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Em reunião com Lula, presidente da Anatel ouve queixas sobre trabalho da agência

Uma reunião cheia de mistério entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Ronaldo Sardenberg, marcou esta quinta-feira (19). Sardenberg foi sozinho ao encontro com o presidente da República e não contou nem mesmo com o apoio de assessores, como é praxe nessas visitas ao Palácio do Planalto. O tema da conversa não foi revelado, mas os comentários dentro e fora do Planalto são de que o presidente da Anatel teria ido negociar uma posição em alguma embaixada.

No entanto, segundo fontes palacianas, o presidente Lula teria aproveitado o encontro, solicitado pelo próprio Sardenberg com a intermediação do ministro das Comunicações, Hélio Costa, para cobrar explicações sobre uma série de atos da Anatel que estaria comprometendo a execução de políticas públicas do governo. O ponto principal do incômodo seria o atraso no cumprimento das metas do programa "banda larga nas escolas", projeto do governo de levar internet em alta velocidade a todos os centros de ensino públicos localizados nas capitais.

As explicações dadas pelas empresas de que o atraso teria relação com a suspensão liminar da implantação de backhaul como uma meta de universalização incomodaram o governo, que quer saber quando a Anatel resolverá esse impasse. A cobrança é para saber quando a agência pretende regulamentar o backhaul, exigência esta que deveria ter sido cumprida em agosto do ano passado.

Assim, Sardenberg teria sido questionado se a Anatel pretende fazer uma consulta pública sobre esta nova regulamentação e em quanto tempo isso seria iniciado. Nesse processo a agência reguladora poderia definir a natureza do backhaul e esclarecer de uma vez por todas o alcance da reversibilidade desta rede. É a existência de dúvidas sobre o retorno desta infraestrutura à União ao fim das concessões (2025) que fizeram a Justiça suspender a expansão do backhaul como uma meta de universalização.

Segundo informações passadas à Casa Civil, a Oi já teria concordado em assinar a cláusula assegurando a reversibilidade do backhaul e a Telefônica deve dar uma resposta ao governo neta sexta (20).

Prorrogação sem preço

As ações da Anatel com relação ao serviço de MMDS também estão sendo questionadas pelo Planalto. O tema já chamou a atenção da Casa Civil, que teria encaminhado ao presidente Lula dois pontos problemáticos mais aparentes nas execuções da agência de telecomunicações. O primeiro ponto que o Planalto quer ver esclarecido é por que a Anatel decidiu prorrogar por 15 anos as licenças de MMDS mesmo sem ter ainda um preço definido para a remuneração das radiofrequências usadas por este serviço.

A decisão de prorrogar 11 licenças de uso de radiofrequências sem o preço para sua exploração foi tomada na sexta-feira passada (13) pelo Conselho Diretor e os atos confirmando o alongamento do prazo foram publicados no Diário Oficial da União de segunda-feira, 14. A Anatel definiu um prazo de 12 meses para apresentar os valores a serem cobrados das empresas que substituirão o Preço Público pelo Direito de Uso de Radiofrequência (PPDUR) em vigor atualmente. Para o Planalto, esse "deslize" da Anatel pode abrir espaço para que o Tribunal de Contas da União (TCU) conteste a prorrogação.

WiMAX

Outro item envolvendo o MMDS é a insistência da Anatel em não certificar e homologar equipamentos que funcionam com tecnologia WiMAX na faixa de 2,5 GHz, fatia esta do espectro destinada ao MMDS. Há pelo menos oito meses a Anatel não homologa os pedidos de certificação de produtos da família WiMAX, mesmo não tendo tomado nenhuma decisão oficial que justifique a suspensão.

A ordem para não homologar nem certificar esses produtos, teria partido informalmente do Conselho Diretor e jamais foi revisada. O tema voltou à pauta do comando da Anatel há duas semanas com um pedido da área técnica para que a Anatel formalize a suspensão caso deseje mantê-la. A relatora do processo, conselheira Emília Ribeiro, votou para que as homologações sejam retomadas imediatamente, mas a análise foi suspensa por duas vezes por pedidos de vistas de Sardenberg. E, na última reunião, o presidente da Anatel pediu mais 30 dias para reapresentar o caso aos demais conselheiros.

