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Gilberto Gil: novas tecnologias trazem mais diversidade cultural

Durante audiência pública na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) , destinada a debater o conteúdo audiovisual em tempos de convergência tecnológica, nesta quinta-feira (23), o ministro da Cultura, Gilberto Gil,afirmou que a convergência de tecnologias pode trazer ao país diversidade, mais informação e pluralidade cultural.

De acordo com o ministro, a preocupação do governo é universalizar o acesso aos benefícios da convergência, de forma a 'superar o fosso dos que têm acesso à Internet e dos que apenas possuem os cinco canais da TV aberta'.A convergência acontece quando novas tecnologias permitem que formas de comunicação que existiam anteriormente separadas passem a ser acessadas em um único aparelho, por exemplo, quando se ouve rádio pelo celular ou se assiste vídeo no computador.

De acordo com Gilberto Gil, a convergência de tecnologias é um tema central para a política cultural do governo que é levado em conta na elaboração de programasgovernamentais. O ministro citou dois programas do Ministério da Cultura que lidam com convergência tecnológica: o Núcleos Digitais, que oferece equipamentos para produção audiovisual; e o Pontos de Cultura, que dá acesso a tecnologias digitais livres para comunidades periféricas de todo o país.

As novas tecnologias e a convergência, destacou o ministro, representam uma agenda complexa, transversal e contemporânea, refletindo-seem discussões sobre temas diversos, como política de cultura, tecnologia, banda larga, propriedade intelectual, língua portuguesa, preservação de identidade e cultura nacionais. O ministro considera que, à medida que a Internet por banda larga for se tornando mais acessível no Brasil, o mercado audiovisual brasileiro vai crescer, trazendo novos atores econômicos e novos investidores ao cenário, como as empresas de telefonia.

– É preciso zelar para que novos capitais venham financiar nossa diversidade cultural e não apenas aumentar os conteúdos de língua estrangeirano Brasil. Queremos filmes americanos, mas também de outros países. Queremos a diversidade, não apenas o que cinco ou seis pólos produzem. Não foi o que aconteceu com a TV a cabo, que hoje oferta pouca diversidade nacional e mesmo pouca diversidade internacional, onde há o predomínio de uma só língua – disse o ministro.

Gil disse que novas tecnologias exigirão reformas e que o ministério está estudando mudanças na lei do direito autoral para permitir a digitalização de acervos, por exemplo. A reforma será amplamente debatida com a sociedade por meio de fóruns, seminários e outros eventos, disse o ministro. Ele informou que, entre os temas a serem discutidos, destacam-se direito autoral, digitalização de acervos e educação na era digital.

O ministro também se posicionou contrário às 'travas tecnológicas' que tentam impedir a realização de cópias de conteúdo. Para o ministro, essas travas não ajudam os artistas nem os direitos autorais.

Ao ser questionado pelo senador Eduardo Suplicy (PT-SP) sobre um pedido do grupo de hip hop Racionais MC no sentido de impedir o fechamento da última fábrica de discos de vinil existente no Brasil, o ministro respondeu que o Ministério da Cultura está examinando o problema e que estuda a possibilidade de a fábrica, localizada em Belford Roxo, no Rio de Janeiro, ser tombada pelo patrimônio histórico.

Google não cumpre decisões judiciais, afirma Ministério Público Federal

O conflito entre a legislação brasileira e a americana é o principal motivo para a falta de punição aos acusados de cometer crimes na internet, os chamados cyber crimes. A constatação é do Ministério Público Federal que entrou, na terça-feira (21/8), com Ação Civil Pública para pedir a quebra de sigilo de dados de comunidades e perfis de pedofilia no Orkut, site de relacionamentos da internet.

De acordo com o MPF, esse conflito acontece porque o Google insiste em não cumprir decisões judiciais. A empresa brasileira alega não ter competência para quebrar o sigilo de dados de um usuário do Orkut e a sua sede, a Google Inc, segue legislação americana. Nos Estados Unidos, a Suprema Corte entende que racismo não é crime, já no Brasil é classificado como crime inafiançável.

A procuradora Adriana Scordamaglia, explicou que lá (EUA) não é prioridade tirar uma comunidade racista do ar. “Segundo o Google Inc, há uma política de tolerância zero apenas para pedofilia”, afirmou. Ela ressaltou que a empresa foge das regras de cooperação porque não fornece um ponto de contato para receber notificações aqui no Brasil.

