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MPF cobra explicações da Globo por declaração de BBB sobre Aids

O Ministério Público Federal em São Paulo ajuizou nesta quarta-feira (24/3) uma ação para que a Rede Globo explique, durante o reality show Big Brother Brasil 10, as formas de contágio do vírus HIV. O pedido acontece depois de Marcelo Dourado, participante do programa, ter dito que relações heterossexuais não transmitem Aids.

Segundo o MPF, a afirmação foi exibida no dia 9 de fevereiro. Em conversa com outros moradores da casa do BBB 10, Dourado disse que um homem portador do vírus da Aids “em algum momento teve relação com outro homem”. Dourado disse ainda que “hetero não pega Aids”, que obteve a informação com médicos, e concluiu: “Um homem transmite para outro homem, mas uma mulher não passa para o homem”.

Após o trecho ir ao ar, com sete dias de atraso, o apresentador Pedro Bial disse apenas que “as opiniões e batatadas emitidas pelos participantes deste programa são de responsabilidade exclusiva dos participantes deste programa. Para ter acesso a informações corretas sobre como é transmitido o vírus HIV, acesse o site do Ministério da Saúde”.

Para o procurador autor da ação, Jefferson Aparecido Dias, a Globo deixou de fornecer informações corretas sobre as formas de transmissão do vírus HIV e prestou um desserviço para a prevenção da Aids no Brasil.

“Veicular uma afirmação completamente equivocada acerca das formas de contrair ou transmitir o vírus HIV, em um dos programas de maior audiência de sua grade televisiva, a TV Globo deixou de atender aos princípios da legalidade e moralidade”, diz o procurador.

O MPF já havia aberto um inquérito para investigar o caso, e recebeu como resposta da Globo que o BBB não tem roteiro e que as manifestações de seus participantes são espontâneas. Ainda segundo a emissora, qualquer posicionamento preconceituoso não reflete o posicionamento da TV Globo.

No entanto, para o procurador, a lesão social causada pela declaração de Dourado no programa é evidente, diante o poder de persuasão e de formação de opinião da TV no Brasil. “Num país em que a Aids cresce entre mulheres casadas e idosos, a declaração de Dourado, exibida pela Globo, é ainda mais perigosa e é preciso a intervenção do MPF”, afirmou Dias.

Segundo a ação, a Constituição Federal garante a liberdade de expressão, mas os autores e divulgadores de opinião estão sujeitos a serem chamados a responsabilidade quando suas opiniões ferirem direitos e reputação de outras pessoas e a saúde pública.

Para Dias, a Globo não esclareceu para os telespectadores que as declarações de Dourado eram absurdas.

O Regulamento dos Serviços de Radiodifusão obriga as concessionárias a subordinar os programas de informação, divertimento, propaganda e publicidade às finalidades educativas e culturais inerentes à radiodifusão.

Presidentes das operadoras apresentam balanço de conexão das escolas a ministros

Os presidentes das concessionárias de telefonia fixa se reúnem nesta quarta-feira com os ministros Dilma Rousseff (Casa Civil), Fernando Haddad (Educação), Paulo Bernardo (Planejamento) e Hélio Costa (Comunicações) para um balanço do Programa Banda Larga nas Escolas. A expectativa é de que nessa reunião sejam lançadas as bases para discussão da ampliação do programa para as escolas rurais, além de ser mais uma oportunidade para a iniciativa privada discutir apoio ao Plano Nacional de Banda Larga (PNBL), que será lançado em abril pelo governo.

Hoje, os diretores de regulação das prestadoras de reuniram com a secretária-executiva da Casa Civil, Erenice Guerra, e técnicos dos ministérios e da Anatel para acertar os números que serão apresentados amanhã aos ministros. Segundo um técnico das empresas, as metas de atender 80% das escolas até dezembro de 2009 foram cumpridas. “A discussão agora é sobre a próxima etapa”, disse.

Desde que foi lançado, em abril de 2008, o Programa Banda Larga nas Escolas já conectou 43.192 escolas públicas urbanas em todo o país à internet de alta velocidade. Isso representa 66,57% de todas as 64.879 instituições abrangidas pelo projeto. De acordo com o balanço divulgado pela Anatel no início deste ano, 25.331 instituições de ensino foram conectadas em 2009. Em 2008, foram 17.861 escolas. Até o final deste ano, todas as escolas públicas urbanas estarão conectadas, beneficiando cerca de 37 milhões de estudantes.

