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Ex-presidente da Funai acusa Veja de inventar declaração

O ex-presidente da Funai Mércio Gomes acusa a Veja de inventar uma declaração sua na reportagem “A farra da antropologia oportunista”, publicada na edição desta semana. É a segunda acusação desse tipo contra a matéria. O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro também diz não ter sido entrevistado pelos jornalistas.

“Eles pediram os meus telefones, eu passei, mas não me retornaram”, diz Gomes.

Na matéria, os repórteres afirmam que há quatro anos Gomes teria dito: “Diante desse quadro, é preciso dar um basta imediato nos processos de demarcação”, sobre a criação de reservas indígenas e quilombolas.

“Denego-lhe o falso direito jornalístico de atribuir a mim uma frase impronunciada e um sentido desvirtuante daquilo que penso sobre a questão indígena brasileira”, diz o ex-presidente da Funai, em seu blog.

Gomes, que também é professor da Universidade Federal Fluminense, critica duramente a reportagem. Em sua opinião, ela está “cheia de injúrias aos povos indígenas brasileiros”.

“Os autores da matéria, ao que tudo indica jornalistas jejunos no trato de tais assuntos, parecem perseguir uma linha editorial ou um estilo jornalístico em que a busca de objetividade possível é relegada ao interesse ideológico de denegrir as conquistas dos segmentos mais oprimidos do povo brasileiro e demonstrar o seu favorecimento aos poderosos da nação”, critica.

A Veja foi procurada, mas ainda não se posicionou sobre o fato.

Jornalista defende compromisso da mídia com direitos humanos

A jornalista e diretora da TV Comunitária de Niterói, Cláudia de Abreu, defendeu há pouco a diretriz 22 do Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3), que trata da comunicação. Essa diretriz prevê a criação de um marco legal que estabeleça o respeito aos direitos humanos como condição para renovar as concessões de rádio e TV.

“Quem é a favor da democratização dos meios de comunicação deve defender a diretriz 22 do PNDH-3”, afirmou a jornalista, em seminário sobre mídia e direitos humanos que ocorre na Câmara.

Cláudia de Abreu disse que é favorável ao controle social da programação e ao fim de renovações automáticas de concessões para televisão e rádio. “Controle social não é censura. A queda da censura foi importante conquista da qual não abrimos mão. A participação popular na construção de políticas públicas favorece a liberdade de expressão”, afirmou.

A diretriz 22 tem sido alvo de críticas, no entanto, por propor a criação de um ranking sobre mídia e direitos humanos. Segundo os críticos, esse ranking cercearia a liberdade de expressão.

Baixaria na TV

O seminário sobre mídia e direitos humanos está sendo promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. Após as discussões sobre o PNDH-3, será apresentado o 17º ranking da campanha “Quem financia a baixaria é contra a cidadania”.

O seminário foi proposto pela presidente da comissão, deputada Iriny Lopes (PT-ES), e pelo deputado Pedro Wilson (PT-GO). O evento ocorre no plenário 7.

Leia a íntegra do PNDH-3

Edição – Pierre Triboli

Mídia tem medo do controle social, diz ONG feminista

A presidente da organização não governamental Observatório da Mulher, Rachel Moreno, afirmou que o maior medo da grande mídia com relação ao Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) diz respeito ao controle social. “Mas não queremos punir ninguém ou estabelecer censura. Queremos implementar e zelar pelo respeito aos direitos humanos”, afirmou Rachel, em seminário sobre mídia e direitos humanos que ocorre na Câmara.

Rachel Moreno disse que, por serem concessões públicas, as TVs e rádios deveriam ter responsabilidade social. Além disso, ela afirmou que os valores e modelos divulgados pela publicidade e pela programação de TV estão provocando “doenças modernas”, como anorexia, visão distorcida do próprio corpo e mania de magreza.

A presidente da ONG também criticou os veículos de comunicação por reproduzirem modelos que reforçam estereótipos. “Os meios de comunicação refletem as mulheres com valores do século passado, sem refletir a pluralidade e a diversidade”, avaliou.

Para modificar essa situação, Rachel pediu aos parlamentares a elaboração de leis que regulamentem dispositivos do PNDH-3 relacionados aos meios de comunicação.

O seminário sobre mídia e direitos humanos está sendo promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. O evento ocorre no plenário 7.

Leia a íntegra do PNDH-3

Edição – Pierre Triboli

PNDH não é ameaça para os meios de comunicação, diz sociólogo

O sociólogo, jornalista e professor aposentado da Universidade de Brasília (UnB) Venício Lima rebateu as críticas feitas pela grande mídia de que o Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) cerceia a liberdade de imprensa e não é democrático. Segundo ele, a própria Constituição, em seu artigo 221, já prevê a elaboração de um marco legal para os veículos de comunicação.

“Quem ameaça quem? O PNDH ameaça a liberdade de comunicação ou os empresários que ameaçam o direito à comunicação?”, questionou Lima, durante seminário sobre mídia e direitos humanos que ocorre na Câmara.

Venício Lima lembrou que a proposta de acompanhamento dos veículos de comunicação já estava nos planos anteriores, mas não havia sido contestada.

