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Mudança nas regras gera apreensão em conselho da Anatel

A compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi (ex-Telemar) desperta apreensão e muitas dúvidas nos integrantes do conselho consultivo da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), instância que obrigatoriamente será ouvida em caso de mudança nas regras do setor para permitir a união – impossível pela legislação atual – de duas concessionárias de telefonia fixa. 

Das 12 vagas do conselho, só cinco estão ocupadas. O órgão precisa de maioria simples para tomar qualquer tipo de deliberação. Dois novos integrantes foram nomeados pela Presidência da República no segundo semestre do ano passado, mas até agora não foram empossados. Os integrantes atuais queixam-se da demora e afirmam que o presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, responsável pela convocação do conselho, tem protelado inexplicavelmente a posse. 

De acordo com a Lei Geral de Telecomunicações (LGT), qualquer alteração do Plano Geral de Outorgas (PGO) ou do Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU) deve passar pelo conselho consultivo "antes do encaminhamento ao Ministério das Comunicações". O órgão não tem poder de veto às mudanças, mas precisa ser consultado e seus pareceres podem referendar politicamente ou constranger o governo em caso de alteração do PGO, que precisa ser feita para viabilização a criação da "supertele" nacional. 

Representantes do Senado, da Câmara, do Executivo, das prestadoras de serviços, dos consumidores e da sociedade civil têm assento no conselho, que não se encontra desde fevereiro de 2007, por falta de quórum. 

A advogada Flávia Lefèvre Guimarães, consultora da Pro Teste e representante dos consumidores no conselho, teme prejuízos à concorrência no setor de telecomunicações com a compra da BrT pela Oi. Por isso, acredita ela, a mudança de regras precisa estar acompanhado de novos instrumentos que permitam o estímulo à competição. "Na medida em que mudamos o PGO, precisaremos criar instrumentos regulatórios para preservar os mecanismos de competição", diz. 

Lefèvre pretende defender no conselho a idéia de que o plano de outorgas só deve mudar com a decisão simultânea de liberar as redes de infra-estrutura das operadoras de telefonia, mesmo que seja necessário mexer nos contratos de concessão. 

Isso permitiria, por exemplo, à Telefônica oferecer serviços de telefonia fixa usando a rede da Oi, no Rio. "Na Europa, alguns países desagregaram a rede e tiveram uma queda significativa de preços", observa. 

O assessor legislativo Luiz Fernando Concon Liñares, que representa a Câmara dos Deputados no conselho, apóia a fusão das teles e vê prováveis ganhos de escala que podem beneficiar o consumidor. Para ele, a discussão sobre uma nova operadora nacional "vem em boa hora" e corrige uma "falha histórica" da privatização do sistema Telebrás "ao permitir a igualdade de condições com grupos estrangeiros". 

Liñares demonstra preocupação, no entanto, com um possível "efeito AmBev" na supertele. Ele teme que os dois futuros controladores – os grupos Andrade Gutierrez e La Fonte, que teriam 51% do capital da nova operadora – possam vender futuramente o controle societário a empresas estrangeiras. O direito de preferência que o BNDES deverá ter na compra de ações que eventualmente forem vendidas pelos controladores privados é um passo importante, mas talvez não suficiente. "Se não houver um grande grupo com capital nacional, o Brasil perderá uma oportunidade de expansão para outros países, inclusive na América Latina." 

O problema, avalia Liñares, cujo mandato no conselho termina em fevereiro, é se o controle for transferido para estrangeiros. "O governo precisa criar um mecanismo para garantir que essa oportunidade não repita a experiência da AmBev. Ou seja, que ao formar-se um grande grupo, haja algumas salvaguardas para que o mercado não se concentre ainda mais. Esse setor não é cerveja. Estamos falando de inclusão digital, convergência tecnológica e custo Brasil", acrescenta Liñares. 

Emília Maria Ribeiro, assessora técnica da Presidência do Senado e também integrante do conselho, diz ainda não ter opinião formada sobre a mudança do plano de outorgas. Em princípio, ela demonstra certa simpatia pelo negócio – "quem não quer uma empresa brasileira forte?" -, mas prefere esperar o anúncio oficial e os estudos sobre a nova configuração do mercado. "Tenho ouvido todos os lados, mas é uma mudança de impacto. Enquanto não tiver dados concretos de que tipo de transação ocorrerá e quais serão seus impactos, é difícil opinar. Não tenho como dizer se sou favorável ou contra", afirma a conselheira. 

