Conselho de Comunicação é tema de debate

Redação – Coletiva.net

Conselho de Desenvolvimento Econômico e Social (CDES-RS) vai debater nesta sexta-feira, 21, na Câmara Temática Cultura e Comunicação, a possibilidade de criar o Conselho Estadual de Comunicação. O debate será feito no encontro Diálogos CDES, às 8h30, com a presença de entidades e empresas da área, além da sociedade interessada em aprofundar o assunto. Os conselheiros apresentarão uma proposta de composição, finalidade e funcionamento do grupo no auditório do BRDE (Rua Uruguai, 155 – 8º andar – Centro).

Para o presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Celso Schröder, os conselhos são importantes instrumentos para a democratização da mídia. O secretário-executivo do CDES-RS, Marcelo Danéris, destaca a importância da participação da sociedade nos temas em análise no Conselhão para contar com todas as contribuições sobre os assuntos em pauta.

Os Diálogos CDES são debates abertos à participação da sociedade civil e têm o objetivo de promover a escuta e a troca de ideias sobre temas relativos ao desenvolvimento econômico e social do Rio Grande do Sul.

Ex-secretário de Lula pode presidir EBC

Redação – O Globo

O jornalista Nelson Breve, que foi secretário de Imprensa do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, deverá ser o novo presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), responsável pela rede pública de comunicação, incluindo a TV Brasil. Breve é o atual superintendente de comunicação multimídia da EBC e tem o aval do ex-ministro de Comunicação Social Franklin Martins, idealizador da empresa nos moldes atuais. O mandato da atual presidente, jornalista Tereza Cruvinel, se encerra em dia 31 de outubro.

Tereza já deu sinais de que não está disposta a continuar na presidência da EBC, cargo que ocupa desde 2007. Em reunião com a presidente Dilma Rousseff e com a ministra de Comunicação Social, há cerca de um mês, defendeu a renovação da direção da empresa. Mas Dilma argumentou que ela reúne as condições para permanecer no cargo e pediu que reconsiderasse sua posição. Nova reunião das duas deve ocorrer dia 24.

Há, no entanto, contrariedade de parte dos 22 membros do Conselho Curador da EBC com uma recondução de Tereza ao posto. Em agosto, parte do conselho tentou lançar candidato próprio – o professor da Universidade de Brasília Murilo Ramos Filho -, mas o movimento não foi adiante, por falta de unanimidade em torno do nome.

Teles vão assumir controle de TVs a cabo

Redação – Folha de S. Paulo

Organizações Globo pediram autorização à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) para transferir o controle acionário da Net Serviços –maior operadora de TV a cabo do país– ao grupo Telmex, do empresário mexicano Carlos Slim, informa reportagem de Elvira Lobato na Folha desta terça-feira.

Igual passo foi dado pelo grupo Abril, que solicitou anuência da agência reguladora para transferir ao grupo espanhol Telefônica o controle acionário de suas empresas de TV a cabo nas cidades de São Paulo, Curitiba e Foz do Iguaçu (PR), que operam com a marca TVA.

A família Marinho, proprietária das Organizações Globo, permanecerá na Net, como minoritária. Já a família Civita (proprietária do grupo Abril) decidiu se afastar em definitivo do negócio.

A troca de controle da TVA e da Net era aguardada, em razão da assinatura da lei 12.485 (em 12 de setembro), que liberou a entrada das companhias telefônicas no mercado de TV a cabo e derrubou a obrigatoriedade de controle de capital nacional nessas operações.

Mídia, regulação e democracia

Há temas malditos na mídia. Um dos mais, a regulação da mídia. Ou a democratização da mídia. Há uma óbvia interdição do debate. Seja pelo silêncio, que fala muito, seja pelo estardalhaço, quando os grandes meios sentem ameaças rondando seus privilégios. A qualquer movimento da sociedade, que pretenda circunscrevê-los ao Estado de Direito, submetê-los às regras democráticas, eles saltam como se fossem amantes da liberdade, e avessos a quaisquer autoritarismos. Como se regulação democrática combinasse com restrições antidemocráticas. Como se no resto do mundo democrático a regulação fosse exceção, e não regra, como de fato é.

Esse tema maldito é o assunto do professor, sociólogo e jornalista Venício Artur de Lima em seu livro Regulação das Comunicações – História, Poder e Direitos. Venício é dessa espécie de intelectual que começa a rarear – não sei se o denomino engajado, que me parece um termo muito antigo, ou se o chamo de intelectual orgânico, talvez uma conceituação mais acertada, até por suas evidentes aproximações gramscianas, de onde provém o conceito. Poderia ainda recorrer a outro dito de Gramsci – pessimismo da inteligência, otimismo da vontade – para aproximar-me de sua posição diante do mundo.

Se alguém conversar com ele, e se ler o livro, observará sempre essa atitude. Rigoroso no diagnóstico, ele não para nele. Desdobra seu raciocínio na linha da intervenção política, a política pensada em sentido amplo. Não embarca no território das perplexidades, do lamento diante das dificuldades. Quer enfrentar os desafios, e sabe que só podem ser enfrentados pela política, pelo movimento da sociedade. Não há correlação de forças imutável. Pode ser mudada se a sociedade se movimenta. Parece ser sempre esse o raciocínio dele. E esse livro segue o mesmo caminho, persegue essa filosofia, digamos assim. Chamá-lo de um livro militante poderia parecer agressivo num tempo em que a palavra anda meio em desuso. Mas ouso fazê-lo, no sentido de que trabalha, teórica e praticamente, a favor da regulação da mídia, sempre fundado em argumentos sólidos.

