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Conferência segue sem apoio do governo

Continuam sem definição os rumos da Conferência Nacional de Comunicação. O adiamento do evento convocado pelo ministro das Comunicações Hélio Costa, chamado de “conferência preparatória” (antes disso havia sido nomeado de “conferência”, “congresso” e “seminário internacional”), marcado anteriormente para os dias 14, 15 e 16 de agosto, assim como a indefinição dos diversos atores do governo sobre o tema, ainda geram dúvidas nos movimentos que defendem a democratização das comunicações sobre a real intenção do governo federal em realizar uma Conferência ampla e democrática, nos moldes das iniciativas já realizadas em outros setores. O adiamento foi justificado pela Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática da Câmara (CCTCI) – parceira do evento – por problemas de “agenda e logística”. A “conferência preparatória”, que segundo assessores da CCTCI está prevista para ocorrer em setembro, teria ainda como organizadores a Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação, Inovação e Informática do Senado e a Anatel – Agência Nacional de Telecomunicações.

O princípio da polêmica foi a proposta do ministro Hélio Costa de uma Conferência Nacional que, segundo um deputado federal envolvido nos preparativos do evento, deveria definir “o marco regulatório das comunicações”. Diferentemente da ocasião em que se precipitou na definição do caráter da nova TV pública nacional e foi imediatamente desautorizado, o ministro agora conta com a conivência de outros setores do governo. O ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação Social (Secom) defende que o Ministério das Comunicações (Minicom) tem legitimidade para tratar o evento da maneira que quiser, revelando que a Conferência, que não vinha sendo tratada como política de governo, pode contar com o apoio da Secom, apesar de ainda não haver total convergência dentro do governo sobre a questão.

Por enquanto, o que existe de concreto a respeito é que não há intenção do Minicom em fazer um processo representativo, com etapas municipais e estaduais. "Uma iniciativa tomada por um órgão do governo que tem pouca relação com atores da sociedade que militam na área é preocupante e pode atrapalhar muito os processos democráticos", afirmou à Agência Brasil a deputada Luiza Erundina (PSB-SP), da CCTCI da Câmara. A realização do Encontro Nacional de Comunicação, iniciativa da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara e da própria CCTCI, em junho passado, parecia ser um indício importante de que haveria engajamento suficiente dos parlamentares e do governo para a realização de uma Conferência ampla e democrática.

No entanto, segundo Bráulio Ribeiro, do Intervozes, a iniciativa do Minicom foi uma tentativa de conter o movimento. “O anúncio do evento do Hélio Costa se deu depois da articulação da sociedade civil e da Câmara, que culminou no Encontro Nacional de Comunicação e que foi muito positivo. A proposta do ministro das Comunicações é uma tentativa de abafar o processo que vínhamos construindo. Para nós [da Comissão Pró-Conferência], essa iniciativa é um disparate. Por que chamar de conferência se, na verdade, não passa de um grande seminário sem espaço de discussão, sem plenárias nem propostas. Não tem espaço de deliberação e, portanto, não se sustenta enquanto uma conferência”, afirma Ribeiro.

A Comissão Pró-Conferência Nacional reúne, entre outras, o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), o Intervozes, a Campanha pela Ética na TV e a CUT. Para Rosane Bertotti, secretária de comunicação da CUT nacional e integrante da comissão, “essa conferência do Hélio Costa é uma espécie de ‘desencargo de consciência’. O que ele quer é sair por cima como alguém democrático, tudo o que ele nunca foi. É claro que será garantida a presença de todos os setores, mas apenas para legitimar sua política. O processo, para Hélio Costa, não é importante”.

Possibilidades

Rosane Bertotti explica que a estratégia da Comissão Pró-Conferência deve se pautar em duas prioridades, uma através da pressão ao governo e outra em relação à própria sociedade. No primeiro caso, ainda há alguma expectativa de que as contradições internas do governo possam se resolver a favor do movimento. “Existem várias posições dentro do governo Lula. Acho que esse adiamento sugere que Hélio Costa não tem força política dentro do governo e precisa ganhar tempo. Por outro lado, é um ministro que tem sua representatividade. Outros setores não estão no embate por saber disso”, afirma.

