Arquivo da categoria: Notícias

Confecom é tema para próximo governo, diz Franklin Martins

O ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social, Franklin Martins, informou na manhã desta quinta-feira (10) que o governo deve fazer apenas o trabalho de sistematização das 633 propostas aprovadas na Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), realizada em dezembro do ano passado. Embora o Poder Executivo e o Congresso Nacional estejam trabalhando em temas que foram motivo de deliberações da Confecom, é provável que muitas delas sejam repassadas para avaliação do próximo governo.

“Até o fim do ano, pretendemos deixar essa questão equacionada para o próximo presidente e Congresso. Vamos sistematizar, dar um encaminhamento daquilo que pode ser feito”, afirmou Franklin Martins. O ministro também informou que o caderno final da Confecom encontra-se disponível no site da Secom. Franklin Martins foi um dos expositores de audiência pública realizada na Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara dos Deputados.

As propostas estão sendo separadas pelo governo de três formas. Em um primeiro bloco, estão sendo reunidas aquelas que necessitam de projetos de lei para se efetivar. O segundo organiza aquelas que não precisam passar pelo Congresso para saírem do papel e, por último, as deliberações que fazem apenas recomendações ou direcionamentos.

Uma das propostas que devem ficar para avaliação do próximo governo é a implantação de um Conselho Nacional de Comunicação. O ministro Franklin Martins foi taxativo em afirmar que o governo não poderá realizar tal pleito.

A proposta, aprovada na Confecom por unanimidade, prevê a criação de um conselho nacional que sirva de instrumento de participação social na definição de políticas públicas para a área. O conselho é considerada uma prioridade por todas as organizações e movimentos sociais que participaram do processo da conferência.

A deputada federal Luiz Erundina (PSB-SP), responsável pela convocação da audiência pública, afirmou que está sendo criada na Câmara uma frente parlamentar para dar encaminhamento às propostas aprovadas pela Confecom. A sociedade civil também está se organizando e deverá realizar no primeiro dia de julho um seminário nacional para, entre outras ações, criar uma lista de prioridades entre as propostas que saíram da Conferência.

O caderno final, divulgado hoje, elenca 633 propostas aprovadas na conferência. Dessas, 64 foram aprovadas na plenária final e 569, nos grupos temáticos. Chegou-se a esse número após uma revisão do resultado final da conferência. Anteriormente, constava no próprio site oficial da Confecom o número de 665 propostas aprovadas.

Processo de escolha de conselheiros da EBC recebe críticas

Em 28 de maio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva divulgou, por meio do Diário Oficial da União, os nomes de Ana Maria Veloso, Takashi Tome e Mario Augusto Jakobskind como os escolhidos para integrarem o Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC) por quatro anos. Os nomes dos três tiveram origem em um processo de renovação que iniciou com uma consulta pública, aberta à participação de qualquer organização social brasileira.

Apesar de a renovação do conselho inovar e abrir espaço para a participação, a condução geral do processo gerou críticas da sociedade civil. A principal delas é a de que a maneira de lidar com o resultado da consulta até chegar à indicação final pelo presidente, definida pelo próprio Conselho Curador, abriu espaço para que não fosse respeitada a ordem de indicações e a diversidade expressa pelo resultado da consulta, da qual participaram 65 organizações sociais. A decisão final sobre a composição do CC é uma prerogativa do presidente da República, definida na lei que criou a EBC.

As organizações puderam indicar até três candidatos ao cargo de conselheiro da EBC. Ao final da consulta, a lista de indicações contava com 47 pessoas. Embora já se soubesse que o número de votos recebidos não fosse um critério estabelecido nas regras do processo de renovação, a expectativa era que a ordem resultante da consulta fosse respeitada.

No entanto, as indicações recebidas por cada candidato não foram o critério definidor das três listas tríplices – uma para cada vaga no conselho – que saíram do Conselho Curador. De acordo com a presidente do CC, Ima Célia Vieira, essa lista de nove nomes – escolhidos entre os 47 indicados pela sociedade – foi feita pelo Conselho Curador a partir do enquadramento dos perfis nos seguintes critérios: diversidade regional, diversidade étnico-racial, diversidade de gênero e pluralidade de competências profissionais. O número de indicações que os candidatos haviam recebido também pesou, mas não foi determinante.

