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Imprensa não pode divulgar escutas, diz chefe da AGU

A imprensa não pode divulgar conversas telefônicas captadas em investigações criminais. A previsão constitucional do sigilo da fonte não pode ser usada para legitimar a publicação de dados que estão em segredo de Justiça. A publicação precoce desses dados, frutos de interceptações autorizadas peloJudiciário, além de atrapalhar as investigações, pode desmoralizar a pessoa pelo resto de sua vida. A opinião é do advogado-geral da União, José Antonio Dias Toffoli.

Para o ministro, os meios de comunicação e os jornalistas que abrem essas informações devem ser responsabilizados criminalmente, mas diz que isso não acontece porque os advogados e o Ministério Público têm medo do poder da imprensa. “É curioso que não haja jurisprudência nos tribunais. Não que os juízes se recusem a julgar esse tipo de caso, é que os advogados não entram com ação contra a imprensa em favor do seu cliente.”

Toffoli é a favor do uso de escutas telefônicas em investigações criminais, sem abusos. De acordo com o ministro, essa é uma garantia constitucional e deve mesmo ser usada diante da alta criminalidade encontrada no país. Ele reconhece que o aparelhamento do Estado para o combate do crime é insuficiente, além de o processo ser muito demorado. Mas diz que isso não é justificativa para “o desejo da sociedade de execração pública de acusados”, sem o devido processo legal.

Há pouco, o Supremo Tribunal Federal permitiu que omaterial obtido através de escutas telefônicas seja usado em processos administrativos. No caso, o Superior Tribunal de Justiça e o Conselho Nacional de Justiça pediram à Corte dados do processo da Operação Hurricane, em que o ministro Paulo Medina e desembargadores do Tribunal Regional Federal da 2ª Região foram acusados de envolvimento num esquema de venda de sentenças em favor de bicheiros e donos de bingo. O sigilo das informações foi transferido aos órgãos, mas não quebrado, lembra Toffoli.

O ministro participou do Congresso Nacional de Direito, promovido peloInstituto Nacional de Direito. Ele foi convidado para falar sobre o tema: Interceptação Telefônica: Investigação Criminal x Direito Fundamental. Durante a palestra, evitou entrar diretamente no tema e fez uma abordagem ampla do assunto.

Estado fragilizado Com o crescimento do poderio econômico, o desenvolvimento tecnológico e a imprensa cada vez mais veloz, o Estado está cada vez mais fragilizado e enfrenta dificuldades como tutor das garantias e direitos fundamentais da população, analisa o ministro.

Diferente da época dos regimes de exceção no país, Toffoli diz que hoje o Estado não pode ser confundido com um inimigo do cidadão. O uso das novas tecnologias, por exemplo, reduz a intimidade do indivíduo e o governo está perdido, ainda não sabe qual é o limite da sua atuação. “O ser humano não pode viver sem a sua intimidade. Por outro lado, o individuo não pode se valer desse direito de privacidade para fugir da investigação do Estado.”

Depois do indivíduo, do Estado, do poder econômico e da alta tecnologia, o ministro vê a imprensa como o Quinto Poder. Para ele, o papel da imprensa é muito diferente antes e depois da internet. Com a velocidade com que correm as notícias, o jornalismo disputa legitimidade no espaço público com todos esses outros poderes.

Para o ministro, a futuro é incerto. Não há como prever qual será a solução para um acordo entre todos esses poderes e a garantia dosdireitos dos cidadãos, mas defende que a luta deve ser por um espaço público cada vez mais democrático. E lembra, que apesar de estarem previstas na Constituição Federal, a batalha para assegurar as garantias deve ser constante.

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TV Justiça poderá ser vista em canal aberto no Distrito Federal

Após cinco anos no ar como canal por assinatura, o Supremo Tribunal Federal inaugura, na próxima quarta-feira (15/8), o primeiro canal da TV Justiça com sinal aberto. É o canal 53/UHF, que vai transmitir sua programação para todo o Distrito Federal.

A portaria de consignação do primeiro canal em sinal aberto da TV Justiça foi assinada pelo ministro Hélio Costa, das Comunicações, no dia 8 de junho do ano passado, durante audiência concedida à presidente do STF, ministra Ellen Gracie.

De lá para cá, as equipes de engenharia e técnica da TV Justiça vêm se empenhando para a entrada no ar do canal 53. Os canais UHF são de baixa freqüência, possibilitando transmissões de alcance regional.

O transmissor e a antena do canal foram instalados no Centro de Transmissão do Posto Colorado, em área cedida pelo governo do Distrito Federal paraconstrução de uma torre que já abriga equipamentos semelhantes das TVs Câmara e Senado. Para permitir a utilização dessa área, o STF fez obras de reforma na sala dos transmissores por meio de um convênio assinado com as duas casas legislativas.

