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Governo Federal sonega informações sobre os donos da mídia

A premissa desta reportagem: obter do poder público a informação das concessões de redes de televisão que vencem neste ano. Os movimentos sociais preparam uma campanha, em 5 de outubro, para exigir mais transparência sobre os critérios de renovação das concessões. Segundo pesquisadores e especialistas do tema, nesta data, vencem as outorgas da Rede Globo, Bandeirantes, da Record e do SBT.

A resposta do Ministério das Comunicações (Minicom): silêncio. Nenhuma manifestação. A reportagem do jornal Brasil de Fato tentou conversar com o diretor de Outorgas, Carlos Freire que, segundo a assessoria de comunicação do ministério, é o responsável pelas informações. O funcionário público se negou a responder as perguntas. Tampouco a assessoria de imprensa do Ministério cumpriu com o seu papel e não retornou para o jornal até a noite do dia 18, fechamento desta edição.

A negativa do MiniCom de divulgar uma informação pública desrespeita a Constituição. É o que avalia Ana Claúdia Vazzoler, advogada do Escritório Modelo Dom Paulo Evaristo Arns da Pontíficia Universidade Católica de São Paulo. A sonegação fere diretamente o artigo 37 da Carta Magna. "O artigo 37 diz que a administração pública tem que obedecer alguns princípios e dentre eles está o princípio da publicidade. Todos os atos do poder público, quando não considerados sigilosos, como não é o caso, ele tem que ser publicizado, não necessariamente só pela internet", explica. 

Verdade seja dita: até o final do ano passado, a informação estava disponível na página na internet MiniCom. De uma hora para outra, o arquivo desapareceu, impedindo a livre consulta de qualquer pessoa da sociedade, interessada em saber quem são os "donos" das concessões públicas de radiodifusão. O Ministério não deu justificativa para restringir a informação.

A listagem dos concessionários havia se tornado pública desde novembro de 2003, quando o então ministro das Comunicações Miro Teixeira (PDT-RJ) abriu a "caixa-preta" da radiodifusão ao divulgar na internet as informações com os nomes dos sócios das emissoras de rádio e TV do país. Foi a primeira vez que a sociedade pode tomar conhecimento desta listagem.

De acordo com Venício Artur de Lima, pesquisador sênior do Núcleo de Estudos de Mídia e Política da Universidade de Brasília, o documento passou a ser uma referência básica. "O cruzamento dos nomes constantes no cadastro com a relação de políticos no exercício de mandato eletivo, por exemplo, revelou que muitos deles controlavam boa parte das emissoras de rádio e televisão pelo país afora. Claro, os "laranjas" e os parentes não são detectados nesses cruzamentos", relatou o pesquisador em artigo publicado no Observatório da Imprensa.

Segundo a advogada Ana Cláudia Vazzoler, o MiniCom não poderia recuar na questão e, novamente, esconder o nomo dos "donos da mídia" no Brasil. "É um retrocesso em um direito, que é o direito à informação. Esse direito é fundamental, humano. Há a teoria da proibição do retrocesso, ou seja, os direitos fundamentais deferidos não podem ser retirados e é o que está acontecendo neste caso. Foi dado o direito à informação e esse direito foi tirado do cidadão", informou Ana Cláudia.

Sociedade Civil

Para Celso Augusto Schröder, coordenador-geral do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), a ocultação do cadastro mostra mais uma vez uma contradição do governo federal em suas políticas de comunicação. "A gente tem que admitir que a publicação das listas foi um elemento importante de democratização histórica, porque até então não nós não tínhamos. Agora, se o próprio governo recolhe as listas, demonstra essa contradição. A publicação das listas é uma das obrigações de Estado. Tem uma dimensão pública que precisa ser conhecida pela sociedade. Seja qual for a razão, precisa voltar atrás", afirmou.

