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Para Samuel Pinheiro, plano de banda larga é crucial ao desenvolvimento do país

O ministro-chefe da Secretaria de Assunto Estratégicos, Samuel Pinheiro Guimarães, destacou hoje, na abertura do 21º Encontro Tele.Síntese, a importância do Plano Nacional da Banda Larga (PNBL) para o país, considerando como uma questão crucial para o desenvolvimento brasileiro. Segundo ele, esse plano deve combater as disparidades sociais e econômicas principalmente no que diz respeito ao acesso à informação. “Um país que possui entre 80% e 85% da população urbana, mas que a maioria não têm acesso à informação, à educação, à saneamento básico e à saúde, um plano desse é extremamente estratégico”, afirmou.

Além disso, defendeu que o plano servirá para aumentar a eficiência do Estado, que terá um canal direto com a população, e de contribuir para que políticas públicas de combate a disparidades regionais, de renda, de riqueza, de gênero e de etnia tenham sucesso.

O Plano Nacional de Banda Larga vem sendo discutido pelo governo desde o ano passado e deve ser fechado nos próximos meses. As metas preveem levar o acesso à internet para todo o país, especialmente aos rincões que não despertam interesse da iniciativa privada, a um preço acessível. Para isso, o governo estuda oferecer diretamente o serviço ou vender capacidade da rede de fibra óptica das empresas elétricas para que as grandes operadoras ou pequenas empresas ofereçam o serviço.

Pinheiro reconhece que os desafios do PNBL vão da logística geográfica, que deve cobrir um país de extensão continental como é o Brasil, até a forma como o governo pode custear este plano, que pode ser de forma direta, o que significa oferecer à população o serviço através de uma estatal, ou através de subsídios fiscais para as operadoras privadas. “Há um longo caminho a percorrer, mas temos a convicção de que o plano de banda larga irá contribuir para a construção de uma nação mais próspera, mais justa”, disse.

O 21º Encontro Tele.Síntese, realizado em Brasília, discute os Desafios da Banda Larga.

Com orçamento recorde, plano de trabalho da EBC enfatiza TV Brasil

Com um plano de trabalho atualizado e um novo orçamento aprovados, a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) já pode começar a arregaçar as mangas para cumprir as metas propostas para 2010. Na semana passada, as duas peças do planejamento da estatal foram endossadas pelo Conselho Curador da Empresa. Ao lado do aumento sensível no orçamento da EBC, a supervalorização da TV Brasil em detrimento dos outros veículos continua sendo uma marca da empresa e do novo plano, que traz ainda a preocupação com a audiência da TV e a renovação da grade de programação como desafios a serem superados.

Em 2010, a empresa poderá contar com R$ 435 milhões, o maior orçamento dos seus três anos de funcionamento. De acordo com o plano de trabalho, o aumento da verba se deu com o ingresso de recursos próprios da prestação de serviço (R$ 33 milhões) e da Contribuição para a Comunicação Pública (R$ 116 milhões), derivada do abatimento de 5% da contribuição do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel).

A atual gestão da EBC comemora os números. No documento, destaca que este orçamento fortalece a expectativa da empresa de caminhar para uma não-dependência do Tesouro Nacional.

Com mais dinheiro em caixa e também com a consolidação das primeiras medidas para estruturação da EBC dados nos primeiros anos – como, por exemplo, a aprovação do Estatuto e do Regimento Interno da EBC –, o plano de trabalho prevê novas ações em todos os veículos geridos pela EBC, mas ainda com clara ênfase nas ações destinadas à TV Brasil.

Ainda em uma primeira parte do documento dedicada à “prestação de contas”, anuncia-se que já foi também criado o Comitê de Programação, além de estabelecidas as normas para os pitchings – que são as chamadas para seleção de programas de produção independente –, e a Superintendência de Programação. Todas estas seriam ações de estruturação que precisavam ser feitas na perspectiva da “arrumação da casa”.

Em seguida, o plano elenca as ações previstas para os diferentes canais e serviços. Além das emissoras de televisão, a EBC conta com uma agência de notícias, a Agência Brasil, oito emissoras de rádio e um dedicado à integração latino-americana, o Canal Integracíon, além de ser responsável pela produção da NBR, um canal dedicado a cobrir os atos do Executivo Federal.

