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Procon-SP obtém liminar contra cobrança do ponto-extra

A Fundação Procon-SP obteve liminar da 6ª Vara da Fazenda Pública de São Paulo determinando que as operadoras de TV por assinatura não realizem mais cobranças pela utilização de ponto-extra. A decisão é resultado da Ação Civil Pública movida pela entidade.
 
Na decisão da juíza Cynthia Thomé, “a cobrança pela utilização do ponto-extra afronta as normas regulamentares, assim como a norma legal. Em 22 de abril de 2009 a Anatel expediu a Resolução 528/09, alterando os artigos 29 e 30 da Resolução 488/07, os quais proíbem, explicitamente, a cobrança pela utilização do ponto-extra. Também há de ser considerado que não há serviço permanente e contínuo referente ao ponto-extra. Em consequência, a cobrança por serviço não prestado caracteriza enriquecimento ilícito e prática abusiva”.
 
Segundo o entendimento da juíza, as empresas podem cobrar do consumidor apenas pela instalação do ponto-extra, manutenção da rede e dos conversores/decodificadores, tal como determina a Resolução 528/09, também da Anatel. O descumprimento da decisão acarretará em multa diária de R$ 30 mil.
 
Para o diretor-executivo do Procon, Roberto Pfeiffer, Esta é decisão é uma vitória do consumidor, pois mesmo após a proibição por parte da Anatel, as empresas continuaram cobrando de maneira indevida a mensalidade do ponto-extra. “Com esta decisão favorável, o Procon-SP apertará o cerco contra as empresas que desrespeitam o direito do consumidor e a sociedade espera uma postura enérgica da Anatel” disse.

Depois de um ano de embate judicial sobre o tema, a Anatel anunciou, no ano passado, a publicação de súmula esclarecendo os serviços que podem ser cobrados pelas operadoras, na instalação do ponto-extra. O texto está pronto para ser apreciado pelo Conselho Diretor da agência. (Da redação, com assessoria de imprensa)

Para Ministério Público, Anatel precisa esclarecer e executar norma sobre ponto extra

A demora da Anatel para tomar a decisão de publicar ou não uma súmula para explicar, afinal, o que a agência entende como a interpretação correta da regulamentação sobre ponto extra em TV por assinatura tem sido motivo de expectativa no mercado de TV paga e também do Ministério Público Federal (MPF).

Procurado por este noticiário, o procurador da República no DF, Paulo José Rocha Júnior, ressaltou a necessidade de a Anatel posicionar-se com clareza sobre o assunto. "Se a agência não impõe a execução das medidas que ela própria julga necessárias para o desenvolvimento dos mercados e do país, outros atores tomarão o protagonismo na área, visando a defesa do consumidor e da concorrência", afirma Rocha Júnior. "Ao editar uma norma e não implementá-la, seja com fiscalizações, seja com esclarecimentos, a agência tira força de qualquer outra nova iniciativa que possa anunciar, e, pior, retira força da instituição e expõe seus agentes administrativos a eventuais responsabilizações por omissão", complementa.

Essa possível "omissão" do órgão regulador também tem reflexos na relação direta com o consumidor e com as empresas, na visão do procurador do MPF. A demora em consolidar um entendimento sobre o assunto acaba permitindo que situações se consolidem com o tempo à mercê da regulamentação, o quê, na opinião de Rocha Júnior, mina a confiança que a sociedade coloca na Anatel para gerir as telecomunicações no país. "Não cabe ao MPF formular uma política, mas sim buscar a execução da Constituição e das normas vigentes. Todavia, a questão do ponto extra, embora não seja central para o desenvolvimento das telecomunicações no Brasil, revela um aspecto grave no cenário regulatório: uma certa leniência da agência na execução de suas próprias normas", diagnostica o procurador.

Esta reportagem provocou uma manifestação do Ministério Público depois que, esta semana, o Conselho Diretor da agência pautou mas acabou não discutindo a questão da edição da súmula do ponto extra.

