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Fusão BrT-Oi coloca de novo o Estado como ator fundamental do setor

O modelo privatizado das telecomunicações, criado há dez anos, sofre ameaça. A compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi, que depende de mudança de regras, traz de volta a forte influência do governo sobre o setor, com apoio de bancos oficiais. A Oi e seus acionistas conseguiram R$ 4,3 bilhões do Banco do Brasil e R$ 2,569 bilhões do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES). A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) providencia a alteração do Plano Geral de Outorgas (PGO), um decreto presidencial que hoje impede as duas empresas de terem o mesmo controlador, seguindo diretriz do governo federal. A Embratel é contra, apontando risco de monopólio.

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, contesta os argumentos da Embratel – encaminhados na semana passada à Secretaria de Acompanhamento Econômico (Seae), do Ministério da Fazenda – de que a futura compra da Brasil Telecom (BrT) pela Oi criará risco de monopólio no setor de telecomunicações. Costa continua defendendo a tese de que a união das duas empresas beneficiará o consumidor e criará um grupo forte, capaz de garantir a competição no mercado local.

"Aqui no Brasil, não haverá monopólio. Por mais que você crie uma empresa juntando duas concessionárias, ainda não será a primeira empresa do setor", diz o ministro. Ele observou que os dois maiores grupos internacionais que atuam no mercado brasileiro de telecomunicações, Telefónica e Telmex, são monopolistas em seus países de origem, na Espanha e no México.

A Embratel pertence ao grupo Telmex, que também é acionista da operadora de telefonia celular Claro e da empresa de TV a cabo Net. "Se você tiver a união de todas as empresas do grupo mexicano, você terá uma empresa possivelmente tão grande quanto você teria juntando duas empresas brasileiras", afirma Costa. "Então, vamos acabar tendo três empresas: uma nacional (fruto da fusão entre Oi e BrT), uma espanhola (Telefônica) e uma mexicana (Embratel)."

Costa diz estranhar o fato de a Embratel ter questionado o negócio nos órgãos de defesa da concorrência, como a Seae e a Secretaria de Direito Econômico (SDE), do Ministério da Justiça, em um momento em que o assunto está sendo tratado pela Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), que estuda a mudança no Plano Geral de Outorgas (PGO) para permitir o negócio.

"Historicamente, a gente analisa que o órgão da concorrência deve ser ouvido após a mudança do marco regulatório. Agora, começar pelo órgão da concorrência, não sei se esse é o melhor caminho", diz o ministro. "Mas o nosso sistema é aberto, republicano e democrático."

Um dos primeiros a defender a fusão entre as duas empresas, Hélio Costa afirma que os ganhos de escala e produtividade que serão obtidos com a união serão repassados aos clientes. "Os estudos que nós fizemos nos dão a entender que será bom para o consumidor, na medida em que você tenha uma empresa brasileira capaz de ser competitiva no Brasil e no Exterior", garante o ministro.

A Oi sustenta que, sem o ganho de escala que resultará da aquisição da BrT, poderia sucumbir às investidas de grupos mexicanos e espanhóis. O mesmo poderia acontecer com a BrT. A alternativa para evitar essas incorporações seria, de acordo com documento enviado à Seae, do Ministério da Fazenda, a união dos dois grupos nacionais. A empresa resultante da operação seria mais robusta e com maior envergadura para enfrentar a concorrência.

A operadora afirma, ainda, que a compra da BrT não traria danos à livre concorrência. Para provar sua tese, a Oi usa como base levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getúlio Vargas.

A batalha em torno do assunto, no entanto, parece que será longa. A Embratel, atendendo a um pedido da Seae, preparou levantamento sobre o cenário atual do mercado de telecomunicações e como este ficaria após a fusão. De acordo com a Embratel, a integração da rede das duas operadoras daria à Oi domínio absoluto de 97% do território nacional, atendendo cerca de 140 milhões dos 180 milhões de brasileiros. Com essa abrangência, a BrOi chegaria a 42 milhões dos 52,6 milhões de domicílios do País: "Com a aquisição da BrT pela Oi, com a conseqüente eliminação da BrT e a integração de suas redes, a Oi, detendo maior poder de mercado, poderá, sem contestação, fixar o preço que lhe conferir maior lucro."

