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Convocação deve ocorrer até o início de março

Representantes da Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação reuniram-se com o assessor do Ministério das Comunicações, Marcelo Bechara, no dia 10 de fevereiro. Apresentaram sua proposta de tema, calendário e de composição do Grupo de Trabalho que coordenará o processo da 1ª Conferência Nacional. As definições sobre o processo e o decreto presidencial de convocação, no entanto, só devem ocorrer após o Carnaval.

A proposta apresentada pela Comissão Pró-Conferência Nacional de Comunicação, baseada na definição de que a Conferência ocorrerá de 1º a 3 de dezembro, prevê um calendário com prazos até 22 de junho para a etapa de debates municipais e regionais, de 30 de junho a 15 de setembro para as conferências estaduais, deliberações e eleição de delegados, e sistematização das propostas até outubro.

Além da sugestão do tema central "Comunicações: meios para a construção de direitos e de cidadania", a Comissão apresentou ao Minicom, também, a proposta de composição do Grupo de Trabalho para coordenar o processo com 30 membros. A ideia é ter 15 representantes de movimentos sociais, 10 do poder público e 5 de segmentos empresariais.

Mas as definições ficarão a cargo do governo federal, responsável pela convocação da Conferência Nacional de Comunicação. Marcelo Bechara informou que o detalhamento do decreto a ser assinado pelo presidente da República convocando a Conferência e a Portaria designando o Grupo de Trabalho dependem de conversações entre diversos setores do governo, como o próprio Minicom, a Casa Civil e a Secretaria Nacional de Articulação Social da Presidência da República.

O assessor do Minicom comprometeu-se em levar as propostas do movimento para o governo federal e de agendar nova reunião com a Comissão para mais definições. A expectativa dos representantes dos movimentos sociais é de que a convocação da Conferência Nacional de Comunicação ocorra até o início de março.

No Rio, Bope passa a fazer parte de ações para fechamento de rádios comunitárias

O Batalhão de Operações Especiais (Bope) agora atua na caça às rádios comunitárias. O grupo policial fechou cinco rádios comunitárias que atuavam na Cidade de Deus, no Rio de Janeiro. O Bope deve ajudar ainda no fechamento de pelo menos mais 200 rádios comunitárias. A alegação novamente dada para o fechamento foi a de que a freqüência de atuação das rádios atrapalhava a comunicação de aeronaves.

A Associação Brasileira de Radiodifusão Comunitária (Abraço) declara que o argumento é falho porque as rádios sequer atuam na mesma faixa de freqüência utilizada pelas aeronaves. A alegação da interferência também é utilizada para fechar as rádios que estão distantes dos aeroportos.

Tramita no Congresso Nacional o Projeto de Lei 122 que descriminaliza o exercimento da radiodifusão sem autorização. A infração sai do âmbito criminal e passa para o administrativo, sujeito a multas. O integrante da Abraço, José Sóter, afirma que isso é positivo, mas que rádios comerciais e comunitárias sem autorização têm que ter tratamento diferente.

“As rádios comerciais têm a informação como um produto a ser vendido, e as comunitárias têm a informação como um elemento de formação da cidadania. Então isso exige tratamentos completamente diferenciados.”

Sóter afirma que caso as multas para as comunitárias sejam muito altas, isso pode inviabilizar o funcionamento das mesmas, diferente do que pode acontecer com as comerciais.

A Abraço denuncia que o projeto ainda não resolve a questão da inoperância do Estado para com os pedidos de outorga que se arrastam por anos no Ministério das Comunicações, fato responsável pela situação de ilegalidade das rádios comunitárias.

Das mais de 18 mil pedidos de regularização recebidos pelo ministério, em 11 anos, foram autorizados pouco mais de 3 mil.

Parecer do TCU sobre licitação de laptops só deve sair em março

Depois de quase dois meses parado no Tribunal de Contas da União (TCU) para análise, o processo de licitação do programa Um Computador por Aluno (UCA), projeto do governo federal que pretende conectar todos os estudantes da rede pública à internet, voltou a ter andamento no tribunal. Segundo informações da assessoria de imprensa do TCU, o processo está em análise avançada no gabinete do ministro e relator do processo, José Jorge de Vasconcelos, e deverá ir a plenário em breve.

Mas a aprovação da compra dos 150 mil laptops educacionais ainda deve se arrastar. É que o processo de análise das respostas do Ministério da Educação (MEC) sobre as suspeitas de irregularidades no cumprimento da lei de licitações e contratos durante o pregão não será apresentado no plenário do TCU durante as votações desta quarta-feira (18).