Para o Planalto, esta atitude da Anatel tem prejudicado empresas e fabricantes, inclusive nacionais, ao impedir o início da oferta de WiMAX no Brasil. E já começam a surgir comentários que esta "barreira burocrática" poderia ser usada contra o Brasil junto à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Esse cenário tem sido interpretado por parte do governo como uma infração às atribuições da agência: em lugar de se portar como um órgão técnico executor das políticas públicas, a Anatel estaria, ela própria, fazendo política ao decidir qual serviço será ou não prestado no país e por quais empresas.

No Rio, morro Santa Marta recebe sistema de internet sem fio

Após o carnaval, o Morro Santa Marta, na Zonal Sul da cidade do Rio de Janeiro, será o primeiro a receber um sistema de banda larga sem fio em uma favela. Quase dez mil moradores terão acesso à rede que é sustentada por 16 antenas, ainda em fase de testes, que foram instaladas no começo do mês.

O sistema, que custou R$ 490 mil ao governo do estado, possibilitará o acesso aos moradores após ações da polícia militar que acabaram por desmantelar redes clandestinas de TV e internet, desconectando a maioria dos moradores. Segundo informa a Agência Estado, apesar da falta de recursos dos moradores do morro, boa parte das casas possui computadores e os jovens da região frequentam lan houses improvisadas. Agora, com o novos sistema, cujo sinal será transmitido por rádio, o acesso poderá ser feito sem o pagamento de provedores.

Segundo o secretário especial de Ciência e Tecnologia do Rio, Rubens Andrade, entre os 40% de cariocas que têm computador em casa, só 34% estão conectados. "Muitas vezes, as pessoas conseguem comprar um computador mas não têm condição de pagar o preço de mercado das operadoras. Acredito que o programa incentivará ainda mais o uso da internet", disse. Ele acrescentou, ainda, que cursos de inclusão digital serão oferecidos em pontos públicos de acesso a computadores.

Ainda segundo informações da Agência Estado, alguns dos equipamentos usados na implantação da rede no Santa Marta, foram reaproveitados do sistema de comunicação da Polícia Militar nos Jogos Pan-Americanos de 2007.

Tecnologia é opção para massificar o serviço no Brasil

Em entrevista à Agência Brasil, concedida nesta quinta-feira (19), a conselheira da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel), Emília Ribeiro, garantiu que o seu relatório sobre a regulamentação da prestação de serviços de internet via rede elétrica estará pronto até o final de março. Depois disso, as normas devem ser analisadas pelo Conselho Diretor da agência e, se forem aprovadas, as empresas estarão autorizadas a oferecer o serviço comercialmente.

“É muito importante decidir essa questão, porque é mais uma forma de expandir a banda larga para todo o país de forma mais barata, para aumentar a competição também”, afirmou a conselheira. Ela diz que está ouvindo todos os setores interessados, e que algumas experiências já estão sendo realizadas no país.

Com a transmissão de dados em alta velocidade pela rede elétrica, as tomadas residenciais passam a ser pontos de rede, se conectadas a um modem. Emília Ribeiro explica que os dados serão transmitidos por meio de fio elétrico ou por outro cabeamento no poste de energia. O sinal da internet banda larga chega até as residências pela caixa de energia elétrica e é transmitidos por dentro da rede.

Uma das empresas que aguarda uma definição da Anatel é a Eletropaulo Telecom. Em novembro do ano passado, a empresa divulgou estar 'pronta" para ofertar o serviço comercialmente. Para isso, aguardava tão somente, a regulamentação oficial por parte da Agência Nacional de Telecomunicações.

A empresa paulista tomou uma decisão estratégica: Não venderá serviços diretamente para o usuário, mas sim para as operadoras e prestadoras de serviços, as quais, atualmente, já contratam a capacidade da Eletropaulo Telecom para comprar circuitos de backhaul (backbone) e de última milha.

"Houve a decisão de não competir diretamente com os nossos clientes", afirmou a diretora Geral da AES Telecom, Teresa Vernaglia. Desde novembro de 2007, a Eletropaulo Telecom testa a tecnologia BPL(Broadband Powerline) que é baseada no modelo europeu, mas na prática bastante semelhante à PLC (PowerLine Communications), de origem norte-americana.

"Não há diferenças gritantes. Elas são bem parecidas", garantiu a executiva. O modelo da Eletropaulo Telecom não é unanimidade. A Copel – Companhia de Energia do Paraná – também testa a tecnologia e já afirmou que planeja, sim, vender o serviço – quando autorizada pela Anatel, aos usuários finais, competindo, assim, diretamente com as operadoras de telecom.

A conselheira Emília Ribeiro foi sorteada para relatar a questão no final de janeiro. Ela terá que analisar mais de 455 contribuições apresentadas na consulta pública realizada pela Anatel sobre o assunto entre agosto e setembro do ano passado.

