Arquivo da categoria: Notícias

Entidade contesta decisão que a impediu de operar rádio em SP

A Associação Assistencial Comunitária Azarias, localizada no bairro de Perus, em São Paulo, entrou com ação no Supremo Tribunal Federal contra a decisão do Ministério das Comunicações que arquivou seu pedido para operar uma rádio comunitária na região.

Segundo a presidente da entidade, Ligia Cristina Marins Cardoso, a associação não foi notificada pelo Ministério sobre a abertura de prazo para apresentar documentos necessários à análise do pedido. Como os documentos não foram apresentados, o Ministério acabou arquivando o pedido da associação.

A presidente da entidade alega que o ato do Ministério das Comunicações feriu princípios constitucionais e pede a concessão de liminar para que o Ministério seja obrigado a reabrir o prazo para apresentação dos documentos. O relator do pedido é o ministro Eros Grau.

No documento, a entidade informa que há dois anos aguarda resposta do Ministério das Comunicações e que seu pedido está fundado em mais de 3 mil assinaturas coletadas entre a população do bairro, com apoio de 10 entidades representativas da região. Com informações da agência de notícias do STF.

Começam as eleições para as quatro vagas da sociedade civil

As eleições para o Comitê Gestor da Internet acontecem de 1 a 7 de novembro. Treze candidatos disputam as quatro vagas do terceiro setor no Comitê, responsável por, entre outras funções, estabelecer os parâmetros da governança da internet no país. Além do terceiro setor, governo, empresários e acadêmicos devem zelar pelo cumprimento desses acordos em benefício da sociedade brasileira em geral.

Com o propósito de fomentar e difundir o debate a respeito das tarefas e prioridades para a atuação no CGI.br, o Observatório do Direito à Comunicação publica neste espaço entrevistas com os candidatos do terceiro setor, partindo do princípio de equidade de expressão a todos. Foram quatro perguntas formuladas indistintamente aos treze candidatos.

Três deles ainda não haviam respondido até o fechamento da matéria, no caso, Jorge Barbedo de Almeida, Maria do Amparo Araújo e Mario Luis Teza. Assim que as respostas forem enviadas, serão publicadas. Os demais enviaram suas respostas por e-mail, as quais publicamos nos links abaixo. Lucivaldo Paz da Lira, que também fazia parte da lista, retirou sua candidatura, declarando apoio ao candidato Gustavo Gindre.

Confira a seguir as quatro perguntas formuladas:

1. Como avalia o trabalho do CGI.Br até o momento?

2. Caso eleito(a), quais serão suas prioridades como membro do Comitê?

3. Caso eleito(a), como prestará contas à sociedade?

4. Na sua avaliação, qual deve ser o papel do CGI.Br na construção de um marco regulatório relativo à convergência tecnológica?

Confira a resposta dos candidatos

Ana Maria Drummond

Arnaldo de Almeida Carvalho

Carlos Alberto Afonso

Cassius Regis Antunes Coelho

Elma Maria da Silva de Alleluia

Everton dos Santos Rodrigues

Gustavo Gindre

James Görgen

Luiz Nazareno de Souza

Marcelo Fernandes Costa

Entrevista com Arnaldo de Almeida Carvalho

Arnaldo de Almeida Carvalho é contador, economista e diretor do Sindicato dos Contabilistas de Santos e Região. Atua na área de perícia contábil (inclusive na investigação de fraudes pela internet) e trabalha pela inclusão digital criando salas de informática em organizações sociais em parceria com o Rotary International. Indicado por seu sindicato, acredita que sua candidatura é importante para a categoria e, se eleito, imagina atuar na “criação de condições para que a internet funcione de forma estável”.

1. Como avalia o trabalho do CGI.Br até o momento?
Como é crescente a demanda tecnológica, o CGI.Br busca a integração e coordenação dos serviços internet por meio de melhorias contínua, buscando sempre identificar as necessidades da sociedade e com auxilio de organizações interessadas no desenvolvimento continuo da internet.

Em particular os projetos coordenados pelo comitê, através do Nic.br apresentam resultados positivos em ações de curto prazo.