Isso porque o ministro José Jorge ainda precisa receber as avaliações da área técnica do seu gabinete, para depois tomar uma decisão. Como a semana que vem é Carnaval, o processo também não irá a plenário, o que só deve ocorrer na primeira quinzena de março. Daí sim, caso seja aprovado, o MEC poderá dar continuidade aos testes de aderência dos computadores e iniciar as compras dos laptops. Com todo esse trâmite, a entrega dos notebooks para as 300 escolas só deve começar, na melhor das hipóteses, em abril, atrasando o cronograma inicial do MEC.

Apesar de toda a novela, o coordenador de inclusão digital da Presidência da República, Cezar Alvarez, garantiu que os 150 mil laptops educacionais chegarão às escolas ainda neste ano. “O MEC já enviou as informações ao TCU e o ministro [da Educação, Fernando] Haddad terá uma audiência para agilizar essa decisão, seja para refazer o edital ou liberar a fase de teste de aderência. De qualquer forma, com essa licitação ou outra, esse ano sai”, afirmou Alvarez.

Atualmente, o projeto já está sendo testado em cinco escolas nos estados do Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, de São Paulo e do Tocantins, além do Distrito Federal. Segundo Alvarez, os resultados nas escolas-piloto são “extremamente positivos”. “Apesar de as experiências serem muito pequenas, são apenas cinco escolas, o resultado é surpreendente. O pessoal chega mais cedo e sai mais tarde da escola. Aumentou a participação de pais e alunos no processo, é impressionante a motivação da comunidade. Tem até professor adiando a aposentadoria”, conta ele.

Telefônica e TVA lançam TV por fibra ótica em São Paulo

Conforme antecipado em dezembro, Telefônica e TVA lançaram comercialmente nesta terça, 17, o pacote de serviços que inclui TV por assinatura utilizando a rede de fibra óptica da operadora de telefonia apenas para a cidade de São Paulo, já que a licença de TV a cabo da TVA está restrita à capital. Batizado de TVA Xtreme, o serviço de TV por fibra inicialmente será comercializado apenas dentro do pacote Trio Xtreme, que oferece também banda larga de 8 Mbps a 30 Mbps e serviços de voz com ligações ilimitadas para números fixos da Telefônica dentro da cidade de São Paulo.

"Este é o primeiro lançamento de fato que tangibiliza o que é a parceria entre uma operadora de TV e uma tele. É a evolução da TV por assinatura e não é uma demo sobre uma rede hipotética. Começamos a instalar os primeiros clientes a partir de amanhã", comemora a diretora-geral da TVA, Leila Lória.

O diretor de produtos residenciais da Telefônica, Márcio Fabbris, detalha que o Trio Xtreme está disponível para cerca de 200 mil residências, incluindo casas e apartamentos, em 26 bairros de São Paulo e que a comercialização será feita em conjunto pelas duas empresas. "O serviço de TV será prestado pela TVA, a cobrança virá na fatura da Telefônica e o atendimento de call center é da Telefônica", complementa.

Serviços

O TVA Xtreme oferecerá os 110 canais por assinatura de linha, canais abertos em alta definição, pay-per-view de eventos ao vivo como futebol e Big Brother Brasil, serviços interativos com informações em tempo real sobre esportes, notícias e meteorologia em parceria com o portal Terra, e ainda uma locadora virtual com mais de 600 títulos, entre filmes, séries, músicas, conteúdos infantil, adulto e também em alta definição. O diretor de estratégia e tecnologia da TV, Virgílio Amaral, detalha que os conteúdos sob demanda serão disponibilizados em três formatos: Xtreme Free, com conteúdos gratuitos para criar o hábito de consumo no cliente; Xtreme Club, um modelo de assinatura mensal para ter acesso a conteúdos on demand, também conhecido como Subscription Video On Demand (SVOD); e ainda serão oferecidos conteúdos avulsos com preços que variam de R$ 3,90 a R$ 6,90, conforme janela de exibição e formato (se high definition ou standard definition). Os conteúdos on demand ficam disponíveis por 48 horas para o assinante ver quantas vezes quiser e permitem funcionalidades similares a um DVD, com funções como parar, voltar ou adiantar o conteúdo.

Lar digital

"Mais do que levar banda larga, a fibra óptica permite uma mudança no consumo de conteúdo e o estabelecimento do conceito de 'lar digital', para distribuição de conteúdo de alta qualidade e integração de diversos serviços", afirma Amaral, da TVA. Segundo ele, a grande inovação é que o set top-box se dissocia do aparelho de TV, passando a ser um hub para conectar todos os equipamentos da casa como computadores, video games e TVs.

