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CMS irá às ruas por concessões públicas com controle social

O Seminário da CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais) sobre Comunicação, realizado sexta-feira (24) no Sindicato Unificado dos Petroleiros do Estado de São Paulo, definiu o 5 de outubro – dia em que expiram as concessões da Rede Globo – como data simbólica para ações de rua e no Congresso Nacional que fortaleçam a campanha pela democratização da mídia. O mote ''Concessão pública só com controle social'', debatido no evento, questiona a manipulação privada do espectro rádio-televisivo, ressaltando a necessidade de parâmetros legais mais rígidos e transparentes para o funcionamento das emissoras.

Convidados especiais, o coordenador do FNDC (Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação) e vice-presidente da Fenaj (Federação Nacional dos Jornalistas), Celso Schroeder, e João Brant, do Coletivo Intervozes, fizeram uma análise pormenorizada sobre o modelo de outorgas – concessões, permissões e autorizações – de rádios e TVs no Brasil, a necessidade de uma Conferência Nacional de Comunicação e de um novo marco regulatório. Após as intervenções, a mesa de abertura, composta por representantes da CUT, CGTB, UNE, MST e Marcha Mundial de Mulheres, debateu sobre a pertinência da campanha e de como dialogava com a base do movimento.

Ao denunciar o resultado perverso do controle exercido por monopólios e oligopólios privados das concessões públicas, Celso Schroeder ressaltou que estes passam a determinar cada vez mais a cultura, a política e a economia. ''Talvez o aspecto mais daninho da apropriação privada da cultura brasileira seja a desconstituição da política. Ou seja muito pior do que a manipulação e as mentiras que eles constituem, a criminalização dos movimentos sociais. O crime maior, o que causa mais problemas para a democracia, é a desconstituição da política. E fazem isso continuamente''. Para o representante do FNDC, reconstituir este espaço político é fundamental, com o objetivo de dar a ele um sentido estratégico, de emancipação, em oposição à ''visão utilitária, instrumental e manipulatória da comunicação das elites, com sua prática autoritária, excludente e não-plural''. ''Os meios de comunicação são cada vez mais veículos importantíssimos para a sustentação ideológica, mas também política'', acrescentou.

Diante da manipulação excludente exercida por uma minoria contra os interesses da sociedade, ressalta Schroeder, ''a idéia do controle público é fundamental, pois antes de um negócio, a comunicação é um serviço''. Para encarar de frente este problema, enfatizou, é preciso popularizar o debate sobre a democratização, pois a situação hoje é ainda mais grave pela ameaça de desnacionalização do setor a partir das teles. ''Assim, precisamos fazer de cada verdade um ato político e não burocrático, fazer com que as regulações existam e sejam cumpridas''.

Debate estratégico

Em nome do Intervozes, João Brant resgatou o papel do seminário para que os movimentos sociais se apropriem cada vez mais deste debate estratégico, pois ''as concessões são o instrumento que oficializa, materializa e dá o poder que tem hoje meia dúzia de famílias sobre o conjunto da sociedade brasileira''. ''O modelo de concessões no Brasil segue o padrão 'velho oeste', onde os empresários reinam sozinhos, ditam as regras e não cumprem nem o pouco que a lei prevê. Não há participação no debate sobre a concessão e renovação de outorgas, que acontece sem responder a nenhum critério''. Exemplo disso, informou, ''é que das 39 rádios FMS que operam em São Paulo, 36 encontram-se com a outorga vencida e 22 funcionam com outorgas de outros municípios. Toda falta de rigor em relação às rádios comerciais passa para as rádios comunitárias, fortemente reprimidas''.

De acordo com João Brant, ''a ilegalidade a imoralidade sustentam um sistema de comunicações concentrado e nada plural, em que o monopólio e o oligopólio proibidos pela Constituição em seu artigo 220 estão presentes regional e nacionalmente''. Desta forma, diante da ''completa privatização do espaço público, o momento é de pôr em xeque a lógica mercantilista, que impede o florescimento de novos meios, enquanto os detentores das concessões seguem sem prestar contas a ninguém sobre o uso que fazem delas''.

