Defensoria Pública denuncia Datena por discriminação a travestis

Reproduzido do Comunique-se

O apresentador José Luiz Datena pode ser multado em até R$ 48 mil por "prática discriminatória contra travestis". A denúncia foi feita pela Defensoria Pública de São Paulo, que alega que o apresentador usou termos pejorativos para se referir a um travesti.

Datena exibiu no “Brasil Urgente” da Band, no dia 30/04, uma briga envolvendo um transexual, que chegou a empurrar o câmera do programa. Na narração da reportagem, o apresentador se referiu ao agressor como "isso é um travecão safado" e "travecão butinudo do caramba".

Datena se defendeu, e negou ser “homofóbico". "Eu me referi à agressão ao cinegrafista. Não é porque o cara é travesti que pode agredir outra pessoa. E me defenderei nos termos da lei", afirmou, em entrevista à Folha de S. Paulo.

A assessoria de imprensa da Band informou que a empresa ainda não recebeu nenhum documento formal sobre a denúncia e por isso não irá se manifestar no momento.

*com informações da Folha de S. Paulo.

Justiça reconhece legitimidade de gari em processo contra Boris Casoy e Band

A Quarta Câmara Cível do Tribunal de Justiça da Paraíba atendeu recurso interposto pelo agente de limpeza Francinaldo Oliveira dos Santos, que alega ter se ofendido com os comentários do jornalista Boris Casoy sobre o trabalho dos garis. Com a decisão, Francinaldo poderá seguir com o processo contra o apresentador e a TV Bandeirantes. Em fevereiro, a Justiça não havia reconhecido a ação de Santos por entender que era ilegítimo o gari, que não aparecia na reportagem, exigir indenização por direitos coletivos.

No dia 31/12/2009, o “Jornal da Band” exibiu uma matéria em que, entre outros entrevistados, dois garis desejavam feliz ano novo. Sem saber que seu microfone estava ligado, Boris comentou “que m…, dois lixeiros desejando felicidades. Do alto de suas vassouras. Dois lixeiros. O mais baixo da escala do trabalho”. A declaração gerou polêmica e no dia seguinte o apresentador pediu desculpas.

Garis de várias regiões do Brasil resolveram entrar com processos contra Boris, entre eles Francinaldo, da cidade de Campina Grande. O agente de limpeza pede indenização por danos morais, alegando que o comentário “causou-lhe afronta à honra, constrangimentos, tristezas e humilhações, inclusive, que teria atingido também seus familiares”.

Inconformado depois que a Justiça não reconheceu sua legitimidade para mover a ação, o gari interpôs recurso, alegando que busca um direito fundamental. O juiz relator do processo, Flávio Teixeira de Oliveira, “não nega que a pretensão autoral se relacione também com um direito coletivo, mas eleva-se antes de tudo a um direito subjetivo individual, consistente na dignidade da pessoa humana e nos valores sociais do trabalho”.

*com informações do Tribunal de Justiça do Estado da Paraíba.

Banda larga para o sagrado

As religiões querem espalhar a “palavra” e, para isso, todos os meios são válidos. A forma mais comum ainda é o contato direto. Todos os dias, em templos, salas e até nas ruas, homens e mulheres exercitam a oratória para divulgar os preceitos de suas crenças. Entretanto, não só pela necessidade de aumentar o rebanho, mas pela velocidade em repassar as informações, diversas igrejas têm apelado à internet. Hoje, o verbo divino pode ser acessado em sites especializados, cultos on-line e consultas por e-mail.

“A Igreja tem a missão de evangelizar anunciando Jesus Cristo às pessoas. Assim como ela usou através da história vários instrumentos para esse anúncio, também hoje, com as novas situações e ferramentas digitais, estaríamos omissos se não estivéssemos presentes também nesses novos caminhos”, explica dom Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro e presidente da Comissão Episcopal para Cultura, Educação e Comunicação Social da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). A instituição católica é uma das que mantém uma forte relação com a web, difundindo os ensinamentos do Senhor e o trabalho dos sacerdotes.

