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Anatel recebe comitiva do FCC para encontro bilateral

A Anatel recebe esta semana uma comitiva da FCC (Federal Communications Commission), o órgão regulador do mercado norte-americano. Serão dois dias de encontros durante os quais serão discutidos temas como alocação de espectro de radiofreqüência, competição nos serviços de telecomunicações, radiodifusão e voz sobre IP.

As reuniões acontecem no âmbito dos encontros bilaterais, que visam estreitar o relacionamento do órgão regulador brasileiro com seus correspondentes de outros países. Agendas semelhantes já ocorreram com a Venezuela, o Paraguai e Portugal.

Entre os assuntos em pauta com a FCC estará a realocação de espectro promovido pelo órgão, que culminou com o anúncio recente das regras para um novo leilão de faixas, previsto para janeiro de 2008. Uma das regras mais polêmicas é o chamado acesso aberto, que permitirá aos assinantes usar qualquer dispositivo móvel, com qualquer software, para acessar a rede. A facilidade deve ser oferecida em 22 MHz dos 62 MHz que serão leiloados.

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Google é obrigado a tirar comunidade do Orkut do ar

O Google Brasil deve tirar do ar uma comunidade do site derelacionamentos na internet, o Orkut. Caso contrário, pagará multa de R$ 5 mil por dia. A ação contra a empresa foi ajuizada por uma jovem que teve sua imagem relacionada a notícias apelativas e que denegriam a sua honra, em uma comunidade. A decisão é da juíza Serly Marcondes Alves, do Juizado Especial Cível do Centro de Mato Grosso. Cabe recurso.

De acordo com o processo, a jovem tentou, por inúmeras vezes, descobrir quem criou a comunidade, mas não conseguiu. Como não pôde identificar quem criou a página, ajuizou uma reclamação cível com pedido de liminar para que a comunidade fosse cancelada e retirada do site.

Segundo a juíza, a página na internet causava à jovem vexame perante a sociedade porque atribuía a ela conduta desonrosa. Na decisão, a juíza entendeu que a honra da jovem foi duramente atingida pelas expressões de cunho ofensivo colocadas na página. “A continuidade da comunidade poderá acarretar à reclamante danos de monta ainda maior do que os já sofridos. Motivo pelo qual, premente se torna a concessão da liminar”, destacou.

A juíza ressaltou, ainda, que “a honra e a vida íntima dessa jovem não demonstra qualquer similitude com o interesse público, apto a fazer valer a divulgação pela indigitada comunidade na internet”.

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Decisão pode ignorar impacto em emissoras

Deve ser concluído entre outubro e novembro o relatório sobre o padrão de rádio digital que o Brasil deve adotar. Prometida inicialmente para meados de setembro, a conclusão do documento foi adiada em função dos testes do sistema HD Radio (conhecido como Iboc) pelos radiodifusores. Neste tempo, no entanto, não foram realizados estudos sobre o impacto que esta transição pode ter para a população e para as emissoras de pequeno e médio porte, como as comunitárias e as rádios comerciais do interior do país. Muito menos existem critérios e parâmetros para a realização dos testes. E tudo isso – estudos de impacto e  definição de parâmetros para os testes – não está nos planos do Ministério das Comunicações.

Após diversas declarações do ministro e dos representantes dos radiodifusores, em especial da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), favoráveis à transição utilizando o padrão HD Radio, predomina um clima de “fato consumado” [leia matéria e artigo sobre o assunto]. Por trás destes fatos estão os testes realizados há quase dois anos por aproximadamente 21 emissoras, e que podem definir o futuro das 7 mil emissoras de rádio do país.

A adoção do padrão preocupa especialistas. Marcus Manhães, pesquisador do Centro de Pesquisas e Desenvolvimento em Telecomunicações (CPqD), analisa que a questão tem origem no poder político dos radiodifusores, alguns dos quais exercem cargos eletivos. Mas pondera que “os radiodifusores, sejam políticos ou não, não compreendem a potencialidade dessa tecnologia. Percebendo, poderiam também buscar a convergência e outros modelos de negócio. O radiodifusor, vendo estas tecnologias, as utiliza somente para uma melhoria de qualidade sonora”, coloca Manhães.