A Embratel também questiona a existência de concorrência no mercado de telefonia local e levanta a tese de formação de cartel. "As requerentes (Oi e Brasil Telecom) e a terceira incumbente, Telefônica, decidiram que não iriam disputar, entre si, nas áreas geográficas estranhas às suas; ou seja, recusam-se, taticamente, a competir, cada qual reforçando o seu monopólio regional. Sem dúvida, as requerentes podem explicar porque não concorrem entre si e com a Telefônica", afirma a empresa no documento encaminhado à SEAE pelo escritório Pedro Dutra Advogados.

Em outra petição, protocolada na SDE em 22 de julho, a Embratel pede o fim do sigilo para os documentos sobre a compra da BrT pela Oi. "Todos esses fatos vêm sendo alardeados ao público, pela imprensa, por iniciativa das próprias requerentes", argumenta a Embratel .

Termos técnicos afastam sociedade da discussão sobre regulação da telefonia

A Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) promove na próxima terça-feira (29), em Porto Alegre, a quinta audiência pública para discutir o Plano Geral de Atualização da Regulamentação das Telecomunicações no Brasil (PGR) e a revisão do Plano Geral de Outorgas (PGO).

Até agora, já foram realizadas audiências públicas em São Paulo, Brasília, Recife e Belém. Representantes de entidades que participaram dos debates consideraram que os aspectos técnicos do tema e o pouco tempo para entender as propostas têm afastado a população da discussão.

As audiências têm o objetivo de discutir as mudanças que estão sendo propostas para o setor. As contribuições também podem ser feitas por escrito, até o dia 1º de agosto.

Para a coordenadora institucional da Associação Brasileira de Defesa do Consumidor (Pro Teste), Maria Inês Dolci, os termos técnicos afastam os cidadãos comuns da discussão. Ela participou da audiência realizada em São Paulo e criticou a longa duração do debate, que levou mais de oito horas e fez vários participantes desistirem de participar.

“Houve longas interferências dos representantes da Anatel para responder aos questionamentos e teve uma grande insatisfação dos órgãos de defesa do consumidor e das concessionárias”, afirmou.

Na avaliação de Maria Inês, a linguagem das audiências e das consultas públicas não é acessível ao cidadão comum. “Não há uma resposta a essas consultas públicas de forma que o cidadão comum possa entender as contribuições, o que foi acatado e o que ficou de lado”, disse.

O economista da Associação Brasileira das Prestadoras de Serviços de Telecomunicações Competitivas (Telcomp), Luiz Henrique Barbosa da Silva, participou da audiência pública em Brasília. Ele conta que o público foi abandonando o debate ao longo das quatro horas da exposição feita pela Anatel.

Silva também considera que os termos técnicos dificultam a participação do público. “As entidades ligadas ao setor e as entidades de defesa do consumidor, que estão mais por dentro dos acontecimentos, rebatem [o argumento], mas a população geral fica um pouco fora desse contexto porque não entende”, observou.

Para ele, a revisão do PGO deveria ser promovida depois das mudanças do PGR, que contém instrumentos para garantir a competição no setor. “Alterar o PGO e permitir fusões e aquisições sem a garantia de que vai ter competição é muito prejudicial ao país”, opinou.

Em São Paulo, a audiência pública reuniu 190 pessoas, de acordo com a Anatel. Na capital federal, foram 123 participantes, em Recife, 29 e em Belém, 20 pessoas participaram.

A assessoria de imprensa da Anatel informou que os dois diretores que poderiam falar sobre o andamento das audiências públicas estão viajando.