Na regulamentação, a agência propõe que a comunicação a ser estabelecida pelo sistema BPL/PLC, confinada nas redes de energia elétrica, somente possa ocorrer na faixa de 1.705 kHz a 50 MHz. Emília Ribeiro declarou que para tomar a sua decisão final – e apresentar ao Conselho Diretor – fará consultas à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), à Eletrobrás e à Eletronorte.

*Com informações da Agência Brasil.

Caso Sarney escancara ausência de controle sobre coronelismo eletrônico

Ex-presidente da República, parlamentar mais antigo em atividade (sua primeira eleição para deputado federal foi em 1955), em sua terceira gestão à frente do Congresso Nacional cujo triunfo recente foi caracterizado pela revista britânica The Economist como “uma vitória do semi-feudalismo”. José Sarney (PMDB-AP), 79, acaba de agregar ao currículo uma peça das mais curiosas, mais contestada fora do Brasil do que pela imprensa nativa. E não se trata de sua nova velha eleição à presidência do Senado Federal, mas do registro policial de uma prática conhecida, porém alvo de vista-grossa das autoridades competentes: o uso de concessões de rádio e TV para a defesa de interesses políticos particulares.

“Põe na TV. Manda botar o destino do dinheiro recebido” é a ordem que o senador dá a seu filho Fernando, que comanda a TV Mirante, afiliada da Rede Globo no Maranhão. O que o filho deveria colocar na TV é uma informação que ligaria o filho de Aderson Lago, primo do governador Jackson Lago e chefe da Casa Civil do governo estadual, a um esquema de desvio de verbas públicas. A conversa entre os dois foi publicada pela Folha de S. Paulo no último dia 9 e surgiu em escutas legais da Polícia Federal, que investiga movimentações financeiras feitas pela família Sarney durante a eleição de 2006.

Nesta eleição, Lago derrotou a filha de Sarney, Roseana. Agora, o atual governador enfrenta um processo de cassação junto ao Tribunal Superior Eleitoral. Com exceção da desfaçatez da confissão do senador, o fato de o clã Sarney não poupar sua concessão pública de TV na guerra com o governador Jackson Lago e seu primo poderia ser considerada quase como não novidade.

O “imortal” José Sarney detém concessões de rádio e TV por todo o Maranhão, além de jornais impressos. Em um dos estados mais pobres da federação, seu poder político atravessa décadas, sustentado tanto pelo poder econômico, quanto pela influência simbólica exercida através do controle de tantos veículos de comunicação.

Nesse contexto, o quase monopólio da informação se converte no que alguns especialistas da área de comunicação classificam como “coronelismo eletrônico”. “De modo geral, é a posse direta dos meios de comunicação e seu uso para fins políticos, assim como a posse da terra. O conceito transfere para os meios de comunicação o que existe em relação ao latifúndio”, explica Cristiano Aguiar Lopes, mestre em Comunicação pela Universidade de Brasília e consultor legislativo da Câmara dos Deputados.

A materialização disto pode ser observada através da descrição do professor Francisco Gonçalves, do curso de Comunicação Social da Universidade Federal do Maranhão. Segundo ele, existe no caso dos meios de comunicação, uma estrutura patrimonialista, que ganha particularidades no estado “uma vez que este modelo é utilizado [no MA] para negar a voz a determinados segmentos da sociedade, contrários a determinadas posições do grupo e/ou que fazem oposição política”.

“É preciso lembrar que este não é um problema que ocorre apenas no campo do sarneísmo”, lembra Gonçalves. “No caso específico do Maranhão, os coronéis eletrônicos se dividiram: uma parte está com o atual governo, outra com a oposição. Acontece que a maioria está na oposição.”

Dono do mundo

Lopes acredita que, no caso dos Sarney, a utilização política dos meios de comunicação serviu mais para reforçar um domínio que já existia, do que para construí-lo. Família de grande influência, o clã estabeleceu seu poder midiático em uma época onde não havia critérios para a concessão de outorgas.

“No inicio, era preciso ter um capital bastante expressivo, sobretudo no caso da TV. Além de influência, é preciso dinheiro” explica. “Quando começa a haver licitação [na segunda metade da década de 90] para a distribuição de outorgas, faz-se uma média ponderada entres os aspectos técnico e financeiro.” Contudo, é evidente que para atender aos critérios técnicos, o poder econômico se torna um argumento bastante convincente.

