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TVs estatais federais serão oferecidas em alta definição

Diferente do que havia sido pensado, o governo agora pretende que os canais do campo público ligados aos Três Poderes sejam oferecidos em alta definição (HD) à população quando forem digitalizados. Antes, o plano era que apenas a TV Brasil operasse em HD. Os outros (TV Senado, TV Câmara, TV Justiça, NBR, Canais do Ministério da Educação e do Ministério da Cultura) fariam a transmissão em um padrão de menor resolução de imagem, o Standart Definition (SD). A mudança é importante pois aumenta a qualidade desses canais e, por consequência, o interesse do telespectador.

Os canais ligados aos ministérios foram criados pelo Decreto 5.820/2006, que criou as bases legais para a transição do sistema de TV analógico para o digital no país. Além deles, o decreto garante um canal para o Poder Executivo e o Canal da Cidadania, para transmissão de programações das comunidades locais, bem como para divulgação de atos, trabalhos, projetos, sessões e eventos dos poderes públicos federal, estadual e municipal.

Segundo o diretor de Serviços da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), José Roberto Garcez, é possível em apenas um canal (6Mhz) usar até duas programações em alta definição. “A gente calcula que com quatro canais nacionais a gente consegue botar todos com qualidade HD”, diz o diretor.

Com a digitalização do sistema, os canais que serão usados pelas emissoras serão os do UHF (14 ao 69). As emissoras do campo público, de acordo norma expedida em 2009, terão nove canais à disposição (60 a 68). É para este espaço que está sendo formatada a Rede Nacional de TV Pública Digital Terrestre (RNTPD).

Rede

Pelo projeto da RNTPD, as TVs comunitárias, por exemplo, só estariam disponíveis nas capitais do país, pelo Canal da Cidadania. No entanto, o uso desse espaço ainda precisa passar por uma definição mais clara por parte do Ministério das Comunicações (Minicom), ao qual o canal é vinculado. Ele será oferecido em SD e também abarcaria canais universitários e legislativos.

 

Além das poucas palavras ditas sobre o Canal da Cidadania no decreto de transição dos sistemas, foi publicada em 25 de março de 2010 a Portaria 198, que cria diretrizes de uso para o espaço. Para viabilizar a programação, o Minicom poderá celebrar convênios com entidades das comunidades locais, além de entes da Administração Pública direta e indireta em âmbito federal, estadual e municipal. A Portaria ainda cria a obrigação de instalação de um conselho gestor ligado ao Poder Legislativo local.

No entanto, ainda não se sabe ao certo como as televisões educativas estaduais atuarão no ambiente digital e se participarão do Canal da Cidadania. Uma possibilidade é que elas ganhem um canal digital (6Mhz) e o utilizem com suas programações. Outro modelo é a divisão desse mesmo canal com outras programações, usando da multiprogramação que o sinal digitalizado passa a permitir.

Isso possibilitaria, por exemplo, que uma TV educativa se dividisse em uma autarquia pública e outra governamental. Ou separasse essas funções dentro de uma mesma estrutura, como ocorre hoje em nível nacional com a TV Brasil (pública) e a TV NBR (estatal), ambas gerenciadas pela EBC. Para operar com a multiprogramação, no entanto, haveria a necessidade de uma mudança legal. Hoje, apenas emissoras ligadas diretamente à União têm essa condição.

Conteúdos

O presidente da Associação Brasileira das Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), Póla Ribeiro, acredita que é possível que algumas televisões locais mais robustas, como as do Pará, Minas Gerais e Bahia tenham condição de produzir e distribuir mais de uma programação dentro de um mesmo canal. Para ele, aumentar as possibilidades de conteúdos públicos e estatais é um ganho para o cidadão.

Póla Ribeiro acredita, por exemplo, que não seria difícil criar conteúdos para um canal musical. No entanto, ele afirma que o modelo de rede a ser criado precisa de mais diálogo entre a EBC e às emissoras estaduais. “Não temos compreensão tão clara do operador. Que a gente possa aprofundar a discussão e dar um passo mais seguro”, defende ele, que também é diretor-geral do Instituto de Radiodifusão Educativa da Bahia.

Já José Roberto Garcez, da EBC, acredita que uma característica da Rede Nacional de TV Pública Digital Terrestre é ser flexível. O operador digital estará disponível, inclusive para emissoras privadas. “Serão projetos caso a caso. É preciso que cada um se manifeste individualmente”, afirma o diretor.

