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Testes da rádio digital começam por São Paulo

A partir do dia 10 de janeiro, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e o Instituto Mackenzie vão começar os últimos testes da Rádio Digital, na capital paulista, com três emissoras – Rádio Globo (FM), Rádio Cultura (AM) e Rádio Bandeirantes (FM). O assessor técnico da Abert, Ronald Barbosa, informou que eles terão duração de pelo menos 10 dias e vão considerar análise nos locais dos transmissores, para verificar as especificações analógicas e também as híbridas (analógica e digital). Os testes serão feitos com a tecnologia americana IBOC (In-Band-On-Channel).

– Nesta análise, temos condições de avaliar a cobertura da estação e também saber as características técnicas como a potência utilizada pela emissora – disse.

Também serão feitos testes de campo, para verificar a cobertura analógica e digital do sinal e o desempenho do sistema digital. Segundo Ronald Barbosa, objetivo é analisar as características do sinal, transmitindo locução e diversos estilos de música e programas.

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), segundo o assessor, solicitou que fossem indicadas emissoras para testes de referência, com o objetivo de avaliar se os sinais das estações de rádio causarão ou sofrerão interferência, no sistema digital.

Após concluir os testes em São Paulo, a equipe irá para a cidade de Ribeirão Preto, onde vai avaliar a tecnologia pelo período de 10 dias. E depois, fará testes também em Belo Horizonte.

Lula mantém em 2008 cota de tela igual a 2007

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro Gilberto Gil publicaram ontem no Diário Oficial da União o decreto no qual determinam a cota de tela a ser cumprida no País – a obrigatoriedade de as salas de cinema exibirem filmes nacionais em território brasileiro. A despeito da reivindicação de cineastas de que fosse aumentada em até 15%, ficou mantida a cota de tela de 2007 – mínimo de 28 dias de exibição em salas individuais, 70 dias para quem tem até 2 salas, 126 dias para quem tem 3 salas, 196 dias para 4 salas, 280 para quem tem 5 salas, e assim progressivamente, até o máximo de 644 dias para quem tem mais de 20 salas (com mais 7 dias por sala adicional). A multa para o descumprimento do decreto é de 5% da renda diária da bilheteria.

Na quarta-feira, a Ancine já tinha publicado uma instrução normativa regulamentando o cumprimento e a aferição da exibição obrigatória de filmes nos circuitos nacionais. Entre as novas regras, está a obrigatoriedade de exibição, no primeiro semestre, de no mínimo 30% da cota de tela fixada no decreto do presidente. O exibidor poderá requerer à Ancine a transferência de dias de obrigatoriedade de um determinado complexo para outro (limitado a um terço do total).

O decreto também trata da diversidade de títulos nacionais a serem exibidos por cada sala de cinema ou complexo. Assim, o número mínimo de títulos a serem exibidos é de 2 filmes diferentes, e o máximo é de 11 títulos diferentes (incluindo todas as obras cinematográficas lançadas entre dezembro de 2007 e dezembro de 2008).

Segundo Nilson Rodrigues, diretor da Agência Nacional de Cinema (Ancine), houve de fato 'uma estagnação da participação do filme brasileiro no mercado'. Segundo Rodrigues, isso se dá principalmente em decorrência do sucesso de poucos títulos. 'A maior parte dos títulos tem performance de mercado muito fraca, o que dificulta aos distribuidores o cumprimento da cota de tela.

'O desempenho do cinema nacional tem colocado em trincheiras opostas dois dos principais detentores de estatísticas sobre o mercado, o boletim Filme Be o Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Município do Rio de Janeiro.

Segundo o sindicato, o público em 2007 deve ficar entre 89 milhões e 90 milhões de espectadores (em 2006, alcançou 91,2 milhões), o que representaria uma queda entre 1,5% e 2,5%. Já o boletim Filme B divulgou que, a um mês do fim de 2007, o crescimento do público de filme nacional tinha sido de 9,5%.