Governo prepara medidas para agilizar outorgas

A Casa Civil está fechando um pacote com uma série de medidas para agilizar a outorga de rádios comunitárias no país. As medidas incluem sugestões ao projeto de lei nº 4.186/98, de autoria do deputado Arnaldo Faria de Sá (PPB-SP), até a contratação de mais funcionários para o Ministério das Comunicações, para reforçar a área de exame dos processos de solicitação de outorgas, esvaziada desde o governo passado.

As informações são do assessor especial da Casa Civil, André Barbosa, que está coordenando os trabalhos. Ele disse que as medidas resultaram dos debates realizados por dois grandes grupos de trabalho, envolvendo técnicos dos ministérios, da Anatel e dos representantes de associações comunitárias. O texto com as sugestões está sendo analisado na área jurídica da Casa Civil. Tão logo seja liberado,o que se espera para a próxima semana, será debatido com os ministros para aprovação.

O tema é sensível ao governo. O próprio presidente Luiz Inácio Lula da Silva já promoveu recentemente reuniões com os ministros Hélio Costa (Comunicações) e Dilma Rousseff (Casa Civil), além do presidente da Anatel, Ronaldo Sardenberg, sobre o assunto. A intenção é agilizar a concessão, com regras mais claras.

Hoje, 3.247 rádios comunitárias obtiveram outorgas, porém um número muito maior espera pela tramitação do processo (13.213). As queixas das associações comunitárias não se limitam à demora na autorização. Elas reclamam, sobretudo, da utilização de uma única freqüência para atender às dezenas de milhares de comunidades brasileiras. Na visão das entidades, a lei atual exclui milhares de cidadãos do acesso ao serviço que institui, descumprindo o princípio constitucional da igualdade de direitos.

Proposta da Câmara

O Projeto de lei 4.186/98 está sendo relatado pela deputada Maria do Carmo Lara (PT-MG), na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara. O substitutivo está pronto, porém ainda não foi votado. A proposta modifica a Lei nº 9.612, de 19 de fevereiro de 1998, que institui o Serviço de Radiodifusão Comunitária e prevê, entre outras, o aumento de potência para ampliar o alcance das emissoras.

Outra modificação é o aumento do número de canais de um de operação nacional para três por localidade. A idéia é aproveitar as sobras de canais decorrentes da digitalização das rádios comerciais, que otimiza o uso do espectro de radiofreqüência. Outro ponto previsto no projeto é a periodicidade dos avisos de habilitação para, num intervalo mínimo de quatro meses. Segundo a relatora, desde a aprovação do serviço, o Minicom publicou apenas 27 avisos.

Além da periodicidade mínima, os avisos de habilitação poderão ter abrangência local, regional ou nacional e incentivar os serviços em determinadas áreas, como zona rural e indígena. A proposta prevê ainda a criação de um cadastro nacional das rádios comunitárias e o fim da exigência de pré-sintonia dos equipamentos de transmissão.

O substitutivo da deputada Maria do Carmo Lara propõe ainda a permissão de uso de publicidade nas rádios comunitárias, que é proibido pela legislação em vigor, e a discussão de uma política nacional para o setor, por um conselho no qual está assegurada a participação de representantes da sociedade e dos operadores, além de representantes da Câmara e do Senado.

TV Brasil apresenta mudanças na programação

A TV Brasil planeja novas mudanças na programação. No dia 31/07 o “Espaço Público” sairá do ar. No fim de agosto, será a vez do “Diálogo Brasil” deixar a grade da emissora. Para substituí-los, no início de setembro estréia o “Três a um”, que será apresentado todas as quartas-feiras, às 22h.

“Esse novo programa terá um modelo ‘flex’. Serão três debatedores mediados por um jornalista, ou três jornalistas sabatinando um entrevistado. Será um programa que cumprirá a função que o ‘Espaço’ e o ‘Diálogo’ cumprem hoje”, diz a diretora de jornalismo da TV Brasil, Helena Chagas.

A mudança faz parte do cronograma de reformulação da grade, que pretende transformar a emissora em uma TV nacional.

