas capazes de incentivar a prestação de mais e melhores serviços à população brasileira e promover a inclusão digital, social e a democratização do acesso aos serviços e à informação”.

Recuo e silêncio

Da parte das demais instâncias do governo federal que poderiam envolver-se no processo da conferência, os sinais também são confusos. Em audiência com membros da Comissão Pró-Conferência, o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social, afirmou que o Ministério das Comunicações tem legitimidade para nomear o evento de agosto como queira. Anteriormente, Martins havia sinalizado que uma conferência na área seria tratada como política de governo e não de um único órgão.

A comissão de parlamentares e da sociedade civil espera, ainda, a resposta da Secretaria Geral da Presidência, para quem foi entregue a “Carta Aberta ao Presidente da República Por uma Legítima e Democrática Conferência Nacional de Comunicações”, documento final do Encontro Nacional de Comunicações, realizado em junho no Congresso Nacional. A assessoria do órgão informou que a questão está nas mãos do secretário de Articulação Social, Wagner Caetano.

Na semana passada, as entidades integrantes da comissão avaliaram que, ainda que os espaços de interlocução com o governo federal estejam se fechando cada vez mais, ainda é necessário insistir. “Não podemos abrir mão do Executivo dentro deste processo da conferência como queremos. Ou seja, vamos insistir até ouvir sim ou não”, resume Bráulio Ribeiro.

“Estamos preocupados, porque se o governo admite que este evento de agosto será uma conferência, estará indo contra tudo que já foi feito relação aos processos das conferências nacionais”, avalia o deputado Luiz Couto.

Dentro do Congresso, o apoio efetivo de outros parlamentares à Conferência Nacional de Comunicações será objeto de uma reunião ainda na primeira semana pós-recesso.

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MPF pede anulação de seis concessões de rádio e televisão

O Ministério Público Federal no Distrito Federal propôs, na última segunda-feira (23/7), várias Ações Civis Públicas para anular a renovação e concessão de outorga de seis empresas de rádio e TV de deputados e ex-deputados federais.

Para o MPF, houve favorecimento pessoal nas concessões, uma vez que os parlamentares, sócios das empresas, participaram das votações em que foram analisados e deferidos os pedidos de concessão e renovação dessas outorgas.

As irregularidades foram denunciadas ao MPF pelo Instituto para o Desenvolvimento do Jornalismo (Projor). Segundo a associação, 51 dos 513 deputados em 2005 eram concessionários diretos de rádios e de TV. Dentre esses, pelo menos 20 eram membros da Comissão de Ciência, Tecnologia, Comunicação e Informática, responsável por analisar os pedidos na Câmara dos Deputados.

O MPF analisou todas as atas, de janeiro de 2003 a dezembro de 2005, e constatou que vários parlamentares utilizaram a função exercida na comissão para beneficiar, direta ou indiretamente, interesses pessoais relativos à renovação e concessão de serviços de radiodifusão. Entre os envolvidos estão os deputados Carlos Alberto Leréia (PSDB/GO), Nelson Proença (PPS-RS) e os ex-deputados Corauci Sobrinho (PFL/SP), João Batista (PP/SP), João Mendes de Jesus (sem partido) e Wanderval Santos (PL-SP).

Eles eram sócios, cotistas ou diretores de empresas concessionárias do serviço de radiodifusão à época em que essas mesmas empresas tiveram os pedidos de renovação e concessão aprovados na comissão.

Para os procuradores da República José Alfredo de Paula, Raquel Branquinho e Rômulo Moreira, que assinam as ações, os atos de concessão violaram os princípios da legalidade, da moralidade e da impessoalidade. "Tais deputados, sem qualquer pudor, participaram das sessões em que houve análise e aprovação de requerimentos das empresas a estes vinculadas, inclusive votando pela outorga ou renovação das concessões", afirmaram.

Foram propostas seis Ações Civis Públicas contra a União. Liminarmente, o MPF pede a suspensão imediata das concessões e, no mérito, a anulação definitiva das outorgas. Além disso, as empresas podem ser condenadas a pagar multa por dano moral coletivo. Os deputados podem ainda ser processados por improbidade administrativa.

Concessionárias e parlamentares envolvidos:

1. Alagoas Rádio e Televisão (Maceió – AL); João Mendes (sem partido); sócio-diretor

2. Emissoras Reunidas (Caxias do Sul – RS); Nelson Proença (PPS-RS); sócio

3. Rádio Continental FM (Campinas – SP); Wanderval Santos (PL/SP); sócio

4. Rádio Difusora de Imbituba (Imbituba – SC); Carlos Alberto Leréia (PSDB/GO); sócio-diretor

5. Rádio Renascença (Ribeirão Preto – SP); Corauci Sobrinho (PFL/SP); sócio

6. Sociedade Rádio Atalaia de Londrina (Londrina – PR); João Batista (PP/SP); sócio

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