Já os equipamentos Orby, que até o final de 2008 a Telefônica esperava lançar comercialmente no primeiro trimestre deste ano, podem chegar apenas para o segundo semestre. Isso porque o equipamento, similar a um "smartphone fixo" e que conta com uma pequena tela sensível ao toque e com conexão à Internet, ainda está muito caro, algo em torno de R$ 1,5 mil. "Estamos negociando com o fabricante nos Estados Unidos para tentar oferecer o equipamento em um pacote de serviços e diluir um pouco esse custo. Além disso, ainda precisamos montar uma rede de assistência técnica. Devemos ter isso para o segundo semestre, vai depender da negociação e do câmbio", conta Fabbris, diretor de produtos residenciais da tele.

Pacotes

O Trio Xtreme será comercializado em quatro pacotes. Todos incluem um ponto adicional em standard definition. Os conteúdos on demand e pay-per-view são cobrados separadamente.

– Trio 8 MB: R$ 269,90, incluindo banda larga com 8 MB de download e 1 MB de upload, TVA Xtreme Família, Voz Xtreme + assinatura com ligações locais ilimitadas para telefone fixo, modem Wi-Fi e instalação grátis.

– Trio 8 MB HD: R$ 289,90, incluindo banda larga com 8 MB de download e 1 MB de upload, TVA Xtreme Total, Voz Xtreme + assinatura com ligações locais ilimitadas para telefone fixo, modem Wi-Fi + decoder HD e instalação grátis.

– Trio 30 MB: R$ 319,90, incluindo banda larga com 30 MB de download e 5 MB de upload, TVA Xtreme Total, Voz Xtreme + assinatura com ligações locais ilimitadas para telefone fixo, modem Wi-Fi e instalação grátis.

– Trio 30 MB HD+PVR: R$ 339,90, incluindo banda larga com 30 MB de download e 5 MB de upload, TVA Xtreme Total, Voz Xtreme + assinatura com ligações locais ilimitadas para telefone fixo, modem Wi-Fi + decoder HD + PVR com capacidade de armazenamento de 160 Gb e instalação grátis.

Investimentos

O projeto de levar fibra óptica até a casa dos usuários começou ainda em 2007 com um teste em 40 mil residências na região dos Jardins e agora, após mais de R$ 100 milhões investidos para passar a fibra óptica em 26 bairros da capital paulista e em mais 8 cidades do Estado, a rede de FTTH (fiber-to-the-home) da Telefônica chega a um total de mais de 370 mil residências. E embora Fabbris, da Telefônica, não possa revelar o valor exato, ele garante que o investimento em fibra em 2009 não será inferior ao do ano passado.

Nas cidades da região metropolitana de São Paulo e ainda em Campinas, Santos e Sorocaba, onde está a rede FTTH, a operadora oferece apenas banda larga e voz ilimitada sobre fibra. "Complementamos a oferta com o serviço 'Telefônica TV Digital', utilizando DTH", diz Fabbris.

Leila Lória, da TVA, aguarda para março a apreciação por parte da Anatel de novas licenças de TV a cabo para outras cidades no Estado de São Paulo. "Estamos batalhando há um bom tempo por essas novas licenças de TV a cabo para podermos usar infra-estrutura de terceiros e nos dedicarmos ao que realmente sabemos fazer, que é operar o serviço".

Decisão da Anatel sobre faixa de 2,5 GHz não agrada mercado

Deve ter sérias consequências a decisão da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) de prorrogar, por 15 anos, a autorização para que as empresas de MMDS [distribuição de TV por assinatura por microondas] utilizem o espectro de 2,5 GHz necessário ao serviço. Segundo apurou este noticiário, a posição da agência desagradou todas as partes interessadas direta ou indiretamente na questão, seja entre empresas de celular, que pleiteavam um pedaço do espectro, seja entre as próprias empresas de MMDS, que estão intrigadas com o que acontecerá com os preços destas faixas daqui a um ano. A confusão se deve ao fato de que nenhuma das partes consegue entender a legalidade da decisão da agência.

Ao que tudo indica, segundo apurou este noticiário, a Anatel deu uma solução para o impasse que não contou com o respaldo jurídico da procuradoria da agência. Parecer da procuradoria especializada da Anatel diz que a prorrogação deverá ser realizada uma única vez pelo prazo de 15 anos e deverá ser sempre de forma onerosa.

A proposta da procuradoria, por outro lado, se tivesse sido aceita pelo Conselho Diretor (o que não aconteceu) seria igualmente polêmica: seria dada às empresas, por no máximo 24 meses, uma prorrogação excepcional por meio de uma outorga de autorização especial até que a Anatel conseguisse resolver, em conjunto, todas as pendências inerentes à exploração da faixa de 2,5 GHz. As pendências seriam: um estudo embasado sobre o valor da faixa, a revisão da Resolução 429/2006 e a revisão da regulamentação do MMDS, que no entender da procuradoria, hoje se choca com as regras do Serviço de Comunicação Multimídia (SCM).

