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Classificação indicativa faz Globo cortar nudez de novelas

Em "Celebridade", no final de 2003, Juliana Paes mostrou os seios logo no primeiro capítulo. Depois, exibiu o bumbum. Na mesma novela, Deborah Secco fez topless. Em "Páginas da Vida", em 2006, Ana Paula Arósio fez striptease na noite de núpcias de sua personagem.

Cenas como essas sumiram das últimas novelas das oito da Globo. E não vão retornar em "Viver a Vida", a próxima do horário, de Manoel Carlos, um velho adepto da nudez para levantar a audiência.

"Hoje a classificação indicativa está muito mais rígida", justifica Octavio Florisbal, diretor-geral da Globo, sobre o recato das produções da casa.

O executivo aponta ainda mais dois motivos: a adoção de um manual de princípios e valores e a rejeição dos emergentes evangélicos -que hoje têm a opção de trocar as novelas da Globo pelas da Record. "As pesquisas mostram que parte do público é refratário a alguns excessos", afirma Florisbal.

A classificação indicativa, também apontada por autores de novelas como "a nova censura", é a ferramenta pela qual o Ministério da Justiça determina o que é adequado ou não para determinado horário. Cenas de nudez, pelo manual do ministério, só depois das 22h.

Pelas regras em vigor desde 2007, são as próprias emissoras que estipulam a classificação indicativa de suas obras, mas uma equipe do ministério assiste à programação da TV aberta e reclassifica os programas quando julga necessário.

Esporte e realities aquecem faturamento das TVs, que deve crescer 8% este ano

[Título original: TV quer crescer 8%]

Os pessimistas esperam 5%. Para os otimistas, a TV deve crescer cerca de 8% em faturamento no segundo semestre do ano. As apostas para essa driblada na crise são muitas: na Record, os patrocínios de A Fazenda e os da Olimpíada de Inverno prometem engordar o cofre da emissora.

"Prevemos aqui um crescimento de 15% em faturamento no segundo semestre", aposta o vice-presidente Comercial da Record, Walter Zagari.

Willy Haas, superintende Comercial da Globo, acredita que a TV voltará a aumentar sua participação no bolo publicitário. "A TV deve apresentar um excelente desempenho, com crescimento entre 5 e 6%." . Na Globo, o segundo semestre ganha reforço das vendas das cotas do BBB.

No SBT, o crescimento esperado é de 15%, enquanto a Rede TV! calcula que deve faturar 20% a mais que no mesmo período do ano anterior.

"Prevíamos crescer 8% no ano todo, mas chegamos a 9,8% só no primeiro semestre. Esperamos mais 12% para o segundo", fala Marcelo Mainardi, diretor Comercial da Band, que assim como a Globo, já conta com a venda antecipada de patrocínios para a Copa de 2010.

TV Brasil lança pitching de série inédita para produtores independentes

A TV Brasil anunciou hoje o primeiro edital para produtores independentes, na modalidade pitching, abordando o tema “Meio Ambiente e Sustentabilidade”. Na presença de cerca de 50 representantes das principais entidades do setor audiovisual, a diretora-presidente da EBC/TV Brasil, Tereza Cruvinel, informou que as inscrições para o concurso já poderão ser feitas a partir de amanhã ( 17) até 2 de setembro.

Desde a sua criação, a TV Brasil tem estudado a melhor forma de aquisição de programas realizados pela produção independente. Neste contexto, a presidente da EBC considera que o formato pitching é o que melhor atende à empresa e ao mercado. “Todo o processo tem que estar de acordo com a Lei de licitações 8.666, do governo federal', lembrou ela.

“É o nosso projeto pioneiro, o nosso piloto. Temos a humildade de dizer que é uma primeira experiência e um aprendizado, para que possamos aperfeiçoar os próximos concursos”, disse Tereza Cruvinel.

A proposta da TV Brasil foi bem recebida pelos representantes do setor audiovisual. “Quero registrar a revolução na produção independente que vocês estão fazendo”, afirmou com entusiasmo o produtor Ricardo Carvalho, da Fotossíntese de São Paulo. O presidente da ABPI ( Associação Brasileira dos Produtores Independentes de Televisão) Fernando Dias, parabenizou a iniciativa da TV Pública e ofereceu apoio ao projeto, desejando que ele seja “adequado para a grade de programação da emissora”.

Edital

O edital será publicado amanhã e está à disposição nos sites da TV Brasil e EBC. O objetivo do pitching é contratar um série inédita de programas para televisão, composta por 36 episódios de 36 min cada, em regime de co-produção com produtores independentes. Esses programas serão exibidos na TV Brasil e canais da EBC ou associados no Brasil e no exterior.

O concurso terá duas etapas. Na primeira, será feita uma pré seleção de 10 projetos técnicos. Em seguida, haverá uma seleção final da série, em sessão pública e aberta, com exibição de fita e defesa oral da proposta ( o pitching propriamente dito).

O resultado final do concurso será divulgado no dia 26 de outubro, com início da exibição da série escolhida em março do próximo ano.

Participaram do anúncio oficial do pitching, o diretor-geral, Paulo Rufino; o diretor de produção, Roberto Faustino, e o diretor- presidente da Acerp, Arnaldo Cesar.

Para Mais informações, acesse os sites da TV Brasil, www.tvbrasil.org e da EBC, www.ebc.com.br .