 

 

Seja da forma que for o projeto, o futuro que se anuncia é de um aumento de espaço e de alcance para os canais públicos, estatais e comunitários. “Aposto que a questão no futuro é quem vai produzir conteúdo para tantos canais”, comenta Garcez, que acredita ser inevitável a associação dessas emissoras com produtores de conteúdos independentes. Certo também é que a digitalização dos canais do campo público os colocará em melhores condições de competir com as televisões comerciais. Com a mesma qualidade do sinal, o gosto do cidadão será disputado pela essência de um veículo de comunicação: seu conteúdo.

 

 

TV Cultura: sindicato denuncia perseguição tucana a trabalhadores

Em carta aberta divulgada nesta terça-feira (8), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo repudiou o desmonte da TV Cultura, que vem sendo atacada por seus mantenedores — a Fundação Padre Anchieta e o governo do PSDB. Desde o início do processo de reformulação, as gestões tucanas aplicam um receituário de demissões, extinção de programas e quebra de contratos.

“Os trabalhadores estão intimidados e vivem um verdadeiro clima de terror e insegurança”, alerta o sindicato. Segundo a entidade, “é sonegado ao cidadão quais os verdadeiros interesses que levam ao sucateamento do patrimônio público e o fato de que alguns dos cortes não tiveram o objetivo de aliviar os cofres da Fundação Padre Anchieta”. A proposta, diz a nota, “é acabar com qualquer possibilidade de reação ou de organização interna que possa questionar a proposta de sucateamento da emissora”.

Confira abaixo a íntegra do documento.


TV Cultura persegue representação dos trabalhadores


A proposta da atual gestão da Fundação Padre Anchieta, presidida pelo economista João Sayad, é reduzir o quadro de funcionários e cortar parte das produções próprias reduzindo ao máximo o custo de manutenção da emissora. Estas informações são de conhecimento público e, no momento, os trabalhadores estão intimidados e vivem um verdadeiro clima de terror e insegurança.

Mas é sonegado ao cidadão quais os verdadeiros interesses que levam ao sucateamento do patrimônio público e o fato de que alguns dos cortes não tiveram o objetivo de aliviar os cofres da Fundação Padre Anchieta. Na verdade, o desmonte da TV Cultura não é feito apenas para alterar a grade da programação, o que é grave pois ameaça a função pública, educativa e cultural da emissora, mas tem também o objetivo político de eliminar as representações diretas dos trabalhadores nas instâncias internas da Fundação Padre Anchieta. A proposta é acabar com qualquer possibilidade de reação ou de organização interna que possa questionar a proposta de sucateamento da emissora.

Em fevereiro não foi renovado o contrato com a TV Assembléia, o que representou a dispensa de 78 profissionais (absorvidos pela Fundação para o Desenvolvimento das Artes e da Comunicação – Fundac, contratada pela Assembléia Legislativa para manter a TV no ar) além da demissão de mais 150 funcionários da TV e Rádio Cultura.

Dentre os demitidos, além de profissionais com mais de vinte anos de casa, estão dois jornalistas (um da rádio e outro da TV) eleitos pelos colegas para representá-los na Comissão interna criada pela própria presidência, exatamente para acompanhar todo o processo de reestruturação. Essa Comissão foi resultado de reunião entre os Sindicatos dos Jornalistas, dos Radialistas e a diretoria da fundação no final de 2010 e implantada no que parecia um processo saudável de diálogo. Agora, com a confiança quebrada, a Comissão desmontada sem qualquer possibilidade de negociação a situação fica mais dramática.

Também foi demitido o segundo candidato mais votado entre os funcionários para ocupar a vaga dos trabalhadores no Conselho Curador da Fundação Padre Anchieta e que era abertamente defendido pelos colegas para se recandidatar na próxima eleição. Aliás, o representante anterior dos funcionários no Conselho Curador também foi demitido, restando apenas o atual que está gozando a estabilidade do mandato, pois, o estatuto da fundação obriga a TV Cultura a manter essa vaga.

Existe uma clara manobra para impedir que os trabalhadores da Fundação Padre Anchieta, profissionais dedicados a fazer da Rádio e TV Cultura emissoras diferenciadas, possam questionar as decisões imperiais impostas pela atual direção.

