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Hélio Costa menospreza escolha do DVB pelo Uruguai

A escolha uruguaia pelo padrão europeu de TV digital (DVB) provocou uma resposta pouco diplomática do ministro das Comunicações. Hélio Costa minimizou a importância do mercado do país vizinho ao justificar que a opção não afeta os planos brasileiros de expandir o padrão nipo-brasileiro na América do Sul. "É mais ou menos como se uma pequena cidade no interior de São Paulo decidisse fazer uma experiência com algum outro projeto. O nosso projeto é tão grande, tão abrangente que não faz muita diferença. Eu lamento porque é o Uruguai que vai perder", afirmou o ministro.

Costa também deu pouca importância a uma eventual escolha de um outro padrão pelo Chile e a Argentina, países que já acenaram com a intenção de optar pelo sistema americano ATSC e europeu DVB, respectivamente. Ao ser questionado se a perda desses dois mercados afetaria os planos industriais do Brasil para a TV digital, Hélio Costa retrucou que "ao contrário, já que nós temos a maior população".
A explicação do ministro para eventuais opções diferentes dos países vizinhos, especialmente do Chile e da Argentina, está no fato desses dois países terem uma malha de TV por assinatura mais robusta do que a aberta, situação inversa à do Brasil. O próprio ministro lembrou que, aqui, o sistema usado nas TVs pagas é o europeu e não o japonês, escolhido para a transição na rede aberta.

A postura atual choca-se com as declarações de Hélio Costa em 17 de agosto, quando encontrou-se com o ministro do Interior e Comunicações do Japão, Yoshihide Suga. Na ocasião, Costa anunciou que Brasil e Japão planejam fazer uma espécie excursão na América do Sul, divulgado o padrão nipo-brasileiro para convencer os países vizinhos a adotar o mesmo sistema.

Active Image Tela Viva News.

Após três anos, Google Brasil assume responsabilidade pelo Orkut

O Google Brasil anunciou, nesta quarta-feira (5), que vai passar a responder, a partir da próxima semana, como procurador de sua matriz, o Google Inc, com sede nos Estados Unidos. Nos últimos anos, as autoridades brasileiras tiveram de entrar em contato com o Google Inc. quando precisaram buscar informações sobre crimes no Orkut. "Os dados continuarão sendo armazenados nos EUA, mas essa mudança vai agilizar o processo de identificação dos responsáveis pela publicação dessas informações", afirmou o diretor geral do Google Brasil, Alexandre Hohagen. A iniciativa mostra uma mudança na postura da empresa, acusada de dificultar a punição de crimes cometidos via internet.

"Por três anos, o Google Brasil se esquivou de suas responsabilidades. No entanto, o anúncio mostra uma mudança de postura por parte da empresa", afirmou Thiago Tavares, presidente da ONG Safernet, classificando essa iniciativa como "positiva". Durante muito tempo, a filial brasileira alegou que não poderia repassar dados solicitados pela Justiça local, porque essas informações estavam em poder do Google Inc. Sendo assim, a empresa afirmava que as solicitações deveriam ser feitas à matriz da companhia, o que atrasava a obtenção dos dados solicitados pelas autoridades.

Em um texto divulgado em maio de 2006, o Google Brasil afirmou: "todos os dados que dizem respeito ao sítio de relacionamento Orkut estão hospedados em servidores localizados nos Estados Unidos, que são gerenciados pela empresa Google Inc., com sede na Califórnia, e aos quais a Google Brasil, empresa atuante na área de marketing e vendas, não tem acesso. Assim, qualquer pedido de informações relativas ao sítio Orkut deve ser endereçada à Google Inc., não à Google Brasil, que não tem a menor condição de prestá-las, diante do simples fato de não as possuir".

O Ministério Público Federal contestava essas afirmações, alegando que outras companhias – como Microsoft e Yahoo! – também utilizam servidores internacionais, mas suas filiais brasileiras colaboram com o fornecimento de dados, quando necessário.

ONGs

Em entrevista coletiva realizada nesta quarta em São Paulo, Google Brasil também anunciou que dará a diversas organizações não-governamentais os mesmos privilégios que têm a Polícia Federal e seis Ministérios Públicos no Orkut. Com isso, as denúncias sobre crimes ligados aos direitos humanos feitas por ONGs terão prioridade em relação àquelas feitas pelos demais internautas.

As ONGs serão selecionadas pelo Google em parceria com a Câmara Brasileira de Comércio Eletrônico (Câmara-e.net). Cada uma delas terá acesso a um login e senha especial para o Orkut, que oferece esse canal de denúncias não disponível aos usuários "comuns" do site. Assim que a denúncia for feita, os dados serão preservados durante 90 dias, para que essas informações sejam repassadas à Justiça, caso solicitado.

