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BNDES destinará R$ 12,9 a vinte projetos cinematográficos

Rio de Janeiro – Os 20 vencedores do Edital de Seleção Pública de Projetos Cinematográficos 2007 receberão do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) recursos no valor de R$ 12,9 milhões, para investimento na produção e finalização de filmes de longa metragem.

O anúncio foi feito hoje (11) pela diretoria da instituição e, segundo a assessoria de imprensa, são obras de ficção, de animação e documentários. Os de animação tiveram o teto, anteriormente fixado em R$ 1 milhão, equiparado ao dos filmes de ficção, de R$ 1,5 milhão.

O BNDES recebeu 182 projetos e dos 20 aprovados, 15 são de ficção, trêsde animação e dois documentários. São nove do Rio de Janeiro, sete de São Paulo, dois do Paraná, um da Bahia e um do Rio Grande do Sul.

Participaram da seleção somente os projetos já aprovados pela Agência Nacional de Cinema (Ancine) e com protocolo de registro de emissão e distribuição de Certificados de Investimento Audiovisual na Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Os vencedores deverão apresentar em 30 dias os documentos necessários à contratação.

Desde 1995 os desembolsos do BNDES para o setor, no âmbito da Lei do Audiovisual, superam R$ 93 milhões.

Público de cinema no Brasil diminui 2,9% em 2007

O público de cinema no Brasil caiu em 2007. O ano terminou com total de 88,6 milhões de espectadores (o número de ingressos vendidos nas salas), o que representa uma queda de 2,9% em relação a 2006.

Pela primeira vez desde 2002, o público no país fica abaixo dos 90 milhões. A parcela de espectadores obtida pelo filme nacional (9,8 milhões) representa 11,1% do mercado, e a renda total (R$ 707,3 milhões) demonstra aumento de 0,9% em relação ao ano passado.

Os dados são do Sindicato das Empresas Distribuidoras Cinematográficas do Rio de Janeiro. Na opinião do presidente do sindicato, Jorge Peregrino (Paramount), os números indicam 'estagnação do mercado'.

Para Peregrino, 'no Brasil, o preço do ingresso é artificialmente caro, por causa da meia-entrada [para estudantes]. No final, o sujeito pensa duas vezes antes de ir ao cinema'.

O distribuidor classifica o ingresso de 'artificialmente caro' porque, com a disseminação da venda de meias-entradas, dado o uso de carteiras por parte de quem não é estudante, é minoritária a parcela de espectadores que paga inteira.

Classes C e D

Esse fenômeno, na avaliação do presidente da Cinemark International, Valmir Fernandes, 'é o câncer do entretenimento no Brasil' e seria o responsável por afastar dos cinemas a população de baixa renda.

'Enquanto a minha filha, que possui Ipod, viaja para a Disney, tem acesso a tudo, pagar meia e a minha empregada pagar inteira, não há como querer aumentar o público e a participação das classes C e D', diz.

A Cinemark é líder no mercado brasileiro. Fernandes comanda as operações da cadeia em 13 países. Ele diz que 'a percepção de que o custo do cinema é elevado está muito forte no Brasil', o que julga inexato.

O preço médio do ingresso no país foi de R$ 8 em 2007. 'Não conheço muitas opções de lazer com a qualidade do cinema por esse nível de preço', afirma.

O secretário do Audiovisual do Ministério da Cultura, Silvio Da-Rin,diz que 'é procedente o argumento' dos exibidores sobre o efeito prejudicial da proliferação indevida de carteiras de estudante, pois isso 'desequilibra as condições' do negócio.

No entanto, Da-Rin observa que o crescimento da renda 'mostra que os exibidores têm se compensado,com o aumento do preço médio do ingresso, o que é um processo perverso, porque elitiza cada vez mais o público cinematográfico'.

Em 1997, o preço médio do ingresso era de R$ 5,15. O secretário diz que o governo está atento às 'transformações do espetáculo cinematográfico',para adequar as medidas que toma, 'de maneira a continuar protegendo o conteúdo brasileiro no nosso mercado'.

Embora o governo adote mecanismos como a cota de tela (que fixa número de dias de exibição obrigatória de filmes nacionais nas salas), o exibidor Leon Cakoff identifica 'falta de vontade política para fazer com que o cinema brasileiro vá ao encontro de suas platéias'.

Para Cakoff, 'o público do cinema nacional está na vasta teia de emissoras e retransmissoras de televisão'.

O exibidor sugere que, 'taxando-se com 3% o seu faturamento comercial [das TVs] e mais a mensalidade dos assinantes, vamos alcançar o paraíso das produções da França e da Alemanha, onde triunfa o modelo dos fundos de cinema autoral com garantias de exibição ao menos nas TVs. Os melhores das safras de cada ano chegam aos cinemas também, mas por merecimento'.

Mantida multa de R$ 21 mil à TV Mirante do Maranhão

Por considerar que ficou evidente o privilégio dado à senadora Roseana Sarney (PMDB), então candidata ao governo do Maranhão em 2006, foi mantida a multa de R$ 21,2 mil à TV Mirante. A decisão é do Tribunal Superior Eleitoral, que rejeitou recurso que pedia a suspensão da multa.