Na primeira fase de funcionamentodo canal 53, a programação será praticamente a mesma que já é veiculada no canal por assinatura e captada também por antena parabólica e receptor digital. De um total de 52 programas exibidos atualmente pela TV Justiça, 32 terão exibição assegurada no Canal 53. Uma exclusividade do canalserá a apresentação das duas edições do Jornal da Justiça — edição local, uma ao meio-dia e outra às 20 horas, além de dois boletins locais, às 20h30 e às 16h30. O jornal terá duração de 20 minutos, cada edição e os boletins, cinco minutos.

O noticiário local será produzido pela equipe da TV Justiça, com colaboração dos parceiros, como o Tribunal de Justiça do Distrito Federal, o Superior Tribunal de Justiça, o Tribunal Regional do Trabalho, o Tribunal Regional Federal, o Tribunal Regional Eleitoral, o Ministério Público, a OAB e outras entidades do Judiciário no Distrito Federal.

MCT cria centro de pesquisa e desenvolvimento para TV Digital

O Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) instala, ainda neste ano, o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento em Tecnologias Digitais para Informação e Comunicação. A informação é de Jacobus Willibrordus Swart, presidente do Comitê de Busca que selecionará o coordenador executivo da nova instituição. Uma lista tríplice será encaminhada ao ministro Sergio Rezende.

Jacobus, que também é diretor do Centro de Pesquisas Renato Archer (CenPRA/MCT), explica que o foco inicial das atividades será o Sistema Brasileiro de TV Digital (SBTVD). A princípio, essa ligação com a TV digital estaria mais explícita no nome do instituto, mas prevaleceu a nomenclatura mais genérica.

Segundo ele, a nova instituição de P&D terá sede em Brasília, mas as instalações físicas serão mínimas, já que deve exercer um papel maior de articulação. "É um centro novo, de articulação com o meio acadêmico, as empresas", afirmou, em entrevista ao Gestão C&T online.

Ainda não está definido, mas é provável que o regime jurídico do Centro seja o das organizações sociais (OS).

Seleção do coordenador

O edital de seleção para os interessados em se candidatar ao cargo de coordenador executivo já foi publicado pelo MCT. A carta de inscrição – acompanhada de currículo, texto descritivo da experiência com os requisitos básicos para a função e outro texto de até cinco páginas sobre o projeto de gestão e a visão de futuro para o centro – deve ser enviada até quinta-feira (16).

Entre os requisitos básicos exigidos estão: competência profissional reconhecida, visibilidade junto à comunidade científica, tecnológica e empresarial, experiência em direção e cooperação nacional e internacional. O processo seletivo inclui ainda uma entrevista com os candidatos.

Os professores José Camargo da Costa (UnB), Igor Freitas (MC), José Luiz Roberto Filho (RNP) e Roberto Francisco (SBTVD) são os outros integrantes do Comitê de Busca.

Esse sistema de escolha de dirigentes vem sendo praticado pelo MCT para os cargos de Direção de suas Unidades de Pesquisa com sucesso. A seleção, que dá origem a uma lista tríplice encaminhada ao ministro do MCT, é sempre realizada por comitês de especialistas, que buscam identificar, dentre os membros das comunidades científica, tecnológica e empresarial, nomes que se identifiquem com as diretrizes técnicas e político-administrativas estabelecidas para cada instituição.
 

TV digital mudará maneira de medir ibope; telejornais podem perder pontos

A TV digital transformará a maneira de medir audiência televisiva. O próprio faturamento publicitário das atrações sofrerá mudanças. Projeções com públicos restritos apontam quem ganhará telespectadores (séries e novelas) e quem perderá (telejornais) por conta da digitalização dos canais.

O Ibope está desenvolvendo um aparelho para descobrir não apenas a emissora sintonizada, como faz hoje, mas também o conteúdo digital que está sendo consumido seja qual for a grade de programação. Isso porque a TV digital chega com a promessa de, assim como nos EUA, oferecer autoprogramação, na qual o usuário pode escolher a hora em que verá determinado programa. "A TV digital cria uma alternativa para o telespectador. Haverá, sim, aumentos e quedas de audiência. É natural que aconteça", diz Dora Câmara, diretora comercial do Ibope Mídia.

A audiência de TV aberta no Brasil é medida hoje pelo DIB 4, um aparelho que é instalado na residência dos espectadores para revelar os canais sintonizados. "Esse instrumento identifica em qual canal você sintoniza. Já o novo aparelho, DIB 6, vai monitorar conteúdo também de internet, celular e rádio. Ele pode identificar um programa em segundos, minutos ou horas depois de ter sido transmitido e atribuir audiência", explica Dora.

Segundo o Ibope, falta ainda definir como os novos dados serão apresentados. Os pontos tradicionais como vemos hoje devem continuar, mas acompanhados de um levantamento mais complexo. Por exemplo: terá de se apresentar, além da audiência do programa na hora da transmissão, seu ibope acumulado quando foi visto por gravação digital. O DIB 6 terá amostra piloto ainda neste ano, em São Paulo.