De acordo com a proposta aprovada, o Canal Integración deve se tornar um Canal Internacional da TV Brasil, exibido nas televisões por assinatura internacionais e com foco na informação para cidadãos brasileiros que vivem em outros países. A medida responde a demanda apresentada pela II Conferência Nacional de Brasileiros no Mundo, que representa uma população de cerca 3 milhões de cidadãos e cidadãs que vivem fora do país.

TV Brasil

A TV Brasil ocupa parte significativa do plano de trabalho. São anunciadas sete ações gerais, dentre elas a renovação da programação em 25% até o final do ano. Também estão previstas metas em relação à produção independente e regional. O plano prevê a realização de 12 pitchings ao longo de 2010. Três deles já estão em andamento. O documento ainda registra a intenção de aumentar a presença de programas produzidos pelas emissoras associadas das diferentes regiões do país através de apoio técnico e financeiro. O objetivo é alcançar pelo menos 4 horas diárias de programação regional.

Há ainda oito propostas específicas em relação à grade de programação, com ênfase nos segmentos infantil, jornalístico e cultural. Está prevista a consolidação da oferta de seis horas diárias de uma programação infantil “de alta qualidade”, priorizando a predominância da produção nacional com foco na formação do futuro cidadão. Além disso, a EBC opta em 2010 por flexibilizar a administração da grade, buscando assegurar maior sintonia com a agenda jornalística. Em outras palavras, criar mecanismos de gestão da programação que permitam mudanças para atender, por exemplo, entradas ao vivo ou programas especiais relacionados a eventos extraordinários.

A maior preocupação com os índices de audiência também é um ponto que merece destaque no plano de trabalho. Os números alcançados pela TV Brasil são constantemente evocados por seus críticos. No plano, a EBC diz que deve haver uma “melhora nos indicadores de audiência e aprimoramento de mecanismos de aferição de audiência, cobertura e acesso da empresa”. Contudo, não se diz especificamente com que universo de audiência estes indicadores pretendem trabalhar. 

Outra meta para a TV Brasil é melhorar a oferta de conteúdo nos finais de semana, buscando equiparação com a grade semanal, e consolidar a elevada oferta de filmes e documentários, o que culminaria num dos objetivos centrais da emissora que é conseguir veicular 24 horas de programação todos os dias. Atualmente, a TV Brasil transmite 20 horas diárias.

Demandas e desproporções

De acordo com o ouvidor da EBC, Laurindo Lalo Leal Filho, o plano é bastante abrangente, mas não propõe grandes mudanças e se configura como um ponto de apoio e de incentivo para o andamento da empresa. Ainda na opinião de Lalo, o documento responde a algumas demandas da sociedade que chegaram ao Conselho Curador, como por exemplo, a melhoria na qualidade do sinal da emissora, que ainda não chega com qualidade em muitos lugares do Brasil.

As questões técnicas de abrangência e qualidade do sinal fazem parte de um ponto específico do plano de trabalho da empresa, que já observou a necessidade de ter investimentos direcionados para esta questão. Para tanto, está também prevista a conclusão dos processos de acordo para formação de uma rede com as emissoras educativas e universitárias, além da implementação de canais analógicos próprios e mais dois canais digitais fora das cidades já atendidas – Brasília, Rio de Janeiro, São Paulo e São Luís.

No plano, a empresa trata estas ações como “continuidade” do que já vem sendo feito para melhorar a transmissão e cobertura da TV Brasil. Segundo o documento, esta já seria uma preocupação antiga e vários investimentos já foram feitos nesta área.

Quanto a visível preferência dos gestores da EBC pela TV Brasil, corroborada pelo fato de o 16 das 32 páginas do plano de trabalho serem dedicadas só a TV, o ouvidor Laurindo Lalo Leal Filho admite perceber o problema e assume que isso já foi diagnosticado pelo Conselho Curador. “A TV ocupa um espaço de preocupação desproporcional em relação aos outros veículos e o Conselho Curador já percebeu”, afirmou.

Segundo ele, já estão sendo previstas ações para sanar possíveis desproporções nos cuidados com um ou outro braço da EBC. “Foram criadas comissões temáticas dentro do conselho, como por exemplo, para pensar a programação infantil ou jornalística, e também uma comissão específica de rádio, que é composta por um membro de cada uma das outras comissões temáticas. Eles vão pensar essas questões especificamente para as oito emissoras da EBC para que o rádio ganhe maior proporção.”

