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Cade prepara recomendações ao Congresso e Anatel

A série de audiências públicas realizadas pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (CADE) para avaliar os impactos da convergência sobre os mercados de telecomunicações e de conteúdo (televisão por assinatura) será útil para futuras avaliações de atos de concentração e da defesa da concorrência, segundo o conselheiro Luis Carlos Prado, idealizador dos debates.

O órgão realizou nesta quinta-feira, 13, a última das 11 audiências públicas que se estenderam ao longo dos últimos três meses, somando 22 palestrantes. Eles representaram os segmentos de telefonia fixa, móvel e de televisão paga. Na sessão desta quinta-feira foram ouvidos os presidentes da Globosat, Alberto Pecegueiro, e da Sky, Luiz Eduardo Baptista da Rocha. "Os convidados formaram um quadro muito representativo dos mercado de telefonia e de televisão paga", sintetizou Prado.

O conselheiro vai se debruçar agora na elaboração do relatório final sobre a série de debates, no qual pretende abordar e sintetizar os pontos principais das análises apresentadas pelos maiores executivos das teles e TVs pagas nacionais. "Esse relatório vai à votação no plenário do CADE e posteriormente ganhará versão para divulgação pública, que será relevante fonte para estudos e orientar interpretações em casos adiante", acredita Prado.

Embora o CADE não seja uma instância regulatória, Prado acredita que as recomendações – que serão encaminhadas ao Congresso e instâncias regulatórias – servirão de orientação para formulação de regras legais e regulamentares. Ele não quis adiantar, no entanto, qualquer análise que formulou sobre as contribuições coletadas no processo.

Movimento defensivo

Na avaliação do presidente da Sky, a movimentação das teles em direção à oferta de conteúdo não é um processo destinado à expansão dos negócios, mas um movimento defensivo. Por essa visão, o temor das teles de perder mercado para o segmento de TV por assinatura merece uma reação em defesa do patrimônio acumulado – fruto do controle quase que absoluto do mercado.

"Onde a NET vai, eles (teles) vão atrás", sintetizou Rocha, para construir uma imagem da situação. A NET é a operadora de televisão a cabo que, associada à Embratel e ao seu controlador, o grupo Telmex, também dono da Claro, representa hoje a maior ameaça para as concessionárias de telefonia, por ter formado um conglomerado capaz de ofertar pacotes triple play – voz, vídeo e banda larga – em várias regiões do país, especialmente nos grandes centros, onde se concentram as classes de maior renda.

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Ratinho avança na compra das emissoras de Paulo Pimentel

O grupo Massa, da família do apresentador Carlos Massa, o Ratinho, assinou ontem protocolo de intenções para comprar as quatro emissoras de tevê do Grupo Paulo Pimentel, um dos maiores do ramo de comunicação do Sul do Brasil e que retransmite o SBT no Estado.

O advogado do grupo Massa, Guilherme Gonçalves, confirmou o negócio e disse que a concretização dele depende de consulta ao Ministério das Comunicações, que deverá ser feita em breve. Há dez dias começaram a circular informações sobre a transação, mas ela era negada pelo ex-governador Paulo Pimentel, que está com 78 anos ecomandou o Paraná de 1966 a 1971.

O Valor não conseguiu falar com Pimentel ontem, mas na semana passada ele disse que não falava com Ratinho havia pelo menos três anos. 'Estou procurando o Ratinho pra falar sobre isso. Se você o encontrar, fale pra ele me procurar pra dizer onde assino', respondeu. Questionado sobre o valor dos bens, o empresário disse: 'dou pra ele pelos R$ 70 milhões que estão falando.'

Gonçalves não soube informar se os imóveis onde funcionam as emissoras entraram no protocolo, mas disse que os jornais 'O Estado do Paraná' e 'Tribunado Paraná', não foram comprados. Foi a segunda vez no ano que Pimentel negociou sua rede de comunicação. Em abril, ele chegou a confirmar a venda das tevês para João Alves de Queiroz Filho, dono da holding Monte Cristalina, de Goiás, controladora da Hypermarcas, a fabricante da lã de aço Assolan. Mas as conversas não avançaram. O Valor apurou que um outro grupo, do interior do Paraná, chegou a analisar a compra da rede.

Se o martelo for batido desta vez, Ratinho passará a ser dono da TV Iguaçu (Curitiba), TV Tibagi (Apucarana), Naipi (Foz do Iguaçu) e Cidade (Londrina). O empresário, que entrou na comunicação num programa policial em Curitiba, tem também rádios AM e FM no Estado, e dois filhos dele estão montando uma TV em Paranaguá, para retransmitir a Rede TV. Ratinho também tem negócios nos ramos agrícola e de bebidas.