James Görgen, coordenador de Projetos do Instituto de Pesquisas em Comunicação (Epcom), analisa que a decisão está sendo apressada sem necessidade, e sob o prisma da manutenção do mercado dos grandes radiodifusores. “O rádio é uma mídia essencial em um país como o nosso, onde a exclusão digital ainda é muito grande. Mas querem resolver o padrão sem levar em consideração seu potencial e sua importância para a população. Será uma transição imposta” afirma Görgen.

Custos, impactos e desinformação

Além da falta de estudos e de propostas de novos serviços para o rádio, a escolha do padrão terá grande impacto na pluralidade do meio, ainda hoje um dos mais acessíveis à população. Marcos Manhães alerta: “para quem defende a democratização da radiodifusão, é preciso estar atento para o quanto a sociedade brasileira se beneficia com a pluralidade que se encontra no rádio. Uma digitalização muito severa em termos financeiros é algo que enfraquece o radiodifusor pequeno, até porque o modelo de negócios da radiodifusão sonora é crítico”.

A tendência, de acordo com James Görgen, é de que a transição seja traumática: “Os custos serão uma dificuldade, não só em função dos royalties [o HD Radio é um sistema proprietário, da empresa estadunidense iBiquity], mas também dos equipamentos para transmissão, que têm custo elevado. A maioria das rádios brasileiras não poderia nem obter o empréstimo junto ao BNDES, alternativa colocada pelo governo federal para garantir a transição. Muito menos uma rádio comunitária”. De acordo com a Abert, as empresas de radiodifusão precisarão gastar de US$ 80 mil a US$ 125 mil para migrar de sistema. Com estes custos, não é difícil imaginar o que acontecerá com as emissoras públicas e comunitárias.

Ainda em relação aos custos, o ministro tem afirmado sistematicamente – sem dar detalhes –  que a iBiquity se propôs, através de uma carta, a abrir mão dos royalties sobre sua tecnologia. “Falta esclarecer, porém, qual o prazo e quais os critérios que serão adotados, para que não sejam beneficiadas somente as grandes rádios que fizerem logo a transição”, coloca Bráulio Ribeiro, representante do Intervozes no Conselho Consultivo que discute o sistema a ser adotado.

Outro custo, o dos receptores, está sendo discutido de forma pouco aprofundada, mas também pode dificultar a transição para as camadas da população com baixa renda. O ministro afirma, porém, que o equipamento mais barato deverá custar entre R$ 60 e R$ 70, conforme informações das empresas Samsung e Sony. Mecanismos de renúncia fiscal para as empresas estão em estudo para baixar o preço, e podem ser estendidos também para a produção de transmissores.

Pequenas, públicas, comunitárias: marginais

Alijadas da discussão por não terem como realizar testes até novembro, as emissoras públicas e comunitárias podem não conseguir completar a transição. O governo não deve fazer o “turn off” imediato do sistema (desligamento do sistema analógico), mas na migração há o risco de emissoras pequenas falirem, e isso não parece estar sendo levado em conta pelo governo. James Görgen, do Epcom, analisa que “obviamente, em 20 anos se consegue fazer isso, mas para garantir escala tem de ser feito rápida. Ou seja, só vai se garantir mercado para as grandes emissoras. O rádio hoje tem 4% do bolo publicitário, e isso tende a se concentrar nas emissoras que fizerem a transição”.

Para as rádios públicas a situação não é muito melhor. “Não temos estudos ainda definitivos, até porque depende do padrão a ser adotado, mas as estimativas iniciais falam em mais de US$30 mil por emissora, o que é um custo operacional alto, que a maior parte das emissoras públicas não conseguirá fazer de uma só vez”, afirma Orlando Guilhon, presidente da Associação das Rádios Públicas do Brasil (Arpub). Além dos custos, a entidade julga ser necessário discutir o processo: “Nos parece que a forma como o Ministério tem conduzido o processo é muito açodada e apressada, pois o assunto é delicado e envolve uma série de variantes – planta industrial, democratização do acesso, modelo de negócios, flexibilidade, simultaneidade entre sistema analógico e digital, custos operacionais da transição, etc. Somos favoráveis a um amplo processo de discussão, envolvendo não apenas os radiodifusores (privados e públicos), mas também toda a sociedade e o Congresso”, completa Guilhon.