As parcerias, afirmou o Google, começarão a ser feitas "imediatamente". No entanto, ainda não há um número de organizações definidas – em um primeiro momento, a prioridade será dada a entidades ligadas à proteção de crianças, como Safernet e Unicef. "Nosso foco agora está voltado à pedofilia e à pornografia infantil, pois é inadmissível a divulgação desse tipo de conteúdo na internet", afirmou Hohagen. A reunião para a possível parceria com a Safernet está agendada para dia 20 de setembro.

Para Hohagen, a parceria com as ONGs não deve aumentar o número de denúncias no Orkut, mas sim qualificá-las. Segundo o executivo, o site de relacionamentos recebe semanalmente cerca de 20 mil denúncias feitas por seus usuários, sendo que somente 5% dos casos vão realmente contra os termos de uso do site. Entre as denúncias que podem levar à remoção do conteúdo estão pornografia, pedofilia, envio de spam e manifestações de violência.  

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‘Conferência’ é realizada sem participação da sociedade civil

Dois meses após o Encontro Nacional de Comunicação, que reuniu parlamentares e aproximadamente 400 ativistas de organizações da sociedade civil – e que culminou em uma grande mobilização em defesa de uma Conferência Nacional de Comunicações democrática -, o Ministério das Comunicações lançou oficialmente a Conferência Nacional Preparatória de Comunicações “Uma Nova Política para a Convergência Tecnológica e o Futuro das Comunicações”, a ser realizada entre os dias 17 e 19 de setembro, em Brasília.

Organizada em conjunto com a Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações, a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados (CCTCI) e a Comissão de Comunicação do Senado, a “Conferência Preparatória” se assemelha a um grande seminário, sem caráter deliberativo e espaços de discussão, em evidente conflito com as conferências de outras áreas já realizadas pelo governo federal, como a da Saúde, das Cidades, do Meio-Ambiente, entre outras, em que existem capítulos regionais e locais, eleições de delegados e plenárias deliberativas.

A notícia desta “Conferência Preparatória” causou surpresa aos movimentos que defendem a democratização das comunicações, apesar de sua realização ter sido anunciada pelo ministro Hélio Costa pela primeira vez em junho. Assim como na época em que surgiram os primeiros rumores sobre a realização do evento, permanece a falta e o desencontro de informações. Exatamente por isso, a proposta só foi realmente conhecida após a divulgação da programação. Além disso, nenhum dos proponentes se dispôs a explicar o significado do termo “preparatória” que consta do título do evento. “Preparatória para quê? Para uma conferência realmente democrática, com a participação da sociedade civil? Então por que o governo não inicia o processo de convocação?”, pergunta Bráulio Ribeiro, da coordenação do Intervozes.

O tema do evento causou questionamentos na sociedade civil organizada. Agustino Veit, coordenador da Campanha pela Ética na TV “Quem financia a baixaria é contra cidadania” da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, acredita que este evento é mais um seminário de caráter empresarial, sem a discussão das questões mais importantes para a garantia do direito humano à comunicação. “Não é a iniciativa que desejamos. Devemos participar para aumentar o debate e mostrar que queremos um evento de outro caráter”, disse. Fernando Paulino, do LapCom da Universidade de Brasília, uma das duas entidades não empresariais presentes na programação, também aponta a realização da iniciativa como mais um acontecimento e ressalta a importância das entidades "se manterem mobilizadas para a construção de uma ampla Conferência Nacional de Comunicações".

Limitação temática

Apesar de não prever espaços para formulação e debate mais aprofundado, o Minicom e a CCTCI da Câmara dos Deputados têm a intenção de utilizar o evento para apontar algumas alterações no marco regulatório das comunicações, em especial nos aspectos relacionados à TV paga. Tais propostas já estão sendo costuradas pelo deputado Jorge Bittar (PT-RJ), relator dos projetos acerca do tema atualmente em tramitação na Câmara.

Diante da possibilidade de que as definições aconteçam sem a efetiva participação da sociedade civil, a deputada Luiza Erundina (PSB-SP) ressalta a necessidade de que uma verdadeira Conferência democrática aconteça em breve. “Acredito que ela será realizada, sim, porque a sociedade civil começa a acumular forças. Meu receio é que isso só aconteça depois da implementação da TV digital”, afirma a parlamentar. “A própria CCTCI, que fomentou todo o processo de debates sobre comunicação, não estará presente nesta Conferência Preparatória”.