Pimentel entrou na comunicação em 1962, com a compra da Editora O Estado do Paraná, que publica seus dois jornais em Curitiba. O empresário havia dito que, com os imóveis, esperava vender as emissoras por R$ 100 milhões. Adversário do governador, Roberto requião (PMDB), Pimentel disse que enfrentou desavenças familiares e preferiu desfazer-se da tevês.

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Adiada decisão sobre limitação de anúncios de cerveja na TV

Cinco meses após a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) concluir texto de uma resolução para proibir a propaganda de cerveja na televisão, entre as 8h e as 20h, ainda não há previsão de quando a proposta sairá do papel. A propaganda continua no ar enquanto ministros discutem a forma e o momento de mudar a lei que só considera alcóolicas bebidas com mais de 13% de teor de álcool.

Fabricantes de cerveja comemoram o aparente recuo do governo. 'Pressão houve, mas posso garantir que não há recuo', afirmou o ministro José Gomes Temporão (Saúde), que mantém a defesa doslimites à propaganda. O ministro ouviu críticas de representantes do mercado publicitário.

As mudanças, se vierem, não têm data. Temporão diz que, agora, a prioridade do governo é aprovar a prorrogação da CPMF (imposto sobre movimentações financeiras), 'e nada pode atrapalhar'. A propaganda de cervejas movimentou em 2006 R$ 751 milhões, 40% mais que em 2005.

Na internet, circula uma primeira versão do texto que poderá estender limites à veiculação de propaganda às bebidas a partir de 0,5% de teor alcoólico -as cervejas têm entre 3% e 5%, em média.

O texto também proíbe a venda de bebidas alcóolicas nas estradas federais- outra medida adiada do pacote da Política Nacional sobre o Álcool, anunciado em maio pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Envolvidos no debate, o chefe-de-gabinete de Segurança Institucional, Jorge Felix, e a secretária-adjunta da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas), Paulina Duarte, disseram que o assunto está para ir ao Congresso Nacional.

Não há decisão, por ora, se as mudanças serão objeto de medida provisória -com efeito imediato- ou projeto de lei, sujeito auma lenta tramitação na Câmara e no Senado. Os dois afirmam que 'a decisão caberá à área política do governo.'

Como uma das principais peças do lobby contra restrições à propaganda, os fabricantes brandem o resultado de pesquisa encomendada à LCA Consultores Associados. A pesquisa, de março de 2007, minimiza o efeito da publicidade e atribui o aumento do consumo ao aumento da renda.

Mas o governo descarta intervir no preço das cervejas como forma de inibir o consumo. Embora mais de metade da população adulta (56%) seja favorável ao aumento dos impostossobre bebidas, segundo pesquisa encomendada pela Senad, a medida é considerada impopular no governo, apurou a Folha.

O consumo de cerveja aumentou 5,9% entre 2005 e 2006, período em que os investimentos em publicidade cresceram quase 40%.

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Campanha reivindica critérios para renovação de concessões

Organizações e movimentos sociais de todo Brasil lançam no dia 5 de outubro campanha por democracia e transparência nas concessões de rádio e televisão do país. A data, simbolicamente escolhida por ser o dia em que vencem outorgas das maiores redes brasileiras de TV (Rede Globo, TV Bandeirantes, SBT e TV Record), está provisoriamente sendo chamada de Dia Nacional de mobilizações por controle público sobre as concessões de rádio e TV.

A mobilização está na pauta da CMS (Coordenação dos Movimentos Sociais), que reúne organizações de peso como CUT, UNE e MST, de entidades que lutam pela democratização da comunicação – entre elas a Campanha pela Ética na TV e o Intervozes – e de organizações de mulheres, do movimento negro e quilombola. No dia 5, além do lançamento da campanha, devem ser realizados atos nas principais cidades do país para reivindicar o cumprimento dos princípios constitucionais para a exploração das concessões de rádio e TV, e a instituição de mecanismos de participação social no momento de outorga e renovação dessas concessões.

“Precisamos pensar uma política ampla de comunicação para o país. E o debate sobre as renovações é propício para isso. Todos sabem que muitos concessionários não respeitam a Lei e que se tornam praticamente proprietários dos canais. Além disso, os processos de renovação não tem qualquer critério para se faça uma avaliação sobre o cumprimento das responsabilidades pelos donos das empresas”, afirma Rosane Bertotti, da CUT – Central Única dos Trabalhadores.

Segundo as organizações, a campanha tem como objetivo sensibilizar a sociedade em relação ao tema, apontando os absurdos que fazem parte do atual processo de outorga e renovação das concessões, como a falta de transparência, o uso ilegal das emissoras por parlamentares e a inexistência de critérios no momento de renovação das mesmas, o que acaba inviabilizando a avaliação do serviço público prestado.