Membro da executiva nacional da CUT e representante da entidade na CMS, Antonio Carlos Spis disse que ''a escolha do 5 de outubro, quando se encerra as concessões da família Marinho, servirá para realizarmos um questionamento nacional sobre todas as renovações, pois é inadmissível que este bem público estratégico seja apropriado ao longo de décadas e renovado sem qualquer condicionante''. ''Nossa luta pela democratização é contra essa ditadura da comunicação, que manipula, desinforma, age contra os interesses nacionais e populares. É a Rede Globo que está por trás da pressão pela aprovação da Emenda 3, que assalta direitos e transforma todo trabalhador em pessoa jurídica'', lembrou Spis.

Manipulação midiática

A secretária nacional de Comunicação da CUT, Rosane Bertotti, fez um paralelo entre a vitoriosa manifestação de 20 mil realizada pela Central em Brasília no 15 de agosto e a minúscula repercussão na mídia, que fez de tudo para esconder o evento. ''Este momento de renovação das concessões é propício para tomarmos as ruas e fazer o debate com a sociedade. O que temos hoje é o monopólio das versões de um fato social nas mãos do poder privado. Precisamos garantir a democratização, estruturando a TV Pública, fortalecendo a rede de rádios e tevês comunitárias e garantindo recursos institucionais para as diversas vertentes de opinião. Onde não tem marco regulatório, a verdade do poder privado prevalece, negando espaço ao contraditório'', declarou. Rosane acredita que é hora de colocar a mudança na lei em pauta, ''numa articulação no Senado e na Câmara para questionar a forma como um bem público está sendo manipulado''.

Para o vice-presidente da CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil), Ubiraci Dantas de Oliveira (Bira), é fundamental levar a luta da democratização da comunicação para dentro do Congresso. ''As concessões públicas não podem mais continuar servindo como poder paralelo dos oligopólios. O Legislativo tem papel importante nesta luta contra o jogo sujo de meia dúzia de famílias que quer submeter, intimidar e esculhambar a quem se opõe que o Estado seja privatizado, a que seu projeto entreguista seja efetivado''. Segundo Bira, os que lutam por um Brasil melhor, livre e independente, devem levar em conta que ''manipulação, calúnia e difamação são as armas da mídia contra os que não rezam a cartilha do imperialismo''.

Em nome da Marcha Mundial de Mulheres, Sônia Coelho denunciou a responsabilidade da mídia pela manutenção da opressão e da reprodução das desigualdades, deturpando a imagem feminina. ''Não é que venda a pulseirinha da garota da novela para ser consumida por milhões, ela faz da mulher o próprio produto a ser vendido, naturalizando estereótipos como se fôssemos só bunda e peito. Além disso, a mídia estimula a gravidez na adolescência, o racismo e a violência contra a mulher, invisibilizando a luta política das que querem transformar esta realidade e afirmar outro projeto de país''.

Construindo alternativas

Igor Felippe Santos, da assessoria de Comunicação do MST, deu ênfase ao papel do movimento social na disputa pela hegemonia que se realiza nos meios de comunicação desde a definição da pauta: ''sistema construído com base na propriedade privada, na conformação de oligopólios que vão fazendo consensos''. Defendendo conjugar a luta institucional com a luta social e a estruturação de meios alternativos, Igor lembrou que antes mesmo da formação do MST, o Movimento já tinha o jornal dos Sem Terra, abordando a experiência do acampamento de Encruzilhada Natalino, em 1981, no Rio Grande do Sul. Atualmente, a retomada da RCTV pelo governo Chávez, na Venezuela, ressaltou, ''cumpre um papel pedagógico importante para toda a América Latina, pois demonstra que as redes não são sagradas, que são bens públicos e devem ser reguladas pelo Estado''.