“O ‘Espaço Público’ é um programa da antiga TVE. É essencialmente carioca, com convidados cariocas. Agora nós somos a TV Brasil, temos que mudar alguns programas da grade”, diz Helena.

TV Brasil produzirá programa na África

O "Três a um" irá ao ar no horário apelidado de “faixa da reflexão”. Além dele, nos próximos dias será lançado um edital para a realização do “Revista África”, que ocupará o espaço às sextas-feiras.

O programa que será inteiramente gravado em países africanos, principalmente os de língua portuguesa, por uma produtora independente, mas sob supervisão da emissora. É a primeira vez que a TV Brasil realiza um edital como esse, mas, de acordo com Helena, servirá de teste para a realização de um outro, para a produção do “Revista América Latina”. O modelo deste ainda não foi definido, e a cooperação com emissoras de outros países não está descartada.

Observatório da imprensa também terá mudanças

Recentemente, a TV Brasil estreou o “De Lá pra Cá” e o “Caminhos da Reportagem”. Na terça-feira, na “faixa de reflexão”, o “Observatório da Imprensa” continua, mas também passará por mudanças.

“O Observatório é o carro chefe da emissora, mas vai passar por mudanças. Ele terá um novo cenário, outros participantes. Queremos dinamizar o programa”, afirma Helena.

Acirra-se disputa conceitual sobre liberdade de expressão

Desde que o debate sobre a extensão das restrições à publicidade de bebidas alcoólicas para a menina dos olhos do mercado anunciante – a cerveja – ganhou espaço nos noticiários, há pouco menos de um ano, não há mais espaço livre dos anúncios alarmistas de que a regulação da propaganda é uma afronta à liberdade de expressão. Para os defensores de projetos que estabelecem ou revêem os limites da publicidade de produtos diversamente controversos, o que o mercado publicitário desta vez tenta vender é uma idéia completamente fora do lugar.

O auge da campanha contra qualquer regulação da atividade publicitária foi o 4o Congresso Brasileiro de Publicidade, realizado em São Paulo entre os dias 14 e 16 de julho. Organizado pelas maiores agências do país, a programação do evento contou com um desfile de autoridades do mercado de comunicação pregando a liberdade de expressão comercial. No documento final do evento, destaca-se a denúncia e o repúdio dos congressistas a “todas as iniciativas de censura à liberdade de expressão comercial, inclusive as bem intencionadas”.

A lista das iniciativas diretamente atacadas pela “indústria da comunicação” nos últimos meses incluem uma nova portaria da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) sobre a propaganda de medicamentos; a proposta de portaria da mesma agência sobre publicidade de alimentos não-saudáveis e o projeto de lei, aprovado por comissões da Câmara dos Deputados, que proíbe a publicidade infantil. Além, é claro, do projeto de lei que reduz de 13 para 0,5 GL (graus Lussac) a medida para se considerar uma bebida como alcoólica. Com isso, cervejas e vinhos passariam a também ser cobertas pela regulamentação que impede a veiculação de publicidade de bebidas alcoólicas no rádio e na TV entre as 6h e as 21h.

“O mais incrível é que, seja qual for o tema, o debate gira sempre em torno da palavra censura, conceito que nada tem a ver com a regulação da publicidade, e nunca com o mérito da questão”, impressiona-se a advogada Isabella Henriques, coordenadora do projeto Criança e Consumo do Instituto Alana. “As indústrias – seja a da publicidade, sejam as anunciantes – não querem discutir a obesidade infantil, os efeitos do consumismo entre as crianças, porque as grandes corporações atuam de uma forma nos Estados Unidos e de outra aqui no Brasil, porque continuam vendendo brindes colecionáveis com alimentos não-saudáveis.”