Esta proposta de uma autorização excepcional teria sido inclusive discutida e aceita pelo Tribunal de Contas da União, que na semana passada esteve na Anatel olhando de perto como a agência está conduzindo a questão da renovação das outorgas de MMDS. E, de fato, a procuradoria usou dois precedentes do TCU, que aceitou a figura de uma autorização especial em dois casos: um do setor de transportes (Acórdão 211/2009) e, outro, dos Correios (Acórdão 2444/2007).

Indefinição

Também segundo fontes da agência, a proposta da procuradoria foi rejeitada pelo conselho porque não ficou claro o que aconteceria após estes dois anos de autorização especial: as empresas de MMDS teriam mais 15 anos de autorização regular? Ou teriam apenas 13 anos de autorização? E se optassem por não aceitar as condições, teriam que desligar os sistemas imediatamente? A decisão da Anatel pela prorrogação de 15 anos, mas sem definir o preço, foi unânime entre os conselheiros, mas, estranhamente, não contou com proposta de nenhum relator.

Segundo conversas informais que este noticiário teve com fontes do setor diretamente interessadas no assunto, o sentimento corrente é de que é absolutamente impensável que alguém tenha uma autorização de uso de uma radiofrequência sem saber quanto vai pagar por ela. E, eventualmente, sujeito ao pagamento retroativo pelo período até que o preço seja estabelecido, conforme dispõe o ato publicado nesta segunda, 16 de fevereiro. "Se por um lado os operadores de MMDS ficam tranqüilos porque o espectro está assegurado, por outro há uma grande insegurança jurídica por não se saber o valor a ser pago por este espectro". Conforme já adiantou este noticiário, os operadores que hoje dispõem de autorizações de uso da faixa de 2,5 GHz (entre os principais estão Telefônica e Net Serviços) têm uma tese jurídica construída sobre isso: a Anatel tem que cobrar conforme estabelece o Regulamento de Cobrança pelo Preço Público pelo Direito de Uso de Radiofrequência (Resolução 387/2004), o que daria algumas centenas de milhares de reais. A procuradoria da Anatel contesta essa interpretação e diz que essa hipótese seria permitir o enriquecimento ilícito sem causa da empresa, sem remunerar a União adequadamente pelo uso do espectro. A procuradoria insiste que no caso da faixa de 2,5 GHz é fundamental a realização de um estudo técnico e mercadológico, assim como foi feito com as faixas de 3G, em procedimento inclusive avalizado pelo Tribunal de Contas da União. As faixas de 3G, vale lembrar, renderam à União R$ 5 bilhões, incluído o desconto dado em função as obrigações de levar celular a todos os municípios.

Por outro lado, fica claro o incômodo que a decisão da Anatel causou aos operadores de telefonia celular, que ambicionam utilizar a faixa de 2,5 GHz para a expansão de seus serviços de transmissão de dados com a tecnologia LTE. Hoje, não existe previsão da Anatel para que a faixa de 2,5 GHz seja utilizada para o Serviço Móvel Pessoal, mas este é um dos itens propostos na revisão da Resolução 429/2006, que está em curso dentro da agência. Uma das propostas é a destinação primária de parte da faixa ao SMP a partir de 31 de dezembro de 2012.

Sem saída

O que fica claro ao se analisar os pareceres técnicos e jurídicos que vêm abastecendo o conselho da Anatel sobre a questão da faixa de 2,5 GHz é que não havia solução fácil, nem solução perfeita. O conselheiro Antônio Bedran, por exemplo, chegou a escrever em sua análise sobre a revisão da Resolução 429/2006 (que será avaliada pelo conselho apenas em março) que a situação é de instabilidade e indefinição em relação à faixa do MMDS. A consulta pública que sugeriu um Termo de Autorização para a Exploração do Serviço de MMDS faz referência a um suposto "direito adquirido" das empresas de MMDS. A procuradoria, por sua vez, contesta a consulta da própria Anatel e diz que não pode haver direito adquirido se todos os requisitos legais para a aquisição do direito pleiteado não tiverem sido cumpridos.

Segundo a procuradoria, essa condição não existia, pelo menos não até esta sexta, dia 16, quando os atos da Anatel outorgaram o direito de exploração do espectro de 2,5 GHz pelos próximos 15 anos. No entanto, ao não cobrar imediatamente por este direito, a Anatel pode estar cometendo ilegalidade. E se cobrar com base em critérios a serem definidos, estará contrariando o entendimento das empresas de MMDS, que segundo a própria Anatel, cumpriram os prazos legais necessários para a solicitação da prorrogação da autorização.