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Em proposta, Minicom diz que responsabilidade sobre o PNBL é sua

São recorrentes os comentários no mercado de que o Ministério das Comunicações estaria sendo, indevidamente, deixado de lado no processo de elaboração do Plano Nacional de Banda Larga (PNBL). As empresas, muito mais alinhadas com o projeto do Minicom, estão incomodadas com a iniciativa de criação de uma nova estatal, ou de uso da rede estatal existente, para oferta de serviços de banda larga. As críticas tornaram-se ainda mais duras depois que o presidente Lula manifestou a curiosidade de saber em que condições essa rede poderia ser usada também para acesso final ao cliente. Os estudos para isso serão entregues por volta do dia 15 de dezembro.

Aqueles que se queixam do fato de o Minicom estar sendo deixado de lado poderão usar, no próprio documento elaborado pelo ministério, palavras para endossar suas teses. A proposta do Minicom para um Plano Nacional de Banda Larga, tornada pública antes da reunião com o presidente Lula na terça, 24, diz o seguinte:

"(…) este Plano Nacional de Banda Larga faz parte da incumbência do Ministério das Comunicações, estabelecida no Decreto nº 4.733, de 10 de junho de 2003, que é o de formular e propor políticas, diretrizes, objetivos e metas. Dessa forma, o presente PNBL elenca um conjunto de diretrizes que deverão se desdobrar em ações sob responsabilidade dos diversos atores envolvidos (…)". Em outra passagem, o mesmo documento diz o seguinte: "os instrumentos regulatórios voltados ao fomento da massificação da banda larga podem ser classificados em duas categorias: instrumentos para promoção da oferta e instrumentos para promoção da demanda. Dadas suas peculiaridades, ambas podem ser utilizadas simultaneamente. Da forma como se encontra organizado o setor de telecomunicações no Brasil, pode-se dividir tais instrumentos entre Ministério das Comunicações e ANATEL. Dito de outra forma, pela própria atribuição de cada órgão, instrumentos de fomento da demanda são claramente da esfera do MC, ao passo que instrumentos reguladores da oferta são objeto de formulação por parte do MC e implementação por parte da ANATEL".

Por outro lado, dentro do governo a leitura mais comum é a de que o Minicom se mostrou pouco flexível para negociar suas posições com os demais órgãos incumbidos de elaborar estudos para o Plano Nacional de Banda Larga. Esta situação só se agravou quando o Ministério das Comunicações abandonou, e depois retornou, ao grupo de trabalho criado pelo Comitê de Inclusão Digital.

Conferência paulista reúne mais de 800

Estado com a maior população do país e sede das maiores empresas de comunicação, São Paulo realizou sua etapa preparatória da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom) marcada por dois momentos distintos. Ao longo do processo de organização e até horas antes da sua abertura oficial, prevaleceu o clima de antagonismo entre os diversos setores representados no processo, inclusive com pedidos de impugnação da conferência estadual por parte do empresariado. Durante os três dias de realização da etapa, de 20 a 22 de novembro, os mais de 800 inscritos participaram de debates marcados pela tranqüilidade.

Tensão e distensão, no caso paulista, têm razões idênticas: a metodologia imposta pelo regimento interno da Confecom, decidido pela Comissão Organizadora Nacional (CON).

O pedido de impugnação da etapa paulista foi elaborado às vésperas da realização da conferência pela Associação Brasileira de Radiodifusores (Abra) e questionava o fato de ter havido um acordo entre representantes dos pequenos empresários e das demais representações empresariais dentro da Comissão Organizadora Estadual para a eleição dos delegados do segmento.

O acordo previa a eleição proporcional, caso houvesse mais de uma chapa de candidatos a delegados. Antes do início do credenciamento, os pequenos empresários representavam 40% das inscrições feitas pela internet no segmento “sociedade civil empresarial”.

A carta enviada à Comissão Organizadora Nacional pela Abra baseava os argumentos pela impugnação da etapa no fato de o regimento da Confecom prever apenas que cada segmento deveria estabelecer as regras para definir sua delegação. Ou seja, em cada etapa realizada pelo país, cada segmento poderia estabelecer regras diferentes. Para a Abra, no entanto, o acordo em São Paulo era uma ingerência indevida da comissão estadual na eleição do setor.

