Band e RedeTV vão à Justiça pela multiprogramação

Com o interesse manifesto de virem a oferecer multiprogramação na TV Digital, a Band e a RedeTV, por meio da Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra), entidade que representa as duas emissoras, ingressaram no Superior Tribunal de Justiça (STJ), nesta segunda-feira (6), com ação onde pedem que seja suspensa a restrição às emissoras comerciais de utilizarem o Sistema Brasileiro de TV Digital para oferecerem mais de um canal aos telespectadores.

A ação é, na prática, um pedido de tutela antecipada para que sejam suspensos os efeitos do artigo 10.3 da Portaria 24/2009, do Ministério das Comunicações, que trata da Norma Geral para Execução dos Serviços de Televisão Pública Digital.

O artigo questionado – último do texto – limita a multiprogramação às TVs públicas, ao definir que "a multiprogramação somente poderá ser realizada nos canais a que se refere o art. 12 do Decreto no 5.820, de 29 de junho de 2006 [trata dos quatro canais digitais a serem explorados diretamente pela União], consignados a órgãos e entidade integrantes dos poderes da União". Para a Abra, o tratamento não pode ser diferenciado.

"O próprio ministro das Comunicações declarou que não era contra a multiprogramação. Esperávamos que ele modificasse a portaria ou, como prometeu, que encaminhasse o assunto ao Congresso Nacional. Como nada disso aconteceu, entramos com a ação", justifica o vice-presidente da Abra, Frederico Nogueira, em entrevista ao Convergência Digital.

O executivo sustenta que durante a escolha do padrão de TV Digital, a opção daquele com maior poder de compactação – o MPEG4, do padrão japonês, e não MPEG2, usado na Europa e nos Estados Unidos – foi fortemente influenciada pela possibilidade de as emissoras usarem a ferramenta para oferecerem multiprogramação.

Segundo Nogueira, apesar da ação ser da Abra, entidade que congrega Band e RedeTV, há outros interessados em oferecer mais de um canal. "O presidente da Record já disse que tem interesse, a MTV também, assim como a TV Gazeta. A própria Globo diz que quer gerar uma programação diferenciada no oneseg (TV Digital no celular), mas isso também não será possível da maneira como está colocado", lamenta o vice-presidente da Abra.

O Ministro das Comunicações, Hélio Costa, já declarou que há temores jurídicos de se permitir a multiprogramação pelas emissoras comerciais, pois a lei impediria uma mesma concessionária de gerar dois sinais em uma mesma localidade. Para Nogueira, no entanto, esta restrição não existe. “Não concordamos com essa avaliação e entendemos que não há amparo legal para isso", afirma.

Costa prometeu que o Ministério das Comunicações teria uma regra específica para as emissoras comerciais pouco tempo depois de publicado o decreto que definiu a multiprogramação para as TVs públicas. Depois voltou atrás e adiou o tema, alegando que ele seria discutido em profundidade durante a Conferência Nacional de Comunicação, pré-agendada para acontecer em dezembro. Isso porque o governo quer maturar um pouco mais o debate. Até lá, as TVs públicas estão liberadas para fazer a multiprogramação.

Outro argumento utilizado contra a multiprogramação nas TVs comerciais é o receio de que os canais sejam 'alugados' a terceiros. Para Nogueira, da Abra, essa questão poderia ser facilmente superada com regras específicas. "Se for assim, que se ponha a proibição com regras, mas não ao ponto de limitar a multiprogramação", sustentou.

Câmara pode enterrar versão aprovada no Senado

[Títutlo original: Crimes Cibernéticos: Projeto Eduardo Azeredo será 'enterrado' na Câmara ]

O projeto de lei sobre crimes cibernéticos, que tramita há 10 anos no Congresso Nacional, deve ser 'sepultado' na próxima semana. A dificuldade para se chegar a um acordo, aos poucos, vem eliminando artigos da proposta e, como resultado, quase nada restou do substitutivo aprovado pelo Senado.

"Sobrou alguma coisa que valha a pena apresentar em um projeto? Esse é o ponto que vamos definir até a próxima semana. Não dá para saber se vamos colocar em votação o projeto do senador Eduardo Azeredo", reconheceu o relator da proposta na Comissão de Ciência e Tecnologia da Câmara, Julio Semeghini (PSDB-SP).

Nesta quarta-feira (1), uma longa reunião tentou reduzir as divergências em relação ao texto e, de fato, ao fim de cinco horas, foram firmados alguns consensos. O problema é que essa ação implicou na retirada de praticamente todos os dispositivos previstos no PL 84/99.

Já é certo que sairão do projeto os artigos que tratam da obrigação dos provedores de denunciarem atividades suspeitas e a tipificação de crimes como acesso indevido e a disseminação de código malicioso. Assim, o acordo caminha para levar a um novo projeto de lei os crimes de invasão de redes, destruição de dados, furto de informações (como senhas), etc. Também será modificada a competência da Polícia Federal para investigar esses crimes.