Os atuais integrantes do conselho responsabilizam Sardenberg pela demora na posse dos novos membros. Lefèvre diz que há um "esfriamento" do conselho porque ele "funcionava como um chá das cinco", mas passou a ter uma postura bem mais ativa a partir de 2005. Chegou a contestar até o formato dos novos contratos de concessão das operadoras de telefonia fixa e da mudança de tarifação de pulso para minuto. Agora, afirma ela, há uma tentativa de "desqualificação". 

Lefèvre diz que pediu várias vezes, a Sardenberg, a posse dos integrantes nomeados que dariam quórum ao conselho consultivo. "Escrevi duas cartas ao presidente da Anatel e tive uma audiência com ele em que reiteirei essa necessidade", conta. Liñares afirma ter feito os mesmos pedidos. Há relatos de que houve avisos de corte de recursos financeiros ao conselho caso ele se auto-convocasse para dar posse aos integrantes – possibilidade prevista na LGT, mas cuja aplicação desperta interpretações diferentes e que não é a praxe no órgão. 

A demora na posse dos novos conselheiros leva o mercado a insinuar que a Anatel estaria esperando a seleção dos dois representantes das operadoras para dar posse a todos de uma só vez. As prestadoras de serviços – representadas por entidades como Abrafix, Acel e Telebrasil – já encaminharam indicações para o governo, a quem cabe a escolha final dos conselheiros. De acordo com o site especializado "Teletime News", os dois nomes mais votados pelas entidades são de Francisco Perrone (vice-presidente da BrT) e João de Deus Pinheiro Macedo (diretor da Oi), executivos justamente das empresas que têm o maior interesse imediato nas mudanças do PGO. 

Avalia-se que, com os novos integrantes, seria possível obter a maioria necessária (e hoje incerta) para garantir um parecer favorável à fusão das teles no conselho consultivo da Anatel. 

Hélio Costa é advertido e recua sobre Oi-BrT

Advertido pelo Palácio do Planalto, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, recuou e agora vai esperar o anúncio oficial das empresas antes de iniciar o processo de mudança na legislação para permitir a compra da Brasil Telecom pela Oi (ex-Telemar). Na segunda-feira, Costa havia dito que enviaria ontem a consulta sobre a mudança à Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

Auxiliares do presidente Lula avaliaram que Costa foi afoito. Lula não quer transmitir a imagem de que, com uma canetada, beneficiaria setores empresariais bem relacionados com o governo. Segundo um integrante do governo, é preciso o "cumprimento de rituais". As declarações de Costa anteontem, de que o governo havia sido informado oficialmente do fechamento da operação, causou mal-estar principalmente na Casa Civil. A ministra Dilma Rousseff se irritou não só porque ele falou publicamente do caso mas também por dizer que se reuniria naquele dia com ela para tratar da mudança nas regras do setor.

Um assessor da ministra disse que o ministro havia aprontado "mais uma". Ontem, Costa foi bem mais ameno sobre o negócio: "Não posso falar sobre o assunto porque isso pode trazer uma situação de desequilíbrio em alguns setores. Isso é um assunto antigo, que vem sendo discutido há vários meses. Nós estamos ainda em processo muito preliminar. Quem pode, e até deve, dar informações são as empresas". Para o ministro, o governo foi cauteloso ao não iniciar o processo ontem. "É prudente esperar o fato relevante [das empresas]", disse Costa.

Segundo ele, o documento que o ministério enviará à Anatel propondo a mudança na legislação precisa ser muito bem justificado. "Nós não tivemos condições técnicas de produzir o documento com a segurança que queríamos." Segundo a Folha apurou, o mercado espera que as empresas façam o anúncio ainda hoje. Por meio de nota, a Oi confirmou as negociações, mas disse que não houve acordo final. Ao privatizar a telefonia, em 1998, o governo editou decreto criando o Plano Geral de Outorgas (PGO).

Esse documento legal divide o país entre as atuais operadoras de telefonia fixa. Por essa divisão, a Telefônica ficou com São Paulo, a Brasil Telecom, com as regiões Sul, Centro-Oeste, Rondônia, Tocantins e Acre, e a Telemar, com o resto do país (Sudeste, Nordeste e Norte). Pela Lei Geral de Telecomunicações (9.472/97), não pode haver fusões entre concessionárias que operem o serviço em áreas diferentes do PGO. Ou seja, não poderia haver operação de compra entre Oi, Brasil Telecom e Telefônica.