O sociólogo ressaltou que a efetivação do plano depende da aprovação de projetos de lei. No caso do ranking sobre direitos humanos e programação, também previsto no PNDH, ele disse que a iniciativa já é realizada pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara.

Concessões de TV

Lima lembrou que o PNDH prevê a cassação de outorgas de emissoras que não sigam diretrizes de direitos humanos. Ele disse que, atualmente, há dificuldades de se cassar uma concessão. “As empresas de comunicação já gozam de vários privilégios nesse sentido”, afirmou. Ele lembrou da exigência de quórum qualificado para não renovar as concessões e da dependência de decisão judicial para dar fim a uma concessão.

O seminário sobre mídia e direitos humanos está sendo promovido pela Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara. O evento ocorre no plenário 7.

Leia a íntegra do PNDH-3

Edição: Pierre Triboli

Telebrás terá capitalização de R$ 3,22 bilhões e será reorganizada

O Plano Nacional de Banda Larga (PNBL) lançado nesta quarta-feira, 5, prevê um intrincado conjunto de ações para que o Estado volte ao mercado de telecomunicações como fomentador da concorrência.

Apesar das polêmicas, a estatal será revitalizada, como se previa. A empresa terá uma nova atribuição, focada apenas na oferta de banda larga e não mais na comercialização ampla de telecomunicações, quando a estatal era a única operadora do mercado. Essa mudança de natureza será feita no decreto que lançará formalmente o plano, a ser publicado na próxima semana.

A estatal passará também por uma reorganização interna, que deve ser definida por meio de assembléias de acionistas, mas sempre respeitando as regras definidas pela Lei das S/A, segundo a ministra Erenice Guerra, da Casa Civil. A nova Telebrás será uma empresa "enxuta", nas palavras do secretário de Logística e Tecnologia da Informação do Ministério do Planejamento, Rogério Santanna. A empresa fará a gestão da rede estatal de banda larga e deverá ter em torno de 60 funcionários apenas. Parte desses funcionários já são do quadro da estatal e serão "recuperados" da Anatel. Segundo apurou este noticiário, a agência já está trabalhando na lista com os nomes que retornarão à estatal.

Infraestrutura das estatais

Como já se sabia, a rede gerida pela Telebrás será composta por fibras ópticas das elétricas, tendo como espinha dorsal a infraestrutura antes administrada pela Eletronet. O governo admite que essa rede ainda é alvo de disputa judicial, mas a ministra-chefe da Casa Civil ressaltou que está em vigor uma liminar que dá às concessionárias do Sistema Telebrás o direito de uso da rede até que a falência seja concluída.

Além das fibras da antiga Eletronet, a rede estatal será composta por cabos pertencentes à própria Eletrobrás e também da Eletrosul, Eletronorte, Chesf e Petrobras. O governo pretende expandir a rede para atender todas as capitais até 2014 por meio de licitações que serão iniciadas ainda este ano.

Ampliação da rede

O governo planeja expandir a rede criando dois anéis que cobrirão as capitais brasileiras e imediações até 2014: o Anel Sudeste e o Anel Nordeste, tendo como centro das interligações a capital Brasília. A primeira etapa para a viabilização do uso da rede e início da expansão acontecerá a partir de setembro, quando o governo pretende lançar um edital para a compra de equipamentos de rede e operação das fibras. O valor do edital não foi divulgado ainda.

Investimentos necessários

A projeção do governo é que todo o PNBL, incluindo a expansão, custe R$ 5,7 bilhões. Esse dinheiro não virá apenas do Tesouro Nacional. O aporte direto de verbas atenderá só os três primeiros anos de operação da Telebrás. A partir daí, a estatal deve começar a gerar lucro e assumir a responsabilidade pelo restante dos investimentos.

Com esse montante, o governo espera que a banda larga chegue a 40 milhões de domicílios até 2014. Há quem diga que serão necessários mais recursos, e apontam para isso o plano de banda larga sugerido pelo Ministério das Comunicações, que previa 30 milhões de acessos fixos e 60 milhões de acessos móveis até 2014, mas com investimentos públicos de R$ 26,5 bilhões (incluindo fundos setoriais e renúncia fiscal) e privados de R$ 49 bilhões.

Capitalização

Para voltar à ativa efetivamente, a Telebrás receberá um aporte de R$ 3,22 bilhões. A empresa já tem hoje um caixa de aproximadamente R$ 280 milhões, restantes de um aporte de R$ 300 milhões feito há dois anos e que cobriu um passivo de cerca de R$ 20 milhões. Essa aplicação direta de recursos assegurará a operação nos primeiros três anos.

As projeções para o quarto ano de operação da Telebrás são bastante otimistas da parte do governo. A equipe projeta que em 10 anos, a margem EBTIDA da estatal superará a casa dos 51%, índice acima do apresentado por algumas teles em operação no mercado. Em quatro anos, a margem deve ser de 44%. Assim, a empresa deverá ter fôlego de sobra para autofinanciar sua operação e expansão.

O valor de mercado da Telebrás pela cotação desta quarta, 5, é de R$ 2,515 bilhões, aproximadamente. Se a capitalização que o governo pretende fazer de R$ 3,22 bilhões, fosse feita de uma vez, haveria uma diluição de quase 60% para os atuais detentores de ações da empresa. MAs o aporte deve ser feito ao longo de três anos.