Ela defendeu, juntamente comos procuradores Thamía Danelon Valiengo e Sérgio Gardenghi, que a sede brasileira da empresa é quem deve responder civil e criminalmente por qualquer ato ilegal praticado pelo Orkut.

Hoje, mais de 200 processos de quebra de sigilo de dados tramitam na Justiça Federal de São Paulo. Amaior parte deles, compondo um total de 114 casos, é de denúncias de pornografia infantil. O segundo caso mais denunciado é o de racismo, com 66 acusações.

O levantamento foi feito pela ONG Safernet Brasil e divulgado, na quarta-feira (22/8), na sede do Ministério Público Federal, em São Paulo. De acordo com a pesquisa, o número de investigações instauradas pelos procuradores cresceu vertiginosamente. Ao todo, a ONG encontrou 46 mil páginas diferentes de conteúdo ilegal no site de relacionamentos.

Durante o levantamento, os procuradores citaram o caso ocorrido na terça-feira (21/8) onde a Polícia Federal cumpriu ordem judicial de prisão preventiva contra um empresário de Osasco, na grande São Paulo. Ele transmitiu pelo messenger vídeo de abuso sexual que cometeu contra a filha, então com 9 anos.

As investigações começaram, em2004, mas só agora é que o acusado foi preso. A procuradora Adriana Scordamaglia explicou que a demora se deu porque os crimes de internet são novos e há dificuldade em tipificá-los. Ressaltou também que comprovar a materialidade dos fatos não é tão simples.

“É preciso pedir aempresa de telefonia que forneça dados do usuário do computador (quebra de sigilo telemático). Logo depois, precisamos de um mandado de busca e apreensão para buscar as provas concretas”, esclareceu.

O acusado será processado por atentado violento ao pudor e divulgação de imagens de pornografia infantil na internet. O caso contou com a colaboração da empresa Microsoft, que forneceu informações ao MPF.

Além de dados sobre denúncias, a ONG apurou, também, a presença de links patrocinados em páginas com conteúdo ilegal do Orkut. O caso já foi encaminhado para o MPF, que recomendou à empresa Google Brasil que crie filtros para evitar que anunciantes de boa-fé tenham anúncios veiculados em páginas com conteúdo criminoso. A mesma representação fora encaminhada ao Conselho e Auto-Regulamentação Publicitária, o Conar.

Por fim, a procuradora Adriana Scordamaglia, ressaltou que cabe ao MPF coibir os crimes de pedofilia e racismo. Os demais crimes cometidos no site, segundo ela, são de competência do estado.

O Google afirmou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não vai se pronunciar sobre o assunto.

Active Image Consultor Jurídico.

Matéria do jornal O Globo gera protestos de ministros no Supremo

A matéria de capa do jornal O Globo desta quinta-feira (23/08), 'Ministros do STF combinam e antecipam voto por e-mail', gerou protestos de ministros no Supremo e a Secretaria de Comunicação do STF chegou a cogitar a proibição de fotógrafos nas sessões de julgamento do mensalão.

O ministro Eros Grau declarou-se surpreendido e mostrou irritação. 'Nunca vi isso antes nesse Tribunal. Nem a imprensa entrar e interceptar correspondência nem esse tipo de diálogo', afirmou Grau, em referência às mensagens trocadas pela intranet do Supremo entre os ministros Carmen Lucia e Ricardo Lewandowski durante o julgamento.

O ministro Ayres Britto também considerou ''uma demasia'' a atitude do Globo. ''Eu ainda não li. Algumas pessoas telefonaram me dando conta do conteúdo da reportagem, porém achei uma demasia'. Britto ainda chegou a afirmar que os jornais 'invadem aprivacidade da gente'.

As informações publicadas pelo jornal O Globo foram captadas pelas lentes do fotógrafo Roberto Stuckert Filho, na última quarta-feira (22). Ampliadas, as fotos de Stuckert permitiram a leitura das telas dos computadores dos ministros.

No início da noite de quarta-feira, o site do STF chegou a divulgar a proibição da entrada de fotógrafos nas sessões subseqüentes. Pouco antes do início do segundo dia do julgamento, a proibição foi retirada.