Para o governo, a atual legislação do setor impede que benefícios da chamada "convergência tecnológica" (uma mesma empresa oferecendo um único pacote de telefone fixo, móvel, internet em alta velocidade e TV por assinatura) cheguem aos consumidores. Na segunda-feira, Costa afirmou que as alterações na regulamentação do setor poderiam vir a beneficiar não só a Oi e a Brasil Telecom mas todas as empresas do setor, e citou a Telefônica, a Embratel e a TIM.

A Embratel, do grupo mexicano Telmex, é acionista do sistema de TV a cabo Net Serviços, mas não pode ter o controle sobre as ações com direito a voto -que permanece com as Organizações Globo- porque há uma lei, de 1995, que exige o controle de capital nacional nas TVs a cabo. A Telefônica está impedida por normas da Anatel de participar do controle acionário da TIM, por já controlar a Vivo. Apesar do recuo no discurso, o governo deverá voltar a se reunir hoje para tratar da compra da Brasil Telecom pela Oi.

TV digital deve chegar ao RJ dentro de três meses, diz Hélio Costa

As empresas de televisão do Rio de Janeiro receberam a autorização do governo para operar com sinal digital. O ministro das Comunicações, Hélio Costa, espera que as primeiras transmissões aconteçam a partir de abril, mas o prazo depende das próprias emissoras.

"Nós começamos em São Paulo no dia 2 de dezembro. O cronograma nos traz para o início da TV digital no Rio de Janeiro, com a assinatura das consignações para as emissoras. Nos próximos 90 dias nós devemos ter a cara da TV digital no Rio. Até o final do ano nós devemos estar com todas as capitais transmitindo digitalmente."

De acordo com o ministro, o prazo para que todas as cidades do país recebam o sinal digital é 2016. Mas só terá acesso à transmissão quem tiver um televisor digital ou comprar um aparelho conversor para ser acoplado na TV antiga.

O ministro Hélio Costa afirmou que o preço do conversor – um equipamento parecido com o receptor de TV a cabo – deve custar cerca de R$ 200. "Nós devemos lançar, até o final de fevereiro, aqui no Rio de Janeiro, o conversor da TV digital a R$ 230, com todos os instrumentos capazes de pegar a imagem em alta definição, com o sistema operacional Ginga (desenvolvido no Brasil), o que vai permitir a interatividade."

Em São Paulo, a primeira cidade brasileira a receber o sistema de TV digital em 2 de dezembro do ano passado, já existem cerca de 700 mil televisores aptos à nova tecnologia, segundo Hélio Costa. "Todos os televisores e conversores disponíveis no mercado para receber a televisão de alta definição foram vendidos e estão esgotados."

O ministro disse que na capital paulista já é possível captar televisão no telefone celular, sem pagar nada por isso, embora lamente que só haja um modelo de aparelho no mercado brasileiro capacitado para isso.

Hélio Costa contou que no Japão, onde já existem mais de 4 milhões de celulares captando sinal de televisão, os horários de pico de audiência estão mudando, pois as pessoas começaram a assistir a programação televisiva durante o trajeto para o trabalho ou para casa e na hora do almoço, em vez de somente à noite, como é tradicional em quase todos os países do mundo.

Sobre a demora do Japão na instalação de uma fábrica de semicondutores, que faria parte da negociação que definiu pela utilização da tecnologia japonesa na televisão digital brasileira, Hélio Costa afirmou que isso nunca foi um condicionante, nem há obrigação daquele país.

"O fato é que tem que existir uma demanda de mercado brasileira e latino-americana para a instalação de uma fábrica de semicondutores. Não é apenas um desejo de governo que faz isso. Nós estamos provando para os japoneses que existe no Brasil esse mercado."

O sinal digital melhora a imagem, que fica livre de fantasmas e chuviscos, e permite que a pessoa interaja com a programação, podendo saber mais informações sobre os programas e até mesmo fazer compras usando apenas o controle remoto.

Matéria da Fenaj abala relações com Mansur

Uma matéria publicada nesta quarta-feira (30/01) no site da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) abalou as negociações recém-iniciadas entre o presidente da federação, Sérgio Murillo de Andrade, com o deputado federal Beto Mansur (PP-SP), em relação ao substitutivo (em PDF) ao projeto de lei 1.337, que o relator Mansur apresentou em dezembro passado.