A repercussão veio na forma de protestos dos pequenos empresários e do setor não-empresarial representado na comissão estadual, além de artigos e editoriais publicados pelos veículos alternativos. Durante o credenciamento dos participantes na conferência, no dia 20, quando as empresas de telecomunicações e as emissoras ligadas à Abra inscreviam diversos representantes – em geral, funcionários indicados por cartas de apresentação –, houve uma reunião, mediada por representantes do governo federal, para solucionar o impasse. O acordo permitiu dividir a delegação de 84 representantes entre os dois setores do segmento empresarial, sendo 20 vagas reservadas aos pequenos veículos de comunicação.

“Num primeiro momento, achávamos difícil fechar qualquer acordo, mas acho que foi um fato positivo para uma primeira conferência”, avaliou Wagner Nabuco, diretor da revista Caros Amigos. “Fizemos uma composição entre esses [pequenos] empresários, fechando essas 20 vagas: a Revista Fórum, Agência Carta Maior, da produção independente de televisão, além de representação dos pequenos jornais do interior”, relata. As teles e as redes de TV também fizeram esta composição para preencher as outras 64 vagas e a plenária do segmento empresarial, realizada na manhã do domingo (22), apenas endossou os nomes.

Esvaziamento

O regimento da Conferência Nacional de Comunicação dava poder de voto aos participantes das conferências estaduais apenas em duas questões: na eleição das delegações de cada segmento – sociedade civil empresarial, sociedade civil não-empresarial e poder público –, e na aprovação de moções. Ao contrário do que ocorre nas demais conferências nacionais, as etapas estaduais da Confecom não serviram para antecipar os debates sobre o temário e, através de votação, filtrar as propostas que serão levadas à etapa nacional.

Em São Paulo, como nas demais conferências estaduais, as discussões apenas agregavam as proposições feitas por quaisquer dos participantes. A comissão organizadora local incluiu na metodologia um processo de aferição do grau de aceitação das propostas entre os participantes dos grupos de trabalho, divididos pelos eixos temáticos da Confecom (Produção de Conteúdo, Meios de Distribuição e Cidadania: Direitos e Deveres). Desta forma, pretendeu-se garantir que os debates nos GT's ao menos refletissem a correlação de forças presente no processo da conferência.

Mesmo assim, com a única disputa – a definição dos delegados à etapa nacional – resolvida no primeiro dia, o setor empresarial esvaziou sua representação na conferência. Foi difícil encontrar participantes que representassem as grandes empresas de telecomunicações e das emissoras associadas à Abra nos grupos de trabalho. Na plenária final, que aprovou por aclamação as mais de mil propostas discutidas nos GTs e votou as moções apresentadas, não havia vinte representantes destes setores.

Discussão de princípios

A presença discreta dos grandes empresários na conferência paulista fez com que a etapa fosse marcada pelas posições das organizações e movimentos sociais. No painel que antecedeu o início dos trabalhos nos GT's no sábado (21), que tratou do tema “Princípios da Comunicação”, os palestrantes reforçaram pautas centrais deste setor.

Lurdinha Rodrigues, representante da Liga Brasileira de Lésbicas na Comissão Organizadora Estadual, reforçou as denúncias recorrentes dos movimentos sobre a sub-representação da diversidade nacional pelos meios de comunicação tradicionais, a difusão de preconceitos contra a população negra, os homossexuais e as mulheres, e o desrespeito aos direitos humanos. “Queremos que tudo isso mude no atacado e não caçar no varejo programas que não são preconceituosos”, disse Lurdinha, sublinhando a necessidade de a Confecom tratar da criação de mecanismos de controle público e social da mídia.

Representante do setor reunido sob o rótulo dos “pequenos empresários”, o diretor da Agência Carta Maior, Joaquim Palhares, lembrou que a diversificação das fontes de informação é urgente, mas não será possível “dentro do modelo atual, fortemente monopolista e excludente”. Palhares advogou em favor da aproximação dos diversos setores identificados com as pautas progressistas para o setor das comunicações. “Um dos primeiros passos é o fortalecimento da articulação politica entre todos os setores preocupados com a democracia da midia no Brasil. Mais do que declarações genéricas de apoio, precisamos construir iniciativas concretas, que mostrem a população a natureza do problema e como ele influencia a vida diariamente. Essa agenda deve avançar na Confecom.”