Como ocorre em vários outros estados, não é apenas através de suas próprias concessões que a família Sarney controla a mídia maranhense. Segundo Gonçalves, é preciso avaliar que além do controle familiar sobre o Sistema Mirante, existe todo um grupo político que o cerca e que controla outros veículos, além das retransmissoras de TV no interior afiliadas à rede dos Sarney. Isso aumenta significativamente seu poder de influência. “Basta lembrar que o segundo maior grupo de mídia do estado é da família do atual ministro de Minas e Energia [Edson Lobão], cujo filho, administrador do grupo, era o seu suplente de senador e que assumiu a vaga dele recentemente.”

Legislação permissiva

Não existe, no entanto, na legislação vigente sobre o tema, nada que proíba expressamente que um concessionário utilize sua outorga para uso político. É uma falha grave e uma demonstração da discricionariedade com que os legisladores têm tratado o tema ao longo dos anos. Enquanto não há ressalvas para os radiodifusores comerciais, a Lei 9612/98, que regula a radiodifusão comunitária, é explicita na vedação a qualquer tipo de proselitismo político ou religioso.

A Constituição Federal, por sua vez, proíbe que parlamentares detenham concessões, o que também é largamente desrespeitado. Segundo estudo da pesquisadora Suzy dos Santos, apenas no Maranhão, cerca de 70% das geradoras e 60% das retransmissoras são controladas por políticos. Todas as afiliadas à Rede Globo estão nesta situação.

“É uma situação imoral, mas é difícil enquadrar como ilegal, porque o sistema permite”, lamenta Lopes. “Há um debate e o Ministério das Comunicações tem um entendimento bastante sui generis: não pode ser diretor, mas pode ser dono.” É esta infinidade de interpretações que perpetua um sistema arcaico, em que também são exemplos Inocêncio de Oliveira em Pernambuco, Paulo Otávio no Distrito Federal e o espólio de Antônio Carlos Magalhães na Bahia, entre tantos outros casos.

“O modo de impedir esta situação seria restringir [o controle de concessões] para que tem mandato eletivo, além de democratizar as comunicações, através das rádios comunitárias, por exemplo”, afirma Lopes.

* Colaborou Luciano Nascimento, para o Observatório do Direito à Comunicação.

Emília Ribeiro promete relatório para março e implementação ainda este ano

Os brasileiros poderão acessar a internet banda larga por meio da rede de energia elétrica ainda este ano. A conselheira da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) Emília Ribeiro garante que o seu relatório sobre a regulamentação da questão estará pronto no fim de março. Depois disso, as normas devem ser analisadas pelo Conselho Diretor da agência e, se forem aprovadas, as empresas já podem oferecer o serviço.

“É muito importante decidir essa questão, porque é mais uma forma de expandir a banda larga para todo o país de forma mais barata, para aumentar a competição também”, afirmou a conselheira, em entrevista à Agência Brasil. Ela diz que está ouvindo todos os setores interessados, e que algumas experiências já estão sendo realizadas no país.

Com a transmissão de dados em alta velocidade pela rede elétrica, sistema conhecido como BPL, as tomadas residenciais passam a ser pontos de rede, se conectadas a um modem. A conselheira explica que os dados serão transmitidos por meio de fio elétrico ou por outro cabeamento no poste de energia. O sinal da internet banda larga chega até as residências pela caixa de energia elétrica e é transmitidos por dentro da rede.

Outra bandeira defendida por Emília Ribeiro dentro da Anatel é a utilização da banda larga no serviço público. Segundo ela, o país pode economizar muito com a informatização de serviços como saúde, educação e segurança.

“Não se discute a importância disso, é uma necessidade. Mas a forma de fazer ainda está sendo amadurecida. É uma política de governo, depende da vontade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e do ministro [das Comunicações] Hélio Costa. Tenho certeza de que eles têm essa vontade, quem não quer ver um governo informatizado? Mas temos muitos desafios, como a extensão territorial”, afirma.

Segundo a conselheira, uma das alternativas para expandir o serviço seria por meio da universalização da banda larga nas escolas, com os sistemas de backhaul, que é a infra-estrutura de rede para conexão em banda larga. “Não custa muito para o governo um estudo que faça o serviço chegar à segurança, à saúde, à cultura. Uma política de governo que tem uma iniciativa já feita e basta mais um fôlego para avançar”, defende.

“É uma questão inadiável, inaceitável, me sinto em uma agonia terrível por não conseguir que esse serviço seja disponibilizado para a nossa população”, lamenta.