O plano de trabalho prevê também mudanças para a própria Ouvidoria da EBC. A idéia é fortalecer este canal de contato com a sociedade através de programas em todos os veículos. Previsto desde a indicação do primeiro ouvidor, em agosto de 2008, o programa Ouvidor na TV será lançado na TV Brasil ainda no primeiro semestre deste ano. Estão previstos também um programa para o ouvidor-adjunto das rádios e a Coluna do Ouvidor-Adjunto na Agência Brasil.

Agência Brasil e rádios

Para a Agência Brasil e as oito rádios geridas pela empresa, o plano de trabalho prevê a ampliação da oferta de conteúdo e a continuidade nos investimentos já programados para superação do sucateamento, principalmente das rádios, acumulados nos últimos anos.

A Agência Brasil vai ter a sua página eletrônica reformulada para, dentre outras coisas, abrigar uma maior produção multimídia. Outra meta para o veículo é aumentar a produção de grandes reportagens.

Já para as rádios, foi anunciada a criação de uma Rede Nacional Pública de Rádios, que seria formada pelas oito rádios da EBC mais as emissoras do campo público que tiverem interesse. O processo seria semelhante ao que está em andamento com as emissoras de televisão. As rádios terão o foco em três núcleos de produção: esportes, radiodramaturgia e programas infanto-juvenis.

Audiência Pública

Um dos principais mecanismos de controle público e de participação social na gestão da EBC, as audiências públicas também foram tema da primeira reunião do ano do Conselho Curador. Ficou definido que a audiência referente ao primeiro semestre de 2010 será realizada no Rio de Janeiro em 1º de junho, mas ainda não há mais informações sobre o processo.

Para o ouvidor, a abertura deste espaço de interação com a sociedade é muito importante, mas que a próxima “tem que dar um passo a frente”, tanto em relação à primeira audiência pública do Conselho Curador (que aconteceu em meados de 2009), como ao seminário “EBC em construção”, realizado em dezembro do ano passado.

Lalo diz ainda que a expectativa para realização da segunda audiência da EBC é grande, mas positiva. Para ele, os dois eventos anteriores trouxeram experiências que devem permitir que essa audiência seja melhor, “sem cair nos mesmos erros e envolvendo mais setores da sociedade para que se possa avançar ainda mais na participação popular na gestão da EBC”.

Ainda sem implementar audiodescrição, Brasil pode ser denunciado à ONU

Na semana passada, a Subsecretaria Nacional de Promoção dos Direitos da Pessoa com Deficiência, órgão da Secretaria Especial de Direitos Humanos da Presidência da República, realizou um encontro entre os representantes do setor de radiodifusão e os grupos que pressionam para que a demora na implementação da audiodescrição na TV aberta seja superada. Na reunião, foi decidida a criação de uma comissão com representantes dos vários setores para, após quase cinco anos da edição da norma que prevê a oferta da audiodescrição, “aprofundar a questão”.

Descontentes com a imensa demora, as organizações que representam as pessoas com deficiência não se deram por satisfeitas. Caso nada seja feito nos próximos meses, prometem denunciar o governo brasileiro à Organização das Nações Unidas por não prezar pelos direitos dos humanos com deficiência.

A audiodescrição é um recurso que disponibiliza informações orais sobre detalhes das imagens importantes à compreensão das cenas. É muito útil para deficientes visuais, mas também auxilia pessoas com outras deficiências que diminuem a capacidade de compreensão ou acompanhamento das cenas.

De outro lado, as entidades representativas das emissoras de TV pressionam o governo há anos para diminuir suas responsabilidades em relação à adoção de recursos de acessibilidade na programação. Especificamente, a implementação da audiodescrição enfrenta resistências desde 2005.

Naquele ano, a Associação Brasileira de Normas Técnicas (ABNT) publicou uma norma de acessibilidade na TV. Todos os prazos estabelecidos pela norma e por portarias do Ministério das Comunicações para a implementação foram postergados pelo próprio órgão do Executivo.