Uma das entidades que representa as rádios comunitárias e tem assento no Conselho Consultivo de rádio digital, a Associação Mundial de Rádios Comunitárias (AMARC), coloca que a decisão, da forma como está sendo feita, é contrária ao interesse público. “O Ministério faz parte do governo, mas não é o governo. Qualquer decisão tomada agora fere os princípios públicos. O Conselho Consultivo, por exemplo, contou com somente três reuniões e somente na última os representantes das rádios públicas e comunitárias puderam se manifestar”, coloca Sofía Hammoe, uma das participantes da associação, que pede estudos oficiais sobre os impactos da transição, assim como o debate público sobre as possibilidades e finalidades do sistema, “Se existe um Conselho Consultivo, que sirva para algo, não só para legitimar uma posição já tomada”, completa.

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Acesso gratuito à internet ainda atinge poucas pessoas

O desempregado Sérgio Oliveira, de 45 anos de idade, começou a descobrir o mundo da informática na cidade de Ceilândia, a 30 quilômetros de Brasília, por meio de um projeto de inclusão digital e de acesso a tecnologias da informação chamado Casa Brasil. Há três semanas freqüentando aulas de informática, ele conta que ainda não conseguiu assimilar o conteúdo, pois considera o curso superficial. “Para quem não tem acesso é muito válido, porque as pessoas mais carentes têm a possibilidade acesso a internet. Estou tentando adquirir mais conhecimentos. É muito cheio de siglas e superficial. Se fosse mais popular, a gente pegaria melhor o conteúdo. Falta material pra a gente acompanhar melhor o que o professor está falando na aula”.

Embora tenha dificuldades em lidar com a tecnologia, Oliveira é um dos poucos a terem acesso gratuito à internet no Brasil. Segundo uma pesquisa da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), as iniciativas de democratização do acesso à rede mundial de computadores atingem uma pequena parcela da população. O estudo foi feito em parceria com o Ministério da Educação (MEC) e o Instituto Sangari, com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) de 2005. 

De acordo com o levantamento, somente 2,1% das pessoas com idade a partir de 10 anos disseram ter freqüentado um centro gratuito; 10,5% usaram a rede em domicílio; e 4,6% em centros pagos. Dentre o grupo menor renda, apenas 0,9% utilizou centros gratuitos frente aos 4,5% da população mais rica. Na escola, o uso da internet também é baixo. Segundo a pesquisa, apenas 5,4% da população com 10 anos de idade ou mais declararou usar a internet na escola.

Apesar do baixo índice, o secretário de Educação a Distância do MEC, Carlos Eduardo Bielschowski, está otimista com a possibilidade de instalação de laboratórios de informática em todas as 142 mil as escolas públicas do país até 2010. A meta está no Plano Nacional de Educação. De acordo com ele, atualmente todas as escolas do ensino médio do Brasil têm acesso a laboratórios de informática. “Vamos atualizar esses laboratórios. Junto com os estados, vamos oferecer mais capacitação e mais conteúdo”.

No caso das escolas do ensino fundamental, em 2008 deverão ser entregues 13,5 mil laboratórios de informática. “Existe uma mudança na estratégia. Estamos privilegiando os municípios mais carentes do ponto de vista educacional”. Segundo ele, a exclusão digital é “gravíssima”, mas o primeiro passo é promover a “alfabetização digital” nas escolas.

O sociólogo Julio Jacobo Waiselfisz, da Ritla, avalia que a proposta do Plano Nacional de Educação pode ajudar, mas não resolve totalmente a o problema da exclusão digital. “Tem muita gente que não vai à escola e precisa da internet. Precisa das duas políticas, na escola e social, com centros de inclusão digital como existem no Peru e na Argentina, que são subsidiados pelo governo em vários locais públicos e por preços muito baixos”. Na opinião dele, falta uma política nacional de inclusão digital. “Praticamente não temos uma política nacional de inclusão digital. Temos alguns programas, públicos e privados, mas são poucos e insuficientes”.

