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Sob críticas, Anatel debate mudanças nos contratos

A Anatel promoveu nessa quarta (13) em São Paulo, a terceira etapa das audiências públicas sobre a revisão dos contratos de concessão do Serviço Telefônico Fixo Comutado (STFC) e o Plano Geral de Metas de Qualidade para o STFC (PGMQ).

Cerca de 50 pessoas estiveram presentes, entre representantes da sociedade civil e das operadoras Telefônica, TIM, Transit e Claro. Os que mais se manifestaram, porém, foram os representantes de associações de defesa do consumidor e de usuários de serviços de telefonia. As críticas e propostas giraram em torno da implantação de um plano de metas de competição, um sistema mais claro do modelo de tarifação e fiscalização mais efetiva por parte da agência reguladora e a criação de um ambiente regulatório mais favorável à entrada de novos competidores.

O modelo das audiências públicas, que dispõe de tempo restrito para as intervenções do público, também foi questionado, assim como o vocabulário dos representantes da Anatel, a pouca transparência e retorno à sociedade dos resultados das reuniões, e o reduzido prazo (60 dias) para a consulta pública de três textos de tamanha complexidade e importância. A representante do ProTeste, Flávia Lefèvre, ressaltou a falta da desagregação de redes e do Plano Geral de Metas de Competição, itens exigidos para a postergação dos contratos em 2005 e que nunca foram observados pela Anatel.

Em resposta à crítica sobre a ausência do modelo de custos, o gerente geral de competição da Anatel, José Gonçalves Neto, revelou que a agência pretende contratar uma consultoria ainda neste ano para auxiliar na consolidação desse item, que permitirá o cálculo do reajuste das tarifas baseado no custo real das operadoras.

A consultoria acessará os dados contábeis das concessionárias de telefonia fixa e, com base nas informações reunidas, irá propor ajustes, avaliará a eficiência das empresas na alocação dos recursos e a consistência da base de dados apresentada. Com isso, a consultoria poderá propor um modelo baseado nos custos reais das operadoras, descontadas eventuais falhas na gestão. A contratação da consultoria se justifica, segundo Neto, pois "o trabalho demanda expertise e pessoal que a Anatel não tem".

Bens reversíveis

Durante a audiência, a Anatel se mostrou preocupada com a aprovação de um regulamento mais preciso e claro sobre bens reversíveis. Segundo Fernando Pádua, superintendente substituto de serviços públicos da Anatel, por conta do processo de atualização dos contratos com as concessionárias, é preciso tornar mais claro o conceito de bens reversíveis.

Atualmente a Anatel define bens reversíveis como os equipamentos, infra-estrutura ou qualquer outro bem, móvel ou imóvel, inclusive bens de massa (como cabos de rede metálica, fios, dutos, etc.) integrantes do patrimônio da prestadora, de sua controladora, controlada ou coligada, indispensáveis à continuidade e atualidade da prestação do serviço de telefonia pública (STFC). Pádua revelou que o novo texto, que entra em vigor a partir de 2011, também abordará a reversibilidade do backhaul e será submetido a consulta pública ainda neste ano.

Título original: "Sob críticas de entidades, Anatel debate mudanças nos contratos".

Novo marco regulatório deve promover diversidade

Se existe uma unanimidade entre governantes, empresários e ativistas da área das comunicações no Brasil ela diz respeito à urgência de reformar o marco regulatório do país para adequá-lo ao cenário da convergência tecnológica. Constatado o problema, as diferenças surgem quanto a dois aspectos centrais relacionados a ele: a caracterização do fenômeno e a forma da regulação a ser adotada. Para discutir estas questões fulcrais na atual conjuntura do setor, o Laboratório de Políticas de Comunicação da Universidade de Brasília (Lapcom) promoveu, nessa segunda-feira (11), o debate “Convergência das Comunicações e democratização”.

O encontrou contou com a participação de Gustavo Gindre, do Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, Alex Patez Galvão, coordenador do Núcleo de Assuntos Regulatórios da Agência Nacional de Cinema (Ancine) e com o professor da UnB César Bolaño. Para Gindre, a convergência deve ser entendida como um processo contraditório. Por um lado, a emergência do “mundo IP” [Internet Protocol] traz uma dinâmica dialógica para a troca de informação, que rompe com aquela consagrada no modelo da radiodifusão, caracterizada pela verticalização. Por outro, ela integra seus usuários sob a lógica da sociedade de consumo e promove uma estruturação concentradora do mercado da área.