2. Caso eleito(a), quais serão suas prioridades como membro do Comitê?

Podem ser eleitas como prioridades:

– Se tratando de recursos técnicos da internet: recursos tecnológicos que poderiam ser substituídos de forma global. Podemos citar como exemplo: o IPV6 o sucessor da versão IPV4, que passará a circular na internet após 2010;

– Ampliar a consciência pública da importância da inclusão digital para o desenvolvimento humano bem como encontrar propostas para a internet junto à sociedade;

– Reformular propostas apresentadas e procurar expandir as fronteiras de atuação para além das atividades atuais.

– Trabalhar na difusão cultural.

3. Caso eleito(a), como prestará contas à sociedade?
Através de uma administração transparente com divulgação permanente e periódica na própria internet.

4. Na sua avaliação, qual deve ser o papel do CGI.Br na construção de um marco regulatório relativo à convergência tecnológica?
O CGI.BR  é fundamental para a construção de marco regulatório, visto que a construção de regras disciplinadoras com fiscalização continua é fundamental, sendo necessário observar que regras disciplinadoras não devem ser entendidas como limites ou censura, mais simplesmente regras para o crescimento sustentado e disciplinado de uma atividade de vital importância.

Entrevista com Cassius Regis Antunes Coelho

Cassius Regis Antunes Coelho é contador, professor universitário, pós-graduado em Gestão de Tecnologia da Informação e presidente do SESCAP-CE. Sempre atuou na área de tecnologia em seu campo profissional, tendo especial interesse pelas operações contábeis online. Resolveu apresentar candidatura por considerar que a área contábil tem pouca representatividade nas discussões acerca da internet.
 
1. Como avalia o trabalho do CGI.Br até o momento?
O Comitê Gestor é uma entidade que tem desenvolvido um trabalho interessante no desenvolvimento de modelos de governança para a internet no Brasil.
 
Vivemos uma realidade hoje onde a internet ainda não chegou a toda a população, a diversidade de conteúdos tratados são também muitas vezes questionáveis.
 
Entendo que o CGI tem um papel fundamental de chamar pra si a discussão sobre esses temas e propor políticas de disseminação da informação de forma igualitária, desenvolvimento de programas de educação básica no meio etc.
 
Um caminho que acredito ter sido correto foi de ter aberto as portas para a participação de representantes da sociedade civil através de eleições democráticas. A possibilidade de poder contribuir nas discussões e deliberações acerca da internet em conjunto com o governo é uma atitude louvável.
 
2. Caso eleito(a), quais serão suas prioridades como membro do Comitê?
Entre as prioridades está o trabalho pela inclusão digital e pela acessibilidade, atentando para a segurança na gestão de dados. O desenvolvimento e a difusão de tecnologias como a certificação digital, por exemplo, é um ponto que deve ser proposto como meta de ação ao CGI.br.
 
Acredito que os crimes cibernéticos devam ser punidos de forma mais dura, sem, contudo, prejudicar os usuários da internet como um todo. O Comitê poderia trabalhar pelo aprofundamento da discussão a respeito, desenvolvendo, por exemplo, campanhas para trazer o assunto à agenda pública. Além disso, é importante o fomento de pesquisas a respeito do tema e à atuação em parceria com os legisladores para que a questão avance em termos legais.
 
Devemos discutir formas de controle aos conteúdos que são disponibilizados na internet, principalmente os que tratam de pedofilia, sexo, drogas, atividades ilícitas. Somos contrários ao simples bloqueio a determinados sites, por considerar a atitude inócua na garantia de proteção aos direitos da infância. A educação e a conscientização de pais e escolas para que discutam a violência na rede com crianças e jovens é o caminho. Para que isso aconteça, acreditamos que o CGI.br possa lançar campanhas na mídia e discutir com o poder público sobre a possibilidade de a ética na internet ser incluída no currículo escolar.
 
O diálogo com o terceiro setor poderia se estreitar se o CGI.br criasse fóruns de discussão ou um blog em que a sociedade civil pudesse participar ativamente. Propomos desenvolver um plano de comunicação com uma assessoria externa para traçar estratégias de interação. Embora o terceiro setor seja muito amplo, acreditamos que as organizações têm necessidades comuns. Por isso,  o desenvolvimento de pesquisas junto ao segmento para identificar suas demandas, além de trabalhar pela agilidade de prestação de contas sobre a atuação do Comitê são prioridades.
 