Já o ouvidor da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) e professor da Universidade de São Paulo, Laurindo Lalo Leal Filho, apontou o caráter histórico da realização da conferência, especialmente por aumentar o número de atores interferindo no debate das comunicações. Mas fez uma crítica direta ao argumento dos empresários, endossado pelo governo, em relação ao temário da conferência. “Temos que olhar para o futuro, mas devemos olhar para a história”, disse Lalo, em menção ao fato de que o empresariado gostaria de restringir o temário a setores ainda sem regulação própria, como a internet, deixando de lado a radiodifusão. “O Estado tem que resgatar a dívida que tem com a população na área das comunicações. Podemos fazer analogia com as terras agriculturáveis. Comunicação é terra devoluta wue os empresários ocuparam pelo interesse econômico. O Estado precisa tomar de volta para operar coisas do interesse do público.”

Movimentos marcam posição

Na maioria dos grupos de trabalho, o número reduzido de representantes do setor das telecomunicações e das emissoras de rádio e TV fez com que os debates ocorressem de forma a corroborar e ajustar posições das organizações e movimentos sociais. A maioria das proposições constantes do caderno editado pela comissão organizadora local, reunindo o resultado das dezenas de conferências municipais, intermunicipais e livres realizadas em São Paulo, refletiam também a baixa participação dos empresários nas etapas que antecederam a estadual.

Entre as propostas mais recorrentes, estão as relacionadas a mudanças no marco regulatório da radiodifusão, especialmente em relação aos processos de concessão de outorgas; a criação de conselhos ou outros órgãos participativos que intervenham diretamente nos rumos das políticas públicas do setor; medidas relativas à promoção da diversidade e a punição para veículos que violem os direitos humanos; a universalização da banda larga; o fortalecimento das mídias públicas e comunitárias, além da imediata regulamentação dos artigos constitucionais que dão parâmetros às atividades do setor.

Os participantes do setor empresarial concentraram-se em três dos nove grupos instalados pela organização e, nestes, defenderam uma pauta mínima. As teles marcaram posição em relação aos temas da universalização da banda larga, propondo medidas relacionadas especialmente à desoneração tributária da atividade. E os radiodifusores advogaram em prol da permissão para a multiprogramação.

Na plenária final, a representação da sociedade civil não-empresarial foi amplamente majoritária. Dos cerca de 200 participantes presentes, quase 90% pertenciam a este segmento e apenas os movimentos e organizações sociais apresentaram propostas de moções. Dos 16 textos lidos, apenas um foi rejeitado.

Entre as moções mais aplaudidas, estava a que criticava a omissão do governador José Serra (PSDB) em convocar a conferência paulista, que acabou sendo chamada pela Assembléia Legislativa e não contou com a presença de nenhum representante do governo estadual. Também foram aprovadas moções de repúdio dirigidas à Comissão Organizadora Nacional por conta do regimento que restringiu o papel das conferências estaduais e a forma como foi definido o número de delegados do estado de São Paulo, que representa 23% da população brasileira mas terá apenas 13% dos delegados na Confecom.

Outra moção que teve bastante repercussão foi a que questionava o papel da mídia na criminalização dos movimentos sociais, especialmente em relação ao Movimento Sem-Terra. Além disso, foi aprovada por aclamação a moção que dedicou a Conferência Paulista de Comunicação à Zumbi dos Palmares, cuja morte é lembrada no dia 20 de novembro, data de abertura da etapa.

Delegações

Assim como o segmento empresarial, o poder público e a sociedade civil não-empresarial realizaram suas plenárias para a definição das delegações à etapa nacional.

As 21 vagas de delegados destinadas ao poder público foram preenchidas considerando a representação na etapa e também para garantir uma representação mínima de cidades do interior paulista.

Já os 84 delegados da sociedade civil não-empresarial foram definidos a partir de critérios aprovados na plenária, que definiram a distribuição da vagas entre as entidades que participaram do processo de preparação da conferência estadual e das etapas municipais ou livres, além de reservar vagas também para as regiões do estado que realizaram etapas preparatórias. O nome das entidades e o número de vagas destinado a cada uma foram discutidos e aprovados por consenso pela plenária, que teve mais de 150 participantes. Os mesmos critérios também definiram a lista de suplências.

