Aperipê: quem não se comunica se trumbica

O internauta que acessar o site da Fundação Aperipê irá se deparar com uma situação, no mínimo, esquisita. A notícia mais recente na página da FUNDAP é do dia 13 de outubro, há quase um mês, e tem o seguinte título “contagem regressiva para o Sescanção”. O Sescanção (Festival Sergipano de Música) aconteceu no dia 25 de outubro e, de lá pra cá, nada de novo no site da nossa Aperipê nem sobre o Festival nem sobre qualquer outra coisa.

Outro fato que chama a atenção é que o site da FUNDAP saiu do “.se.gov.br” e passou para o “.com.br”, sem qualquer explicação.

Por si só, estes “problemas de comunicação” da Aperipê com a população preocupam os interessados nos rumos da comunicação pública de Sergipe.

Porém, o buraco é mais em cima. Os problemas no site da FUNDAP são apenas reflexos de um verdadeiro processo de desmonte que atravessa a Aperipê. Eis outros fatos:

Servidores com quase 30 anos de dedicação e empenho à Fundação não possuem um Plano de Cargos e Salários que lhes dê remunerações e condições dignas de trabalho. Estes mesmos servidores, constantemente, reclamam da falta de aperfeiçoamento às novas tecnologias. Uma comissão governamental está elaborando o Plano de Cargos dos servidores estaduais. É preciso que esta comissão escute os trabalhadores e dê agilidade nos trabalhos.

Outro problema grave na Aperipê é o alto numero de cargos comissionados e os contratos irregulares de estágios. Tem estagiário trabalhando sem qualquer coordenação, alguns exercendo um papel similar ao de chefia. E o pior,  não há nenhuma sinalização do Governo no sentido de realizar um concurso público que organize, regularize e amplie o quadro de funcionários efetivos da Fundação.

Os telespectadores e ouvintes da TV e Rádios AM e FM, vez ou outra, se deparam com ingerências governamentais na programação, com transmissão de boletins ou ações governamentais em detrimento do conteúdo oficial. Quem não se lembra da transmissão ao vivo da inauguração do estádio Francão em Estância em substituição a um programa jornalístico da TV Brasil?

Quando o assunto é financiamento, percebe-se que a Aperipê vive refém dos recursos do Governo do Estado, via Secretaria de Educação. Este é outro fator grave, pois coloca a FUNDAP num eterno estado de instabilidade financeira a cada mudança de Governo. Em estados como Pernambuco e Rio Grande do Sul, as empresas públicas de comunicação buscam outras formas de arrecadação de recursos para garantir a sua autonomia e sustentabilidade financeira.

Com um Conselho Deliberativo sem participação social e formado por ampla maioria de secretários de estado, a Aperipê caminha na contramão no que diz respeito à administração. O Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação, mesmo não sendo o ideal, é prova de que as gestões das empresas públicas de comunicação devem ser democráticas, com ampla participação social nas tomadas de decisões.

É urgente uma mudança de postura da Superintendência da Fundação Aperipê, da Secretaria de Educação (órgão ao qual está vinculado à FUNDAP), e o conjunto do Governo do Estado de Sergipe para fortalecer o caráter público da Fundação. O primeiro passo pode ser promovendo o diálogo com a sociedade sergipana, que tem muito a falar e propor sobre a Aperipê.

Afinal, como já dizia o Velho Guerreiro Chacrinha, “quem não se comunica, se trumbica”.

Ana Carolina Westrup e Paulo Victor Melo são integrantes do Intervozes e do Fórum Sergipano pelo Direito à Comunicação

Governo e Anatel não sabem se Internet ‘popular’ terá meta de qualidade

Apesar da aprovação dos novos regulamentos sobre qualidade do acesso à Internet pela Anatel, fica claro que tanto o governo quanto a própria agência ainda estão inseguros quanto à aplicação das normas sobre o serviço prestado com base nos termos de compromisso assinados pelo Ministério das Comunicações com a teles para a oferta do Plano Nacional de Banda Larga.

“Acho que se aplica, mas de fato os regulamentos da Anatel não fazem menção aos termos de compromisso. Mas entendo que não podemos transformar os consumidores da banda larga popular em consumidores de segunda categoria”, afirmou o ministro Paulo Bernardo, que nesta segunda-feira, 07, participou da cerimônia de posse de João Rezende no comando da Anatel.

E o novo presidente da agência reguladora também revela incerteza sobre a abrangência das regras de qualidade e chega a sugerir a necessidade de adequações nos próprios termos assinados com as operadoras – ou a edição de uma súmula pela agência com o objetivo de esclarecer a questão.

“Não discuti isso com o jurídico, mas entendo que [o regulamento] valha [para os termos]. Se precisar, podemos rever os termos de compromisso ou editar uma súmula com a interpretação da Anatel sobre isso”, afirmou Rezende, logo após tomar posse.

A dúvida vem sendo levantada no setor de telecomunicações, tendo em vista que os termos de compromisso foram assinados diretamente entre as empresas e o Ministério das Comunicações. Nessa tese jurídica, tais documentos teriam mais força do que os regulamentos expedidos pela Anatel que tratam da qualidade nas conexões.

Pelas regras, tanto os acessos fixos quanto móveis precisarão respeitar – a partir de 1º de novembro de 2012 – percentuais mínimos de qualidade. Ou seja, ao oferecer o serviço, os provedores terão que garantir, em média, 60% da velocidade contratada. Portanto, se o consumidor adquirir um serviço de 1Mbps, a velocidade média não pode ser menor que 600kbps.