Segundo Alex Galvão, esta tendência de concentração é resultado da característica da mercadoria informação produzida pelos diversos meios. Uma vez que ela possui alto custo de produção e baixo custo de distribuição, o mercado acaba privilegiando a formação de grupos com capital suficiente para fabricação dos produtos e serviços e integrado o suficiente para potencializar o reposicionamento dos conteúdos em diversos espaços e fases da cadeia de valor.

“É um mercado que tende à concentração horizontal, à integração vertical, e também à estratégia de expansão em diagonal (de escala e de escopo), que gera um reempacotamento em meios diferenciados”, analisa. Como conseqüência disso, acrescenta, “as empresas grandes, que têm muitas possibilidades de distribuição e mercados que são relativamente garantidos, podem cobrar preço muito baixo por aquilo que elas produzem, e mesmo assim tendo lucro, e continuar produzindo e vendendo para o mundo todo. E as empresas menores têm poucas possibilidades, e muitas vezes não conseguem competir com empresas de grande porte.”

Já César Bolaño considera que o fenômeno da convergência não está relacionado apenas às características próprias dos mercados da informação, mas ocupa papel central na consolidação de um novo padrão de desenvolvimento do capitalismo. Com a crise do padrão anterior, conhecido como fordismo e calcado no consumo em massa de bens duráveis, os grandes grupos empresariais passaram a disputar em nível internacional, o que demandou a inovação intensiva das Tecnologias d a Informação e da Comunicação (TICs).

Além de servirem de suporte à expansão global de conglomerados, as TICs, especialmente as telecomunicações, passaram elas mesmas a serem um nicho pressionado para uma migração da abrangência nacional para novos mercados ao redor do mundo. A quebras dos monopólios nos Estados Unidos e na Europa foram resultado destas pressões e possibilitaram a criação de grupos que passaram a buscar novos mercados, especialmente no dito “terceiro mundo” para serviços tradicionais, como a telefonia, e de valor agregado, como aqueles relacionados à Internet.

Para o professor da UnB, a digitalização dos suportes de informação, que começa na Internet e se expande para outras mídias tradicionais, é o ponto alto de maturação dos impactos tecnológicos deste processo. “A idéia da digitalização é chave tanto para o processo de reestruturação produtiva, da construção de novos setores, quanto do ponto de vista da retomada da hegemonia norte-americana, no projeto das infra-estruturas globais da informação”, disse.

Polêmicas em torno da Internet

Partindo desta avaliação, Bolaño destacou que é preciso desconstruir o mito de uma condição democrática a priori das novas tecnologias. “A internet te dá aparência de autonomia, de privacidade, em relação às formas tradicionais de construção da hegemonia, mas na verdade o que está acontecendo é o aprofundamento do processo de individualização e de relação do indivíduo diretamente com o sistema sempre mediada através do capital e da estrutura da sociedade de consumo. As formas de controle são cada vez mais transparentes, sutis, porque indivíduos passam a aderir a isso. Os malefícios da internet não são facilmente visíveis.”

Mas concordou com a avaliação de Gustavo Gindre de que existe um caráter contraditório na rede. No entanto, lembrou que esta esfera, para servir às lutas sociais, precisa ser conquistada por aqueles segmentos e forças que lutam por uma sociedade diferente, mais justa.

Já para Alex Galvão, o desafio não está relaciondo à fé ou não nos atributos deste novo meio, mas em como colocá-lo a serviço de um projeto democratizante. Para atingir este objetivo, o mercado não pode ser deixado à própria sorte, mas deve ser objeto de uma pesada regulação. “Alguns dizem que a Internet traz mais diversidade. Para você ter mercado, competição, no setor de mídia, e ter democratização da comunicação, é preciso ter Estado. Para mais mercado, é preciso mais Estado”, enfatizou.

Regulação para promover diversidade

Partindo desta premissa, Galvão defendeu que o objetivo central de uma nova regulação para um ambiente convergente seja a promoção da diversidade de pontos de vista e opiniões. “Quando falamos em democratização da comunicação, devemos considerar o direito à comunicação, a diversidade, o direito de resposta. São vários elementos mas vou centrar na diversidade de opiniões e pontos de vista”, assinalou.