Para Luana Bonone, diretora da Comunicação da UNE (União Nacional dos Estudantes), ''os movimentos devem ir à ofensiva para conquistar avanços, pois a existência de monopólios de mídia restringem e comprometem o processo democrático''. Assim, ao lado da campanha pelas concessões públicas com controle social, asseverou, é preciso popularizar a defesa da Conferência Nacional de Comunicação, enraizando o debate sobre algo que é crucial para os destinos da sociedade brasileira. ''Temos um bem público, social, que se encontra usurpado, pois foi entregue na bandeja a grupos privados. Não se trata apenas da população ter acesso a esses meios, mas de criarmos as condições de debater um projeto de país'', frisou.

Secretário geral do FNDC e membro da Rede Abraço de rádios comunitárias, José Guilherme fez um relato emocionado sobre ''a perseguição e a criminalização que o setor vem sofrendo da Anatel e da Polícia Federal, pois ambas têm se comportado como guardas dos tubarões da mídia''. ''Estamos tendo o mesmo destino de bandidos pobres: estamos sendo exterminados nas periferias, com processos e condenações que atentam contra a liberdade de expressão'', frisou.

Representando a Central de Movimentos Populares (CMP), Luiz Gonzaga Gegê defendeu que a campanha pela democratização da comunicação vá às bases, dialogando com a parcela mais atingida pela política de discriminação e exclusão dos donos da mídia.

Entre outros, também participaram do Seminário representantes da Confederação Nacional das Associações de Moradores (Conam), da Campanha quem Financia a Baixaria é Contra a Cidadania e da executiva nacional dos Estudantes de Comunicação Social.

Juíza dá 20 dias para Telefônica fornecer conta detalhada

A Telefônica tem até 20 dias para enviar a conta detalhada do telefone fixo a seus 8,8 milhões de assinantes em São Paulo, junto à fatura mensal. A determinação consta da liminar concedida na sexta-feira (24) pela juíza Maria Lúcia Ribeiro, da 32ª Vara Cível de São Paulo, na ação civil pública impetrada pela Pro Teste (Associação Brasileira de Defesa do Consumidor), Movimento Defenda São Paulo e IndecTelecom.

O objetivo é facilitar a escolha do consumidor entre os planos Básico e Pasoo, que passaram a existir por conta da mudança de tarifação de pulso para minuto. O Pasoo (Plano Alternativo de Serviço de Oferta Obrigatório) é considerado mais vantajoso para quem faz ligações longas (mais de 2,5 minutos) ou usa internet discada. O restante dos usuários devem optar pelo Plano Básico.

Segundo a Pro Teste, com o envio do detalhamento gratuitodas ligações locais, o consumidor terá como identificar todos os números chamados, as datas e os horários das chamadas, com as durações e os valores de cada uma.

Na decisão, a Justiça também determina o envio de um comparativo entre os planos, o que possibilitará aos clientes cujas primeiras contas após a conversão de pulso para minuto vierem muito elevadas migrar para o outro plano, gratuitamente.

A juíza determinou, ainda, que a Telefônica envie cópia do contrato de prestação do serviço de telefonia e do plano de opção feito pelo assinante.

As entidades entraram com a ação porque, pela falta de informações, os consumidores não solicitaram formalmente à operadora a conta detalhada após a conversão de pulso para minuto.

Balanço preliminar da Anatel demonstrou que somente 2% optaram pelo Pasoo e e que apenas 2% solicitaram detalhamento da fatura. Menos de 1% dos assinantes solicitou o comparativo individualizado entre os planos.

Quem não optou, e não tinha ainda um plano alternativo da Telefônica, teve migração automática para o plano básico e, ao receber a primeira conta, tem se surpreendido com os valores.