Dentro do governo, portanto, o foco de interlocução que ainda existe é o ministro Luiz Dulci, da Secretaria Geral da Presidência, o que não quer dizer que, necessariamente, haverá uma interferência favorável, pois a Secretaria ainda não tem uma posição sobre o assunto e está “analisando” a proposta dos movimentos e organizações da sociedade civil. A reportagem procurou a Secretaria Geral da Presidência, mas, segundo sua assessoria de imprensa, o ministro Dulci não tem subsídios suficientes para comentar o assunto. De qualquer forma, enquanto o governo patina e o ministro Hélio Costa impõe a vontade dos grandes grupos de radiodifusão, a indagação dos movimentos sociais persiste: existe vontade política do governo em realizar uma autêntica Conferência Nacional de Comunicações?

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Renan autoriza nova rádio para empresa de seu grupo

Senador assinou decreto anteontem que aprova contrato entre JR Radiodifusão e União.Um dos donos da vencedora da licitação trabalha no gabinete do peemedebista; "Não sou sócio de empresa nenhuma", afirmou Renan.

O presidente do Senado, Renan Calheiros (PMDB-AL), assinou anteontem um decreto legislativo aprovando uma nova concessão de rádio para a empresa JR Comunicação, que, segundo a revista "Veja" desta semana, pertence ao próprio senador, por intermédio de laranjas. O decreto legislativo 158 foi assinado por Renan, na condição de presidente da Casa, e publicado ontem no "Diário Oficial" da União.

O decreto autoriza a União a assinar contrato de concessão de uma radio FM, na cidade de Joaquim Gomes (Alagoas), com a JR Radiodifusão. A concessão é pelo prazo de dez anos, renováveis, e foi adquirida pela empresa em licitação pública do Ministério das Comunicações. A concorrência foi aberta em 2001, e a empresa venceu com a proposta de pagamento de R$ 222.121.

Pelo edital, a JR Radiodifusão tem até 60 dias, a contar da publicação do decreto legislativo no "Diário Oficial", para pagar metade do valor à União e assinar o contrato de concessão da rádio com o Ministério das Comunicações.

A tramitação do processo de autorização da outorga, no Senado, começou no dia 21 de maio, depois de ter sido aprovado pela Câmara
A tramitação foi rápida. Ele foi aprovado na Comissão de Ciência, Tecnologia e Comunicação, onde teve como relator o senador João Tenório (PSDB-AL), em 1º de agosto.

Do contrato social da empresa que o Ministério das Comunicações encaminhou ao Congresso consta que a JR Comunicações pertence a Carlos Ricardo Nascimento Santa Ritta e a José Carlos Pacheco Paes. A empresa tem sede em Maceió e capital social de R$ 100 mil.
Santa Ritta ocupa cargo em comissão no gabinete de Renan no Senado, como assessor técnico, desde 2004. Na função, recebe salário bruto mensal de R$ 9.031. Ele nega que o senador peemedebista tenha participação nas rádios.

Procurado ontem, Renan também negou ligação com o negócio. "Eu não tenho nada a ver com isso. Não sou sócio de empresa nenhuma", afirmou.

Rádios

Segundo a revista "Veja", José Pacheco Paes transferiu sua participação na empresa (50% das cotas) para Antonio Tito Uchôa Lopes, primo do senador, em março de 2005, mas dos documentos da empresa arquivados no Senado não consta a mudança.

Ainda de acordo com a revista, Renan usou dinheiro vivo, parte em dólar, para comprar duas rádios em Alagoas que estão em nome de Uchôa e de Santa Ritta. As rádios estariam avaliadas em R$ 2,5 milhões e pertenceriam ao senador, que não as declarou em seu Imposto de Renda.

Em junho, reportagem da Folha já havia antecipado que o grupo político do senador Renan Calheiros estava montando uma rede de rádios em Alagoas e que duas já estavam em funcionamento em Maceió. Informou ainda que outras cinco estavam em instalação ou em fase de tramitação para aprovação das outorgas pelo Congresso. Já naquela época, o mercado de radiodifusão dava como certo que as rádios pertenciam ao senador, embora seu grupo político negasse a informação.