Governo e empresários

As questões acerca da convergência tecnológica se sobrepõem aos outros temas nos três dias de debates, em que apenas a Universidade de Brasília e o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC) representarão a sociedade civil. Órgãos do governo brasileiro e de vários outros países, além de entidades de radiodifusores e das empresas de telecomunicações completam as mesas de programação. Em alguns casos, a mesma entidade empresarial está presente em diferentes mesas de debates, como é o caso da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) que, apesar de representar diversas emissoras, é o braço político das Organizações Globo.

Para o presidente da CCTCI, Julio Semeghini (PSDB-SP), por ser muito amplo, o debate sobre comunicação não pode ser realizado de uma só vez, por isso seria fundamental a realização deste evento preparatório que, na visão dele, também servirá para auxiliar a Comissão na construção dos projetos de leis propostos pelos parlamentares. "Na minha opinião, é uma preparação para uma Conferência mais ampla, mas ainda não está claro se o governo tem mesmo a intenção de convocá-la", afirma o parlamentar.

Em relação à organização da Conferência Preparatória, ainda que a iniciativa seja formalmente do Minicom, do Congresso e da Anatel, ninguém assume sua paternidade. O próprio Ministério das Comunicações limitou-se a comentar que a assessoria da Câmara é quem está atendendo a imprensa.

A respeito da Conferência Nacional que, supõe-se, virá em seguida ao evento de setembro, também não há definições. Apesar do Minicom ter afirmado ao FNDC que estava comprometido com sua realização (ver matéria), até o momento não há qualquer confirmação oficial. Na Secretaria-Geral da Presidência da República, órgão do governo responsável pela realização das conferências, também não foi possível obter informações sobre a intenção do governo de realizá-la, apesar do ministro Luiz Dulci ter recebido recentemente a Comissão Pró-Conferência.

Indagado sobre a postura da CCTCI em relação à questão, o deputado Júlio Semeghini afirmou que se o governo federal decidir por não realizar a Conferência, a Câmara dos Deputados está disposta a promovê-la em conjunto com a sociedade civil. Resta saber quando isso ocorrerá e se ainda haverá tempo para que as decisões tomadas democraticamente sejam consideradas na revisão do marco regulatório das comunicações.

 

Para conferir a programação da Conferência Preparatória, clique aqui

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Formato de documento da Microsoft é rejeitado também pela ISO

A Microsoft teve o seu formato de documento Open XML rejeitado nesta terça-feira (4/9) também pelo comitê técnico JTC1 da Organização Internacional de Padronização (ISO). A proposta agora terá de ser revisada levando em consideração as condicionantes e os comentários críticos feitos durante a votação para que, no ano que vem, na reunião de fevereiro, em Genebra, quando deverá haver nova votação, ela tenha chance de aprovar o padrão. Para tal, terá de apresentar os problemas apontados nos comentários totalmente corrigidos.

As propostas enviadas a ISO têm de passar por duas rodadas de votação para se tornarem padrão. Ou seja, deve ter a aprovação de dois terços dos membros de padronização nacional que participaram na elaboração da proposta e, depois, receber a chacela de três quartos de todos os votantes.

A rejeição ao padrão pode deixar a Microsoft em desvantagem frente a produtos como o OpenOffice.org, pacote de produtividade gratuito e que funciona com o padrão Open Document Format (ODF). Se o Open XML for recusado novamente no ano que vem, a gigante do software pode perder receitas expressivas no setor de governo.

Active Image TI Inside.

Site russo de download vai voltar à ativa

Depois de ter sido banido, por ser acusado de favorecer a pirataria,o site russo Allofmp3 (www.allofmp3.com) anunciou que voltará a funcionar. Ainda sem músicas à venda, o site exibe um comunicado em que afirma que, em breve, estará operando – e dentro das leis russas.

O início da ressurreição do site começou quando seu fundador, Denis Kvasov, foi absolvido por uma corte russa das acusações de roubo de propriedade intelectual. EUA Em 2006, o Departamento de Comércio dos EUA classificou o Allofmp3 como vendedor on-line do maior volume de canções piratas da internet.

A interdição do site, ocorrida em julho, tornou-se ponto-chave para que a Rússia ascendesse na Organização Mundial do Comércio. Um acordo entre os dois países fez com que os usuários que tentassem entrar no Allofmp3 fossem encaminhados para um site similar, em que poderiam gastar seus créditos.

A absolvição de Denis Kvasov foi vista com receio pela indústriafonográfica norte-americana, que já se mostrava receosa com a possibilidade de o site voltar ao ar.

O Allofmp3 não pagava direitos autorais das canções que comercializava – em vez disso, destinava 15% de seus ganhos para uma ONG que administrava licenças de uso de conteúdo digital, o que é previsto pela lei russa.

 Active Image Folha de São Paulo.