"Só não houve acordo na questão da guarda dos logs de acesso", disse o deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que também participou, junto com Semeghini, da reunião desta quarta-feira com representantes da Academia, associação de provedores, Polícia Federal, Ministério da Justiça e Casa Civil, além da Fundação Getúlio Vargas. Essa única pendência, porém, se deve à disposição de Semeghini em retirar os pontos mais polêmicos da proposta, de forma a viabilizar uma lei que seja aprovada pelos parlamentares.

No caso dos logs de acesso – que, na verdade, são melhor explicados como o controle do IP, de forma a ficar registrado quem acessou o que e a que horas – a atual divergência está em tratar o assunto numa legislação criminal, como está, agora,em discussão, ou levar o tema para uma lei civil. "Vamos aproveitar o que é consensual numa nova legislação. E a questão da guarda de logs deve receber um tratamento civil e não penal", emenda Teixeira.

O relator Júlio Semeghini ainda gostaria de ver uma legislação que garantisse alguma forma de identificação de criminosos que se valem da internet para praticar delitos. O parlamentar entende que a guarda dos logs de acesso é um dado importante para evitar que os cibercriminosos fiquem impunes. O difícil, no entanto, é chegar a um texto com suficiente apoio para, efetivamente, vir a ser aprovado, uma vez que o governo se mostra temeroso sobre esse ponto. Tanto que até o presidente Lula voltou, na semana passada, a disparar contra o projeto.

Assim, depois de uma longa tramitação nas duas Casas legislativas, o polêmico projeto, especialmente a partir do substitutivo apresentado pelo senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG)- deve ser descartado. Afinal um dos acertos é a elaboração de um novo projeto, previsto para ser apresentado em agosto, depois do recesso parlamentar. Resta, somente, encontrar, agora, uma solução para um embaraço político: Convencer Azeredo a desistir do projeto, que definha na Câmara.

Usado para pagar dívida, Fistel é questionado na Justiça por teles

[Título original: Operadoras x Governo: Cobrança do Fistel vira embate judicial]

A decisão do governo de utilizar boa parte dos recursos arrecadados no setor de Telecomunicações para o superávit primário está, oficialmente, sendo questionada pelas prestadoras de serviços. A primeira batalha, no entanto, foi perdida na 8ª Vara de Justiça Federal, em Brasília.

Através do SindTelebrasil, as teles tentaram um mandado de segurança contra a cobrança do Fistel – taxa de fiscalização de Telecomunicações – que de janeiro a abril deste ano, já arrecadou R$ 2,128.733.690,55 para os cofres públicos, sendo que apenas 0,28% – R$ 5.871.527,44, segundo dados da ação, foi destinado à sua finalidade: Fiscalização por parte da Anatel [Agência Nacional de Telecomunicações].

O juiz Tales Queiroz rejeitou o pedido de liminar sob a justificativa que não havia prova de inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança do imposto. O resultado da rejeição de liminar foi conhecido na última sexta-feira (3). A briga das operadoras com o governo é em função da elevada alta carga tributária imposta ao setor.

Segundo dados apresentados para a Justiça pelo SindTelebrasil, de 2004 a 2009 (janeiro a abril) as prestadoras de serviços apenas no Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel) pagaram o montante de R$ 11.126.135.526.52, sendo que apenas 1,39% desse total foi destinado para a sua real função na agência reguladora do setor – R$ 154.610.197,07. Todo o restante foi destinado ao superávit primário do governo.

As teles questionam que se menos de 2% dos recursos são destinados para a Anatel, há 'uma exigência desnecessária de recursos'. Ainda segundo a justificativa do SindTelebrasil para a ação está o fato de no Orçamento da Anatel para 2009 já há uma previsão de contigenciamento de recursos de R$ 3.475.151.711,00. Enquanto apenas R$ 75.236.872,00 estão direcionados para a fiscalização do setor. 

O juiz Tales Kraus Queiroz, da 8ª Vara do Distrito Federal, porém, não teve esse entendimento e não concedeu a liminar interposta pelo Sindicato porque considerou que não havia provas de 'inconstitucionalidade e ilegalidade da cobrança'. As teles, agora, também através do SindTelebrasil, vão recorrer ao Tribunal Regional Federal.

Deputado diz que governo do Maranhão privilegia jornal da família Sarney

O deputado estadual do Maranhão Edivaldo Holanda afirmou, na última quinta-feira (2), que o governo do estado privilegia o jornal O Estado do Maranhão nos repasses de publicidade oficial. Para o deputado, o agravante no caso é que o veículo é de propriedade da família da governadora, Roseana Sarney.

“A governadora paga de um lado do balcão, entra para o lado de lá, e ela mesma recebe esse recurso e ainda discrimina todos os demais veículos de comunicação da nossa cidade. Isto é uma vergonha”, declarou Holanda.