De acordo com o clérigo, a pregação virtual tem a vantagem de chegar mais facilmente aos não católicos. “Não existe um grupo específico para atingir. Cada responsável por um dos portais recebe acessos daqueles que têm interesse naquele tipo de abordagem. Com a internet, o relacionamento se universalizou e chega mais próximo de pessoas que, talvez, pessoalmente, não teriam como abordar um assunto ou questão”, conta dom Orani.

O braço on-line das igrejas é democrático e seus custos de manutenção, módicos, como observa o pastor José Carlos da Silva, presidente da Convenção Batista Nacional (CBN). “A internet se torna um canal de informação mais rápido para o fiel. Ele não precisa mais esperar até o domingo para conversar sobre as dúvidas. Basta enviar um e-mail para o seu pastor.”

Muitas paróquias aderiram à tecnologia para estreitar a comunicação com o público jovem. A nova geração de pastores já usa o Orkut, o Facebook e outras redes sociais como ferramentas de trabalho. “Muitos usam YouTube para divulgar vídeos dos cultos e blogs, para os textos. Eles querem ser lidos e ouvidos”, explica José Carlos. “Mas, claro, nada substitui a liturgia.”

“Todas as quartas-feiras, temos reuniões para juntar esses jovens que vêm pela primeira vez ao culto. Assim eles fazem novas amizades, conhecem melhor a palavra de Deus e tiram as dúvidas sobre ela”, conta Sílvia Trigo, da Bola de Neve. A igreja evangélica neopentecostal foi fundada no Rio de Janeiro, em 2000, pelo apóstolo Rinaldo Luís de Seixas Pereira. A instituição é famosa por reunir em suas hostes surfistas e artistas de diversos ramos. A pregação, inclusive, é habitualmente realizada em cima de uma prancha de surf.

Canal da fé

O pastor Caio Fábio transformou a internet no seu meio de continuar a difundir o evangelho. Fundador da Visão Nacional de Evangelização (Vinde), ele já havia trabalhado com todos os meios de comunicação disponíveis até se fixar na web. “Uso a rede desde o fim dos anos de 1980 para fins de pesquisa e todas as instituições evangélicas que eu presidi tiveram site. Mas nunca usei nenhum deles. Só fui escrever na internet em 2003 e foi aí que vi que ela era um mural das dores de milhões de pessoas que precisavam de orientação.”
Além do portal, no qual posta suas reflexões, ele mantém a Vem e Vê TV, canal web produzido em sua própria casa, no Lago Norte. Com a ajuda de voluntários, ele transmite três horas de programação diária. “A filosofia da internet é a mesma do evangelho: tudo tem de ser de graça. Se a internet existisse quando eu tinha 18 anos, teria pastoreado milhares de pessoas a mais”, acredita.

O Papa é pop

Bento XVI não se intimidou com as limitações de seus 83 anos e, em 2009, exigiu o lançamento de um canal que o aproximasse da “geração digital”. O site Pope2You (O Papa para você, em tradução livre), além de permitir o envio cartões virtuais aos amigos, mantém links para os recursos interativos do Vaticano, que são:

Facebook – o widget pode ser adicionado ao seu perfil do Facebook, mantendo um fácil acesso aos links do Vaticano. Há também a possibilidade de receber notificações, por e-mail, das novidades;

IPhone – o aplicativo para o celular faz o usuário receber notícias com vídeo, áudio e texto;

YouTube – link para o canal do Vaticano. O usuário/fiel ainda pode assiná-lo e receber notificação sempre que novos vídeos forem postados. O link é o www.pope2you.net.

Ouras ondas

Diversas outras religiões se valem da rede para difundir suas crenças. O site e-Dharma (www.e-dharma.org), por exemplo, é focado nos ensinamentos budistas. O sítio pretende ser uma opção para aqueles que, por algum motivo, não podem frequentar um templo físico. São oferecidos vídeos, arquivos de áudio e textos para reflexão. Os cursos on-line são pagos.