Venício nunca se esconde sob o manto da imparcialidade, que, costumo dizer, deve ser apanágio dos deuses. Toma posição, sempre. E nesse livro toma a posição explícita de defender a importância da regulação da mídia como requisito essencial para a afirmação da democracia no Brasil. Há um óbvio déficit democrático no campo da mídia no país. Estamos atrasados em relação ao mundo, inclusive aos nossos parceiros mais próximos da América Latina, como a Argentina, que muito recentemente aprovou a Lei de Meios Audiovisuais, que regulou democraticamente os meios de comunicação, e o fez nos marcos do Estado de Direito.

Propriedade cruzada

História. Poder. Direitos. São os títulos que marcam a divisão das três partes do livro. Na primeira, o autor analisa o governo Lula e a política de comunicações, o tratamento do tema na Constituinte de 1988 e, ainda, alguns casos exemplares na relação entre a imprensa e o poder político. Considera que o governo Lula não foi capaz de pôr em prática a maioria das políticas públicas que a sociedade civil – ou “não atores” – avaliava como avanços no processo de democratização. No entanto, reconhece alguns, como a criação da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), a realização da 1ª Conferência Nacional de Comunicação, o lançamento do Plano Nacional de Banda Larga e a regionalização das verbas de publicidade oficial.

Na segunda parte, trata das concessões de rádio e TV (serviço público versus interesse privado), do princípio da complementaridade, do coronelismo eletrônico de novo tipo, da relação entre a grande mídia e a nova mídia na política brasileira e, por último, da incapacidade do Estado brasileiro de disseminar informações corretas face ao sistema privado de comunicação quando se trata, por exemplo, de um surto como o da febre amarela silvestre em 2007-2008. Destaco aqui o capítulo sobre o princípio da complementaridade entre o sistema privado, público e estatal, previsto na Constituição (artigo 223), tão pouco observado nas discussões sobre a mídia no Brasil.

Não custa lembrar que a Constituição de 1988 é bastante avançada no capítulo da Comunicação. No entanto, como praticamente nada foi regulamentado, termina por ser letra morta. Ao menos até o momento em que um novo marco regulatório se imponha. Ao final do governo Lula, o então ministro Franklin Martins fez avançar um anteprojeto de marco regulatório, hoje nas mãos do ministro Paulo Bernardo, que prometeu enviá-lo ao Congresso logo que a presidenta Dilma o examine. Ainda não sabemos quando isso ocorrerá. Tal marco é a esperança dos que lutam pela democratização da mídia no Brasil.

Na terceira e última parte, Venício Lima trata de comunicação, poder e cidadania; do direito à comunicação, cuja alternativa seria a pluralidade, e do direito à comunicação no III Programa Nacional de Direitos Humanos (III PNDH), em que analisa a posição dos grupos de mídia e a liberdade de expressão. Destaco aqui a pergunta feita por ele, ao final do livro, sobre quem ameaça quem. Será o III PNDH que ameaça a liberdade de expressão e os grupos dominantes da mídia? Ou a ameaça viria desses grupos dominantes que não aceitam nem os dispositivos constitucionais referentes ao tema e consideram o direito à comunicação uma afronta a seus interesses, e por isso atacam qualquer tentativa de regulamentação?

Venício considera, acertadamente – e com essas formulações finaliza seu belo trabalho –, que o direito à comunicação significa hoje, além do direito à informação, garantir a circulação da diversidade e da pluralidade de ideias existentes na sociedade, a universalidade da liberdade de expressão individual. Tal garantia deve ser buscada “externamente”, através da regulação do mercado (sem propriedade cruzada e sem oligopólios, dando prioridade à complementaridade do sistema público, privado e estatal). E também “internamente” à mídia, pelo cumprimento dos Manuais de Redação que prometem (mas não praticam) a imparcialidade e a objetividade jornalística.

Ferramenta teórica

“E tem também que ser buscada na garantia do direito de resposta como interesse difuso, no direito de antena e no acesso universal à internet, explorando suas imensas possibilidades de quebra da unidirecionalidade da mídia tradicional pela interatividade da comunicação dialógica.”

Digo sem medo de errar: os que se interessam pela democracia em seu sentido substantivo, os que se preocupam com a natureza concentrada da mídia no Brasil, os que esperam aprofundar os caminhos pelos quais se deva transitar para combater o monopólio do discurso jornalístico, os professores e estudantes de comunicação, parlamentares devem ler o livro de Venício. É uma leitura indispensável. Como ferramenta teórica. Como instrumento dessa luta – que é política.

Debate sobre mídia e MST chega a mais municípios do interior do Ceará

Seguindo a política de levar o debate para o interior do país, o relatório “Vozes Silenciadas – A Cobertura da Mídia sobre o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra durante a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito” foi lançado na região do Cariri, sul do Ceará, no último fim-de-semana.

Um dos lançamentos foi feito pela professora Mônica Mourão, integrante do Coletivo Intervozes, no dia 14 pela manhã, na Universidade Regional do Cariri (Urca), na cidade do Crato. O momento reuniu estudantes e professores de Geografia e Ciências Sociais. No mesmo dia à noite, foi realizado um debate no campus da Universidade Federal do Ceará (UFC) no Cariri, no município de Juazeiro do Norte. Dessa vez, participaram estudantes e professores de Comunicação Social, Filosofia, Agronomia e Medicina.

O lançamento na UFC Cariri contou com a presença de Mônica Mourão e Flávio Barbosa, representante da coordenação estadual do MST. Ele contextualizou a CPMI do MST, lembrou outros momentos em que o Movimento foi alvo de investigações e apontou o panorama político em que o MST se insere. Mônica mostrou os principais dados do relatório e discutiu a cobertura da mídia sobre movimentos sociais.