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Jornal demite repórter por matéria desfavorável à Rede Globo

Em mais um caso polêmico envolvendo o jornal Meio & Mensagem e grandes meios de comunicação, o jornalista Alisson Ávila, repórter especializado em mídia que trabalhava a sete anos no periódico, acabou demitido por não aceitar promover alterações em uma reportagem desfavorável a Rede Globo. O texto revelava informações esmiuçadas em números oficiais e de circulação restrita do Ibope sobre a queda de audiência da Globo em 2007 e o correspondente crescimento de suas concorrentes, em especial a Record.

Em princípio, Ávila havia sido destacado pelo M&M para apurar uma suposta queda de participação das TVs abertas no mercado. Em meio à investigação, no entanto, o repórter descobriu que a tese não procedia e que a Globo era quem estava perdendo a audiência na disputa da TV aberta. O periódico decidiu então não publicar a matéria e o constrangeu a amenizar o desgaste da emissora dos Marinho. Ávila se recusou a transformar a reportagem e foi, em seguida, “convidado a se retirar da redação”.

O M&M já havia protagonizado caso semelhante quando da demissão do seu então editor-adjunto Costábile Nicoleta, em maio deste ano, após a publicação de um texto sobre a morte do publisher da Folha de S. Paulo Octávio Frias de Oliveira e suas relações com o regime militar. A demissão causou uma série de protestos e motivou notas de repúdio de sindicatos e da Federação Nacional dos Jornalistas, que considerou o ato uma agressão ao princípio elementar da liberdade de expressão.

Tanto a Rede Globo quanto o Meio & Mensagem negaram ingerência no trabalho de Ávila. De qualquer forma, sua reportagem recebeu abrigo na revista Carta Capital desta semana, na capa do semanário.

Annenberg assume presidência da Associação Brasileira de TV por Assinatura

O novo corpo diretivo da ABTA (Associação Brasileira de TV por Assinatura) foi eleito nesta segunda-feira, dia 5. Alexandre Annenberg, atual diretor-executivo da entidade, foi indicado para o cargo de presidente-executivo. Ele atua no segmento desde 1990, tendo exercido cargos de direção na Net e na TVA, além de ter sido sócio em operações de TV a cabo. Participou também do Comitê Consultivo do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (SBTVD). Annenberg acumula também o cargo de presidente do Sindicato das Empresas de TV por Assinatura (Seta).

Confira a nova formação do conselho diretor da ABTA:

*Vice-Presidente Cabo: Francisco Valim (Net Serviços), suplente Fernando Magalhães
*Vice-Presidente DTH: Luiz Eduardo Baptista (Sky), suplente Adir de Souza Matos
*Vice-Presidente MMDS: Carlos André Albuquerque (ITSA), suplente Carlos Barreiros (ACOM)
*Vice-Presidente Jurídico: André Muller Borges (Net Serviços), suplente Antônio Roberto Sales Baptista
*Vice-Presidente Programação: Anthony Doyle (Turner), suplente Edmar Souza
*Vice-Presidente Banda Larga: Luis Carlos Balieiro (TVA), suplente Leila Loria
*Vice-Presidente Tecnologia: Antônio João Filho, (Tele Design), suplente Antônio Carlos Martelleto
*Vice-Presidente Marketing: Fernando Ramos (Nnet Brasil), suplente Ana Maria Gemigniani (Globosat)
*Vice-Presidente Relações Institucionais: Fernando Mousinho (Net Serviços)
*Vice-Presidente Administrativo-Financeiro: Paulo Cézar Martins (Viacabo), suplente Antônio Salles Teixeira Neto
*Vice-Presidente: Gustavo Leme (Fox), suplente Marcio Fonseca
*Vice-Presidente: Ricardo Rihan (Abril), suplente Lara Andrade.

Aquisição da Chinaglia pela Dinap cria monopólio na distribuição

O oligopólio da distribuição de revistas no Brasil está prestes a se converter em monopólio. As duas empresas que dominam o mercado – Dinap e Fernando Chinaglia – anunciaram que vão se fundir, originando uma nova distribuidora, a Treelog S/A. Hoje, a Dinap é responsável por cerca de 70% do mercado, e os outros 30% cabem à Chinaglia. A fusão foi anunciada há cerca de um mês, em 11 de outubro, pela Revista Imprensa. No mesmo dia, o Grupo Abril, acionista majoritário da Dinap, emitiu um comunicado confirmando a operação.