A partir destes critérios, os atuais conselheiros realizaram uma votação que definiu os nomes e a ordem das três listas enviadas ao presidente Lula. De acordo com Ima Célia, o regimento interno do Conselho Curador delega a este a função de acompanhar o processo de consulta pública. Na visão da maioria dos conselheiros, o acompanhamento iria além de simplesmente efetivar os nomes mais indicados pela sociedade civil.

Segundo apurou este Observatório, o presidente Lula apenas referendou os nomes daqueles que haviam obtido mais votos dentro do Conselho – Ana, Takashi e Jakobskind.

Na consulta pública, a jornalista pernambucana e ativista do movimento de mulheres Ana Veloso havia recebido 15 indicações, o maior número entre todos os candidatos. O engenheiro paulista Takashi Tome, pesquisador da área de telecomunicações, recebeu 12 votos. Já o jornalista carioca Mario Jakobskind havia recebido uma indicação.

Questão racial

Neste processo, duas representantes de organizações que lutam pelos direitos das mulheres negras, que haviam recebido significativo apoio na consulta pública e tiveram seus nomes incluídos nas listas enviadas ao presidente Lula, ficaram fora do conselho. “Infelizmente nós nos sentimos preteridas, excluídas”, diz Jacira Silva, do Movimento Negro Unificado e Fórum de Mulheres Negras. Ela acredita que o processo de consulta foi importante pela mobilização que gerou, mas entende que “não foi respeitada a voz da sociedade civil”.

A outra mulher negra da lista era Nilza Iraci Silva, coordenadora da Articulação de ONGs de Mulheres Negras Brasileiras. Ambas tiveram seus nomes incluídos na lista tríplice ao lado de Mario Jakobskind.

Atualmente o Conselho Curador só possui um negro, entre os 15 representantes da sociedade civil. É o produtor cultural e presidente do Olodum, João Jorge Santos Rodrigues. “É um número muito irrisório. Me parece que seria melhor ter mais negros e mais mulheres”, avalia. Dessa forma seria possível um olhar mais plural sobre a programação dos veículos públicos da EBC.

João Jorge lembra, por exemplo, que agora o conselho está sem nenhum representante indígena. Sobre a questão étnico-racial na programação da TV Brasil, o presidente do Olodum avalia que a grande novidade é o programa Nova África. “Mas na música ainda precisa incluir muita coisa além da Bossa Nova e do Jazz. Tem muito que andar, mas é um processo”, sintetiza.

Função

Segundo a lei que criou a EBC, é prerrogativa do Conselho Curador aprovar anualmente o plano de trabalho e a linha editorial da EBC, assim como observar a sua aplicação. Deve ainda acompanhar e fiscalizar a veiculação da programação, e suas indicações serão obrigatoriamente acolhidas pela Diretoria-Executiva.

Poderá ainda, por deliberação da maioria absoluta de seus membros, emitir voto de desconfiança à Diretoria ou a um dos diretores, sendo que a segunda advertência resultará necessariamente em afastamento do diretor censurado ou, se for o caso, de toda a diretoria.

Em sua primeira gestão, todos os 15 membros que representam a sociedade no Conselho Curador foram indicados diretamente pelo presidente da República. No fim de 2009, expirou o mandato de 8 destes conselheiros. Cinco deles indicaram que gostariam de permanecer no cargo e foram reconduzidos para um novo mandato de 4 anos. As três vagas preenchidas agora foram as primeiras a serem definidas com algum grau de participação da sociedade.

*** Para saber mais sobre o processo de renovação da EBC:
Conselho Curador da EBC elege nomes de listas tríplices para escolha de novos conselheiros
Definidos novos membros do Conselho Curador da EBC
Sai resultado da consulta pública para indicação de nomes ao Conselho Curador da EBC

Provedores criam empresa para comprar banda em grande quantidade

Provedores de internet criaram uma empresa para comprar banda em grande escala e assim conseguir reduzir custos na negociação com fornecedores. A Unotel, que nasceu em 2006 como uma associação de provedores, hoje é uma Sociedade Anônima de capital fechado que tem cerca de 180 provedores sócios e vende capacidade de rede para mais de 300 companhias.

