Manda quem pode

A história dos meios de comunicação no Brasil sempre esteve atrelada ao poder público. Seja no surgimento do rádio, em 1922, na televisão, em 1950, e no aprimoramento técnico do impresso com Zero Hora, há um rastro que indica um vínculo entre os veículos e as instituições políticas. Com a ditadura, a força do Estado dentro da imprensa foi maior. A censura limitou o trabalho de repórteres, em todas as mídias, em especial naquelas que eram contrárias ao regime.

Com o início da reabertura democrática, no final da década de 1970, começou a ser discutido, novamente, o papel da imprensa dentro da sociedade. De meros divulgadores de notas prontas do regime, foi indicado que o trabalho dos jornalistas é um reflexo do direito de expressão e liberdade de informação.

Tais direitos foram garantidos na Constituição Federal. Apesar de existir na lei desde o período do império, foi na Constituinte de 1988 que esta prática tornou-se, fundamentalmente, um pilar da democracia. No inciso IX, do artigo cinco, está determinado que "é livre a expressão da atividade intelectual, artística, científica e de comunicação, independentemente de censura ou licença".

Apuração e seleção do conteúdo

De maneira prática, a interferência do Estado na imprensa ainda existe. O indicador histórico registra isso. Em 1988, a Constituição estabeleceu nova regulamentação para emissoras de rádio e televisão. Na época, segundo a BBC de Londres, foram liberadas mais de 300 concessões pelo Ministério das Comunicações no Brasil. A maioria foi para políticos, deputados e senadores. A emissora britânica produziu um documentário chamado Beyond Citizen Kane que conta a história das Organizações Globo. O vídeo, disponível no YouTube, afirma que, desde o surgimento da TV carioca, ela sempre foi favorecida pelos presidentes. No final da década de 1980, a Globo teria trabalhado, com afinco, para eleger Fernando Collor de Melo.

O caso Collor-Globo é emblemático no jornalismo. Segundo a BBC, até a quinta-feira, quatro dias antes da eleição, havia um empate técnico entre Lula e o candidato da emissora. Na sexta, aconteceu um debate que foi reprisado em partes no Jornal Nacional. Essa seleção teria mostrado os piores momentos de Lula. Por isso, atribui-se a eleição de Collor de Melo à empresa da família Marinho.

A partir da década de 1990, o desenvolvimento tecnológico, o rigor da legislação e o aumento da exigência do público tornaram a sociedade mais atenta a este tipo de conduta. Porém, a imprensa nunca esteve livre de erros. As histórias de Ibsen Pinheiro e da Escola Base são exemplos. A falta de critérios para apuração e seleção do conteúdo destruiu a carreira do ex-senador e acabou com um grupo educacional.

Grupos políticos impõem sua vontade

Em 1998, aconteceu a expansão da internet. A redução do custo dos computadores e o aprimoramento das redes facilitaram o crescimento. A mídia on-line, com interatividade e flexibilidade de acesso e conteúdo, tornou as informações mais fluídas. Algo que acontece do outro lado do mundo ganha espaço no mundo virtual em segundos. Segundo o ministro Franklin Martins, isso obriga os veículos a não sentarem em cima da informação. Como aconteceu com o movimento das "Diretas Já", que foi mostrado pela Globo com uma manifestação que fazia parte das comemorações do aniversário de São Paulo.

Apesar dos recentes avanços com a internet, que permite a participação dos cidadãos por meio da criação de blogs, ainda há presença maciça dos conglomerados de mídia. Em reportagem publicada no Estado de S. Paulo, o diretor do Monde diplomatique, Ignacio Ramonet, disse que os sites campeões de acesso são vinculados a grandes empresas. Para Ramonet, isso só reforça o poder destes grupos dentro da esfera social.

A família Sarney é um exemplo. Eles são donos da TV Mirante, afiliada da Globo; do portal que leva o mesmo nome; também, são proprietários do jornal O Estado do Maranhão e de mais cinco rádios na região metropolitana de São Luiz e outras no interior. Em Minas Gerais, a mídia já mostra uma predileção por Aécio Neves. O neto de Tancredo, que foi o cabeça da chapa presidencial com Sarney, é acionista dos Diários Associados – conforme indica o registro dos candidatos que disputaram a última eleição, disponível no site do Tribunal Superior Eleitoral. O grupo de comunicação tem 15 jornais, oito emissoras de televisão, 12 rádios, nove portais e uma fundação.