Segundo análise de Jorge Peregrino, diretor do sindicato, o público do filme nacional está 'estagnado'. Ele exemplifica com o crescimento do número de salas de cinema (em 2006, havia 2.220 salas de cinema no País; 2007, 2.355, ou 151 novas salas, um crescimento de 6%). Proporcionalmente, o público diminuiu.

De acordo com o sindicato, foram 9.932.474 espectadores de filmes nacionais em 2006 e o número estimado para 2007 é de cerca de 10 milhões (graças ao sucesso de Tropa de Elite, filme de José Padilha, visto por 2,4 milhões de espectadores).

TV Brasil é criticada por modelo de gestão e ênfase no jornalismo

A ênfase no jornalismo político, com a nomeação de jornalistas para a direção da empresa e a inclusão de dois telejornais na programação diária, e o modelo de gestão sem autonomia assegurada por lei são as principais críticas à TV Brasil.

O sociólogo Demétrio Magnoli diz que a programação da TV Brasil mostra que, ao contrário do discurso governamental de que ela vai unir a programação regional das emissoras públicas e estatais, o governo vai usar a emissora para fazer jornalismo político.

"Na prática, o que o governo está dizendo, não com as palavras, mas com a programação que montou, é que o jornalismo independente do governo não serve, por isso o governo precisa fazer jornalismo político", afirma.

Para o radialista Diogo Moyses, um dos coordenadores da ONG Intervozes, que discute a ampliação do direito à comunicação, o problema da nova TV é o modelo de gestão, que, na avaliação dele, não garante a independência da empresa.

"Tanto a diretoria executiva como o Conselho Curador são indicados pelo presidente, o que, do nosso ponto de vista, compromete a autonomia e a independência da empresa", afirma Moyses.

Jornalismo

Magnoli critica o fato de os dirigentes da TV serem profissionais oriundos do jornalismo político, e de a programação nova da TV Brasil incluir dois telejornais.

O restante da programação é uma mistura do que já era exibido na TV Nacional, de Brasília, e na TVE, do Rio, emissoras que se fundiram para criar a TV Brasil.

"O governo está usando dinheiro público para fazer algo que não devia, que é jornalismo político", afirmou Magnoli. "E como não vai funcionar, o governo vai jogar fora todo esse dinheiro."

A presidente da EBC, Tereza Cruvinel, diz que a TV Brasil vai discutir as questões nacionais, assuntos que não encontram espaço hoje nas emissoras comerciais.

Magnoli discorda. Ele afirma que a imprensa já faz este papel. "A imprensa brasileira tem uma pluralidade incomum na América Latina", diz o sociólogo.
Se existe algo para ser criticado no jornalismo brasileiro, diz Magnoli, não é o excesso de crítica ao governo, mas a falta de crítica.

"A mídia eletrônica é extremamente submissa ao governo, e não só a este governo, mas aos governos anteriores também", afirma. "O jornalismo, por definição, deve criticar o governo. Não apenas este, mas qualquer governo."

Gestão

A ONG Intervozes defendia também a independência das verbas orçamentárias do governo, mas Moyses diz que mesmo com a vinculação ao orçamento – como determina a Medida Provisória que criou a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) – teria sido possível garantir a autonomia de decisões se ela estivesse explicitada no texto.

Mas ele discorda da crítica de alguns políticos de oposição, que afirmam que a TV será utilizada como um instrumento político do governo.

"Nós não acreditamos, de maneira nenhuma, que este governo tenha a intenção de instrumentalizar a EBC, até porque isso não foi feito com a Radiobrás nos últimos cinco anos", afirma Moyses.

O problema, segundo ele, é que a Medida Provisória que criou a empresa não garante a independência formalmente, e futuros governos não terão os compromissos políticos assumidos pelo governo atual, que em diversas ocasiões já se pronunciou a favor da autonomia da emissora.

"Este governo tem que saber que outros governos podem sim ter tentações autoritárias. E esses governos vão ter a legitimidade absoluta de instrumentalizar a EBC", afirma Moyses. "O problema é que não foi feita uma blindagem contra isso."