A dificuldade em conseguir capacidade de rede, o insumo principal de um provedor de internet, a preços razoáveis, é talvez a principal barreira de crescimento dos pequenos provedores. A Unotel procura trabalhar com fornecedores de porte médio e, como compra capacidade na casa dos Gbps, é um cliente importante para essas companhias, o que lhe dá não só condições melhores de negociação mas também um tratamento diferenciado. "Nossos provedores estavam nas mãos das operadoras. Depois que a Unotel foi criada e passamos a negociar banda na casa dos Gbps, elas estendem um tapete vermelho para você passar", afirma o diretor-presidente da Unotel, João José Ranzani.

Segundo ele, a empresa já dá lucro e o faturamento gira na casa dos R$ 1,5 milhão por mês. Hoje, a atuação da empresa é concentrada no norte de São Paulo e em Minas Gerais, estado onde nasceu a companhia. Ranzani, explica que a Unotel está em um processo expansão. Para conseguir a adesão de novos clientes e sócios, haverá encontro de provedores no Rio de Janeiro, depois em Fortaleza e por último em São Paulo, durante a Futurecom.

Valor agregado

A Unotel também está procurando diversificar o seu negócio, partindo para oferta de serviços de valor adicionado. A companhia tem uma solução de telefonia IP, em que o cliente/provedor não precisa adquirir nenhum equipamento a não ser aqueles que vão na casa do usuário final. "Para o provedor é só colocar o equipamento na ponta. É uma solução que usa cloud computing", explica o executivo. Outro serviço de valor agregado é uma solução de ERP, desenhada especificamente para o negócio dos provedores que contém análise da banda utilizada, billing de VoIP etc.

Além destes produtos, a Unotel ainda pode ajudar seus clientes na construção da última milha de suas redes. Esse trabalho pode ser feito de duas maneiras. Ou a companhia atua como se fosse um agente entre o provedor e o fornecedor e recebe uma participação por isso. Ou a própria Unotel faz o projeto e especifica os equipamentos para que um terceiro credenciado execute o serviço. "No geral, preferimos ser agente e ganharmos uma participação", diz Ranzani.

Telebrás

A Unotel não vê a reativação da Telebrás como uma concorrência para o seu negócio. Segundo o executivo, vários membros do conselho de administração da companhia se reuniram com Rogério Santanna, presidente da Telebrás, e a impressão que ficou é a Unotel poderá ser cliente da Telebrás.

A empresa tem hoje cerca de 25 funcionários diretos e transferiu sua sede de Lagoa Santa (MG) para São Paulo. E os planos são ambiciosos. Em dois ou três anos, a ideia é abrir o capital.

Bittar classifica de “panfletária” e “terrorista” a campanha da Sky contra o PL-29

O deputado Jorge Bittar (PT-RJ) divulgou texto nesta terça-feira (8) combatendo o que ele chama de “campanha panfletária e terrorista” da Sky contra o PL 29/07, que unifica as regras da TV por assinatura e permite a entrada das teles nesse setor. Segundo o deputado, a exemplo do que já fez no passado, através de inserções na sua programação combatendo a proposição, agora está usando o e-mail de seus assinantes para “disseminar pânico e indispor sua clientela contra o projeto”, disse.

O mote da mensagem divulgada pela Sky é de que a política de cotas prevista no PL 29 vai encarecer o preço da assinatura do serviço. “Isso é mentira”, afirma Bittar. Ele esclarece que o projeto estabelece limites para que essa política não venha onerar as grades de programação.

Leia, a seguir, a íntegra da nota distribuída pelo parlamentar:

“Sky faz campanha panfletária e terrorista contra PL 29

Através de um panfleto de péssima qualidade enviado a seus assinantes, a Sky está fazendo uma campanha mentirosa e terrorista contra o PL 29. A exemplo do que já fez no passado, através de inserções na TV por assinatura sem dar oportunidade para que a verdade seja esclarecida, a Sky está disseminando pânico para indispor sua clientela contra o projeto.

Sem apresentar qualquer embasamento técnico, essa operadora internacional de capital estrangeiro afirma que a política de cotas vai encarecer o preço das assinaturas. Isso é mentira.

Junto com a política de cotas foi criada também uma política de fomento que irá agregar, anualmente, mais de R$ 400 milhões para que os produtores de audiovisual brasileiro possam realizar produtos de qualidade, como as séries Peixonauta (filme de animação para crianças que está fazendo um sucesso extraordinário), Filhos do Carnaval, Mandrake e tantas outras.

Além disso, foram estabelecidos limites para que as cotas não onerassem as grades de programação e, portanto, não viessem a causar qualquer impacto sobre o preço da TV por assinatura. A política foi calibrada exatamente para não onerar as empresas e, por via de conseqüência, os assinantes.