Em muitas das escolas já conectadas, a velocidade de 1Mbps já foi aumentada para 2Mbps e, em algumas, para 4 Mbps, a depender do que a operadora está oferecendo de velocidade à população nas proximidades da escola. Até o final deste ano, porém, todas as escolas terão que estar conectadas a uma velocidade de 2Mbps. O programa resultado das negociações para a troca dos PSTs (Postos de Serviços de Telecomunicações) por backhaul, promovida pelo governo com as operadoras em abril de 2008, alterando as metas do Plano Geral de Metas de Universalização.

Para o programa de banda larga para escolas rurais, disse a fonte, ainda faltam definições importantes, como a radiofrequência a ser usada e os recursos. Ela defende que esse programa seja um subproduto do PNBL. De acordo com seus cálculos, a conexão de cada uma das 80 mil escolas rurais custará três a quatro vezes mais do valor gasto para conectar cada uma das escolas urbanas. Isto porque, a maioria das escolas rurais está instalada longe das redes físicas.

MPF-DF já está investigando a Anatel por falta de transparência

A preocupação com a falta de transparência da Anatel não é só da conselheira Emília Ribeiro, que apresentou proposta de alteração do regimento interno da agência, propondo, entre outras coisas, que as reuniões do Conselho Diretor sejam públicas. O Ministério Público Federal do DF abriu processo preparatório para apurar eventual violação ao princípio constitucional da publicidade dos fatos da administração pública.

O procurador da República Marcus Marcelus Goulart enviou ofício à Anatel na última quinta-feira (18), solicitando informações sobre como a agência tem dado publicidade aos procedimentos para apuração dos descumprimentos de obrigações (Pados), bem como às sessões e votos do Conselho Diretor. O prazo para encaminhamento das informações é de 20 dias.

Para o procurador Marcus Goulart, a notícia sobre a proposta de reformulação do regimento interno pode indicar o interesse da Anatel em modificar sua atitude em relação à publicidade dos seus atos. “Vou acompanhar esse processo para ver se o interesse público é contemplado”, disse.

Caso não mude seus procedimentos, o MPF-DF pode instaurar um inquérito público civil e estudar medidas judiciais para o enquadramento da agência. “A agência tem que prestar contas dos seus atos para a sociedade e para os órgãos de controle”, defende o procurador.

Oi teme excesso de competição com MVNOs; Claro, Net e Vivo querem liberação a coligadas

Terminou com 364 contribuições nessa segunda-feira, 22, a consulta pública da Anatel sobre a proposta de regulamentação dos operadores virtuais de telefonia móvel, os MVNOs (Mobile Virtual Network Operators). E, mesmo com inúmeros elogios dos participantes à iniciativa da Anatel de regular o serviço no Brasil, as dúvidas e receios sobre as regras propostas ainda são o grande destaque na discussão do tema. Empresas de telecomunicações móveis e fixas apresentaram diversas considerações sobre o tema e, mesmo tendo opiniões destoantes, especialmente com relação ao grau de maturidade do mercado de telefonia móvel, concordam que ainda há espaço para correções na proposta da Anatel.

Uma das empresas mais relutantes com relação à implantação dos MVNOs é a Oi. A empresa já havia se manifestado nas audiências públicas mostrando preocupação com a iniciativa que visa aumentar a competição na oferta de telefonia móvel no Brasil. Para a Oi, o mercado de telefonia celular ainda não está maduro e a rentabilidade das operadoras é muito baixa em comparação com outros países. A LCA Consultores, contratada pela Oi para analisar a proposta, corroborou a teoria da empresa.

A Vivo, no entanto, fez ressalvas à proposta da Anatel pela via contrária. Para os representantes da empresa, o mercado brasileiro encaminha-se para o amadurecimento e a alta competitividade visualizada nesse segmento das telecomunicações é prova disso. Assim, a operadora critica algumas barreiras impostas pela Anatel ao credenciamento das MVNOs, como o impedimento de que empresas coligadas, controladas ou controladoras das teles móveis em funcionamento no Brasil possam ser operadoras virtuais. É a mesma posição da Telefônica, acionista da Vivo.

A Net também mostrou-se contra a restrição às coligadas de empresas de telefonia móvel entrarem no mercado como MVNO. A Claro, assim como representantes de interessados na atuação como operadores virtuais, sugeriram à Anatel a retirada da barreira que determina que as MVNOs credenciadas só podem contratar uma única prestadora de rede em sua área de atuação. Net e Claro têm como acionista em comum o empresário mexicano Carlos Slim.