Para os judeus, o Beit Chabad (www.chabad.org.br), site que possui páginas em diversos países do mundo, é uma grande fonte de pesquisa e leitura. É possível aprender o significado de vários rituais, práticas e sacramentos judaicos.Há também uma biblioteca virtual, separada por tópicos, com textos que já foram postados no site, um glossário de palavras e expressões e uma sessão de perguntas e respostas.As crianças também podem interagir, pois há conteúdo exclusivo para elas.

A calúnia golpista da SIP contra o presidente Lula

Os jornais de hoje (17) estampam declaração do presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa, Alejandro Aguirre, afirmando que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva “não pode ser chamado de democrático”. O ataque se estende aos demais países da região que são administrados por partidos de esquerda. Esses governos, de acordo com o dirigente da SIP, “se beneficiam de eleições livres para destruir as instituições democráticas”.

Certamente é importante, para os leitores, conhecer a história dessa entidade antes de julgar a credibilidade das declarações de seu principal dirigente. Fundada nos Estados Unidos em 1946, a SIP teve papel fundamental durante a Guerra Fria. Empenhou-se com afinco a etiquetar como “antidemocráticos” os governos latino-americanos que não se alinhavam com a Casa Branca. Constituiu-se em peça decisiva da guerra psicológica que antecedeu os levantes militares no continente entre os anos 60 e 80.

Orgulha-se de reunir 1,3 mil publicações das Américas, com 40 milhões de leitores. Entre seus membros mais destacados, por exemplo, está o diário chileno El Mercurio, comprometido até a medula com a derrubada do presidente constitucional Salvador Allende, em 1973, e a ditadura do general Augusto Pinochet

Outros jornais filiados são os argentinos La Nación e El Clarín, apoiadores de primeira hora do golpe sanguinário de 1976, liderado por Jorge Videla. Aliás, suspeita-se que a dona desse último periódico recebeu como recompensa um casal de bebês roubado de seus pais desaparecidos.

A lista é interminável. O vetusto diário da família Mesquita, Estado de S.Paulo, também foi militante estridente das fileiras anticonstitucionais, clamando e aplaudindo, em 1964, complô contra o presidente João Goulart. Mas não foi atitude solitária: outros grupos brasileiros de comunicação, quase todos também inscritos na SIP, seguiram a mesma trilha golpista.

Os feitos dessa organização, entretanto, não são registros de um passado longínquo. Ou é possível esquecer a histeria da imprensa venezuelana, em abril de 2002, no apoio ao golpe contra o presidente Hugo Chávez? Naquela oportunidade, a SIP não deixou por menos: a maioria de seus filiados foi cúmplice da subversão oligárquica em Caracas.

Uma trajetória dessas é para deixar até o mais crédulo com as barbas de molho. Qual a autoridade dos dirigentes dessa agremiação para falar em democracia, com sua biografia banhada na lama e no sangue? O que fazem é se aproveitar dos espaços públicos sobre os quais exercem propriedade privada para conspirar, agredir e manipular.

Ainda mais quando apelam à calúnia. A imensa maioria dos veículos de imprensa no Brasil dedica-se à desabusada oposição contra o presidente Lula e seu partido. Nenhuma publicação dessas foi fechada ou censurada por iniciativa de governo. Circulam livremente, apesar de muitos terem atravessado o Rubicão que separa o jornalismo da propaganda política, violando as mais comezinhas regras de equilíbrio editorial.

As palavras do presidente da Sociedade Interamericana de Imprensa, dessa forma, devem ser compreendidas através do código genético de Aguirre e seus pares. Hoje, como antes, atacam os governos progressistas porque desejam sua desestabilização e derrocada. Insatisfeitos com os resultados e as perspectivas eleitorais de aliados políticos, tratam de vitaminá-los com factóides de seu velho arsenal.

A história do presidente Lula, afinal, é de absoluto respeito à Constituição e à democracia. O mesmo não pode ser dito da SIP, cujas impressões digitais estão gravadas na história dos golpes e ditaduras que infelicitaram a América Latina.

*Breno Altman é jornalista e diretor editorial do site Opera Mundi.