A Rádio e TV Cultura é uma alternativa à mediocridade da programação que domina as TVs comerciais, tem a missão de divulgar cultura, informação e lazer de qualidade e é um patrimônio da população. Não podemos permitir que a administração estadual destrua aquela que já foi a melhor TV pública do Brasil e modelo para as emissoras culturais e educativas de todos os estados do País. A população vai reagir a esse descalabro!

Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo

Chega a Cuba o primeiro cabo submarino de fibra ótica

Cabo submarino de fibra ótica ligando Cuba e Venzuela chegou à ilha caribenha após uma viagem de 19 dias do barco francês Ille de Batz, como parte da primeira etapa do sistema ALBA1. Conexão física entre as duas nações derruba séculos de isolamento e abre uma brecha no bloqueio estadunidense contra Cuba. Embaixadores da China, Jamaica e França, que apóiam o projeto, participaram da histórica cerimônia de chegada do cabo submarino em solo cubano.

O cabo submarino de fibra ótica que enlaça Cuba com Venezuela tocou terra hoje na praia de Siboney, nesta província oriental, como parte da primeira etapa do sistema ALBA 1.

O vice-presidente cubano Ramiro Valdés encabeçou o ato de recepção junto a Hamadou Touré, secretário geral da União Internacional de Telecomunicações; Manuel Fernández, vice-ministro de Telecomunicações de Venezuela, e outras personalidades.

Wilfredo Morales, presidente da Empresa de Telecomunicações Gran Caribe, a cargo das obras, expressou que se cumpriu o cronograma e em julho próximo deve entrar em operações o sistema, que chegará até Oito Rios, na vizinha Jamaica.

Fez uma contagem deste empenho, iniciado em 2007 pelo presidente Hugo Chávez com a criação dessa entidade mista e com um ponto culminante com a viagem de 19 dias do barco francês Ille de Batz, que trouxe a conexão a costa cubana. Manuel Fernández realçou o simbolismo da conexão física entre as duas nações, que derruba séculos de isolamento.

O Ministro cubano da Informática e as Comunicações, Medardo Díaz, realçou que o cabo submarino abre uma brecha no bloqueio estadunidense contra Cuba e reforçar a soberania nacional nas telecomunicações.

Destacou que o sistema tem bases auto-sustentaveis e sem ânimos de lucro, como uma ferramenta que fortalecerá o desenvolvimento dessa esfera no país e na região.

Os embaixadores da China, Jamaica e França compartilharam com diretores e trabalhadores das empresas envolvidas no tendido do cabo e as pessoas do Conselho Popular Siboney, ponto de acesso desse talento tecnológico.

Número de internautas brasileiro cresce 20% em 2010

O Brasil é o oitavo país no mundo em número de internautas, tendo passado o Reino Unido em outubro de 2010. O dado é da pesquisa Estado da Internet no Brasil, da ComScore, que apontou a existência de 40 milhões de internautas no país no final de 2010, um crescimento de 20% em relação ao ano anterior.

Segundo Alex Banks, gerente geral da Comscore Brasil, a tendência é que o número de internautas brasileiro passe rapidamente o da França, colocando o país entre os sete que mais acessam a Internet. A pesquisa da Comscore, vale destacar, contabiliza apenas o uso da Internet por pessoas de mais de 15 anos de idade, em casa ou no trabalho, descartando o uso da Internet em lan houses, por exemplo.

A Comscore calcula que o número atual de internautas seja de 45,1 milhões, projetando o número de internautas com 6 ou mais anos de idade, mas ainda em acesso residencial ou no trabalho. Segundo Banks, que fez apresentação à imprensa nesta quarta, 9, levando em conta o uso da Internet em outros ambientes, o números de usuários brasileiros chega a 77,3 milhões.

Além de despontar no volume de acesso, o Brasil também se destaca no tempo gasto conectado. O internauta brasileiro passa, em média, 24,3 horas por mês conectado, o que representa duas horas a mais que a média mundial.

No consumo de vídeo online, o internauta brasileiro também está acima da média. A pesquisa da Comscore mostra que o Brasil é o quinto país mundial em acesso ao Youtube, e deve chegar à quarta posição em poucos meses. Segundo Banks, o consumo de vídeos no Youtube no país apresentou crescimento ainda maior que o de acesso à Internet. A audiência do portal de vídeos no Brasil cresceu 33% no período de um ano, aponta ele.