A delegação da sociedade civil não-empresarial terá representação de todas as regiões do estado de São Paulo, dos movimentos negro, de mulheres e da juventude, centrais sindicais e entidades diretamente ligadas ao tema da comunicação, como os sindicatos dos jornalistas, dos radialistas e o movimento software livre. Mais de 60% da delegação será composta por mulheres.

Proposta do Minicom prevê de isenções tributárias a editais de cabo

Para chegar ao objetivo de 90 milhões de acessos banda larga até 2014, o Ministério das Comunicações estabelece uma série de diretrizes que precisarão ser observadas pelos diferentes agentes de mercado. Como se observa, são linhas muito parecidas com a Carta do Guarujá, formulada pela Telebrasil como contribuição para o debate. Entre os pontos defendidos pelo Ministério das Comunicações estão desde a desoneração tributária, passando por questões concorrenciais e regulatórias (como a abertura de editais de TV a cabo) até o desenvolvimento de políticas de cidades digitais.

Veja as diretrizes elaboradas pelo Minicom para a sua proposta de um Plano Nacional de Banda Larga

Diretrizes para estímulo à competição:

* Estruturar os ativos de fibras ópticas detidas por várias empresas com participação e/ou controle estatal de forma a viabilizar, a curto prazo, um novo backbone nacional, que permita a oferta dessa capacidade de transporte de dados no atacado.

* Implantar de pontos de o troca de tráfego (PTT) em todos os municípios do país com população superior a 100 mil habitantes, como forma de melhorar a topologia da Internet no Brasil, aumentar a conectividade e reduzir custos de troca de tráfego, além de garantir a oferta não-discriminatória de acesso ao backhaul das concessionárias do STFC, por meio da oferta de infraestrutura para co-localização de equipamentos de rede (collocation) nesses pontos.

* Aumentar em dez vezes a velocidade mínima de oferta dos serviços de acesso banda larga, até 2014.

* Realizar a concessão de novas outorgas ao setor de TV por assinatura via cabo visando elevar a pelo menos 25% o total dos domicílios atendidos com acesso Internet banda larga via infraestrutura de TV a cabo, inclusive com aumento do número de municípios com oferta do serviço.

* Assegurar a inclusão de dutos e fibras óticas como itens obrigatórios na implantação de obras públicas de infraestrutura, incluindo as de transportes, habitação, saneamento e energia, dentre outras.

Diretrizes para financiamento das telecomunicações:

* Oferecer linhas de crédito do BNDES para projetos de expansão do acesso banda larga, tanto no segmento de banda larga fixa como de banda larga móvel.

* Oferecer linhas de crédito do BNDES voltadas a projetos de inclusão digital com acesso banda larga, em especial as Cidades Digitais, para as prefeituras.

* Disponibilizar linha de crédito do BNDES para a disseminação e profissionalização dos pontos de acesso coletivo privados com acesso banda larga (Lan Houses).

* Oferecer treinamentos e ações de apoio do SEBRAE, para pequenas empresas, de forma que possam obter financiamento e capacitação para a prestação de serviços no âmbito das propostas deste PNBL.

* Descontingenciamento orçamentário dos recursos do FUST e do FUNTTEL.

Diretrizes para diminuição da carga tributária:

* Promover a diminuição da carga tributária em bens e serviços banda larga, em especial a incidência de PIS/COFINS, à semelhança do que foi adotado no programa Computador para Todos.

* Estender às demais Unidades da Federação a aplicação da isenção do ICMS definida pelo Confaz, autorizada nos planos de acesso a Internet banda larga no âmbito do Convênio ICMS 38, de 03/04/2009.

* Incluir os prestadores de serviços banda larga, pertencentes à categoria de microempresas ou empresas de pequeno porte, no Supersimples ou Simples Nacional.

* Reduzir o valor das licenças de SCM e, em particular, reduzir o valor das taxas de fiscalização que compõem o FISTEL, para prestadores de serviços banda larga fixa ou móvel.

* Desoneração tributária de equipamentos para banda larga, como parte de uma estratégia integrada de fomento industrial.

Diretrizes Regulatórias:

* Incluir no novo Plano Geral de Metas de Universalização (PGMU III) metas de acréscimo na capacidade de transporte das redes de suporte ao STFC (backhaul).