Após alterar sua regulamentação e, ainda assim, não pacificar o assunto, o conselho decidiu no ano passado editar uma súmula esclarecendo de uma vez por todas a confusão sobre as regras de cobrança. Ocorre que a ideia da súmula já não é mais tão bem recebida dentro da própria Anatel, o que está causando atrasos em sua publicação.

Divisão

Fontes da Anatel e das operadoras de TV por assinatura confirmaram que, desde o ano passado, representantes da agência reguladora vêm sinalizando às empresas que a súmula talvez não fosse mais publicada. O argumento é que o mercado teria "se estabilizado" sozinho, afastando a necessidade de um esclarecimento mais amplo sobre o assunto. Entende-se por "estabilização" a cobrança do ponto extra em patamares inferiores ao praticado quando teve início a polêmica, há dois anos.

O alvo inicial da súmula – que já está redigida e em análise no gabinete do conselheiro João Rezende – é simplesmente criar um parâmetro econômico para a cobrança do serviço. À época da decisão do conselho em fazer um esclarecimento formal, a informação que circulou na agência era que seria estabelecido um "teto" para a cobrança, usando como referência o preço do ponto principal de TV por assinatura. Atualmente, comenta-se que mesmo esta ideia está em xeque dentro do órgão regulador.

No início de fevereiro, o conselheiro João Rezende, procurado por esta reportagem, garantiu que a súmula seria deliberada até o fim daquele mês. Apesar da promessa, o conselheiro ainda não incluiu definitivamente o processo na pauta das reuniões semanais desde então. O registro de alterações de pauta divulgado pela Anatel em seu site na Internet mostra que, nesta semana, o item chegou a ser incluído e retirado logo após pelo gabinete de Rezende ao menos duas vezes.

A ausência de uma definição da Anatel sobre as regras a serem aplicadas sobre o ponto extra já colocou a agência em maus lençóis nos últimos anos. O órgão regulador tornou-se alvo de uma ação movida pela Associação Brasileira de TV por Assinatura (ABTA) e a Procuradoria da República no Distrito Federal cobrou esclarecimentos da agência quanto à aplicabilidade do Regulamento de Proteção e Defesa dos Direitos dos Assinantes de TV por Assinatura, onde encontram-se as regras sobre ponto extra.

Mídia mostra visão masculina do mundo

Em comparação aos homens, mulheres continuam sub-representadas na cobertura de notícias. Dos atores sociais entrevistados pela mídia, que aparecem na TV, que se manifestam no rádio ou nos jornais, 24% são mulheres e apenas 16% das notícias estão focadas especificamente em mulheres.

Os dados, ainda preliminares, são do Projeto de Monitoramento Global da Mídia 2010, e foram apresentados, ontem, em painel de debate na 54ª. Sessão da Comissão das Nações Unidas sobre o Estatuto da Mulher, em Nova Iorque. O Monitoramento é um programa da Associação Mundial para a Comunicação Cristã (WACC, a sigla em inglês) e foi realizado no dia 10 de novembro do ano passado.

Nesse dia, voluntários e voluntárias – comunicadores/as, jornalistas, estudantes, mestres, ativistas dos movimentos sociais – acompanharam, nas 24 horas, a emissão de notícias por emissoras de rádio, de televisão, de jornais, em 130 países. Os dados ontem divulgados foram construídos sob uma mostra de 42 países da África, Ásia, América Latina, Caribe, Ilhas do Pacífico e Europa, e representam 6.902 notícias, nas quais apareceram 14.044 entrevistados e entrevistadas.

Quase a metade das notícias – 48% – reforçam os estereótipos de gênero e apenas 8% os questionam, constatou o Monitoramento. Matérias realizadas por repórteres mulheres dão mais espaço a mulheres nas entrevistas, em comparação a matérias de repórteres homens.

“Parece que os meios de comunicação servem aos interesses masculinos. A atenção às mulheres é insignificante, mesmo quando a população feminina é superior ao de homens num país”, avaliou o secretário da Central União Africana de Jornalistas, Edouard Adzotsa, de Brazzaville, Congo.

O Projeto de Monitoramento da Mídia é coordenado pela WACC, que tem sede em Toronto, no Canadá, e conta com a colaboração para a tarefa das organizações Media Monitoring África, da África do Sul, e da Gender Link, respaldada, financeiramente, pelo Fundo de Desenvolvimento das Nações Unidas para a Mulher (Unifem). O relatório final será divulgado em setembro.