O básico tem franquia de 200 minutos, tarifas maiores e isenção de taxa para completar a ligação. No alternativo, a franquia é de 400 minutos, as tarifas são menores e há taxa equivalente a 4 minutos para completar cada ligação. A assinatura básica permanece em R$ 37,98.

Active Image Folha Online.

70% das cidades de SP têm websites, mas índice de e-Gov é baixo

Dos 645 municípios do Estado de São Paulo, 446 – ou 69% deles – tem websites oficiais com informações e serviços aos cidadãos. Nas demais cidades, 31 delas têm algum site alternativo, mantido por associação ou instituição privada, e 198 não possuem páginas na internet.

Os números mostram que, embora o número de municípios sem websites ainda seja elevado para os padrões mundiais, de modo geral há um avanço razoável, ao menos no que diz respeito à presença das prefeituras na web, segundo constatou pesquisa do Centro de Estudos em Tecnologia da Informação para Governo (TecGov) da Fundação Getúlio Vargas.

De acordo com o estudo, porém, não há qualquer avanço significativo de nenhum município no estágio mais elevado, que é a integração completa entre governo e sociedade, em que toda a infra-estrutura de tecnologia da informação e comunicação é comunitária e por meio da qual o cidadão passa a conviver muito mais com o governo. Há apenas algumas poucas iniciativas, muito localizadas.

O grau médio de e-Gov por meio de websites também é muito baixo. Isso se explica, de acordo com o professor Norberto Torres, coordenador da equipe de pesquisa e gestor do TecGov, porque tem havido uma atenção das prefeituras para maior facilidade de uso e estética dos websites, o que demonstra o baixo grau de maturidade do governo eletrônico nos municípios paulistas.

No tocante ao nível de e-serviços geral, ouseja, de conteúdos e informações sobre o município, este está mais desenvolvido que os demais serviços, segundo o professor. Já os serviços baseados em transações finaceiro-comerciais, como pagamentos de tributos e taxas, parcelamento de dívidas, entre outros, ainda estão pouco desenvolvidos. Em relação ao nível de e-democracia, o grau geral de e-democracia promovido pelos municípios por meio dos seus websites é muitíssimo baixo, especialmente no que diz respeito a atuação da sociedade no processo decisório.

A cidade de São Paulo foi a primeira colocada no Índice Geral de Qualidade de Governo Eletrônico, medido TecGov. Entetanto, numa escala de 0 a 10 pontos, a capital paulista não atingiu nem a metade da nota máxima, ficando com 3,58 pontos. Em seguida, apareceram as cidades de São Carlos, com 3,08 pontos, e São José dos Campos, com 2,76 pontos.De acordo com Torres, um índice 5 pontos significa uma cidade com uma maturidade razoável em serviços eletrônicos – o índice 10 é praticamente inatingível, segundo ele.

Além do índice geral, a pesquisa analisou categorias como serviços, e-democracia e usabilidade. O município de São Paulo também encabeçou as duas primeiras categorias, com notas como 3,49 e 4,56, respectivamente. Em usabilidade, entretanto, despencou para a 26ª posição, com 5,43 pontos.

O coordenador da pesquisa observa que deve-se levar em conta que a divisão de usabilidade não levaem consideração o número de serviços disponíveis. Segundo Torres, quando existem muitos serviços ou conteúdos, fica mais difícil manter o mesmo índice de usabilidade, como o que pode ter acontecido com São Paulo. Mas mesmo assim, a cidade ainda precisa melhorar.

No caso específico de usabilidade, os municípios atingiram notas maiores em decorrência da prioridade dada a esse quesito. O líder foi São José dos Campos, com 7,08 pontos, seguido por São José do Rio Preto 6,39 pontos e Barueri, com 6,22. “Isso mostra que as cidades têm se preocupado cada vez mais coma estética em detrimento dos serviços”, ressalta Torres.

Active Image TI Inside.