3. Caso eleito(a), como prestará contas à sociedade?
Não só como representante de um segmento específico que é o terceiro setor, que surgiu justamente para proporcionar ações alternativas de serviços de caratér público, é preciso que exista reciprocidade nessa atuação. Para isso, dentre os meios que podemos utilizar para interagir com a sociedade estão os tradicionais como criação de blogs para informar em tempo real o que está sendo realizado e colher propostas de ações dos diversos entes que compõem o terceiro setor, bem como da sociedade civil como um todo. Parcerias com organismos que tem como missão precípua divulgar os direcionamentos dados e políticas adotadas por entidades como o Comitê Gestor também são fundamentais. Somos favoráveis a democratização da informação com responsabilidade e oportunidade.
 
4. Na sua avaliação, qual deve ser o papel do CGI.Br na construção de um marco regulatório relativo à convergência tecnológica?
A discussão sobre a definição de marco regulatório que trate da convergência tecnológica ainda está se iniciando e vemos ser o CGI a entidade que pode fomentar as discussões e congregar dentre os seus membros propostas que possam ser apresentadas a sociedade. Quando tratamos de tecnologias, temos poucos players e muita concentração de demandas de tecnologia, o que pode ser perigoso quando da regulação de conteúdo, estrutura e serviços que podem vir a se tornar monopólio, prática totalmente inaceitável.

Entrevista com Everton dos Santos Rodrigues

Everton dos Santos Rodrigues é técnico em tecnologias livres, integrante do Projeto Software Livre Brasil e pesquisador no Projeto Casa Brasil, do governo federal (na área de inclusão digital). Também atua na criação de interfaces para aproximação dos movimentos sociais à internet e à utilização do software livre. Participou da organização de todas as edições do Fórum Internacional de Software Livre, em Porto Alegre, e foi um dos debatedores do assunto no Fórum Social Mundial – Acampamento Intercontinental da Juventude. A promoção da sustentabilidade pelo paradigma da Economia Solidária é outro aspecto importante de seu trabalho.

1. Como avalia o trabalho do CGI.Br até o momento?
O primeiro mandato foi nomeado pelo Governo Federal e o segundo mandato foi o primeiro a ser através do voto, onde entidades puderam votar.

Esse primeiro mandato eleito, as avaliações da atuação dos representantes do terceiro setor no CGi.br e sua atuação, são mais positivas que negativas.

Evidentemente que um processo novo como esse, tem que ser ajustado. Devemos trabalhar com a idéia de que não construiremos nossos processos sociais do "dia para a noite", e que todos os processos em nossa sociedade requerem muito trabalho e debate coletivo.

Nesse sentido, é importante dizer que é positiva a própria criação do Comitê Gestor da Internet no Brasil (CGI.br), porque, simplesmente a rede mundial de computadores, a cada dia que passa, influencia nossa vida, seja na cultura, na economia ou na política. As relações sociais no Brasil e no Mundo estão em plena transformação, com grande velocidade, como nunca vimos antes, pela influência da internet. E nosso país se destaca mundialmente neste processo.

Toda essa transformação, provocada por uma sociedade cada vez mais em rede, exige que o debate sobre a internet seja feito de forma mais aberta, e que nós devemos partir da experiência já existente, neste e em outros setores, sem desconsiderar o acúmulo do CGI.br, mas também sem achar que o processo está pronto e acabado.

A internet foi criada de forma completamente aberta e de forma colaborativa. Isso foi determinante para o sucesso da sua criação e devemos lutar para que assim permaneça.

Nesse sentido, é interessante salientar, e nós devemos levar em consideração que o segundo ponto positivo é o fato do CGI.br ser um praticante no uso do "software" livre (SL). E é verdade que nós podemos avaliar essa condição como não sendo suficiente, pois poderia ser ainda melhor.

De fato, sempre podemos fazer mais, mas fazer algo como utilizar o software livre, já é um bom começo e devemos ver isso como ponto positivo, como parte de um processo que busca sempre avançar.

Outro questão positiva da atual gestão do CGI.br foi de ter criado sua personalidade jurídica NIC.BR (Núcleo de Informação e Coordenação do Ponto br) que é uma entidade civil, sem fins lucrativos.