O grande irmão, como dizia George Orwell no livro 1984, é um ser quase onipotente que dita como devem ser as pessoas e de que forma elas devem agir. Na mídia, o grande irmão são os grupos políticos que impõem com o cabresto sua vontade. Sob esse fogo cruzado estão os jornalistas. Mal remunerados e sem uma legislação que mantenha um padrão de atuação, os profissionais servem-se unicamente da conduta estabelecida pelo código de ética da Federação, que defende a categoria, e dos padrões adotados por cada veículo.

* Tiago Severino é jornalista, especialista em jornalismo político, professor e escritor.

O olhar vesgo da imprensa

Atenta, como sempre, às oportunidades do jornalismo como espetáculo, a imprensa brasileira dá grande destaque, nas edições de quinta-feira (18/3), à manifestação ocorrida no Rio de Janeiro em protesto contra a emenda do deputado Ibsen Pinheiro, que tenta alterar o sistema de partilha dos recursos da exploração do petróleo.

Os jornais estão prenhes de imagens e declarações, quase unanimemente repercutindo as queixas dos estados em cujas áreas territoriais é feita a extração, mas nenhum deles vai ao que interessa na questão dos royalties.

A análise mais interessante não cativou os editores e nem brotou de uma pergunta inteligente de um repórter. Ela foi dada espontaneamente pelo empresário Oded Grajew, um dos criadores do Instituto Ethos de Responsabilidade Social Empresarial e o principal articulador do movimento Nossa São Paulo.

Baixo IDH

Grajew declarou, inicialmente à rádio CBN, que os debates em torno da riqueza potencial das novas reservas de petróleo estão deslocados do seu eixo mais importante. Discute-se para onde deve ir o dinheiro, quanto cabe a cada estado e a cada município detentor dos direitos segundo a lei; se o dinheiro deve privilegiar ou compensar essas unidades da Federação ou se deve ser repartido igualmente para todos os Estados.

Na opinião de Oded Grajew, que sequer foi suspeitada pelos jornais, a questão principal é: o que fazer com a dinheirama.

O empresário lembra que, até agora, os royalties pago aos municípios que são sede de atividades petrolíferas não serviram a suas populações. Ele observa que os municípios fluminenses de Campos dos Goytacazes e Macaé, duas das principais entradas do petróleo da bacia de Campos, não registraram melhoras significativas nas condições de vida de suas populações desde que o petróleo começou a jorrar.

Segundo dados da ONU, Macaé se encontra na posição 815 no ranking do Índice de Desenvolvimento Humano Municipal no Brasil. Campos dos Goytacazes é o município número 1.818 na lista do IDH-M, com altos índices de analfabetismo e uma renda per capita equivalente à de Nova Iguaçu e inferior à de Nilópolis.

Os jornais passam ao largo dessa questão. Por quê?

Benefícios de longo prazo

A maioria dos principais meios da imprensa brasileira ainda separa a economia do bem-estar social. Orçamentos, faturamentos, receita tributária, Produto Interno Bruto e outros dados sobre a riqueza nacional raramente são cotizados com o que podem ou devem produzir de bem-estar para a população.

No caso dos royalties do petróleo, a observação de Oded Grajew apanha a imprensa de olhos tapados. Por que antes que ele fizesse essa observação nenhum jornal havia proporcionado a seus leitores esse questionamento, que deveria ser a essência de todo o noticiário sobre os recursos financeiros disponíveis? A quem devem beneficiar?

No caso do Rio, centro principal dos protestos dos estados e municípios produtores de petróleo, que se sentem lesados pela emenda do deputado Ibsen Pinheiro, o principal argumento que se apresenta é o da suposta dificuldade que tal emenda, se vier a ser aprovada pelo Senado e aceita pelo Executivo, poderá provocar para o financiamento da Copa do Mundo de 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Muito provavelmente os queixosos têm razão, a se considerar o que diz a Constituição.

A pergunta que nenhum jornalista fez, e que foi respondida assim mesmo pelo empresário Oded Grajew, é: que benefícios de longo prazo as populações desses e de outros estados podem esperar da anunciada riqueza que deve jorrar das reservas do pré-sal?

Reproduzindo o chororô

Os principais jornais do país, aqueles que têm influência nacional, não se tocaram que essa é a questão mais importante porque não possuem, em seu DNA e em sua cultura interna, a sensibilidade para os temas relacionados à questão do desenvolvimento sustentável.

Costumam investir tempo e dinheiro na remodelação gráfica, como fez o Estado de S.Paulo na semana que passou, fazem esforços de cobertura dos grandes eventos, mas não tratam de introduzir em seu sistema de convicções os paradigmas da sustentabilidade.