Tão logo foi anunciada publicamente, a compra da Chinaglia pela Dinap despertou preocupação naqueles que trabalham no mercado editorial. “Essa compra vai matar uma série de editoras que concorrem com a Abril em algum nível, vai eliminar do mercado as pequenas editoras”, avalia Renato Rovai, publisher da Revista Fórum.

“Não acreditamos que o negócio foi feito para prejudicar alguém. Mesmo assim, a concentração de distribuição em um único grupo é preocupante, pois os outros editores acabam por se tornar reféns e não há pluralidade”, afirma Hercílio de Lourenzi, presidente da Editora Escala, que edita cerca de 150 publicações por mês, distribuídas atualmente pela Fernando Chinaglia. Hoje, as principais revistas semanais – como a “Época” e a “Carta Capital”, que disputam mercado com a “Veja”, da Abril – são distribuídas pela Chinaglia. Com o monopólio da mais poderosa editora de revistas do país no setor de distribuição, o que acontecerá com elas?

Ditadura das bancas

A situação, que tende a piorar, já não é um mar de rosas. Pequenas revistas e jornais – em especial os considerados “de esquerda” – caminham há anos na corda bamba. Para que a Fernando Chinaglia aceitasse distribuir o jornal Brasil de Fato, por exemplo, foram necessárias “articulações políticas” junto ao dono da empresa, lembra o editor do jornal, Nilton Viana. À época, o Brasil de Fato acabara de rescindir o contrato com a São Paulo Distribuição e Logística, distribuidora dos grupos Estado e Folha e que atende alguns poucos clientes. 

“Na primeira semana de publicação, o jornal havia esgotado em cidades como Santos e Campinas. Na semana seguinte, a São Paulo Distribuição não mandou o jornal para essas cidades, argumentando que estavam com problemas na região. Aos poucos, percebemos que era um boicote: isso ocorria sistematicamente em todas regiões onde a venda do jornal era boa”, diz Viana.

Para Rovai, da Revista Fórum, a justificativa das empresas para não distribuir uma revista “nunca foi política ou editorial: vem travestida de argumentos técnicos”. Quando da criação da Fórum, ele procurou a Dinap, que exigiu um reparte mínimo para venda em banca. “A tiragem mínima exigida por eles é proibitiva para revistas que não são de caráter comercial. Eles criam uma linha de corte para quem eles não consideram conveniente distribuir, por motivos comerciais ou político-editoriais”. Ainda segundo o publisher da Fórum, “a distribuição é uma parte estratégica do negócio, e não há qualquer fiscalização. A Abril vai estabelecer uma ditadura das bancas. Está mais que na hora de o governo estimular a criação de alternativas de mercado”.


De acordo com Viana, os primeiros efeitos da fusão entre Dinap e Chinaglia, ainda que difusos, já são perceptíveis. “Por ‘coincidência’, há um mês a Chinaglia começou a colocar uma série de exigências que não existiam antes e que fariam parte da nova gestão, como o cumprimento de metas de vendas, que tendem a inviabilizar o nosso jornal”.

Insatisfeitas com a monopolização do mercado de distribuição, as pequenas editoras se organizam para intervir no processo. “Nós vamos nos somar a outras entidades e publicações independentes para discutir formas de garantir que essas publicações consigam disputar espaço nas bancas”, afirma Viana.

Lei antitruste

De acordo com a legislação brasileira, fusões que resultem no domínio de 20% ou mais do mercado ou que envolvam empresa cujo faturamento bruto tenha sido equivalente ou superior a R$ 400 milhões no ano anterior devem ser autorizadas pelo Ministério da Justiça. O Brasil é um dos raros países que adotam o modelo de notificação posterior, ou seja, as empresas têm um prazo de até 15 dias úteis após a formalização do ato de concentração para notificar o órgão antitruste, o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). O Cade foi notificado no último dia 5 sobre a aquisição da Fernando Chinaglia pela Dinap.

A ocorrência de infrações à ordem econômica será avaliada, no Cade, por um colegiado. Não há prazo-limite para a conclusão do processo – a análise de fusões desse porte chega a se prolongar por até dois anos. Nesse meio tempo, a não ser que seja apresentada uma medida cautelar, as empresas podem concluir a operação.

Se uma medida cautelar for aceita pelo Cade, as empresas devem retornar à situação anterior à fusão. É comum, porém, que em casos de grande visibilidade o colegiado proponha um acordo às empresas, autorizando temporariamente a fusão, com apenas algumas restrições. Mesmo após uma decisão negativa do Cade, as partes podem entrar com uma ação no Judiciário.