Conselho

Tereza Cruvinel diz que essas definições ficarão a cargo do Conselho Curador, que vai fiscalizar o trabalho dos diretores executivos.

A Intervozes também critica a falta de transparência na escolha dos conselheiros.

Os 15 nomes apresentados ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva foram escolhidos pelo economista Luiz Gonzaga Belluzzo, a pedido do presidente. Também integram o Conselho Curador quatro ministros e um representantes dos funcionários.

"É um conselho elitista", diz Moyses. "Faltam representantes dos trabalhadores e de emissoras do campo público."

A MP determina que os próximos conselheiros podem ser indicados por consulta pública, mas a decisão final ainda cabe ao presidente.

A Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV (Abert), critica a possibilidade de a TV Brasil buscar recursos no mercado publicitário, além dos recursos orçamentários e com isso competir com as televisões privadas.

"Ou ela busca financiamento no governo ou no mercado", afirma o presidente da Abert, Daniel Pimentel Slaviero. "Não pode ficar em ambos os lados."

Estudo revela desigualdade digital no Brasil

Enquanto as novas tecnologias dominam o mercado da telefonia, radiodifusão e informática, o Brasil ainda mantém índices totalmente discrepantes quando o assunto é o acesso digital da população. A falta de infra-estrutura e de projetos que possam atender, na prática, as populações das comunidades mais remotas, por exemplo, são os principais pontos de entrave para a ampliação da redes.
 
O tema serviu de base para o trabalho da RITLA – Rede de Informação Tecnológica Latino-Americana – que mapeou as desigualdades as desigualdades digitais no País.
 
Embora o crescimento do acesso ao computador e à Internet nos domicílios brasileiros tenha sido de 62,9% entre 2001 e 2005, os índices ainda são inferiores ao de países da América Latina, como Chile, Costa Rica, Uruguai e Argentina.
 
O Brasil, que já é considerado um celeiro de talentos em pesquisa e desenvolvimento, e que abriga muitas das maiores empresas produtoras de tecnologia, é somente o 76ª colocado entre os 193 países do mundo pesquisados
pela União Internacional de Telecomunicação (UIT), no que se refere ao acesso digital.
 
A falta de democratização de acesso pode ser uma das razões. Números demonstram que nos grupos de menor renda, o acesso à internet via centros gratuitos é de 0,6%, enquanto na faixa de renda mais elevada esse índice ultrapassa 4%. Entre os estudantes do ensino fundamental, só 2,5% dos mais pobres usaram computador na escola. Esse índice sobe para 37,3% no grupo de alunos de maior nível de renda.

Oposição no Congresso já se articula contra MP que cria TV pública

Depois de perder a batalha pela Contribuição Provisória sobre movimentação Financeira (CPMF) no Senado, o governo enfrentará logo no início do ano legislativo, em fevereiro, resistência da oposição para aprovar a medida provisória que criou a Empresa Brasil de Comunicação (EBC).

Vinculada à Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, a empresa é gestora da TV Brasil, emissora de televisão pública que está no ar desde o dia 2 de dezembro. Uma MP vigora com força de lei, mas seus efeitos só se tornam definitivos depois da aprovação na Câmara e no Senado.

Em setembro, o Senado derrubou – por 22 votos a favor e 46 contra – a medida provisória que criou a Secretaria de Planejamento de Longo Prazo da Presidência da República, que estava sendo comandada pelo professor Mangabeira Unger.

Com a rejeição da MP, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva nomeou Mangabeira Unger ministro Extraordinário de Ações Estratégicas por decreto, sem a possibilidade de criar os cargos para preencher a pasta. A MP da TV pública está trancando a pauta de votações da Câmara dos Deputados desde 25 de novembro. De lá, terá de ser submetida ao Senado, onde a oposição é mais forte.