Aceitar o chororô de governadores e prefeitos que alegam o risco da falência – sem perguntar o que o dinheiro do petróleo tem feito pelo bem-estar de suas populações – é o mesmo que reproduzir os press-releases, os comunicados oficiais dos governantes.

Para isso nem é preciso ser jornalista.

* Luciano Martins Costa é jornalista e colaborador do Observatório da Imprensa.

Televisão na internet apenas muda suporte de distribuição de conteúdos

[Título original: 'Internet é mais banco de dados do que canal']

"Não se vê menos TV. Há mais gente assistindo do que há dez anos, mas em outras telas. A audiência está se diluindo. As coisas vão acontecer em todas as telas -é irrelevante discutir em qual delas", diz Silvio Meira, professor do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco e chefe do Cesar (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife).

Segundo ele, no Brasil, emissoras se confundiram com redes de televisão. Juntaram, assim, duas discussões: o meio internet e TV e os conteúdos.

Há dez anos, a companhia espanhola Telefônica criou no Brasil o Terra TV, que funciona como várias emissoras e exibe séries, jornalismo e esportes.

Como empresa estrangeira, a Telefônica não poderia controlar uma emissora. Mas não há leis para esse serviço na web.

"No início, os detentores de direitos não tinham conhecimento do papel da rede", lembra Paulo Castro, diretor-geral do portal Terra Brasil.

A virada, diz, ocorreu em 2006, "quando a Fifa entendeu que havia espaço para novas mídias e conseguimos licenciar jogos da Copa".

Em 2010, o Terra TV foi alternativa na transmissão dos Jogos de Inverno de Vancouver. Detentora dos direitos da competição para sinal aberto, a Record levou 80 profissionais ao Canadá e transmitiu mais de cem horas de programação para 38,3 milhões de pessoas.

Já o Terra montou equipe de 60 pessoas e contabilizou 8,3 milhões de acessos aos vídeos. Ali, o internauta pôde acompanhar, quando quis, até várias competições ao mesmo tempo.

Para Castro, a internet concorre com a televisão pela atenção do usuário, "mas é mais um banco de dados que um canal".

A democratização da oferta é óbvia. Com o barateamento da tecnologia e facilidades de veiculação, em tese, qualquer um pode ter seu canal. "Mas é uma falácia dizer que a Globo vai competir com amigos que têm uma câmera. A capacidade empresarial será levada para a internet", diz Charo Chalezquer, da Universidade de Navarra.

Porém, mais do que qualidade, os direitos sobre o conteúdo chamam a atenção. O Congresso está longe de abordar o assunto, que se resolve na prática. Exemplo: nesse mês, a MTV notificou o Google para receber por vídeos no YouTube.

Além dessa, outra questão avança pelo subsolo: a rede de banda larga, a qual o governo promete universalizar. Sem infraestrutura, é inócuo falar de novos modelos de negócios ou tendências de consumo.

Em abril, o Executivo deve apresentar um plano nacional, com implementação efetiva em 2011. A meta será chegar a 300 municípios até o final do ano. O objetivo inicial, porém, era concluir o governo Lula com banda larga em 3.200 cidades.

Internet e programação em 3D podem salvar televisão

San Francisco – Até pouco tempo atrás, os televisores estavam destinados a serem varridos pela internet, mas, para satisfação dos fabricantes, é justamente a internet e o sucesso das imagens 3D que permitirão à TV continuar ocupando um lugar de destaque em nossos lares.

Continuaremos assistimos TV, mas de outra forma, opinam agora os analistas.

No mercado americano, já existem inúmeras empresas que oferecem equipamentos para acessar a internet na televisão, o que permite assistir confortavelmente em uma tela grande aos conteúdos que a maioria das redes, como Netflix e Hulu, oferecem legalmente na rede.

Nesta mesma semana, o Google entrava no mundo da nova televisão com um projeto chamado Google TV.

Segundo fontes ligadas ao projeto citadas pelo jornal "The New York Times", o site de buscas se associou com a Sony e com o fabricante de chips informáticos Intel para levar a internet ao salão de nossa casa na nova geração de televisores e adaptadores.

Alguns dos atuais televisores permitem o acesso à internet, mas as opções de sites disponíveis são muito limitadas.

Segundo o "The New York Times", o Google pretende abrir sua plataforma, baseada no sistema operacional Android para celulares, a desenvolvedores de softwares de fora da empresa e fomentar a criação de aplicativos para essa nova forma de acessar a internet, algo ao que já fez com Android e o que a Apple fez com o iPhone.