Advogados consultados pela reportagem caracterizam a Lei 8.884/94 (que discorre sobre concentrações) como liberal. Na prática, dizem, a Lei tende a aprovar fusões que resultam em monopólios, pois ao mesmo tempo que prevê que “dominar mercado relevante de bens ou serviços” constitui infração à ordem econômica, por outro lado admite a concentração se esta atender requisitos como “aumentar a produtividade” ou “melhorar a qualidade de bens ou serviços”.

Ação entre amigos

Já que o Cade não conhece em detalhes todos os mercado sobre os quais deve deliberar, costuma ouvir entidades que opinam, durante o processo, sobre o impacto que a fusão terá no mercado.

No caso das distribuidoras, a Associação Nacional dos Editores de Revistas (Aner) deve ter um peso significativo. A entidade, que ainda não se manifestou publicamente sobre a fusão, é presidida por um funcionário do Grupo Abril – a única empresa associada a manter três entre os oito membros do conselho consultivo, formado por ex-presidentes.

O Sindicato dos Vendedores de Jornais e Revistas de São Paulo dificilmente assumirá uma postura crítica diante da operação. “O sindicato mantém uma ligação forte com o Grupo Abril”, afirma o proprietário de uma banca na Capital Paulista que não quis se identificar.

De todo modo, o Grupo Abril está bem assessorado: seu advogado no caso já foi conselheiro do Cade. Procuradas pela reportagem, Dinap/Grupo Abril e Fernando Chinaglia não quiseram se pronunciar a respeito.

Organizações querem lista contra rastreamento na internet

Nove organizações de defesa da privacidade e dos consumidores solicitaram à FTC (Federal Trade Comission, agência reguladora governamental norte-americana) que crie uma lista para registrar os internautas que não querem ter suas atividades online utilizadas por redes de publicidade.

A lista, que foi solicitada na semana passada, deverá ser semelhante à lista que a FTC mantém para os consumidores que não desejam receber ligações de telemarketing, de acordo com organizações como o Center for Democracy and Technology, Electronic Frontier Foundation e Consumer Federation of America.

Com a lista que proibiria rastreamento, os anunciantes que empregam cookies ou tags instalados nos computadores deveriam registrar junto à FTC todos os nomes de domínio dos servidores envolvidos nessas atividades.

'Optar por não ter as atividades pessoais rastreadas na internet deveria ser um processo tão simples e tão conhecido quanto a lista de exclusão de telemarketing', disse à Reuters Mark Cooper, diretor de pesquisa da Consumer Federation of America.

De acordo com a proposta, os anunciantes também seriam proibidos de recolher e usar informações pessoais sobre atividades de saúde e financeiras. A proposta também exige auditagem independente de empresas que utilizem rastreamento comportamental para que elas cumpram os padrões de defesa da privacidade.

Na semana passada, a America Online, divisão de internet da Time Warner, anunciou que permitiria que os usuários de seus sites optassem por não receber anúncios encaminhados aos seus computadores com base em páginas que eles costumam visitar.

Nos últimos meses, Google, Microsoft e Yahoo adquiriram empresas de publicidade online.

Embratel anuncia lançamento do Star One C1

A Embratel marcou para a noite do dia 9 de novembro o lançamento do Star One C1, primeiro satélite da nova geração da Série C na base Kourou, na Guiana Francesa pelo foguete da Arianespace. O Star One C1 tem quase o dobro da potência do Brasilsat B2, ao qual substituirá na posição 65º W, permitindo a ampliação da cobertura para além do território nacional, alcançando as Américas do Sul e Central e a Flórida (EUA). Possui 28 transponders (receptores e transmissores de sinais) em Banda C, 16 Banda Ku e um Banda X.

O satélite, que recebeu investimentos da ordem de R$ 1 bilhão, é voltado para serviços de telefonia, televisão, rádio, transmissão de dados e internet. Fabricado pela Alcatel Space, na França, baseado na plataforma SB 3000 – B3, o Star One C1 tem massa total 4100 kg e vida útil de 15 anos. Ficará a 36 mil quilômetros da superfície Terra.

A partir da chegada à sua posição orbital, o controle do satélite passa a ser feito pela equipe da Embratel na Estação de Guaratiba, no Rio de Janeiro. No Brasil em torno de 16 milhões de residências captam sinais de TV diretamente dos satélites da Embratel.