Na opinião do representante da Ancine, a despeito da lógica concentradora, é possível dar um “choque de capitalismo” no setor das telecomunicações, desde que em um ambiente fortemente regulado por este novo marco. “O Estado deve usar o seu poder regulatório para equilibrar a oferta de serviços e garantir novos agentes, como por meio de mecanismos de cotas, por exemplo”, exemplificou.

César Bolaño concordou que a diversidade é um projeto central para o futuro marco regulatório convergente, mas ressaltou que é preciso colocá-la a serviço de um projeto diferenciado de comunicação e de sociedade. “Acho que a diversidade é importante, mas ela precisa ser colocada no plano da hegemonia, de quais vozes podem e conseguem se colocar na esfera dos meios de comunicação”, defendeu.

Assim, continuou, a diversidade deve ser pensada sob a ótica de abertura de espaço não a mais dos mesmos agentes empresariais, mas na promoção de meios públicos que expressem as várias facetas culturais, sociais e políticas do país e no controle dos meios privados comerciais de modo que estes respondam a contrapartidas pelo uso de bens públicos ou pela possibilidade de auferirem lucros em determinados mercados.

Regulação por camadas

Gustavo Gindre afirmou que a melhor forma de evitar a concentração que represa a diversidade e garantir um controle da população sobre a organização do mercado e sobre os serviços prestados é regular o ambiente convergente “por camadas”. Assim, haveria regramentos diferenciados para as camadas da infra-estrutura de distribuição (como as redes físicas por onde trafegam dados ou o espectro eletromagnético), lógica (aquele onde estão definidos os códigos para o tráfego de dados) e a dos serviços e conteúdos (onde se manifesta a produção, a programação e a definição de qual tipo de informação será ofertada de qual maneira ao cidadão).

“Hoje ainda regulamos por tecnologia, enquanto a tendência internacional é a regulação por camadas, assumir que infra-estrutura, seja ela física ou wireless [sem fio], é uma camada, tem a camada dos protocolos, e a camada do conteúdo/serviços. Para mim está claro que a camada de infra-estrutura é sim monopolística. Não é problema desde que eu assuma isso, tenha políticas para isso e libere a camada de conteúdo para explosão de diversidade”, sugeriu.

Segundo Gindre, a maioria dos países tem optado por este modelo. O exemplo mais conhecido é da União Européia, que atualizou a diretiva Televisão Sem Fronteiras extinguindo a divisão entre tecnologias para regular conjuntamente o que foi chamado de “serviços audiovisuais”. Para o Brasil, acrescentou, deveria ser pensada solução semelhante, considerando nossas especificidades. Este novo marco, no entanto, não pode ser resultado da queda-de-braço entre os radiodifusores, que vêm se enfraquecendo mas ainda possuem grande poder político no país, e as empresas de telecomunicações, que avançam pelas brechas e esperam um novo ambiente que têm certeza que virá cedo ou tarde.

Concordando com Bolaño e Galvão, Gindre defendeu que um marco baseado na regulação por camadas, para combater a concentração e promover a diversidade, deve: (1) impedir que um mesmo ator detenha a infra-estrutura e também preste serviços, (2) garanta que a infra-estrutura seja aberta a qualquer um que deseje oferecer serviços mas também que assegure a distribuição de agentes públicos e sem fins-lucrativos, (3) garantir recursos para que agentes não-comerciais possam produzir e distribuir seus conteúdos.

Para isso, concluiu, é preciso vencer dois desafios: o da banda larga e o do modelo de produção. No primeiro caso, é necessário superar o quadro atual, com apenas 18% dos lares contemplados com esta tecnologia, por meio de uma política de universalização ou calcada na separação entre infra-estrutura e oferta de banda larga, ou potencializando a rede física em posse do governo para construir uma infra-estrutura pública de banda larga para atender a população que não pode pagar.

No segundo caso, do modelo de produção, lembrou que atualmente toda a indústria de conteúdos tem trabalhado na lógica de clusters, ou pólos de produção. Temos que enfrentar este problema dando conta de promover a regionalização. Um obstáculo necessário à resolução deste nó é a reforma do modelo de financiamento da produção. “Temos que superar o modelo de renúncia fiscal, que acontece só no Brasil. Nós permitimos que o privado pegue o dinheiro público para financiar o setor”, defendeu.