Também foi criado o Centro de Estudos, Resposta e Tratamento de Incidentes de Segurança no Brasil (CERT.br) que é responsável por receber, analisar e responder a incidentes de segurança envolvendo redes conectadas à Internet no Brasil.

Além de ter criado o Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação – CETIC.br, que é responsável pela produção de indicadores e estatísticas sobre a disponibilidade e uso da Internet no Brasil, divulgando análises e informações periódicas sobre o desenvolvimento da rede no país.

Mas é preciso avançar no processo de gestão da internet no brasil através de mecanismos de participação popular direta através da própria internet e em espaços presenciais. Para a gestão ser coletiva tem que haver participaçõa popular direta.

 

2. Caso eleito(a), quais serão suas prioridades como membro do Comitê?
A principal prioridade de ação é trabalhar para construir no Comitê instrumentos de participação direto com os movimentos sociais e a sociedade civil em geral. Trabalhar pela democratização da banda larga no país como política pública. O CGI.br poderia desempenhar o papel de articulador nesse processo, relacionando projetos do governo e dos movimentos sociais.

Criar os mecanismos para a radiodifusão comunitária para construírem seus espaços de difusão também na internet É preciso desenvolver projetos para que esses veículos tenham conectividade e condições de manter uma página eletrônica no ar. O Comitê poderia oferecer um programa de registro de domínios, hospedagem e ferramentas de gerenciamento de conteúdo gratuita para organizações através de editais, por exemplo.

A definição do marco legal do Comitê também está entre as prioridades para essa gestão. A existência do CGI.br deve ser garantida como estrutura permanente de governança da internet na Lei Geral de Comunicações. Um momento ideal para discutir esse assunto seria a Conferência Nacional de Comunicação, proposta pelo ministro Hélio Costa, e a participação do Comitê no evento seria fundamental.

Na busca de que o CGIbr seja também de fato um instrumento responsável com mudanças concretas na sociedade, rompendo com todas as formas de opressão, propomos que na sua composição seja adotada as cotas de 30% para mulheres, garantindo assim, não só participação políticas das mesmas nos espaços de poder, mas também permitindo que esse instrumento construa a partir do olhar das mulheres, formas através da internet a efetivação de um mundo igual entre mulheres e homens. Além disso, é necessário conceber processos de debate e formação, que fortaleçam cada vez mais a participação das mulheres nesses espaços, bem como propor medidas que coíbam o machismo virtual, a homofobia, o racismo e a pornografia infantil.

A realização do Congresso da Internet Brasileira é uma proposta defendida pelo atual membro do Cgibr Mário Teza e candidato a reeleição, mas me somo a essa idéia por sua relevância nacional em que diversos segmentos da sociedade teriam oportunidade de discutir o tema, até para contribuir com a conferência nacional de comunicação.

 

3. Caso eleito(a), como prestará contas à sociedade?
Primeiro será defender a construção de mecanismos de participação popular direta nos debates do cgibr. Atraveś de uma portal interativo e de reuniões, seminários e plenárias  presencias, além de defender a idéia de que as reunião do cgibr deva ser nos estados para além de SP, onde essas reunião sejam abertas.

Se isso não for possível, vamos propor um site mantido pelo menos pelos 4 representantes do 3 setor.

E se isso não for possível farei um blog onde colocarei os relatos de todas as discussões que participarei, além de estar a disposição para relatar os temas nas rádios comunitárias, tvs comunitárias, jornais comunitários e sites que desejarem.

4. Na sua avaliação, qual deve ser o papel do CGI.Br na construção de um marco regulatório relativo à convergência tecnológica?
O CGI tem que se somar na construção da conferência nacional de comunicação, já defendida no mês de setembro pelo Ministro Hélio Costa durante Conferência Nacional Preparatória de Comunicações chamada pelas Comissões de Ciência e Tecnologia do Senado e Câmara Federal junto com o Ministério das Comunicações.

Além disso, o Cgibr deve participar de todos os grupos de trabalho para elaborar a nova lei geral das comunicação, já que, a comunicação é basicamente a convergência digital onde a internet é a base fundante.

A realização do Congresso da Internet Brasileira é também um fundamental instrumento para isso.