A JR disputou várias licitações do Ministério das Comunicações para a compra de rádios em Alagoas e foi declarada vencedora em quatro municípios: Água Branca, Joaquim Gomes, Porto Real do Colégio e Murici. A empresa ofereceu um total de R$ 1,005 milhão pelas quatro concessões.

Santa Ritta e Tito Uchôa foram secretários estaduais de Alagoas, na gestão de Ronaldo Lessa (PDT), por indicação de Renan Calheiros. Os dois integram também o diretório regional do PMDB, que é presidido por Renan.

Denúncia

A empreitada de Renan nas comunicações, de acordo com a revista "Veja", começou em 1998 numa parceria com o empresário João Lyra, na compra do grupo O Jornal, que detinha uma concessão de rádio. O negócio teria sido fechado em R$ 2,6 milhões (R$ 1,3 milhão para cada um), e Lyra teria emprestado R$ 700 mil ao senador. Os pagamentos a Lyra teriam sido feitos em dinheiro, às vezes em dólar.
Segundo a revista, os R$ 650 mil restantes teriam sido pagos em 1999 por Tito Uchôa.

Em 2005, o presidente do Senado e Lyra teriam decidido desfazer a sociedade, ficando o usineiro com o jornal e o peemedebista com as concessionárias de rádio.

Active Image Folha de São Paulo.

Ministério Público processa TV Globo por enriquecimento ilícito

O Ministério Público Federal ajuizou, na 2ª Vara Federal de São Paulo, Ação Civil Pública contra a TV Globo e a Editora Globo, acusadas de enriquecimento ilícito em razão da promoção “Jogada da Sorte”, feita durante o Campeonato Brasileiro de 2003. O sorteio era feito pelo apresentador Fausto Silva, no Domingão do Faustão .

De acordo com o procurador da República Luiz Fernando Gaspar Costa, que assina a ação, a campanha resultou em arrecadação de 14,8 milhões decorrentes da venda de 4,9 milhões de fascículos da promoção. Segundo ele, o MPF constatou que “tal evento foi promovido de maneira ilícita, por contrariar os dispositivos legais presentes na Lei 5.768/71, que trata da distribuição gratuita de prêmios”.

De acordo com a lei, a distribuição gratuita de prêmios a título de propaganda, quando efetuada mediante sorteio, vale-brinde, concurso ou operação assemelhada, dependerá de prévia autorização do Ministério da Fazenda. O MPF afirma que não havia autorização.

O procurador ressaltou que a promoção feita pelas rés não foi gratuita e não serviu para fins de dar publicidade a qualquer produto. Segundo ele, o fascículo consistia apenas em uma saída para o consumidor dar dinheiro para concorrer aos prêmios.

“Caso as empresas tivessem feito a promoção nos termos da lei, o montante mencionado não teria sido arrecadado, permanecendo ele em poder das centenas de milhares de pessoas que adquiriram onerosamente os fascículos ilicitamente vendidos nas casas lotéricas de todo o Brasil”, registrou o procurador na ação.

Ele ressaltou, ainda, que é necessário reconhecer que o enriquecimento ilícito em favor da TV Globo e da Editora Globo gerou prejuízo às empresas concorrentes das rés. Assim, solicitou que as empresas sejam condenadas a restituir o montante indevidamente adquirido.

O juiz federal Paulo Cezar Neves Junior, da 2ª Vara Federal Cível, por despacho, determinou que o MPF inclua a Caixa Econômica Federal no pólo passivo, já queum dos objetivos da ação é anular o ato administrativo da CEF que autorizou as outras rés a implementarem os chamados “sorteios gratuitos”, por meio da promoção.

A ação do MPF teve origem no pedido apresentado pelo ex-deputado Afanásio Jazadji, assessorado pelo advogado Luis Nogueira, à Procuradoria da Republica de São Paulo, em 2003. Ao acolher o pedido do ex-deputado, a Procuradora instaurou procedimento investigativo o que levou o MPF a constatar a ilicitude da promoção.