Senado francês aprova lei que reprime troca de conteúdo online

O Senado da França aprovou nesta quarta-feira (13) a legislação que prevê desconexão de usuários que baixem conteúdo multimídia protegido por direitos autorais, por 189 votos a favor e 14 contra. A lei Hadopi já havia sido aprovada na terça-feira (12) pela Assembleia Nacional da França, equivalente à Câmara dos Deputados brasileira, após pressão do partido do presidente Nicolas Sarkozy, o Union for a Popular Movement (UPM).

Pela lei, um novo órgão governamental chamado Hadopi (“Alta Autoridade para Difusão de Obras de Arte e proteção de Direitos na Internet”, da sigla em francês), poderá cortar o acesso à internet de usuários reincidentes no download protegido por copyrights. Os dois primeiros avisos serão feitos por e-mail e carta. A partir do terceiro, a Hadopi terá poderes para cortar a conexão do usuário sem julgamento por um período que vai de dois meses a um ano.

Segundo comunicado publicado no site do Senado francês, o texto foi aprovado sem qualquer emenda em relação à versão votada pela Assembléia por cumprir exigências impostas pelos senadores. Entre elas estão a garantia de que o presidente da Hadopi será escolhido por votação, não por decreto; a obrigação do usuário que teve o acesso cortado ao pagamento do plano de banda larga durante a punição; e a impossibilidade de anistia aos considerados culpados.

O Senado francês também respondeu às críticas de que o projeto estaria em desacordo com legislação aprovada pela União Européia para combater a pirataria no continente, lei com "falhas legais significativas" e não deverão impedir regulamentações regionais, diz o senador Michel Thiolliére, do UPM. O Partido Socialista francês afirmou ao jornal Le Figaro que questionará a legitimidade da legislação no Conselho Constitucional da França, órgão de maior autoridade constitucional do país.

Jornais buscam salvação no formato

Os editores de jornais americanos, que lutam contra a forte redução de leitores e o fim de várias publicações, esperam garantir o futuro com a ajuda do livro eletrônico. Alguns pensam na ideia de cobrar pelo acesso às informações em seus sites, enquanto outros se unem para tentar obter dinheiro dos sites gerais de notícias, como o Google News, que reenviam ao internauta suas notícias.

A publicidade na internet é considerada por alguns um salva-vidas, mas representa atualmente menos de 15% do faturamento para a maioria dos jornais americanos. Uma das propostas que ganha popularidade consiste em vender assinaturas que permitam baixar os jornais em um suporte eletrônico, como o Kindle, o livro eletrônico da Amazon.

Magnatas da empresa, como Rupert Murdoch, proprietário da News Corp, buscam a criação de aparelhos eletrônicos do tipo.
A gigante japonesa Sony também estaria adaptando seu livro eletrônico para a leitura de jornais, assim como a Apple estaria trabalhando no próprio instrumento de leitura, em cores. “As empresas de notícias poderiam usar os novos aparelhos de leitura móveis para voltar a seu ofício básico de outra forma: vender assinaturas e sustentar os artigos com publicidade”, destacou recentemente o New York Times.

Uma solução desse tipo permitiria ainda aos editores de jornais economizar milhões de dólares com os custos de impressão e distribuição.
Um novo modelo apresentado na quarta-feira pela Amazon, o Kindle DX, oferece uma tela maior na comparação com os antecessores, mais adaptada à leitura de jornais. Mas a imagem continua em preto e branco e não oferece um fac-símile da versão em papel, já que não existe publicidade.

Washington Post, New York Times e Boston Globe – que escapou por pouco do fechamento graças a importantes concessões por parte dos sindicatos – manifestaram esperança no novo produto. As publicações anunciaram uma oferta promocional para o verão: um Kindle DX a preço reduzido em troca de uma assinatura a longo prazo.

Mas em um momento com acesso livre a tanta informação na internet, a ideia de que os aparelhos de leitura eletrônica constituem uma tábua de salvação para a imprensa gera ceticismo. “A noção de que um Kindle de tela grande, ou qualquer aparelho similar, possa salvar os jornais é uma piada”, afirmou o blog de tecnologia TechCrunch, que debate as novidades do Vale do Silício.