Sociedade civil critica falta de critério nos testes para rádio digital

Brasília – A falta de uma metodologia que traga critérios e parâmetros para os testes com a nova tecnologia digital é a principal crítica dos especialistas e das entidades civis que fazem parte do conselho consultivo criado pelo Ministério das Comunicações para a digitalização do rádio no país. Os testes foram feitos sem a existência de uma metodologia que pudesse dar unidade a eles, diz a representante da Universidade de Brasília (UnB) no conselho, Nelia Del Bianco.

O representante da Frente Nacional por um Sistema Democrático de Rádio e TV Digital no conselho, Jonas Valente, reclama: Não há uma avaliação concreta sobre as tecnologias. Não há nenhum técnico do Estado acompanhando esses testes. Vai haver só uma coletânea dos relatórios, reclama. A Frente representa cerca de cem entidades da sociedade civil.

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, declarou que adecisão do governo sobre a adoção de um sistema digital não será feita antes da entrega dos resultados dos testes com o padrão norte-americano e da posterior análise, mesmo que seja preciso prorrogar prazos. Mas disse também que não irá esperar a realização dos testes com o padrão europeu DRM, que estão atrasados. A idéia é que o país adote os dois sistemas. O norte-americano para as rádios AM e FM e o europeu para as rádios de ondas curtas (OC).

Para a professora da UnB, mesmo os testes feitos com o o sistema de rádio digital norte-americano In Band On Chanel (Iboc) são de pouca serventia. Você não pode comparar o resultado dos testes, uma vez que há divergência sobre a forma de realização dos mesmos, diz, referindo-se à falta da metodologia. A metodologia que deverá ser aplicada pelas rádios AM no testes com o padrão americano Iboc foi encomendada pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) à UnB e já está pronta.

A metodologia passou por um processo de consulta pública e os resultados estão sendo agora analisados pelos técnicos da Anatel. A metodologia poderá ser usada a partir do momento em que for publica no Diário Oficial, e aprevisão da Anatel é que isso ocorra em um mês. Entretanto, a metodologia para testes na faixa FM com o padrão americano e na freqüência ondas curtas (OC) com o padrão europeu DRM ainda não foram concluídas. As duas, depois de prontas, também passarão pelo processo de consulta pública. A Anatel não têm previsão de quando os testes poderão ser iniciados. A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), cujas rádios membro realizam os testes com o Iboc, informou que as emissoras não terão que refazer os testes depois que a Anatel publicar a metodologia.

Os relatórios dos testes com o Iboc serão apenas adaptados, diz o presidente da Abert, Daniel Pimentel Slaviero. Não há necessidade de novos testes. Não precisam de mais testes AM e FM, porque eles já vêm ocorrendo com as 15 emissoras que já estão no ar. O que realmente precisa é de uma consolidação desses números de uma maneira uniforme, que são os critérios propostos pela Anatel, explica Slaviero.

Active Image Jornal da Mídia.

Rede universitária será modelo para integração da TV pública digital

Ainda não se sabe se a TV Brasil, a nova rede de TVs públicas brasileiras, será constituída por decreto ou por projeto de lei. Mas uma decisão já foi tomada: ela será digital. A torre da TV Cultura, em São Paulo, receberá um transmissor moderno e potente, com capacidade para fazer multiprogramação e interatividade.

– Radiobrás tem uma parceria com a TV Cultura para transmitir digitalmente, as duas, a partir do dia 2 de dezembro, usando a torre da TV Cultura de São Paulo. Os equipamentos que estão sendo adquiridos pela TV Brasil e pela Fundação Padre Anchieta, em São Paulo, nos dão apossibilidade de fazer multiprogramação e interatividade, disse nesta sexta-feira Delcimar Martins, assessor especial da SECOM, durante o primeiro Workshop para a TV Pública, realizado na Bahia pela Abepec, Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais.