Como medida para coibir tal ação, o deputado adiantou que irá apresentar, na próxima segunda-feira (6), um requerimento solicitado ao Poder Executivo informações sobre as regras para a distribuição das verbas de publicidade do governo, mais especificamente sobre os editais.

“Qual critério de escolha dos veículos para a publicação de editais? Há processo de licitação para selecionar empresas de publicidade? Em caso positivo, qual a empresa vencedora e qual o valor do contrato?”, questionou.

A assessoria do governo do Maranhão informa que as declarações do deputado são inverídicas, pois a atual gestão ainda não realizou gastos publicitários. Sobre a publicação de editais, o governo informa que apenas cumpre a lei. A legislação exige que a divulgação seja em jornais de grande circulação e auditados pelo IVC. Apenas O Estado do Maranhão cumpre os requisitos no estado.

Com informações do site da Assembleia Legislativa do Maranhão.

Definição do regimento é prévia de embates

O dia 9 de julho será decisivo para o futuro da Conferência Nacional de Comunicações (Confecom). Esta é a data em que necessariamente deverá ser aprovado o regimento da conferência, o que inclui a forma como os temas serão votados, a escolha dos delegados e, principalmente, os temas. Do ponto de vista do governo, segundo apurou este noticiário, a maior preocupação é em relação ao prazo apertado e à verba de R$ 1,6 milhão, considerada insuficiente para todas as etapas e necessidades de um evento desse porte.

Mas do ponto de vista dos agentes que participam, a disputa maior se dá em torno dos eixos temáticos que serão debatidos e dos critérios de deliberação da conferência. Resumindo uma longa história, os radiodifusores têm horror à ideia de que se tente, durante a conferência, estabelecer mecanismos de controle social da mídia. Já os movimentos de democratização das comunicações não querem que a conferência se torne um fórum para debate apenas dos desafios futuros da convergência e se deixe de lado questões referentes à realidade atual do mercado de comunicação, como concentração dos meios, produção regional e independente etc.

Esse confronto de reivindicações é mais do que esperado para o âmbito da própria Confecom. O problema é que existe uma disputa para que o regimento da conferência estabeleça balizas e premissas para a discussão que podem influenciar no resultado final dos trabalhos.

Regimento limitador

Há cerca de duas semanas, os radiodifusores exigiram que o regimento tenha como premissas a defesa da radiodifusão, do conteúdo nacional e da livre iniciativa no setor de comunicação. Se colocadas no regimento, essas premissas impediriam que temas que questionem a estrutura atual do mercado de comunicação e o papel dos radiodifusores sejam colocados em debate. Parte do governo, segundo apurou este noticiário, até acha que não se deve encampar todos os pontos defendidos pelas associações de rádio e TV, mas há por parte desses órgãos a vontade de privilegiar discussões de desafios futuros, e não questões estruturais imediatas.

Assim, a discussão de temas como internet, convergência, infraestrutura e multiprogramação em TV digital estaria amparada pelo regimento. Mas discussões como distribuição das concessões de rádio e TV, regulamentação e regulação do mercado atual não estariam no foco. Não se sabe como ficariam temas como qualidade de programação, classificação indicativa e publicidade. De qualquer maneira, a ideia destes setores do governo é evitar ao máximo pormenorizar os temas já no regimento, que começará a ganhar a redação final a partir de segunda, dia 6, em uma série de reuniões até o dia 9. Também existe a preocupação de que não se transforme a Confecom em um "muro das lamentações ou acerto de contas", segundo palavras de um representante do governo.

Votações

O outro foco de embates é sobre como serão tomadas as decisões. Os setores não empresariais da sociedade civil defendem a decisão por maioria simples e, no caso de alterações de regimento, 2/3 dos representantes. As associações de rádio e TV, Abra e Abert, propuseram que qualquer deliberação só possa ser tomada por 2/3 dos representantes mais dois. O governo deve propor que as deliberações se deem com 60% dos votos, com segmentação em quatro blocos: Executivo, Legislativo, empresariado e sociedade. Seria uma espécie de voto proporcional qualificado.

Esse aspecto de como serão as deliberações é importante porque é com base nessa metodologia que se darão as composições e articulações entre os diferentes interessados para a aprovação ou não de determinadas matérias. Existe a percepção, dentro do governo, de que de fato o interesse dos empresários é criar o mínimo de ruído e questionamento sobre o mercado atual. Assim, estes setores, se optassem por se ausentar de votações, poderiam inviabilizar o quórum e impedir a decisão sobre alguns temas. Por outro lado, os empresários sabem que parte do governo e do Legislativo tende a votar com as entidades de democratização da comunicação, o que gera certo desconforto. "O que se quer evitar é a dominação de um segmento sobre o outro. Tem que haver um equilíbrio", diz uma fonte do governo.

A única certeza é que todos esses pontos de divergência precisarão ser resolvidos até o dia 9. Caso contrário, o governo terá a palavra final sobre os aspectos polêmicos.