Até que, no ano passado, chegou-se à Portaria nº 985. Esta substituiu a Portaria 310/2006, que previa a implementação gradual da audiodescrição de forma que, em 10 anos, 100% da programação de qualquer canal de TV fosse acessível a portadores de deficiência visual. Todas estas exigências foram abrandadas. A portaria de 2009 prevê apenas 24 horas por semana de conteúdo acessível e amplia o período de implementação gradual para 11 anos. Além disso, as exigências valeriam apenas para as emissoras operando no sistema digital. As programações transmitidas em sinal analógico a princípio estão desobrigadas de oferecer a audiodescrição.

O que audiodescritores, militantes pelos direitos das pessoas com deficiência e pessoas com deficiência visual presenciaram na reunião, foi uma amostra do que tem sido alegado pelos radiodifusores desde o começo: as TVs não têm conhecimento sobre o recurso e mencionaram um alto custo de implementação. O vice presidente da Organização Nacional de Cegos do Brasil (ONCB), Moises Bauer, notou um “total desconhecimento por parte das televisões – qual a tecnologia, quanto custa o trabalho dos audiodescritores – e alegaram custos altíssimos sem saberem quanto custava e de que forma era feito”. Moises afirmou que, em um filme de longa metragem, a mão de obra custa isoladamente entre R$ 3 mil e R$ 5 mil. No sistema digital, não há nenhum custo adicional de equipamento, visto que a descrição sonora das imagens pode ser transmitida através de um dos canais de som já disponíveis em cada faixa.

Durante a reunião, a Associação Brasileira de Empresas de Rádio e TV (Abert) propôs a criação de um Grupo de Trabalho (GT) formado por entidades civis, empresários e governo para aprofundar estas questões técnicas. A sugestão é baseada no exemplo de comissões criadas em outros países, como a Inglaterra, onde já está em vigor a audiodescrição. Participante da reunião, o analista de sistemas e consultor da ABNT para a norma sobre acessibilidade Paulo Romeu criticou o Ministério das Comunicações por não ter tomado iniciativa similar. Segundo Romeu, que é cego e mantém o Blog da Audiodescrição, a pasta deveria ter trabalhado para esclarecer as empresas sobre as exigências. O Minicom não compareceu à reunião, apesar de convidado.

ONU

Em 2008, o Brasil ratificou a Convenção das Nações Unidas sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, aprovada pelo Congresso Nacional como emenda constitucional. Assinou, inclusive, um protocolo facultativo que permite advertência internacional em caso de não cumprimento dos termos do acordo. “Se as pessoas de algum país acharem que o governo não está ajudando, não está tomando as providências que a Convenção obriga a tomar, essas pessoas podem recorrer ao monitoramento da ONU de forma que o Brasil passa a ser questionado em nível internacional por não implementar a audiodescrição”, exemplificou Paulo Romeu.

Moises Bauer, vice presidente da ONCB, aventa a possibilidade de recorrer aos tribunais internacionais. “Não é certo que vamos processar, mas estamos estudando isso”, afirma. “Talvez tenhamos que esperar o Supremo Tribunal Federal se manifestar, mas iremos, se continuar assim, acionar a ONU no seu comitê de monitoramento da convenção”, disse ainda Paulo.

A ação no STF citada por Moises é um questionamento ao governo federal por Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF 160), pedindo a suspensão de portaria que interrompia o cumprimento do prazo para o início da audiodescrição, naquele momento marcado para junho de 2008 (saiba mais ). Ela foi proposta pelo Centro de Vida Independente (CVI Brasil) e pela Federação Brasileira de Associações de Síndrome de Down, e tem sido acompanhada pela Organização Nacional de Cegos.

Há ainda outra ação contra o governo, que questiona a consulta pública sobre a revisão das regras para audiodescrição realizada no ano passado pelo Ministério das Comunicações e que estava em formato não acessível para as pessoas com deficiência (saiba mais ).

Audiodescritores

Apesar de os seus serviços não serem muito solicitados no país devido à ausência de exigências legais sobre acessibilidade de conteúdos de TV, existem cerca de 140 audiodescritores no país, segundo levantamento feito em 2008 pela ONCB. “Teremos um curso de pós graduação em audiodescrição, que durará um ano e meio e será ministrado na USP. Tem audiodescritores brasileiros indo ministrar cursos sobre o assunto em Portugal”, afirmou Moises.

Segundo ele, estas informações foram apresentadas durante a reunião no Ministério da Justiça quando a “falta de recursos humanos” foi levantada pelos representantes das emissoras como razão para protelar a implementação do recurso. O comentário dos funcionários das empresas enviados ao encontro foi feito na presença de diversos audiodescritores.