Autoprogramação

Segundo projeções, a opção de armazenar e escolher a que hora assistir determinado programa (autoprogramação) favorece a audiência de séries e novelas. Uma pesquisa divulgada pela SKY em junho último sobre o hábito dos usuários de DVR –gravador de vídeo digital– revelou que 41% dos assinantes preferem assistir apenas ao que eles mesmos gravam. Ou seja, quase metade dos usuários não acompanha mais a TV "ao vivo", na ordem em que a programação é oferecida pelas emissoras.

De toda a grade, os programas menos gravados por quem já usa o DVR em TV por assinatura são os telejornais, segundo o mesmo estudo de comportamento. Apesar do estudo ser sobre um público isolado, segue-se a lógica de que, diferentemente de novelas e seriados, telejornais são produtos mais perecíveis, de data de validade mais curta.

O gravador de vídeo digital estará fora dos primeiros nos receptores da TV digital brasileira – os chamados "set top box", que devem custar pelo menos cerca de R$ 800. Técnicos dizem que eles chegariam num segundo lote, a médio prazo. No entanto, a Net vai levar ao mercado em dezembro um produto que funcionará como receptor de TV digital e gravará programas. O DVR da Net chega aos assinantes em dezembro, na estréia da TV digital, também por cerca de R$ 800.

Comerciais

A autoprogramação ainda permitirá que, manualmente, o telespectador evite comerciais. De acordo com especialistas, os jornalísticos serão os produtos mais prejudicados caso o "corte" do intervalo pegue no Brasil.

Para se manterem rentáveis, os programas devem inserir ainda mais merchandising (introduções "sutis" de produtos na transmissão) durante a atração ou recorrer a patrocínios. Os telejornais, em tese, não podem incluir ofertas deste tipo em suas notícias, com perigo de perderem a suposta independência editorial.

Nelson Hoineff, cineasta e diretor do IETV (Instituto de Estudos de Televisão), lembra que alguns telejornais do século passado traziam a propaganda em seus nomes, caso do "Repórter Esso" e da primeira versão do "Jornal Nacional", da TV Rio, patrocinado pelo Banco Nacional.

"A idéia do 'break' é recente. As plataformas digitais, como a internet, apontam para o conteúdo sob demanda, fazendo com que a programação em grade seja severamente modificada a longo prazo. Esperamos que isso traga uma maneira diferente e específica de comercialização", diz Nelson. Para ele, no entanto, "não é razoável pensar em merchandising em telejornais".

"Esse recurso [de conteúdo sob demanda] é terrível. Querem acabar com o nosso negócio", rebate José Marcelo Amaral, diretor de tecnologia da Rede Record. Para ele, "a TV é feita para a população de massa ver o que está passando ao vivo". Programa de notícias de maior audiência na TV brasileira, o Jornal Nacional atinge em média cerca de 6 milhões de pessoas na Grande SP a cada transmissão.

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Corregedoria quer apurar relação de senador com rádio

O corregedor do Senado, Romeu Tuma (DEM-SP), afirmou quevai investigar se o presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), usou 'laranjas' para obter concessões de rádio. Ele deve chamar os donos da JR Comunicação, da qual Renan seria sócio oculto, para prestar esclarecimentos.

Tuma também disse que pedirá ao Ministério das Comunicações os pareceres sobre as concessões de rádio da empresa. Renan assinou na terça-feira um decreto legislativo aprovando uma nova concessão de rádio para a JR Comunicação. O decreto autoriza a União a assinar contrato de concessão de uma rádio FM, na cidade de Joaquim Gomes (AL), com a JR Radiodifusão. A concessão é pelo prazo de dez anos, renováveis, e foi adquirida pela empresa emlicitação do Ministério das Comunicações. A concorrência foi aberta em 2001, e a empresa venceu com a proposta de pagar R$ 222.121.

'Os indícios são graves. Precisamos analisar os documentos e questionar a empresa para ver se houve fraude', diz Tuma. Segundo a revista 'Veja', Renan teriautilizado 'laranjas' para comprar um jornal e duas rádios em Alagoas com dinheiro de origem desconhecida.

O PSDB e o DEM apresentaram nesta semana uma representação para que seja aberto um processo por quebra de decoro. Renan nega ter ligação com a empresa e tentou se eximir de responsabilidade pela última concessão, dizendo que esta foi aprovada pela Comissão de Comunicação, Ciência e Tecnologia. 'Não é o Congresso enquanto Congresso que aprova, são as comissões técnicas', disse Renan. 'Ontem [anteontem] assinei umas 40 concessões.'

Do contrato da empresa que oministério enviou ao Congresso consta que a JR Comunicação pertence a Carlos Nascimento Santa Ritta e a José Carlos Pacheco Paes. A empresa tem sede em Maceió e capital social de R$ 100 mil. Santa Ritta ocupa cargo em comissão no gabinete de Renan, como assessor técnico, desde 2004. Recebe salário bruto de R$ 9.031 por mês. Ele nega que o senador tenha participação nas rádios. Segundo a 'Veja', Pacheco transferiu sua cota na empresa (50%) para Antonio Tito Uchôa Lopes, primo de Renan, em 2005, mas dos documentos da empresa arquivados no Senado não consta a mudança.

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