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Governo quer reduzir desigualdade racial no acesso à rede

A solução para resolver a desigualdade racial no acesso à internet está em universalizar o serviço, na opinião do secretário-adjunto de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rodrigo Assunção. Entretanto, para entidades da sociedade civil e especialistas, seria necessário pensar também em projetos que cosiderem a diversidade cultural e histórica dessa população.

Para o secretário, a extensão dos laboratórios de informática às escolas públicas de ensino fundamental até 2010, como prevê o Plano Nacional de Educação, será um meio de iniciar o processo de universalização do acesso. Atualmente, somente as escolas de ensino médio contam com os laboratórios. Assunção afirmou que a instalação de laboratórios em todas as escolas é uma forma de levar a infra-estrutura necessária para oferecer o serviço em vários locais ainda não atendidos.

“Com uma mão se estende a infra-estrutura e com a outra se articulam os projetos em conjunto com todos os atores da sociedade, governos federal, estaduais, municipais, terceiro setor e iniciativa privada”, disse o secretário-adjunto. “Há projetos de pontos de culturas e telecentros juntos a populações quilombolas, ribeirinhos e populações indígenas. Todos esses projetos são pontuais e têm um impacto numérico pouco expressivo. Para alcançar a maioria pobre do país, precisamos ampliar maciçamente os programas de acesso.”

Para o professor do Núcleo de Estudos Afrobrasileiros da Universidade de Brasília (UnB), Nelson Inocêncio, é necessário discutir as diferenças e criar mais programas com conteúdos que atendam as demandas da população negra. “Acho importante a universalização do acesso, mas com relação aos conteúdos a gente não pode deixar de conversar sobre diversidade. Até hoje no Brasil quando se fala em educação universalizante os conteúdos são eurocêntricos. Isso não interessa mais”, afirmou Inocêncio. “As pessoas que pertencem a comunidades descentes de europeus têm referencias. Mas tem pessoas negras que não conhecem o legado africano no Brasil.”

Para o diretor da Casa de Cultura Tainã, uma entidade cultura e social, localizada em Campinas (SP), Antonio Carlos Silva, não basta somente o governo ceder equipamentos para as comunidades, mas é preciso também criar núcleos de informação. “A gente tem que criar núcleos de informação para que essas populações tenham acesso ao conhecimento necessário para se apropriar dessas tecnologias e fazer uso delas para o próprio desenvolvimento.”

Na opinião de Silva, nesses núcleos, a comunidade pode aprender a recuperar um computador danificado, criar um programa de rádio na internet ou um informativo, além de discutir sobre a titulação de terras de quilombolas, desenvolvimento sustentável e identidade cultural. ilva afirmou ainda que, atualmente, por meio de parcerias com o governo, está sendo ampliado o número de comunidades tradicionais atendidas com o acesso à tecnologia. Entretanto, ele enfatizou a necessidade de garantir a formação necessária para as comunidades.

O diretor da Casa de Cultura Tainã lembrou ainda que atualmente estão instalados 3,5 mil pontos de acesso em comunidades, como de quilombolas, ribeirinhos e indígenas, por meio do projeto Serviço de Atendimento ao Cidadão (Gesac), do Ministério das Comunicações. "Estamos ampliando um dos nossos projetos com apoio do Ministério das Comunicações. Hoje, estamos em 30 comunidades e está ampliando para umas 80, vamos atingir os estados do Maranhão, Pará, Espírito Santo, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e estamos mais concentrados em São Paulo.”

Pesquisa da Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana (Ritla), com base em dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (Pnad) de 2005, realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mostra que o acesso dos brasileiros, principalmente pobres e negros, à internet ainda é pequeno.

De acordo com os dados, 28,3% da população branca com 10 anos e mais utilizou a internet nos últimos três meses anteriores à pesquisa do IBGE. Entre os negros, essa porcentagem é de 13,3%. Segundo a pesquisa, entre os 40% da população mais pobre, 5,7% conseguiram acessar a rede, enquanto nos 10% mais ricos esse índice era de 58,7%.

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