*** MATÉRIA CORRIGIDA EM 19/2/2010: Diferente do publicado anteriormente, o custo de mão de obra para realizar a audiodescrição de um filme longa-metragem não varia "entre R$ 5 mil e R$ 13 mil", mas sim entre R$ 3 mil e R$ 5 mil.

Governo pode adotar dois sistemas de rádio digital para o Brasil

O governo federal poderá adotar os dois modelos em avaliação como padrões de rádio digital, apesar do país estar fazendo testes comparativos entre o americano, conhecido como In-band on-channel (Iboc), e o europeu, o Digital Radio Mondiale (DRM. Diferentemente do que ocorreu com a TV digital – em que o modo japonês foi o único escolhido -, os dois modelos de rádio digital poderiam coexistir com viabilidade econômica, embora comercialmente um deva se sobrepor ao outro. Politicamente, a saída agradaria tanto às emissoras que já investiram no modelo Iboc, quanto aos partidários do modelo DRM, que é livre de royalties.

Para tomar esta decisão, o Ministério das Comunicações avalia a publicação de uma portaria com parâmetros que não restrinjam o mercado a um só modelo. O ministro Hélio Costa quer resolver a questão antes de deixar o governo, até o fim de março.

O único fabricante americano do Iboc, que já fornece sistemas digitais a emissoras brasileiras, é o consórcio Ibiquity, que cobra royalties pelo uso. Algumas das 4,5 mil emissoras comerciais de AM e FM já adquiriram equipamentos para migrar do modelo analógico para o digital. A principal vantagem do Ibiquity é a certeza das emissoras em digitalizar-se mantendo o mesmo canal (número no dial). Mas governo e empresas têm restrições quanto aos royalties cobrados.

Um grupo de técnicos e universidades ainda mantém os estudos do modelo DRM. Se os testes provarem que o modelo europeu também permitirá que as rádios mantenham os canais de transmissão – questão pétrea para as emissoras -, então a discussão comercial esquentará, porque o modelo europeu não cobra royalties. O problema, porém, seria que as empresas que compraram o Ibiquity já gastaram, em média, R$ 150 mil pelos equipamentos, e, portanto, preferem o modelo americano. Nos testes já encerrados, o Ibiquity teve problemas de eficácia em ondas médias (AM) e curtas (OC e OT). Para FM, são perfeitos.

Pode não ser viável economicamente, contudo, produzir receptores de rádio que aceitem os dois modelos, Ibiquity e DRM. Por isso pode haver segregação entre os aparelhos receptores AM/FM e os específicos para ondas curtas.

No caso das ondas curtas, o DRM já provou ser mais vantajoso, com grande ganho de qualidade de som e livre das frequentes interferências na banda. A aceitação pelo governo dos dois modelos poderia permitir que essas emissoras de OC e OT transmitissem em sistema diferente das AM/FM. Daí a possibilidade de coexistirem ambos os modelos de rádio digital no país. A hipótese não é absurda, haja vista que existe hoje, no Brasil, 1,5 aparelho receptor de rádio por pessoa e que as ondas curtas têm um mercado bastante específico.

Como o sistema de rádio digital é, em termos gerais, mais barato que o da TV digital – em que foi definido o padrão japonês -, a possibilidade de haver mais de um modelo não restringiria o potencial econômico para ambos os sistemas conviverem. No caso da TV, a multiplicidade de modelos reduziria perspectivas de crescimento e exportação de infraestrutura e aparelhos receptores para países vizinhos.

Antes férrea defensora do Ibiquity, a Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) espera o encerramento dos testes do DRM para apresentar sua posição final. "A única posição em que a associação é irredutível sobre a rádio digital hoje é a previsão de as emissoras manterem o mesmo canal de transmissão", diz Luis Roberto Antonik, diretor-geral da Abert. "Defendemos essa ideologia e não necessariamente um padrão"

Pela rádio digital, o usuário poderá ter, além de maior qualidade de som, serviços agregados, como a possibilidade de ouvir podcasts, interagir na programação e receber imagens e informações no visor do aparelho.