Em nota divulgada no final da tarde desta quinta, a Secretaria de Comunicação Social do STF informou que a informação publicada pelo site do Supremo foi um 'equívoco' e que a nota em questão foi colocada no ar 'antecipadamente' por um assessor.

Apesar da liberação dos fotógrafos, os profissionais ficaram confinados em espaço cercado, na tentativa de evitar novas intromissões. Lewandowski não entrou na intranet na sessão de hoje. O ministro relator, Joaquim Barbosa, deixou a tela do computador abaixada para se proteger dos fotógrafos.

Confira abaixo a íntegra da nota do STF:

NOTA DE ESCLARECIMENTO

A Secretaria de Comunicação Social do Supremo Tribunal Federal esclarece que a informação publicada na página de notícias do STF na noite de quarta-feira (22/8) a respeito do acesso dos fotógrafos ao Plenário da Corte foi um equívoco. Ao final do primeiro dia de julgamento do Inquérito 2245, cogitou-se restringira entrada desses profissionais, uma vez que os intensos disparos dos flashes ao longo de todo o dia causaram incômodos aos ministros.

Enquanto o assunto era levado à avaliação da presidente do STF, ministra Ellen Gracie, um assessor da Coordenadoria de Imprensa publicou a nota precipitadamente. A decisão da ministra Ellen Gracie foi a de não autorizar nenhum tipo de restrição ao trabalho dos jornalistas e garantir o livre acesso dos fotógrafos, mantendo a transparência com que se realizam todas as sessões do Supremo Tribunal Federal.

D. Kaiser Secretário de Comunicação Social do Supremo Tribunal Federal'

Active Image Portal Imprensa

Rangel, da Ancine, defende empresa nacional na TV por assinatura

Manoel Rangel, presidente da Ancine (Agência Nacional de Cinema) disse que a atividade de empacotamento do conteúdo no serviço de TV por assinatura deve ser exercida por empresas brasileiras. A opinião de Rangel foi manifestada hoje, durante sua participação na audiência pública do Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) para debater a convergência tecnológica e seus impactos concorrenciais.

Segundo o presidente, essa atividade implica na responsabilidade editorial e na organização do conteúdo que vai ser disponibilizado. “É a existência de empresas brasileiras que estrategicamente asseguraa existência da produção de conteúdos brasileiros”, frisou. De acordo com ele, a convergência deve implicar a regulamentação de cinco atividades distintas, distribuídas em duas camadas: a de telecomunicações e a de conteúdo.

Nas atividades de conteúdo (produção, programa e empacotamento), que são inerentes à comunicação audiovisual, ele defendeu a necessidade de controle editorial brasileiro. Já nas atividades de provimento e de disponibilidades de redes, o Brasil adotou um caminho com a Lei Geral de Telecomunicações (LGT). “Salvo uma revisão desse caminho,o legislador vai ter que apontar os limites de cada um e acredito que o processo de convergência tecnológica vai impor um ambiente onde a rede tenha que ser maximizada na sua utilização”, ressaltou.

Na opinião de Rangel, é preciso adotar algumas salva-guardas e preservar o interesse público no momento de unificação dos parâmetros regulatórios.

Active Image TeleSíntese

Mais de 60% dos clientes de TV paga usam apenas TV a cabo, diz ABTA

O diretor-executivo da Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA), Alexandre Annenberg, disse que atualmente os serviços da TV a cabo detêm 61% de todos os clientes de TV paga no Brasil. A informação foi dada em audiência pública realizada nesta quinta-feira (23/8) na Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação,Comunicação e Informática (CCT) do Senado para debater o tema 'Conteúdo audiovisual em tempos de convergência tecnológica'.

Annenberg disse que, apesar de existirem bons canais nacionais pela TV por assinatura, esse número ainda é pequeno se comparado com a relação de canais internacionais.

Durante a audiência, o conselheiro da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e vice-presidente de relações institucionais das Organizações Globo, Evandro Guimarães, defendeu a reserva de mercado na área de Comunicação Social. Para ele, a defesa dessa reserva é 'politicamente correta', pois tem o objetivo de preservar emprego, produção e identidade nacional.

Ele disse que a convergência tecnológica pode sufocar a produção e o emprego nesse setor e, por esse motivo, opinou que o mercado de comunicação deve ser reservado aos brasileiros.

* Com informações da Agência Senado.