Baixar livros na internet é uma das principais formas de acesso à cultura e a publicações pela juven

Desde 1995, quando a world wide web se popularizou, o mundo começou a passar por mudanças comportamentais em uma velocidade cada vez mais crescente. Novos hábitos surgiram para transformar e aproximar sociedades, e uma delas, em particular, a digital, vem se tornando cada vez mais sofisticada e responsável por uma espécie de nova ordem mundial. A comunicação, é claro, está entre as áreas mais atingidas por essas modificações, e se processa a cada dia mais rápida e eficiente. Passados 15 anos, a internet continua a ditar novos hábitos e, agora, está fazendo com que os livros saiam do papel e saltem para a telinha do computador.

Mas isso não significa que eles irão sumir das estantes e da biblioteca — pelo menos por enquanto. “Acreditamos que o livro digital pode universalizar ainda mais a leitura”, disse Rosely Boschini, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL). Segundo ela, a tecnologia deve ser encarada como mais uma alternativa de acesso à leitura, em que o livro digital seja pensado também na sua capacidade de atingir pessoas que convivem com a tecnologia. “O contingente de pessoas com acesso à internet e à tecnologia é grande, principalmente entre os jovens. A entrada do livro digital na vida das pessoas é irreversível”, sentencia.

A cultura digital e suas tecnologias têm permitido a digitalização de imagens, documentos, artigos, entre outros produtos da criação humana. Isso tem crescido de uma forma espantosa nos últimos cinco anos, muito em função do barateamento da tecnologia, que permite a difusão da informação. Além disso, projetos estruturantes de digitalização de acervos povoaram a internet. Com isso, pesquisadores, professores, estudantes e curiosos passaram a ter acesso a obras significativas. Um exemplo dessa preciosa oportunidade é a Biblioteca Brasiliana (1) de Obras Raras da Universidade de São Paulo (USP).

Lá estão disponíveis para baixar em seu micro obras importantes, como a primeira edição de Viagem ao Brasil, o livro do viajante alemão Hans Staden, que esteve duas vezes na recém-descoberta colônia portuguesa, publicado no século 16, na Alemanha e Cultura e opulência no Brasil, de 1711, assinada pelo padre italiano João Antônio Andreoni. Ele foi um dos três jesuítas que acompanharam o padre Antônio Vieira à Bahia, em 1685. O livro é considerado um dos primeiros tratados sobre economia do Brasil colonial — só existem três exemplares no país. “É importante frisar que a tecnologia é ferramenta de conhecimento. Portanto, ela tem capacidade de despertar o interesse de quem não tem hábito pela leitura”, salienta Rosely.

Maiara Cristina da Fonseca, 24 anos, é uma jovem mergulhada na cultura digital. A estudante garante que foi por conta da internet que se interessou pela leitura. Maiara tem um blog que usa como diário e lá coloca seus pensamentos. “As pessoas comentam. Muitas citam frases e textos de autores que me deixam curiosa e fazem com que eu corra atrás de quem os escreveu. Faço a busca e acabo me deparando com as obras do autor. Foi dessa forma que li quase todos os livros de Machado de Assis, pela internet, claro”, relata. Hoje, a jovem costuma baixar, pelo menos, três livros por semana. “Os que não dá, compro nas livrarias digitais. Em dois cliques, o livro tá lá na minha mão (sic). É mais prático, não saio de casa e não contribuo para o desmatamento”, conclui.

Educação

Mesmo com a curiosidade aguçada pela interatividade promovida na internet, a educação ainda é a melhor forma de estimular a leitura. Segundo Pedro Luiz Puntoni, professor de história da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do projeto Biblioteca Brasiliana Digital de Obras Raras da instituição, o professor executa um papel fundamental em termos de estímulo. “É na sala de aula que o aluno adquire o hábito de ler, com o professor provocando discussões, sugerindo leituras para gerar o debate”, analisa.

Foi dessa forma que Morvan Rodrigues, de 31 anos, chegou à leitura digital. Mesmo adepto da internet há 12 anos, foi na sala de aula que o publicitário adquiriu o hábito da leitura digital. “O professor dissecava os textos nas aulas e eu buscava o autor na internet. Como trabalho no computador, isso fez com que eu descobrisse outras obras e baixasse para ler”, conta. Morvan tem cerca de 30 livros em sua biblioteca digital e se diz um entusiasta desse novo hábito. “Nas bibliotecas digitais há milhões de livros on-line que eu posso ler. Um artigo publicado hoje do outro lado do mundo, por exemplo, tenho acesso quase que instantaneamente”, comemora Rodrigues.