Grupos se mobilizam nos EUA para moldar plano nacional de banda larga

Quando o presidente da Comissão Federal de Comunicações dos EUA (FCC, na sigla em inglês), Julius Genachowski, tornou pública a meta de equipar 100 milhões de lares americanos com conexões de 100 Mbps até 2020, ele não estava querendo demais, afirma uma coalizão de grupos de consumidor e de direitos digitais.

Os EUA terão perto de 130 milhões de lares em 2020, e a FCC não deveria deixar 30 milhões de lares com um serviço de banda larga inferior, argumenta Mark Cooper, diretor de pesquisas da Federação de Consumidores da América.

"O coração e a cabeça" de Genachowski "estão no lugar certo", mas a FCC deveria ter como meta 90% das casas com conexões de 100 Mbps em 2020, disse Cooper durante encontro com a imprensa nesta quarta-feira (17/2).

O plano nacional de banda larga da FCC, que deverá ser entregue dentro de um mês, precisa incluir iniciativas "audaciosas", dizem os membros da Coalizão Mídia e Democracia.

"Eu sei que a visão da América do presidente Genachowski não é um lugar onde 100 milhões de lares tenham conexão de 100 megabits e 30 milhões de lares tenham zero megabit", acrescenta Cooper.

Igual a telefone

Os membros da coalizão, que congrega ainda os grupos Public Knowledge, a New America Foundation e a Free Press, querem que o plano nacional de banda larga da FCC tenha como meta igualar a penetração de banda larga em 2020 com a do telefone no mesmo ano.

Além disso, a FCC deveria definir um objetivo do uso de políticas para incentivar o aumento da competitividade entre os provedores de banda larga e implementar um novo meio de medir velocidade de banda e disponibilidade para todos os EUA até o fim do ano, sustentam os grupos.

A FCC deveria também estabelecer novas normas de proteção ao consumidor de banda larga em 18 meses, acreditam.

Os clientes de banda larga deveriam ser capazes de saber a velocidade que estão obtendo a qualquer momento, e os provedores deveriam explicar os encargos de suas contas, disse Joel Kelsey, um analista de políticas para o Consumers Union.

"Você não deveria ter um diploma de contador para entender sua conta mensal", diz Kelsey. Agora mesmo, os provedores de banda larga podem mudar os termos de serviço "a qualquer hora, sem qualquer aviso ao público", diz.

Internet aberta

Os grupos também querem que a FCC siga em frente com suas deliberações em torno da neutralidade da rede, ou internet aberta. A FCC precisa proibir os provedores de banda larga de discriminar seletivamente conteúdos e aplicações da web, e deveria garantir que os consumidores possam utilizar seus aparelhos entre as diversas redes móveis, diz Ben Scott, diretor de políticas da Free Press.

A livre expressão online depende de uma internet aberta, diz Scott. "É o mercado aberto para expressão e para o comércio que conduz à adoção da banda larga", afirma.

O encontro dos grupos com a imprensa ocorre um dia depois de discurso feito por Genachowski sobre os 100 milhões de lares e de um comunicado, assinado pela U.S. National Telecommunications and Information Administration, que afirma que em outubro de 2009 64% dos lares americanos tinham serviço de banda larga. É um avanço em relação a outubro de 2007, quando 51% dos lares tinham o serviço, mas "uma porção significativa da população americana ainda não está online", disse o administrador da NTIA, Lawrence Strickling, no comunicado.

Link Howeing, assistente da vice-presidência para internet e assuntos de tecnologia da Verizon Communications, assistiu à coletiva de imprensa promovida pela coalizão, mas evitou comentar as propostas que o grupo fez.

Uma porta-voz da AT&T não fez comentários sobre os pedidos da coalizão, mas disse que a empresa endossa o objetivo de Genachowski de ter 100 milhões de lares com banda larga de 100 Mbps.

"Ao definir o objetivo dos 100 megabits, a FCC seguramente reconhece o investimento maciço que será exigido do setor privado", disse Claudia Jones, vice-presidente para assuntos públicos e relações com a imprensa da AT&T. "Como a própria equipe de banda larga da FCC estimou, seria preciso um investimento adicional de 350 bilhões de dólares para levar serviço de 100 megabits a cada lar dos Estados Unidos. O mais importante é que a FCC resista aos apelos por formas extremas de regulamentação que poderiam comprometer, e até destruir, a captação de todo o investimento necessário para realizar esse objetivo."