Sem discriminar

A Telcomp também aproveitou a consulta pública para reforçar solicitações já adiantadas por este noticiário e apresentadas nas audiências de esclarecimento realizadas pela Anatel no início deste mês. Um dos principais pedidos da associação é que a agência reguladora inclua na regulamentação dispositivos que assegurem a oferta não-discriminatória de acesso às redes das empresas de telefonia móvel. O mesmo pedido foi feito por empresas de telefonia fixa, como a GVT.

Ajuste ao CDC

Órgãos de defesa do consumidor, como Pro Teste e Procon-SP, reiteraram a necessidade de que o regulamento seja adequado ao Código de Defesa do Consumidor (CDC). Para essas entidades, alguns direitos dos usuários ainda não estão claramente assegurados na proposta da Anatel.

Tributos, interconexão, exclusividade e concorrência são destaques da análise da SEAE sobre MVNO

Uma das análises mais aprofundadas sobre a proposta de regulamento de operadoras virtuais da Anatel, cuja consulta terminou esta semana e teve 364 contribuições, foi feita pela Secretaria de Acompanhamento Econômico (SEAE) do Ministério da Fazenda. A Seae, que tem participado ativamente das últimas consultas da Anatel, elogiou a iniciativa de regular a entrada das MVNOs, mas listou diversos pontos críticos na proposta.

Para a secretaria, a norma tem "potencial de desestabilizar o ambiente competitivo" em ao menos três hipóteses simuladas: caso a agência limite o número ou variedade de ofertantes; caso haja limite à concorrência entre as empresas; e caso exista redução dos incentivos dos ofertantes em competir de maneira mais vigorosa. É nesse último cenário onde aparecem mais argumentos contrários à proposta como ela está apresentada.

A Seae alertou que se deve evitar a adoção de regimes de auto-regulamentação ou de co-regulamentação. Essa ressalva, em princípio, confronta-se com uma das sugestões apresentadas pela TIM nas audiências públicas e reforçada na consulta. A operadora propõe a criação de um "fórum técnico-operacional" onde subentende-se que participariam operadoras de telecomunicações e MVNOs para troca de experiências e adaptação conjunta às regras do novo mercado. A análise da SEAE, no entanto, não ataca exemplos específicos, como a sugestão da TIM.

A secretaria diz que a decisão de permitir que a operadora virtual contrate rede com apenas uma prestadora "tolhe desnecessariamente a capacidade da MVNO conseguir melhores condições negociais". Por não ser um serviço de telecomunicações, mas sim de valor adicionado (SVA), a SEAE recomenda também que o credenciamento seja feito após a negociação com a prestadora já estar estabelecida, e não antes, como propõe a Anatel.

Oneração tributária

Ainda com relação à natureza de SVA da operação virtual, a SEAE alerta sobre a oneração tributária que a escolha da Anatel pode gerar. A agência reguladora decidiu não classificar as MVNOs como operadoras de telecomunicações para evitar a bitributação de ICMS, o que oneraria ainda mais o valor final do serviço prestado por essas futuras empresas. Ocorre que o tratamento como SVA, conforme alertou a SEAE, fará com que se cobre PIS/Cofins das operadoras credenciadas "sem, por outro lado, gerar qualquer benefício na alíquota de ICMS".

A regulação assimétrica com relação ao recolhimento da tarifa de interconexão (VU-M) é outro motivo de preocupação por parte da SEAE. Na análise da secretaria, o sistema criado pela Anatel favorece as MVNOs autorizadas em detrimento das credenciadas, uma vez que permite a cobrança total da VU-M em um valor até 20% maior do que o da praticado no mercado. Às credenciadas é assegurado apenas um percentual da tarifa de interconexão na oferta do serviço.

Mesmo com tantas ressalvas, a SEAE é favorável à regulamentação da operação virtual de telefonia móvel, por entender que a entrada desses novos operadores estimulará a concorrência no setor. "Acreditamos ainda que mesmo que uma nova entrada possa não ocorrer, a mera possibilidade ou ameaça crível de entrada tornada possível pela mera retirada da barreira regulatória já pode colaborar para elevar o nível de competição entre as empresas já estabelecidas no mercado", pondera a equipe da secretaria.