Com a campanha, as entidades planejam denunciar o atual quadro de outorga e renovação das concessões e fazer valer os princípios constitucionais até hoje não regulamentados, para que exista alguma forma de controle público e social sobre o espectro de freqüência, um bem público que pertence ao conjunto da sociedade. “No mínimo, é preciso haver um questionamento deste processo. Não é possível que o governo Lula renove concessões que foram dadas na ditadura sem ao menos criar critérios para isso. É o momento de criarmos uma movimentação nacional e exigirmos debate sobre essas questões”, afirma Antonio Carlos Spiz, da Central Única dos Trabalhadores e da CMS.

Os estudantes apontam na mesma direção. Segundo Luana Bonone, diretora de comunicação da UNE – União Nacional de Estudantes, o debate sobre concessões traz à tona a necessária discussão sobre a regulação das comunicações. “As concessões de rádio e televisão no Brasil são como as concessões ao ensino privado. Não conseguimos regulamentar de modo algum, mas a impressão que temos é que nas comunicações o quadro é ainda pior. O que está em jogo é um projeto de país: democrático ou monopolista, com estruturas concentradoras de poder ou que reflitam a diversidade do país,” diz.

O principal movimento social do país, o MST – Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra também vai participar das mobilizações. “Só é possível democratizar a comunicação com um processo de luta unificada na sociedade, por isso estamos engajados na campanha. A democratização da sociedade precisa necessariamente passar pela mídia”, afirma Igor Felippe, do setor de comunicação do movimento. “Nós sabemos bem o significado dos monopólios, pois somos criminalizados todos os dias pelo simples fato de lutarmos por um direito do povo”, completa.

De acordo com o Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, uma das entidades que atuam diretamente no campo da comunicação, o foco da iniciativa não estará em uma determinada emissora, mas sim no conjunto de regras e normas do sistema de concessões. “As concessões são o instrumento que materializa o poder das emissoras comerciais, protegendo o monopólio e a falta de compromisso delas com o interesse público. No processo de renovação, prevalece a ausência de participação popular e a inexistência de critério. Todo rigor que eles têm com as comunitárias inexiste para as comerciais", afirma João Brant, um dos coordenadores da entidade.

Audiências públicas e julgamentos populares

Segundo Brant, hoje as concessões são um instrumento de manutenção do poder estabelecido. “Não aceitamos mais esta barbárie e este ‘velho oeste’ que marca o processo. É preciso se mobilizar para transformar esse quadro”, diz. “Alguma regulação é necessária para mudarmos esta situação. E eles acham que são intocáveis e que têm um poder sagrado. Mas não têm”, afirma Sonia Coelho, da Marcha Mundial das Mulheres. Além da ampliação dos grupos e organizações que participantes da campanha, devem ser organizadas audiências públicas locais e regionais, e produzidos materiais de campanha pela democratização das concessões de rádio e TV.

Entre as iniciativas locais da ação conjunta, estão previstos julgamentos populares das programações de rádio e TV, além do mapeamento do uso espectro em cada cidade.  A agenda de mobilizações do dia 5 de outubro deve se estender ao longo do mês. De 15 a 21 de outubro será realizada a Semana pela Democratização da Comunicação, que acontece anualmente na semana do 18 de outubro, Dia Nacional pela Democratização das Comunicações.

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Anatel autoriza a transferência de outorga da TVA para a Telefônica

Embora a Anatel tenha decidido esperar os ânimos políticos acalmarem no Congresso Nacional (que ainda convive com o pedido de abertura de uma Comissão Parlamentar de Inquérito para investigar a compra da TVA pela Telefônica), e ter adiado a decisão sobre a compra, pela Telefônica, das as operações de TV a cabo da empresa do grupo Abril, ela não parou de tomar as decisões que envolvem as demais operações de MMDS, que já tinham sido aprovadas.

Hoje foi publicado no Diário Oficial da União quatro atos assinados pelo presidente da agência, Ronaldo Sardenberg, autorizando a transferência das outorgas de MMDS (transmissão de sinais de TV paga por microondas)  da TVA nas cidades de  São Paulo, Rio de Janeiro, Porto Alegre e Curitiba para a Lightree Sistema de Televisão, a empresa criada pela Telefônica para controlar essas operações.

No caso das operações de cabo (a TVA possui autorização de TV a cabo também em São Paulo e no Rio de Janeiro), as quais a operadora espanhola só irá deter 19,9% do capital votante por causa das restrições da Lei do Cabo, que proíbe empresas de capital estrangeiro assumirem o controle dessas operações, a Anatel havia condicionado a aprovação à mudança dos acordos de acionistas, de maneira a fazer com que a concessionária de telefonia deixasse de exercer o  poder de veto às decisões, conforme estava previsto nos contratos originais.

As empresas enviaram à agência, no prazo determinado, os novos contratos, e eles precisam da aprovação prévia do órgão regulador para que a operação possa ser confirmada. 

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