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Preciosidades
A Biblioteca Brasiliana de Obras Raras nasceu do espólio do empresário José Mindlin, leitor voraz e apaixonado por literatura. Em uma das salas da biblioteca, que faz parte do sistema USP, os livros são do século 19, todos de literatura brasileira. Lá estão quase todas as primeiras edições das obras de Machado de Assis. Há ainda as primeiras edições dos dois romances mais lidos no século 19: O guarani, de José de Alencar e A moreninha, de Joaquim Manuel de Macedo. Na Biblioteca Brasiliana Digital, o tempo dá um salto: o visitante pode conhecer um robô que lê 2,4 mil páginas por hora.

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Plataforma do saber virtual

Dados da pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, realizada pelo Observatório do Livro e da Leitura, em 2008, mostram que mais de 4,6 milhões de brasileiros já liam livros digitais na época. O levantamento também indicou que 7 milhões de pessoas têm o costume de baixar livros gratuitamente pela internet no Brasil. “Com o desenvolvimento dessas novas tecnologias, não tem muito como escapar desses novos suportes de leitura. Boa parte da juventude de hoje lê mais pelo computador”, constata Puntoni.

O professor afirma que a cultura digital democratiza e difunde a informação, principalmente o livro. De acordo com ele, o suporte da leitura por meio dos livros é um fato muito recente na história do mundo. “Antes o livro era um objeto pouco difundido, no qual só a elite tinha acesso; na idade média só os monges. A difusão da leitura faz com que o acesso se dê em outras plataformas. Não acho que a gente deva ter uma postura conservadora e dizer: ‘não, o livro é o único objeto para praticar a leitura’. A internet vem para somar, não competir”, defende.

Glênia Duarte, de 46 anos, faz coro com Puntoni. A cenógrafa se tornou adepta à leitura digital há dois anos, porém, não largou o hábito de comprar livros no formato tradicional. “Não abro mão de livros na minha estante. Adoro tê-los por perto para folhear, mas a internet me abriu um mundo na leitura infinito, em que espaço físico não é problema”, diz. “Para mim, uma coisa não anula a outra. As duas têm seus valores bem distintos, cabe avaliarmos o que é melhor para nós”, analisa.

Sociedade cibernética

Para a presidente da CBL, o mundo digital está sendo universalizado. “É impossível hoje o desenvolvimento da sociedade sem tecnologia”, afirma Boschini. Segundo ela, o livro, a leitura e a produção literária devem estar dentro desse contexto. Afinal, são instrumentos importantes de educação e cultura. “Acreditamos que o livro impresso tem atração física, é bastante arraigado na nossa cultura e, por conta disso, continuará existindo. No futuro, o que acontecerá é a convivência harmoniosa de mídias”, prevê.

Puntoni acha que daqui há um século, o livro será comparado a uma obra-prima, como a Monalisa, de Leonardo Da Vinci. “Se em 15 anos a internet promoveu tanta mudança cultural, imagine em 100 anos”, indaga. Puntoni acredita que no próximo século os nossos descendentes vão olhar para trás e dizer : ‘aquele povo derrubava árvore para produzir livro, que loucos’! Ele afirma, porém, que as pessoas vão continuar admirando os livros físicos por conta do significado que eles têm como instrumento fundamental para a construção da cultura ocidental.

Se depender de Arthur Tadeu Curado, 31 anos, o livro jamais acabará. O ator é avesso à leitura digital. “Já tentei, não funciona. Sou um leitor à moda antiga”, afirma. Para ele, o ato de ler está relacionado com o lazer .“Para mim, é importante ter o livro físico, escolher e tocar a capa, ir a uma livraria e ficar horas até escolher um exemplar. Tudo faz parte de um ritual que também é lazer”, ressalta.