Se cada vez mais gente acessar a internet através de seus televisores, o Google quer garantir que todos os seus serviços e páginas são acessíveis.

"O Google quer estar em todos os lugares onde há internet para lá colocar seus anúncios", afirma uma pessoa próxima ao projeto e citada pelo diário.

A plataforma, que não foi confirmada ainda por nenhuma das empresas participantes, se basearia nos chips Atom fabricados pela Intel e incluiria a colaboração da Logitech, uma empresa especializada na fabricação de controles remotos, alguns deles com teclado.

Mas, se não conseguirem que todos nós acabemos acessando Orkut, Facebook e Youtube nas telas de nossos televisores, os gigantes da indústria eletrônica têm outra importante carta na manga: o sucesso das imagens em 3D.

As televisões que transmitem imagens em três dimensões custam em torno de US$ 3 mil, requerem o uso de óculos especiais e ainda contam com poucos conteúdos em 3D. No entanto, os analistas preveem um grande sucesso para essa tecnologia. A Sony assegurou, inclusive, que metade dos televisores vendidos dentro de três anos serão 3D.

Todos os grandes fabricantes – Sony, Panasonic, Samsung, LG – já vendem aparelhos 3D no mercado ou planejam disponibilizá-los antes do meio do ano, para chegar a tempo da Copa do Mundo que, pela primeira vez na história, serão transmitidos também em três dimensões.

O êxito do 3D chegou ao mercado pelas mãos do cinema a partir de filmes como "Avatar" e "Era do Gelo 3", mas se espera que o leque de conteúdos para televisão nessa tecnologia abranja no futuro muitos outros gêneros e possa se ampliar também ao mundo dos videogames.

As televisões, portanto, devem transmitir programações em 3D em um futuro não muito distante, mas alguns analistas não descartam que a tecnologia possa ser prejudicial para a visão.

Martin Banks, professor de Oftalmologia da Universidade de Berkeley (Califórnia, EUA), publicou recentemente um estudo sobre o que ele denomina "fadiga do 3D", assegurando que, em muitas ocasiões, ver conteúdos em três dimensões pode provocar dores de cabeça, visão confusa e cansaço.

Segundo Banks, a tecnologia 3D viola as normas de percepção às quais nossos olhos e nosso cérebro estão acostumados e nos obriga a fixar nossa visão simultaneamente nas imagens do fundo e nas mais próximas, o que provoca fadiga visual.

No entanto, conscientes do problema, alguns cineastas realizaram seus filmes levando em conta esse efeito. É o caso de "Avatar", na qual em cada cena o diretor faz com que nossa visão se fixe em apenas um objeto, evitando a fadiga, assegura Banks.

Oi será fornecedora de telecom para Copa no Brasil

A Oi anuncia que se tornou patrocinadora global da Copa do Mundo da Fifa 2014TM no Brasil. Com o acordo, a empresa será fornecedora oficial da FIFA dos serviços de telecomunicações do Mundial de 2014.

“Com o patrocínio à Copa do Mundo da FIFA 2014, a Oi, que é uma empresa brasileira, reforça a relevância crescente do país no cenário econômico mundial e a nossa capacidade, em termos de recursos humanos e materiais, de prestar serviços dentro de um padrão internacional. A Oi tem um compromisso com o Brasil que se traduz não só por meio de investimentos em infraestrutura e serviços de telecom, mas também por seu comprometimento em promover o desenvolvimento humano. O esporte é importante fator de transformação social e por isso a Oi e o Oi Futuro apóiam projetos de formação de atletas, atividades sócioesportivas e grandes eventos”, diz o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco.

“Para a Oi, participar diretamente de um evento esportivo de alcance mundial é um marco, na medida em que equipara a companhia a gigantes internacionais do setor. Ao mesmo tempo em que divulgamos a marca no exterior, vamos contribuir para reforçar a imagem do Brasil como um país comprometido com o desenvolvimento econômico e social e que está equipado com infraestrutura de ponta. ”, acrescenta Falco.

O diretor da Divisão de Marketing da FIFA, Thierry Weil, expressa sua satisfação com a parceria: “Comunicações eficientes e confiáveis são uma parte vital e integral de tudo o que fazemos no mundo moderno, e realizar uma Copa do Mundo sem a ajuda e a expertise de uma grande empresa de telecomunicações seria impensável. Portanto, temos o prazer de anunciar que a Oi se junta à FIFA como patrocinadora global para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil", diz Thierry Weil, diretor da Divisão de Marketing da FIFA.