Idec apresenta à Anatel plano para incluir sociedade na regulação

O Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor) apresentou projeto à Anatel para o fortalecimento da participação social no processo regulatório. A entidade defende uma maior transparência das ações da agência por meio, entre outras formas, da criação de uma agenda regulatória e da criação de um fundo para suportar as ações de participação social. Os recursos seriam usados na contratação de apoio técnico de especialistas para prestar assessoria qualificada às entidades de defesa do consumidor em processos regulatórios.

Essa medida está prevista no projeto de lei das agências reguladoras, em tramitação na Câmara, e é criticada por todas elas, inclusive a Anatel. O fundo, denominado Fundo Federal de Fomento à Participação Social no Processo Regulatório (FFPR), seria composto por um percentual do valor arrecadado com multas aplicadas pelos órgãos de defesa do consumidor, receita orçamentária dos órgãos e das entidades reguladoras, além de doações.

Os recursos obtidos seriam geridos por um representante (presidente) do órgão federal de defesa do consumidor; três representantes das entidades reguladoras; um representante do Ministério Público Federal; um representante do Ministério da Fazenda; e três representantes de entidades de defesa do consumidor, constituídas há pelo menos um ano.

O fundo seria usado também no apoio institucional para capacitação nos temas que compõem a Agenda Regulatória, outra proposta do Idec para promover a previsibilidade e a transparência da atuação regulatória e possibilitar a participação da sociedade civil na definição das prioridades institucionais. A agenda seria um documento público, anual, que indicaria os temas a serem regulados no período. Também contaria com um cronograma de atividades e teria acompanhamento semestral de atualização das ações.

Além disso, a proposta do Idec prevê o aprimoramento das audiências e consultas públicas, com a divulgação de textos de fácil entendimento e disponibilização, no site da agência, pelo prazo mínimo de um ano, dos estudos, dados e materiais técnicos que fundamentam as propostas de regulamento.

A proposta do Idec foi apresentada à Anatel na semana passada e será discutida internamente antes de uma decisão. A aproximação da Anatel com os consumidores é uma das ações de curto prazo previstas no PGR (Plano Geral de Atualização da Regulamentação das Telecomunicações).

Regras para concessão de rádios comunitárias poderão mudar

A Câmara analisa o Projeto de Lei 6761/10, do Senado, que restringe a concessão de rádio comunitária a entidades que tenham sido instituídas há pelo menos dois anos. Segundo o autor do projeto, senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA), sua proposta busca impedir a criação de associações e fundações com a finalidade exclusiva de explorar serviço de radiodifusão comunitária.

O senador pretende, assim, evitar o uso do serviço de forma inadequada, "por entidades a serviço de causas que não se coadunam com os fins para os quais a radiodifusão comunitária foi criada".

Flexa Ribeiro lembra que, na modalidade comunitária de radiodifusão, o Estado abre mão de receita patrimonial proveniente do licenciamento de uso de um bem público – no caso, parcela do espectro de radiofrequências – para conceder a determinados grupos sociais "instrumentos de apoio ao seu desenvolvimento".

A lei atual (9.612/98) permite a exploração do serviço de radiodifusão comunitária por parte de instituições sem fins lucrativos, sediadas na área da comunidade para a qual pretende prestar o serviço e dirigidas por brasileiro nato ou naturalizado há mais de dez anos. O projeto do senador não altera essas exigências.

Tramitação

O projeto, que tramita em caráter conclusivoRito de tramitação pelo qual o projeto não precisa ser votado pelo Plenário, apenas pelas comissões designadas para analisá-lo. O projeto perderá esse caráter em duas situações: – se houver parecer divergente entre as comissões (rejeição por uma, aprovação por outra); – se, depois de aprovado pelas comissões, houver recurso contra esse rito assinado por 51 deputados (10% do total). Nos dois casos, o projeto precisará ser votado pelo Plenário., será analisado pelas comissões de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática; e de Constituição e Justiça e de Cidadania.