* Estimular a competição na oferta do serviço banda larga, mediante redução das barreiras de entrada a novos prestadores de serviço. Neste sentido, a revisão dos Regulamentos de Remuneração de Redes, do Regulamento de Compartilhamento de Infraestrutura, do Regulamento de Interconexão, bem como a Regulamentação de Poder de Mercado Significativo, podem ser utilizadas em conjunto para criar assimetrias regulatórias que propiciem condições mais favoráveis a entrada de novos atores nesse mercado.

* Reforçar a aplicação dos instrumentos que impedem a prática de venda casada entre o serviço banda larga e outros serviços de telecomunicações, por meio de ação integrada entre MC, ANATEL e órgãos de defesa da concorrência e de defesa dos consumidores.

* Dar prioridade à regulamentação sobre neutralidade de redes e qualidade do serviço banda larga, acelerando a especificação de regulamentação que promova a transparência nas informações e a qualidade do serviço banda larga.

* Eliminar a limitação ao número de outorgas expedidas para a prestação de serviço de TV a Cabo.

* Estender a cobertura dos serviços SMP de terceira geração (3G) a todos os municípios brasileiros.

* Destinar recursos ao mapeamento e georeferenciamento dos recursos de banda larga no país, como instrumento de planejamento e de acompanhamento e avaliação deste Plano Nacional de Banda Larga.

Diretrizes para gestão do espectro:

* Adotar nas licitações de radiofrequências para banda larga a divisão dos blocos licitados de forma a viabilizar a participação de grandes, médios e pequenos prestadores de serviços de telecomunicações, mediante a divisão do território do país em áreas de cobertura/abrangência diferenciada (alguns blocos com cobertura nacional, outros somente com cobertura regional ou local), inclusive com a imposição de limites máximos de faturamento para os licitantes participantes em cada categoria de cobertura/abrangência.

* Introduzir, na forma de quesitos para avaliação de propostas, novos condicionantes na licitação de radiofrequências para banda larga, incluindo, dentre outros, compromissos de cobertura estendida, medidas de estímulo à competição, e valor máximo nos preços dos serviços a serem prestados.

* Reservar blocos de frequência, na faixa de 3,5 GHz para empresas públicas vinculadas ao Governo Federal, Estadual ou Municipal, com a finalidade de promover a inclusão digital, conforme proposta da ANATEL, na CP 54/2008.

Diretrizes para programas do Governo Federal:

* Garantir a manutenção do Programa Computador para Todos (incluindo os modems para os computadores) e os benefícios da Lei do Bem.

* Expandir o Programa GESAC para atendimento de acessos coletivos em áreas rurais e de fronteira. Nesse contexto, avaliar o investimento na aceleração do processo de desenvolvimento e lançamento do Satélite Geoestacionário Brasileiro (SGB).

* Implementar as ações necessárias, no âmbito da administração direta, das empresas de governo e das sociedades de economia mista, no sentido de disponibilizar ativos públicos de fibras ópticas para viabilizar a estruturação de uma oferta de rede de transporte de dados exclusivamente no atacado.

* Promover a gestão integrada da demanda de redes de dados no âmbito do Governo Federal, tanto do ponto de vista do poder de compra, como de estruturação de um sistema autônomo (AS – Autonomous System) ou grupo de sistemas autônomos que reúna os entes de governo.

Diretrizes para o fomento das "cidades digitais":

* Articular nas diferentes esferas de governo as iniciativas de Cidades Digitais, levando em conta as políticas existentes.

* Estimular a integração e participação do Terceiro Setor nas ações para a constituição e desenvolvimento dos programas de cidades digitais, inclusive para difusão de centros públicos de acesso.

* Promover a disseminação de redes Wi-Fi associadas a pontos de acesso coletivo, sejam públicos (escolas, bibliotecas, etc.) ou privados (empresas e outros).

Diretrizes para telecentros:

* Implantar 100 mil novos telecentros públicos até 2014.

* Expandir o Projeto Nacional de Apoio a Telecentros a todos os novos telecentros.

* Tornar periódico o programa de capacitação de monitores de telecentros, realizando um treinamento por ano até 2014.

* Criar regras comuns de uso dos telecentros, baseadas nas premissas assumidas no Projeto Nacional de Apoio a Telecentros, e em conjunto com os gestores.