É importante lembrar que as cotas não se aplicam a todos os canais, mas apenas aos de conteúdo qualificado, tais como os de filmes, animação e documentários. Além disso, numa grade de pelo menos 35 horas semanais de horário nobre, a exigência de exibição de produto nacional se limita a três horas e trinta minutos por semana e é de absoluta liberdade dos programadores e produtores, ao contrário do que diz a Sky no panfleto quando veicula a falsa informação de que a Ancine vai determinar que tipo de produto será veiculado no horário nobre.
 
Ainda com relação ao preço, ao simplificar a licença de TV por assinatura o projeto permite que milhões de novos clientes tenham acesso a esse serviço, inclusive com pacotes populares, e propicia ganhos de escala. Dos atuais oito milhões de assinantes, o mercado poderá se expandir para mais de 30 milhões. Além do ganho econômico, isso significa levar conteúdos culturais nacionais e internacionais de qualidade e informações educativas para as crianças a preços decentes.

O que está por trás da campanha da Sky é uma tentativa desesperada de responder às denúncias que temos feito sobre sua atuação subterrânea no Congresso Nacional. Além de ser um distribuidor estrangeiro, defendendo seus interesses para continuar distribuindo conteúdos internacionais de qualidade discutível, a Sky representa também alguns programadores internacionais que fazem trabalho de qualidade duvidosa.
 
Os bons programadores internacionais têm dialogado conosco e reafirmado que não discordam de uma política criteriosa de cotas como a que fizemos. A Sky nunca se apresentou para o debate público, preferindo agir às ocultas na tentativa de cooptar parlamentares para a defesa de seus interesses meramente financeiros.

Em desespero de causa, frente às denúncias que fizemos sobre essa prática anti-ética, a Sky tenta agora espalhar pânico entre seus assinantes, induzindo-os ao erro de acreditar que serão prejudicados pela aprovação do PL 29.

Os efeitos do projeto, porém, saltam à vista de todos, uma vez que são extremamente benéficos para a cultura, para a geração de empregos e para os assinantes, que vão ter conteúdo brasileiro de qualidade, além do conteúdo internacional, a preços acessíveis.

Só temos a lamentar que apenas a Sky não perceba isso. E asseguramos que, a cada golpe baixo, continuaremos respondendo publicamente em defesa da democratização do setor de TV por assinatura no Brasil e do direito de todos os cidadãos à informação.

Jorge Bittar – deputado federal PT/RJ”

Abert cobra restrição de capital estrangeiro em empresas jornalísticas

A Abert mantém o ataque que vinha fazendo aos veículos de mídia ligados a grupos internacionais que atuam no país. Nesta terça, 8, a associação de radiodifusores divulgou nota reiterando sua posição e cobrando do Ministério das Comunicações a "aplicação de restrições previstas no Artigo 222 da Constituição Federal". Vale lembrar, trata-se do artigo que determina que 70% do capital total e votante das empresas jornalísticas instaladas no país devem pertencer a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos.

O alvo claro da associação é a atuação do portal Terra, ligado ao grupo Telefônica, bem como do grupo português Ongoing, no Brasil. Contudo, pode afetar outros grupos portais como MSN, Yahoo e Google, além de outras empresas de mídia internacionais como Reuters, Bloomberg e BBC.

Veja a nota da Abert:

"Diante da ausência de providências do Ministério das Comunicações contra grupos estrangeiros que controlam sítios e portais de conteúdo jornalístico no país, a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) reitera a necessidade de aplicação das restrições previstas no Artigo 222 da Constituição Federal.

Documento protocolado no último dia 31, endereçado ao ministro das Comunicações, José Artur Filardi Leite, adverte sobre consequências da demora da União em fiscalizar a ação ilegal desses grupos.

Quanto mais tempo se passa sem a fiscalização adequada mais as empresas infratoras de tais regras se consolidam no mercado e prejudicam aqueles que cumprem integralmente as regras constitucionais.

O Artigo 222 da Constituição determina que 70% do capital total e votante das empresas jornalísticas instaladas no país devem pertencer a brasileiros natos ou naturalizados há mais de dez anos.

Esta limitação, prevista no texto constitucional, aplica-se a qualquer empresa jornalística, independente do veículo utilizado para transmitir a informação.

Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão – ABERT"