O coordenador do Intervozes, João Brant questiona a maneira como o o Sistema de Acompanhamento de Controle Societário da Anatel (Siacco) organiza os dados do quadro societário de rádio e TV – hoje, a única fonte de informação sobre o assunto. "Claramente, o Ministério opta pela política nublada, sem transparência. Em todos os outros temas, há como se fazer cruzamento de dados. No entanto, quando o assunto é quadro societário, esse cruzamento é prejudicado. Por que não permitir o cruzamento de dados?", disse.

Edital da 3ª geração de celulares é adiado para outubro

O edital de licitação da terceira geração da telefonia móvel só deverá ser lançado pela Anatel em outubro, informou ontem o conselheiro Pedro Jaime Ziller de Araújo ao Tele.Síntese. Segundo o conselheiro, é importante que essa decisão passe pelo crivo dos cinco dirigentes da agência e dois deles – Plinio de Aguiar e José Leite Pereira Filho – estão fora de Brasília. “Todo mundo reclamava quando a agência deliberava com apenas três votos, agora que o conselho está completo, vamos deliberar após a manifestação de todos os integrantes”, afirmou.

Na semana passada, a newsletter Tele.Síntese Análise informou que a decisão sobre o ingresso da Telefônica na Telecom Itália também só será tomada em outubro, após o retorno dos dois conselheiros, que estão de férias.

Ziller reafirmou que a licitação da 3G irá fazer com que, em dois anos, todos os municípios brasileiros tenham serviço de telefonia móvel (com redes de segunda ou de terceira geração). Atualmente, embora a cobertura do celular atinja mais de 85% da população brasileira, quase dois mil pequenos municípios não têm acesso ao serviço.

WiMAX

Durante os debates na Conferência Preparatória de Comunicações, o secretário de Telecomunicações do Ministério das Comunicações, Roberto Pinto Martins, e o conselheiro Pedro Jaime Ziller divergiram sobre como deve ser conduzida a licitação do WiMAX (banda larga sem-fio), paralisada há mais de um ano.

Para o secretário, não se deve impedir que qualquer empresa tenha acesso a essa tecnologia e, para permitir o ingresso das concessionárias na licitação (no edital da Anatel elas estão proibidas de comprar freqüências em suas áreas de concessão), poderia ser estabelecida uma “assimetria regulatória” com prazo de carência para as grandes empresas usarem a tecnologia.

Já para o conselheiro da Anatel, enquanto as concessionárias não desistirem das ações na justiça (que lhes asseguraram o direito de participar do leilão) a agência não deve mudar as regras. “Todo mundo tem direito de recorrer à justiça. Mas esse não é o caminho do Pacto de Moncloa. Então, é melhor deixar a justiça decidir a questão”, concluiu Ziller.

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Polícia Federal deflagra operação contra rádios comunitárias

A Polícia Federal, em São Paulo, através da Delegacia de Repressão a Crimes Fazendários, deflagrou, nesta terça-feira (18), a chamada Operação Interferência II, que pretende cumprir mandados de busca e apreensão e encerrar as atividades de diversas rádios que operam sem a autorização da Anatel.

Os mandados estão sendo cumpridos na Grande São Paulo e ABC, e visam, além da desativação de rádios ilegais, a conscientização da população de que o funcionamento irregular das chamadas 'Rádios Comunitárias' pode prejudicar a recepção do sinal de Rádios e TVs autorizadas e causar interferência no transporte aéreo e terrestre.

Segundo informou a assessoria de imprensa da Polícia Federal, os transmissores apreendidos pela ação policial serão submetidos a uma perícia para aferir a respectiva potência, enquanto os demais equipamentos ficarão, desde já, à disposição do Poder Judiciário.

Os proprietários das rádios clandestinas respondem pelo crime do art. 70 da Lei n. 4.117/62 (indevida atividade de radiodifusão), e podem ainda caracterizar crime previsto no art. 261 do Código Penal (atentado contra a segurança de transporte aéreo).

Sete empresas disputam o leilão das sobras do celular

Sete empresas apresentaram hoje à Anatel proposta de compra de freqüências das sobras do Serviço Móvel Pessoal (SCM). As surpresas ficaram por conta das ausências e das novatas. Duas empresas que não prestam serviços de celular, a Easytone Telecom (empresa que já possui licenças de STFC e SCM) e a Options Computadores Eletrônica Ltda. (que possui licença de SCM em Santa Catarina), fizeram propostas e apresentaram o seguro-garantia, exigido pelo edital.