O jornalista Álvaro Nascimento, pesquisador da Fundação Oswaldo Cruz especialista em publicidade de medicamentos, é veemente ao falar do deslocamento das discussões sobre a regulação de diferentes formas de propaganda para o discurso do atentado contra a liberdade de expressão. “É uma forma pusilânime de esconder o debate”, afirma, lembrando que nenhuma indústria farmacêutica menciona que a cada 42 minutos, uma pessoa é atendida pelo Sistema Único de Saúde vítima de intoxicação medicamentosa.

Comércio e liberdades

A estratégia não se restringe, entretanto, aos representantes dos setores da comunicação comercial. O apelo de um “atentado à liberdade de expressão” em um país cuja história é marcada por sucessivos períodos ditatoriais é forte e assumido também pelos anunciantes.

Nascimento cita como exemplo a audiência pública sobre mudanças no modelo regulador da propaganda de medicamentos, realizada em 30 de junho em Brasília. O jornalista conta que, em determinado momento, foi acusado pelo representante do Sindicato da Indústria Farmacêutica de pregar a volta da censura e da mordaça. “Tive de lembrar a ele que censura também é esconder as reações adversas e contra-indicações de um remédio e só expor a parte boa de um produto”, comenta.

Mas na ponta-de-lança da campanha que desfralda a bandeira da liberdade de expressão, estão mesmo as agências de publicidade e o Conselho Nacional de Auto-regulamentação Publicitária (Conar). Este último é responsável pela publicação que, no ano 2000, defendeu publicamente, pelo primeira vez, o conceito de liberdade de expressão comercial. Naquele ano, o Brasil discutia e aprovava medidas que restringiram de forma contundente a propaganda de cigarros, proibindo inclusive o patrocínio de eventos esportivos e culturais.

Nos últimos dois anos, a Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap) foi além, lançando dois vídeos veiculados nos intervalos do horário nobre televisivo. No primeiro, um grupo de amigos passa por apuros no bar por não saber o nome das cervejas disponíveis. Em seguida, um locutor exalta o papel informativo da publicidade.

No segundo, o ataque é mais direto. Letreiros sobre uma tela branca afirmam que a publicidade não é responsável por motoristas que bebem ou pela violência provocada pela bebida, para em seguida afirmar que “o problema não está na liberdade de expressão da maioria que respeita as leis”.

A carta aprovada pelo GT de Liberdade de Expressão Comercial do 4o Congreso de Publicidade reafirma estes princípios e reforça a noção de que o mercado pode se auto-regular. Afirma com todas as letras que “a publicidade não causa obesidade, alcoolismo, acidentes domésticos ou de trânsito” e que “leis existentes já são suficientes para garantir ampla proteção ao consumidor e seria demais pedir a um anunciante que proponha o desestímulo ao consumo”.

Os argumentos com a palavra liberdade vão além. Diz a carta: “É a publicidade que viabiliza do ponto de vista financeiro a liberdade de imprensa e a difusão de cultura e entretenimento para toda a população.”

Direitos constitucionais

Para a gerente de monitoramento e fiscalização de propaganda da Anvisa, Maria José Delgado, há um desvio conceitual claro no ideário defendido pelo mercado publicitário. Maria José lembra da hierarquia entre direitos, e também deveres, estabelecida na Constituição.

Segundo ela, por estar na ordem do comercial, a publicidade está protegida pelos preceitos do direito econômico: a livre concorrência, a iniciativa privada, o lucro. Porém, estes são direitos subalternos a garantias constitucionais fundamentais, como o direito à saúde, à educação, à habitação, a proteção de crianças e adolescentes, entre outros.

A gerente da Anvisa lembra que, inclusive e especialmente, a liberdade de expressão é um direito fundamental. Mas ressalta: “A publicidade é um ato puramente comercial. A liberdade de expressão, por sua vez, protege idéias, crenças. Onde já se viu 'vender uma idéia'?”

Álvaro Nascimento, da Fiocruz, é incisivo. “O texto constitucional garante o direito à plena informação. Pela natureza da publicidade, a informação que ela faz circular é parcial. Então, o que o mercado defende é a liberdade de dar uma informação parcial.”