A proposta prevê alterações no projeto de autoria do ex-deputado Wladimir Costa (PMDB-PA), em 2003, para que radialistas sejam autorizados por lei a exercer qualquer função jornalística (direção, supervisão, repórter, redator, comentarista e cronista, entre outras) em emissoras de rádio e TV.

Beto Mansur questiona a seguinte afirmação, colocada entre aspas no site da Fenaj: “Não quero prejudicar os jornalistas, apresentei a proposta a pedido da Abert.”

Em nota ao Comunique-se, disse o deputado: “Não é verdade que disse a ele (Sérgio Murillo) que apresentei a proposta de regularização da profissão de radialista a pedido da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e TV.” Mansur afirmou que apenas teria ouvido os anseios de diversas associações de radialistas para realizar o substitutivo.

O deputado não se lembrou de buscar a opinião da associação dos jornalistas: a Fenaj. A assessoria do deputado informou, no entanto, que ele está disposto a ouvir todos os setores da sociedade, em audiência pública, a ser realizada quando se iniciarem novamente as atividades do Congresso Nacional, após o Carnaval.

O substitutivo deve ser apresentado em cinco sessões ordinárias da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara, para ser submetido a possíveis emendas, depois, pela Comissão do Trabalho e, em seguida, pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) para então serem submetidas ao plenário da Casa.

Fenaj

O presidente da Fenaj, Sérgio Murillo de Andrade, afirmou que, de fato, Mansur teria dito que ouviu as associações, o que é diferente de ter feito o substitutivo em função da Abert.

Apesar de admitir este fato, a matéria, assegura, continuará no ar. “Foi interpretação do jornalista que conversou comigo”, disse. Murillo afirmou, contudo, que o site publicará uma nota de esclarecimento que o deputado enviou à Fenaj.

“O essencial é que se discuta esse projeto, porque atende aos interesses da Abert”, explicou-se Murillo. Segundo o presidente da Fenaj, a federação tem toda a disponibilidade para conversar com o deputado Beto Mansur. Apesar do conflito, as negociações devem continuar.

Fenaj abre negociação com deputado Beto Mansur

Pelo telefone, na tarde desta quarta-feira (30/01) o deputado federal Beto Mansur (PP/SP) assegurou à FENAJ que só irá solicitar a inclusão do PL 1.337/03 na pauta da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática após uma conversa com a Direção da Federação. "Não quero prejudicar os jornalistas, apresentei a proposta a pedido da Abert", informou o parlamentar. 

No final do ano passado, o deputado Beto Mansur apresentou um substitutivo ao Projeto de Lei nº 1.337 do deputado Wladimir Costa (PMDB/PA), em tramitação desde 2003, que altera a regulamentação da profissão de radialista. O substitutivo retira todas as atividades e funções dos jornalistas no rádio e televisão e está com prazo para apresentação de emendas, que é de cinco sessões ordinárias.

"O Deputado confirmou nossa suspeita que a iniciativa é da Abert – entidade dos patrões de rádio e TV – que tem atuado em diversos estados desrespeitando a jornada e o piso salarial dos jornalistas. O projeto é pra legalizar as ilegalidades que as empresas têm promovido", disse o presidente da FENAJ, Sérgio Murillo de Andrade. Segundo Murillo, o projeto original, de 2003, é para acabar com o registro provisório entre os radialistas, o substitutivo é que avança na regulamentação dos jornalistas.

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo está distribuindo em Santos, base eleitoral do parlamentar, um abaixo-assinado reivindicando o arquivamento da matéria. "O projeto foi apresentado sem qualquer debate com as federações e os sindicatos representantes das categorias e caso seja aprovado, nos termos que se encontra, superpondo e confundindo a profissão de radialista e de jornalista, causará enorme prejuízo aos trabalhadores", alerta o presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo e diretor da FENAJ, Guto Camargo.

Por sugestão do deputado Beto Mansur, a reunião com a FENAJ, para discutir o conteúdo do PL 1.337/03, deve acontecer logo depois do fim do recesso parlamentar, em meados do próximo mês. Veja aqui o texto do PL que usurpa TODAS as funções dos jornalistas que atuam em rádio e televisão.