As ausências são da Brasil Telecom, Sercomtel e CTBC Telecom. A TIM celular, Vivo, Oi, Claro e Unicel confirmaram o seu interesse pelas licenças e também estão na disputa. Hoje não serão conhecidas as áreas de interesse de cada empresa, dos 105 lotes em licitação. A abertura dos envelopes com as ofertas de compra pelas áreas de cada empresa está marcada para o dia 25,  depois que a Anatel analisar toda a documentação de habilitação.

A sessão de abertura da licitação foi precedida por três liminares obtidas pela TIM, Claro e Unicel. A TIM conseguiu liminar para ter o direito de participar do leilão oferecendo carta de fiança bancária no lugar do seguro-garantia e a Claro obteve liminar para participar da disputa mesmo respondendo a processos administrativos na Anatel. Já a Unicel conseguiu participar do leilão sem oferecer o seguro-garantia ou a carta fiança.

Ministério das Comunicações pretende gastar R$ 1 bi do Fust

O Ministério das Comunicações remeteu à Casa Civil e ao Tribunal de Contas da União (TCU) oito projetos de utilização dos recursos do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) em quatro áreas – saúde, educação, segurança e telefonia rural.

Se aprovados,os projetos deverão consumir cerca de R$ 1 bilhão. 'Ainda esperamos fazer, em 2007, a aplicação do primeiro lote de recursos', afirmou ontem o ministro das Comunicações, Hélio Costa.

O Fust é um encargo cobrado diretamente no faturamento das operadoras de telefonia e já recolheu mais de R$ 6 bilhões desde a sua criação, no ano 2000. No início de setembro, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) e as cinco concessionárias de telefonia fixa local assinaram o primeiro termo de compromisso de uso das verbas provenientes do Fust. Serão R$ 7 milhões destinados à instalação gratuita de linhas telefônicas adaptadas para pessoas com deficiência auditiva.

O ministro Hélio Costa reconheceu que a aplicação liberada é de pequeno valor, mas simbólica, por se tratar de seu primeiro investimento.

Além dos projetos do Fust, Hélio Costa fez outra promessa. Até o fim do mês, segundo o ministro, sairão os editais da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para autorizar investimentos de R$ 82 milhões com recursos do Fundo para o Desenvolvimento Tecnológico das Comunicações (Funtel).

Três áreas foram definidas como prioritárias pelo Ministério das Comunicações: plataforma para prestação de serviço sobre protocolo IP (através da internet), tecnologias sem fio e plataformas para produção e difusão de conteúdo digital.

A atualização do marco regulatório e o futuro do setor foram debatidos ontem na Conferência Nacional Preparatória de Comunicações, na Câmara dos Deputados. Na abertura do evento, Hélio Costa deixou claro que será preciso 'um ano ou mais' para avançar nas discussões de uma nova lei para o setor.

Ele frisou que a Lei Geral de Telecomunicações (LGT) não está preparada para as inovações tecnológicas que surgiram nos últimos anos. Por isso, afirmou, não consegue conciliar a defesa da competição com universalização em várias áreas.

O presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, defendeu a permanência da radiodifusão nas mãos de empresas com capital nacional, como ocorre atualmente. Ele também fez a defesa de uma licença única para a operação de serviços de televisão por assinatura. 'Em boa parte dos países desenvolvidos, a regulamentação dos serviços de comunicação de massa já foi adequada para acompanhar o avanço do processo de convergência', afirmou Sardenberg, que criticou a demora na atualização das leis.

A Anatel divulgou ontem dados preliminares sobre a venda de aparelhos de telefone celular no mês de agosto. Segundo a agência, foram habilitados 2,41 milhões de aparelhos no mês passado. O Brasil, com isso, já soma 110,9 milhões de celulares ativados, número 2,2% superior ao do mês de julho, segundo o órgão regulador.