Calendário do pitching
Período de inscrição e habilitação: 20/07 a 02/09
Divulgação dos pré-selecionados: 08/09
Divulgação de resultado da primeira etapa: 30/09
Data do Pitching: 14/10
Divulgação do resultado final: 26/10

Votação na CDC fica para agosto

[Título original: PL 29: Falta de consenso e uma sucessão de adiamento]

O projeto de lei 29/2007, originalmente proposto para permitir a entrada das operadoras de telefonia no mercado de TV por assinatura, precisa de 'um banho de sal grosso'. Mesmo com duas sessões marcadas para esta quarta-feira (15), não houve deliberação na Comissão de Defesa do Consumidor. Não houve quorum para a primeira, marcada para às 10h, e a CDC entendeu por bem cancelar também a reunião das 14h, com a desculpa de que o horário se chocaria com a sessão extraordinária do Plenário.

Nenhuma surpresa. Afinal manobra semelhante aconteceu na semana passada, quando havia também uma previsão de sessão plenária pela manhã – o que não ocorreu, mas mesmo assim não houve votação do PL 29. Na semana anterior, o luto pela morte do deputado José Aristodemo Pinotti (DEM-SP) cancelou a reunião da CDC.

Agora é esperar pela volta do recesso parlamentar. Agosto talvez seja um mês mais apropriado para um projeto que parece 'amaldiçoado'. Mas é bom lembrar que foi em agosto do ano passado, ou seja, quase 12 meses, que uma manobra regimental tirou o texto da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática – a comissão de mérito sobre a proposta – e fez tudo começar de novo na CDC.

Assim como há um ano, está tudo pronto para a votação. O relator da proposta na Comissão de Defesa do Consumidor, Vital do Rego Filho (PMDB-PB), chegou a apresentar quatro versões de seu substitutivo, para corrigir pequenos tropeços de redação e deixar o texto mais claro.

Além de abrir o mercado de TV paga para as teles, o projeto estabelece cotas de programação nacional, prevê mecanismos de incentivo a produtores independentes e, a pedido dos radiodifusores, limita a venda de conteúdo audiovisual na internet ao impedir a atuação direta ou indireta das teles na produção e programação.

Agora além do substitutivo do relator, há uma proposta para votação em separado, de autoria do deputado Celso Russomano (PP-SP). Ele inclui no projeto a obrigação das empresas de TV por assinatura veicularem a programação das retransmissoras. Rego Filho tinha deixado essa questão para ser negociada entre as emissoras e as empresas de TV por assinatura.

Outra mudança sugerida por Russomano determina que os consumidores devem “receber cópia do contrato impressa com o objeto da contratação, incluindo data de inicio e termino do serviço”. Ele sustenta que, dá forma como acontece hoje, o consumidor não tem um documento onde ficam explicitados o que foi contratado ou por qual prazo.

Com tantos atrasos, fica difícil saber até quantos deputados apoiam ou não o projeto. Há mais de um ano não há debates sobre o tema, apenas adiamentos. E o projeto nem conseguiu passar pela Câmara. Se um dia conseguir, é provável o longo percurso se reproduza no Senado.

Disputa sobre regras da Confecom irrita governo

A disputa entre representantes das empresas e dos movimentos sociais no debate para elaboração das regras para realização da Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) desagrada profundamente o governo. A avaliação de técnicos dos três ministérios responsáveis pela coordenação do evento (Comunicações, Secretaria-Geral da Presidência e Comunicação Social) é de que a polarização das posições favorece a manutenção do impasse na construção do regimento interno, que balizará também a realização das etapas regionais da convenção.

O governo reafirma que não haverá limitações ao debate, como querem os empresários, mas ressalta que as discussões não podem se limitar ao marco regulatório vigente, como insistem os movimentos sociais. “Os debates não podem perder o foco do tema central da conferência, que visa o uso das tecnologias digitais para melhorar a qualidade de vida do brasileiro”, disse um dos técnicos. O tema central do evento é “Comunicação: meios para a construção de direitos e de cidadania na era digital", porém os temas secundários, que devem constar do regimento interno, é um dos pontos de embate entre empresários e militantes de entidades sociais.

Hoje, representantes das entidades empresariais que integram a comissão organizadora da Confecom se reuniram mais uma vez, na sede da Rede Globo, em São Paulo, para traçar estratégias conjuntas de atuação. Na quarta-feira, em reunião em Brasília, os empresários reiteraram a posição de que os temas secundários devem respeitar as premissas constitucionais sobre comunicação, como livre iniciativa e preservação dos marcos regulatórios. Defendem também paridade com as outras duas forças da comissão (governo e movimentos sociais) na indicação de delegados para o evento.

Já os representantes das entidades sociais repudiam a imposição de limites aos debates e rejeitam a paridade de participantes pelas três esferas que compõem a comissão organizadora do evento. “Os empresários não representam 1/3 da população, por isso é absurda esta pretensão”, disse Carolina Ribeiro, integrante da Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, que liderou manifestação ontem em prol da conferência, em frente ao Ministério das Comunicações.

A próxima reunião da comissão organizadora da Confecom sobre regimento interno está marcada para a próxima quarta-feira (22). Antes disso, os representantes dos três ministérios responsáveis pela organização do evento, se reúnem para definirem um plano de ação. “A ideia é pedir o bom senso das duas partes, mas podem decidir pela aprovação do regimento até sexta-feira (24), com ou sem consenso”, informou o técnico. Há, ainda, quem aposte até no adiamento da conferência, caso o impasse permaneça.

A plenária da Conferência Nacional de Comunicação está prevista para acontecer de 1º a 3 de dezembro em Brasília. Nos meses anteriores, serão realizadas as etapas regionais em todos os estados. A questão da recomposição dos recursos previstos para o evento, que caíram de R$ 8,5 milhões para R$ 1,6 milhão, após o corte no orçamento também preocupa. “Sem a volta desses recursos, a saída poderá ser mesmo o adiamento da conferência”, disse a fonte.