Entre os muito pontos discutidos no evento, alguns preocupam mais que outros. Entre eles, estão a necessidae de construção de políticas públicas para interatividade plena, garantindo financiamento para investimentos em equipamentos de transmissão e recepção que suplante o sucateamento tecnológico das TVs públicas, investimentos na produção de software e, sobretudo,em um canal de retorno; e a necessidade de ter a integração das redes garantindo o compartilhamento de recursos técnicos, infra-estrutura física, produção e troca de conteúdos.

Financiamento

Para resolvê-los, o governo já adotou algumas medidas. Vem já há algum tempo negociando com o BNDES a ciação de linhas de financiamento para migração para o modelo digital. Ainda não se sabe se a fund perdido ou não. E se haverá uma específica para digitalização dos acervos.
Há quem defenda a contratação de uma consultoriavque aponte o necessário para uma TV pública funcionar minimamente decente como TV Digita e faça um inventário confronado a planta atual com essa planta básica para saber quanto cada emissora teria que pedir ao banco.

Também quanto à integração, estão em curso discussões sobre o modelo degestão. Se haverá ou não um operador público de rede.

– Todos os estudos estão sendo refeitos. Os esconômicos. Os técnicos. Temos organimos internacionais estudando a composição desta malha prevendo a existêcia de um operador de rede pública, não um operador público de rede, já que provavelmente o setor privado vai operar as suas próprias redes. Porém, para não correr o risco de desinformar sobre a questão, o que posso dizer com certeza é que estamos em pleno processo de debate, disse Mário Borgneth, assessor especial do Ministério da Cultra.

Intercâmbio digital

Mas jáse bateu o martelo, por exemplo, na construção de uma rede de intercâmbio de conteúdos utilizando as redes de alta conexão de internet, em parceria com a Rede Nacional de Pesquisa (RNP), nos moldes da Rede de Intercâmbio de TVs universitárias (Rede RITU).

– Convidamos o MEC e o MCT para uma conversa e a partir daí nos foi oferecido um diálogo de negócios com a RNP que gerou um processo de discussão muito grande dentro do ministério, com a Radiobrás, com o grupo executivo. Hoje nós temos uma proposta de integrar as 53 emissoras das TVs educativas estaduais e as TVs universitáriasque fazem parte da ISI, em um projeto de três anos de construção, onde, em uma primeira etapa, até dezembro deste ano, nós da TV Brasil estaremos montando uma estrutura dentro da RNP para transmissão.

A idéia, como na RITU, é a de compartilhar programas e operar conjuntamente uma grade nacional de programação. Construir meios de permutar programas, para aumentar a qualidade e a diversidade de conteúdos dos canais, reduzindo os custos de programação e permitindo concentrar os recursos disponíveis na produção. Trabalhar a horizontalidade para troca de programação, com rapideze interatividade.

– A partir deste piloto da TV Brasil, de integração das suas bases estaduais, em quatro estados, a gente pretende apresentar o modelo às emissoras da Abepec e às emissoras universitárias e discutirmos o custo disso.

O que é a RITU

A RITU foi lançada oficialmente no dia 13 dedezembro de 2006, em Brasília, através de um convênio entre a Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU) e a Rede Nacional de Ensino e Pesquisa (RNP). Mas já está vem sendo organizada há dois anos, num trabalho silencioso envolvendo nove universidades. A rede de intercâmbioé operada a partir da Universidade do Vale do Rio dos Sinos (Unisinos), de São Leopoldo (RS), região metropolitana de Porto Alegre. Para lá são enviados os programas produzidos pelas instituições filiadas da ABTU e pelas universidades federais, vinculadas à RNP cerca de 100 parceiros.

Cerca  de 120 instituições de ensino superior produzem televisão regularmente no país. Elas controlam um mínimo de 52 canais geradores de conteúdo, que estão na TV aberta, na TV a cabo, na TV paga por microondas (MMDS) e na internet.

Active Image Convergência Digital.