* Reservar uma parte da dotação orçamentária do Projeto Nacional de Apoio a Telecentros para divulgação dos espaços nas comunidades atendidas.

Diretrizes para fomento industrial e desenvolvimento tecnolóico:

* Criar as condições para consolidação de um grande fornecedor de equipamentos de rede, a partir do capital tecnológico existente no país, incluindo a destinação de recursos para capitalização e acesso a crédito a esta empresa, bem como para pesquisa e desenvolvimento de tecnologias destinadas às redes de banda larga.

* Implantação do Processo Produtivo Avançado, com a incorporação de software na avaliação da concessão dos incentivos fiscais previstos na Lei de Informática.

Para Abrafix, criar estatal de banda larga é desperdício

O presidente da Associação Brasileira das Concessionárias de Telefone Fixo Comutado (Abrafix), José Fernandes Pauletti, disse hoje que, se o governo montar uma estatal de banda larga para atendimento nas áreas onde as teles já têm redes, será um desperdício de dinheiro. O executivo afirmou que o problema do Brasil são as desigualdades regionais e sociais, que reduzem o poder de acesso das camadas mais carentes da população aos serviços de telecomunicações. A saída, então, na opinião dele, seria o Estado incentivar o surgimento da demanda.

Pauletti entende que não há ilegalidade na intenção do governo de ser também empresário, além de cumprir o papel de controlador e fiscalizador do mercado, mas alerta que o setor de telecomunicações exige altos investimentos: "A não ser que esteja sobrando dinheiro e o governo não tenha mais onde mais colocar."

Pauletti reconhece que há localidades em que a iniciativa privada naturalmente não atende. "Esses lugares só serão atendidos com indução. Ou o governo faz diretamente, ou o governo subsidia. Agora, se for fazer onde as empresas já estão atendendo, me parece que é desperdício de dinheiro e o governo já mostrou que não é um empresário eficiente", afirmou Pauletti.

Ele fez a declaração em um intervalo do 20º Encontro Tele.Síntese, seminário que discutiu o tema investimentos e competição em telecomunicações, em Brasília. Para construir a estatal de banda larga, o governo usaria as redes óticas de empresas estatais, como as da Petrobras, Eletrobrás e Eletronet. Na avaliação de Pauletti, essas redes passam em cidades onde as operadoras já têm infraestrutura instalada. Para ligar essas redes ao cliente final, como quer o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, seria necessário investir nessas conexões.

Na estimativa do Ministério das Comunicações, seriam necessários investimentos de R$ 75 bilhões para atender a uma meta de alcançar mais 70 milhões de clientes e chegar a 2014 com 90 milhões de brasileiros conectados à internet em banda larga. Em reunião realizada ontem, Lula deu mais três semanas de prazo para que os técnicos do governo façam um levantamento dos custos necessários para atender ao usuário final.

Pauletti disse que, em países desenvolvidos, basta o governo incentivar a oferta que a demanda surge naturalmente, porque as pessoas têm renda. Ele lembra que, na telefonia fixa, as empresas foram obrigadas a ofertar os serviços, mas a demanda não surgiu em todas as camadas da sociedade, por causa das desigualdades sociais. "O que o governo tem que fazer agora é criar uma demanda", afirmou.

Segundo o presidente da Abrafix, se o governo quer que todo brasileiro tenha acesso à internet, precisa distribuir uma quantia mensal e o cidadão escolheria a operadora onde quisesse gastar aqueles créditos para acessar a internet, seja pela rede das teles fixas, das operadoras de TV a cabo, das empresas de telefonia celular ou de pequenos provedores.

Pauletti disse que a Abrafix entende que o dinheiro do Fundo de Universalização dos Serviços de Telecomunicações (Fust) deveria ser usado dessa maneira. "Em vez de o dinheiro ir para a empresa fazer investimento – e, aí, fica aquela desconfiança -, faz uma transferência direta para o usuário, e ele decide onde quer usar. Aí, você gera uma demanda", afirmou.

Download do curta “Levante sua voz”

O curta "Levante sua voz", lançado esse mês pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social, agora está disponível para download na íntegra ou em oito partes, com qualidade DVD. 
Clique aqui para baixar o filme inteiro em flash.
Clique nos links abaixo para baixar as oito partes do curta, em alta resolução:
Parte 8

Para assistir ao curta online, clique aqui.