“Pensar que as pessoas correrão para estes novos Kindle gigantes apenas para ter o privilégio de pagar pelo conteúdo dos jornais é absurdo.” Ainda mais levando em consideração que o Kindle DX será vendido por salgados US$ 489, 150 a mais que as versões anteriores. A Amazon já propõe a leitura de dezenas de jornais aos usuários do Kindle, mas a quantidade de assinantes representa um percentual ínfimo em relação à distribuição das edições em papel.

Deputado cobra do Minicom política nacional de banda larga

O deputado Paulo Henrique Lustosa (PMDB-CE) apresentou à Mesa da Câmara indicação a ser encaminhada ao ministro das Comunicações, Hélio Costa, e ao presidente da Anatel (Agência Nacional das Telecomunicações), Ronaldo Sardenberg, sugerindo a formulação de uma Política Nacional de Banda Larga, com seu respectivo Plano de Metas de Universalização.

Ele acredita que uma clara definição de regramentos, estratégias e diretrizes para o desenvolvimento desta modalidade de serviços é fundamental para que se mantenham ou se ampliem os investimentos no setor de telecomunicações, assim como se abram novas oportunidades para a indústria nacional, tanto de equipamentos, como de serviços e de entretenimento.

Lustosa disse que essa política se faz necessária também porque em consulta pública (Consulta Pública Nº13 de 30 de março de 2009), recentemente lançada pela Anatel, traz um capítulo que trata “das metas de implementação da infraestrutura de rede de suporte do STFC para conexão em banda larga”, embora ainda não exista uma política pública nesse sentido. “O governo tem consciência da importância da oferta deste tipo de serviço como estratégia para alavancar o desenvolvimento nacional, não apenas para o setor das telecomunicações, mas da economia como um todo”, acredita o parlamentar.

Ele lembra que, recentemente, por iniciativa do próprio por iniciativa do governo e da Anatel, houve um acordo de troca de obrigações com as concessionárias de serviços de telefonia fixa comutada (STFC), assegurando oferta de conexão banda larga nas escolas urbanas brasileiras e, por decorrência, a oferta deste serviço em todos os municípios brasileiros.

“Mas ainda falta uma política pública nesse sentido”, reclama Lustosa. Sem isso, fica difícil obter recursos de determinadas fontes, como do Fust (Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações), que somam mais de R$ 6 bilhões e são pouco utilizados. O parlamentar cobrou andamento da elaboração de políticas públicas para o setor pelo Minicom que, no ano passado, chegou a realizar consulta pública com este objetivo, e até agora nada foi concluído.

A consulta foi lançada em abril de 2008, e o ministério recebeu mais de 2.600 contribuições, sobretudo de temas ligados a competição, universalização, gestão do espectro, telefonia rural, desenvolvimento industrial e tecnológico, e outros. O documento final e as audiências públicas previstas nunca aconteceram e o assunto morreu.

Metas de universalização

O deputado Paulo Henrique Lustosa defende que o Minicom retome esse projeto e inclua, entre as políticas públicas para telecomunicações, a de banda larga, com a prioridade que o tema merece.

Ele defende a definição da estratégia nacional de expansão da oferta de serviços da banda larga, enfatizando as diretrizes para o aproveitamento dos investimentos feitos pelas empresas de STFC, assim como o papel dos serviços móveis em tal estratégia; a definição de metas nacionais, regionais e estaduais de implantação da infraestrutura e subsequente expansão da oferta dos serviços, cuidando para que não se reproduzam mecanismos de exclusão de áreas; e a definição do montante a ser aplicado na estratégia de universalização e dos mecanismos de financiamento necessário, assim como da manutenção dos serviços de banda larga, quando associados à oferta de serviços públicos ou de interesse público.

O parlamentar vê ainda necessidade de estabelecimento, pela Anatel, de diretrizes para a definição das normas de operação e funcionamento dos prestadores de serviços, bem como dos padrões de qualidade, dos mecanismos de fiscalização e de regulação. Assim como os mecanismos de monitoramento e avaliação do processo de universalização da banda larga e de seus resultados. A indicação aguarda votação no plenário da Câmara.