"É uma TV chapa branca, para pregação de idéias de um grupo ", afirmou o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), ex-presidente nacional e uma das principais lideranças do seu partido no Congresso. Segundo ele, "é questão de honra das oposições tentar derrubar a MP".

Ele reconhece que, embora a oposição possa dificultar o processo, as chances de rejeição não são grandes. É que a aprovação de uma MP exige apenas maioria simples (metade mais um dos presentes) dos votos a favor da proposta – quorum bem mais baixo que os três quintos de votos favoráveis exigidos no caso de uma Proposta de Emenda Constitucional (PEC).

Na Câmara, onde o governo tem maioria mais tranquila, a ordem da oposição é tentar derrubar a TV pública. Primeiro, os parlamentares tentarão adiar ao máximo a votação da medida provisória. A MP nº 400, de 2007, é o primeiro item a ser votado pelos deputados a partir de fevereiro, quando o Congresso retoma os trabalhos.

"Vamos lutar contra a TV do Lula. Por que a TV pública será a TV do Lula, para fazer propaganda para o presidente da República", critica o líder do DEM na Câmara, Onix Lorenzoni (RS).O parlamentar pretende se unir ao PSDB e ao PPS e acirrar o debate no plenário. Obstruções deverão ser parte da estratégia para retardar a aprovação do texto.

O PSDB da Câmara também lutará para derrubar a nova televisão. "A MP cria muita desconfiança. O governo justifica a criação de mais uma TV pública para evitar o que ele dizem que foi uma perseguição da imprensa em 2005", diz o líder tucano na Câmara, Antonio Carlos Pannunzio (SP). "Mas o mensalão e toda a crise política de 2005 não foi criada pela imprensa. Se o governo foi atingido, é por incompetência deles", completa.

Para Pannunzio, o método adotado para tratar do tema mostra um perfil "autoritário" do governo. "Já tentaram controlar os jornalistas, a produção de cinema e, agora, criam TV por medida provisória", critica. "Qual é a urgência na criação da TV Pública? Por que não um projeto de lei para ser debatido ? Além de criar a TV, a MP ainda vai cria mais cargos, a maioria comissionados, para empregar petistas", afirma Pannunzio.

A preocupação dos tucanos com a utilização de uma TV pelo governo Lula foi explicitada no congresso nacional do PSDB, realizado em Brasília, em setembro. Os dirigentes do partido fizeram críticas veementes contra a criação da emissora, entre eles o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Para os tucanos, a TV pública pode tornar-se instrumento de manipulação . Em sabatina realizada pela Folha de S.Paulo no início do mês, FHC considerou desperdício de dinheiro a criação da emissora, já que o governo tem autonomia para convocar a imprensa. A afirmou que há o risco de a TV tornar-se porta-voz do governo.

"Tucanos e democratas vão votar contra a MP. É possível arregimentar alguns votos de insatisfeitos. É o tipo do gasto supérfluo, ao lado da contratação de milhares de novos cargos e criação de ministérios novos", disse o líder do DEM no Senado, José Agripino (RN).O DEM apresentou uma Adin (Ação Direta de Inconstitucionalida de) no STF contra a MP que criou a EBC.

Para o partido, não há urgência e relevância na criação da emissora, dois requisitos básicos para a edição de uma MP. Em audiência pública na Câmara, o ministro Franklin Martins (Comunicação Social) justificou a criação por meio de MP para acompanhar a implantação da TV digital.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em diversas ocasiões, afirmou que a rede pública de televisão não seria "chapa branca", nem seria criada para defender partidos, ideologias e religiões. O presidente defendeu a necessidade de se criar um espaço para debate de temas importantes, como aborto, energia nuclear, economia, uso de célula tronco e biodiesel.

A jornalista Teresa Cruvinel, presidente da EBC, disse que a idéia é adaptar o modelo das TVs públicas européias, principalmente a BBC de Londres, para a experiência brasileira. Em entrevistas, Teresa negou que a emissora será governamental. Segundo ela, o governo paga a TV pública, mas a sociedade irá controlá-la, por meio de um conselho.