De acordo com o ministro José Delgado, houve evidente difusão de opinião favorável à candidata na matéria divulgada pelo site www.imirante.com. O ministro acompanhou o parecer da Procuradoria Geral Eleitoral que constatou como favorável o trecho: "O presidente Luiz Inácio Lula da Silva telefonou hoje para a senadora Roseana Sarney, para cumprimentá-la pela votação que obteve na eleição para o governo do Estado e manifestar-lhe integral apoio no segundo turno".

A multa foi aplicada pelo Tribunal Regional Eleitoral do Maranhão, que entendeu que a TV Mirante privilegiou a candidata ao divulgar entrevista do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, "acompanhada de explícita manifestação em favor dessa candidatura", na página eletrônica da empresa.

A decisão do TRE-MA tem como fundamento o artigo 45, da Lei 9.504/97 (Lei das Eleições), que prevê que a difusão de opinião contrária a candidato, bem como o tratamento privilegiado sujeitam a emissora ao pagamento de multa, que se estende aos sítios mantidos pelas empresas de comunicação social na internet.

Anatel anuncia operadoras que atenderão municípios sem celular

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) realizou, nesta sexta-feira (11), a distribuição dos municípios brasileiros entre as prestadoras que venceram a licitação das faixas de freqüência destinadas aos serviços de telefonia móvel. Nessa primeira etapa foram distribuídos os 1.836 municípios das áreas I, II, IV, V e VI (descritas abaixo) que ainda não possuem cobertura celular. O cumprimento dos compromissos de abrangência, que beneficiarão cerca de 17 milhões de habitantes em dois anos, será fiscalizado pela Anatel.

Segundo informou a Anatel, em dois anos, todas as capitais dos estados, o Distrito Federal e as cidades com mais de 500 mil habitantes terão cobertura total para serviços de banda larga móvel. Ao fim de quatro anos, todos os municípios com mais de 200 mil habitantes deverão estar cobertos pela banda larga sem fio. Passados cinco anos, 50% dos municípios com população entre 30 mil e 100 mil habitantes e 100% daqueles acima desta faixa estarão aptos a utilizar esses serviços. Ao fim do oitavo ano, pelo menos 60% dos municípios com menos de 30 mil habitantes terão a tecnologia disponível. Na próxima sexta-feira, 18, em outra etapa da licitação, serão escolhidos esses 2.740 municípios.

Confira abaixo lista da Anatel:

Os 240 municípios que ainda não possuem Serviço Móvel Pessoal (SMP) na área I, que inclui Bahia, Espírito Santo e Sergipe, serão atendidos pelas operadoras Oi, Claro, Tim e Vivo.

Na área II (Acre, Goiás, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Paraná, Rondônia, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Tocantins), os 673 municípios serão atendidos pela Claro Tim, Vivo e Brasil Telecom.

Na área IV (Amazonas, Amapá, Maranhão, Pará e Roraima), os 264 municípios serão atendidos pela Oi, Claro, Tim e Vivo, que também cobrirão os 656 municípios da área VI (Alagoas, Ceará, Paraíba, Pernambuco, Piauí e Rio Grande do Norte). As empresas Oi, Claro e Tim, cobrirão os três municípios de São Paulo (área V) que ainda não possuem SMP.

Cidades sem celular representam 3% do consumo nacional

Analisando-se os números das cidades a serem atendidas pelas vencedoras do leilão de 3G, fica fácil entender por que estas cidades não haviam sido até hoje cobertas pelas operadoras celulares, e provavelmente não seriam se não houvesse a obrigação colocada no edital.
As mais de 1,8 mil cidades do pacote de obrigações das teles congregam pouco mais de 15 milhões de habitantes, ou aproximadamente 8% do total nacional. No entanto esta população representa apenas 3% do consumo de bens e serviços no País, segundo o IPC (Índice Potencial de Consumo), da pesquisa Brasil em Foco 2008. Ou seja, é uma população dispersa geograficamente (média de pouco mais de 8 mil habitantes por município), com baixo poder aquisitivo.

À exceção da Brasil Telecom, que por permanecer dentro de sua área de concessão original acabou com um número menor de cidades para atender, as demais operadoras fizeram uma divisão equilibrada dos compromissos de atendimento.

O número de habitantes nos municípios a serem atendidos por cada uma é bastante próximo: 3,029 milhões para a Oi; 3,51 milhões para a Claro; 3,85 milhões para a TIM e 3,9 milhões nas cidades da Vivo. A Brasil Telecom atenderá 760 mil habitantes em suas novas cidades.

O IPC de cada grupo de cidades também é bastante equilibrado. A Oi pegou as cidades que, somadas, têm o menor potencial de consumo: apenas 0,59% do IPC nacional. Na outra ponta, as cidades a serem cobertas pela TIM têm 0,83% do consumo nacional de bens e serviços, uma diferença pequena. Claro e Vivo ficaram com 0,74% do IPC cada uma, em suas novas regiões. A Brasil Telecom cobrirá apenas 0,21% do consumo nacional em suas novas cidades.

A TIM também ficou nas cidades que, somadas, têm o maior número de domicílios (965 mil) e mais linhas fixas instaladas (227 mil). A área mais fraca nestes quesitos coube, de novo, à Oi, que atenderá cidades onde há hoje 729 mil domicílios e 128 mil linhas fixas instaladas, só ganhando da BrT, que cobrirá 208 mil domicílios, em uma área com apenas 67,8 mil linhas telefônicas instaladas.