É uma mudança sensível diante da prática atual de mercado de garantir somente 10% da velocidade contratada. Para fazer jus a essas regras, porém, é provável que os consumidores tenham que assinar novos contratos a partir da vigência dos novos regulamentos. E resta a dúvida sobre o alcance dessas metas sobre os termos de compromisso.

Os termos são fruto de um acordo entre governo e teles e substituíram metas previstas pela Anatel para a implantação e ampliação da infraestrutura de redes. No lugar daquelas metas, as empresas se comprometeram a oferecer acessos de 1Mbps por R$ 35.

O modelo prevê, porém, limites para downloads (no máximo 350MB, em conexões fixas, e 150MB, nas móveis), a partir dos quais aquela velocidade de 1Mbps pode ser reduzida – sem que o tamanho da redução tenha sido definido. Na prática, as operadoras podem baixar a velocidade para 64kbps (velocidade da conexão ‘discada’) ou mesmo abaixo disso. Já existem contratos que prevêem reduções para ínfimos 16kbps.

João Rezende assume o comando da Anatel

Luciene Cruz – Agência Brasil

O conselheiro João Rezende assumiu hoje (7) a presidência da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). O mandato vai até novembro de 2013. Rezende substitui Ronaldo Sardenberg, que era titular da pasta desde 2007. Em discurso, defendeu que as reuniões semanais do conselho diretor sejam transmitidas ao vivo, com o objetivo de dar mais transparência às decisões do colegiado. "Espero que possamos transmitir ao vivo as reuniões do conselho diretor. Adaptações terão que ser feitas, até na forma de trabalhar", disse ele.

Como membro do Conselho Diretor da Anatel desde 2009, Rezende assume o comando da agência reguladora sabendo das dificuldades e dos desafios que o setor enfrenta. Mas avisa que, apesar das demandas das empresas, “os direitos dos consumidores devem ser garantidos e ampliados”. Entre as prioridades do novo presidente está a definição do Plano Geral de Metas da Competição.

O ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, que participou da solenidade de posse, disse que a melhoria da qualidade dos serviços prestados pelas operadoras é uma das prioridades do governo federal. “Nós devemos priorizar, dar ênfase maior nas metas de cobertura, qualidade e prazos para implementação de serviços. Achamos que não devemos dar ênfase exclusiva na questão de arrecadação”, comentou ele.

 

Proposta da Ancine de regulamento do SeAC vai à consulta pública em dezembro

Lúcia Berbert – Tele Síntese

O presidente da Agência Nacional de Cinema (Ancine), Manoel Rangel, disse nessa segunda-feira (7) que a proposta de regulamento à lei do SeAC (Serviço de Acesso Condicionado) irá a consulta pública em dezembro. Ele assegurou que os critérios de credenciamento das operadoras e de fiscalização das cotas de programação nacional da TV paga não irão além do que determina a lei 12.485/2011.

O SeAC é o único serviço regulamentado por duas agências. À Anatel caberá regulamentar toda a parte técnica da oferta de TV por assinatura. A proposta já está avançada e deve ser colocada em consulta pública também no final de dezembro.

Rangel destacou que, apesar de distintos, os regulamentos serão convergentes e complementares. Ele assegurou que a Ancine não interferirá nos conteúdos produzidos.

Datena e Band são condenados a indenizar cidadão ateu

Redação – Portal Sul 21

No último dia 12 de setembro, a juíza Márcia Rezende Barbosa de Oliveira, da 3ª Vara Cível de Taubaté, condenou a TV Bandeirantes e o apresentador José Luis Datena a indenizarem Sisenando Calixto em R$ 10 mil. Calixto é ateu e se sentiu ofendido por declarações de Datena no programa Brasil Urgente, da TV Bandeirantes, no dia 27 de julho de 2010. No programa, o apresentador dedica vários minutos ligando crimes hediondos ao ateísmo. Os réus recorreram no mês de outubro e o recurso de apelação ainda não foi julgado.

O autor da ação, que faz parte do conselho jurídico da Liga Humanista Secular do Brasil, chegou a propor acordo à emissora e ao apresentador. Ele retiraria a ação se fosse lida uma retratação aos ateus no programa. O acordo não foi aceito.

A Bandeirantes tentou se isentar das declarações do apresentador. Os réus também tentaram dizer que o autor da ação não podia ser indenizado porque as declarações eram genéricas. Para a juíza de primeira instância, restou provado que o autor era ateu, pelo depoimento de várias testemunhas e ela também rechaçou que as declarações do apresentador pudesse ser apenas uma crítica.

“Não há como qualificá-las como mera crítica, porque não expressam juízo fundamentado, cuidando-se de ofensas gratuitas (…). Elas se apoiam exclusivamente num pensamento preconceituoso”, disse. E ressaltou que a conduta de Datena não estava amparado no direito à liberdade de informação porque as declarações externaram apenas “opinião pessoal, preconceituosa e ofensiva, sem caráter informativo”.

Ela também rechaçou a tentativa da emissora de se eximir da conduta de seu empregado. A juíza afirmou que a Bandeirantes forneceu subsídios para que fosse feita inclusive uma enquete, que perguntava se o telespectador acreditava ou não em Deus, que, segundo Datena, serviria para provar “que o bem é maioria”. Além disto, anotou a juíza, a emissora não esclareceu aos espectadores que se tratavam de “afirmações absurdas”.

Com informações do blog Bule Voador