A promoção Para participar do sorteio e concorrer a 50 carros zero quilômetro ea prêmios em barras de ouro, o interessado deveria adquirir nas casas lotéricas um exemplar do fascículo da “Jogada da Sorte”, no valor de R$ 3, contendo tabelas de jogos e algumas informações sobre o Campeonato Brasileiro daquele ano.

O conteúdo do fascículo consistia em um cupom destacável que o participante deveria preencher com seus dados pessoais e responder à pergunta qual o campeonato de futebol que está dando prêmios? , questão para a qual se previam duas alternativas de resposta (“brasileiro” e “outros”).

O advogado Luiz Camargo de Aranha Neto, que representa a Rede Globo, informou que as empresas ainda não receberam notificação.

Active Image Consultor Jurídico

Necessidade de Lei Geral não é mais consenso entre empresários

Se há alguns meses havia uma certa tendência sobre a necessidade da elaboração de uma legislação ampla de comunicação eletrônica (a chamada Lei de Comunicação Social), hoje parece que os diferentes players do mercado têm posições diferentes. A mudança de posição decorre de interesses imediatos.

Para o presidente da Telefônica, Antônio Valente, a Lei do Cabo de fato está ultrapassada em relação ao que era em 1995, quando foi feita, e precisaria ser revisada. "Acho que existe uma grande complexidade para se discutir uma lei de comunicação ampla. Uma revisão da Lei do Cabo deve ser feita, sem esperar uma lei geral". Já Francisco Valim, presidente da Net Serviços, diz que não há a necessidade de mudar nenhuma lei. "Antes de tudo, a lei precisa ser cumprida. Não é porque ela é antiga que ela deve ser refeita. A CLT é da década de 40 e continuamos cumprindo".

Para Alberto Pecegueiro, presidente da Globosat, é preciso tomar cuidado para que uma mudança no marco legal não jogue fora as conquistas da Lei do Cabo. "Eu acompanhei a elaboração da lei e foi um dos casos em que vimos o pleno exercício da democracia, com a conciliação de interesses absolutamente diferentes".

Para o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco, o país daria um grande passo se dividisse em suas regras a distribuição e a produção de conteúdos. "Não vejo problema nenhum em colocar limites à produção de conteúdos. As regras nesse setor são importantes. Mas elas não podem se misturar com as regras de distribuição", disse, dando também uma nova tônica, muito mais conciliatória em relação aos grupos de comunicação brasileiros, que pedem regras para o conteúdo.

Os executivos participaram de debate durante a ABTA 2007, que acontece esta semana em São Paulo.

Active Image Tela Viva

Negado pedido de empresa que perdeu concessão dos serviços de radiodifusão no RS

BRASÍLIA – A Primeira Seção do Superior Tribunal de Justiça (STJ) negou o mandado de segurança proposto pela empresa Sistema Nativa de Comunicação Ltda., que perdeu a concessão dos serviços de radiodifusão na cidade de Porto Alegre (RS). Com isso, continua válido o despacho do ministro das Comunicações que declarou nula a homologação do resultado final da concorrência que favoreceu a empresa.

Segundo dados do processo, em março de 1998, a empresa ganhou uma licitação que foi homologada em novembro de 2002, para executar os serviços de radiodifusão de sons e imagens em Porto Alegre. Cinco anos depois, o ministro declarou nulo o resultado da concorrência alegando que, após a habilitação da empresa na licitação, os sócios promoveram a transferência direta ou indireta da permissão, ofendendo o Decreto n° 52.795/63.

Inconformada, a empresa recorreu ao STJ pedindo a suspensão do despacho do ministro, bem como sua classificação no processo licitatório, com a pontuação anteriormente recebida. A União protestou ao argumento de que o ato atacado resultou do procedimento administrativo prévio, que observou os princípios do contraditório, da ampla defesa e o devido processo legal. Alegou, ainda, que a empresa não comprovou a liquidez de seu direito, pois não juntou cópia do processo licitatório e do edital da concorrência.

Ao analisar a questão, o ministro José Delgado, relator do caso, destacou ser dever da empresa demonstrar documentalmente que preenchera todos os requisitos para ter sua proposta homologada e afastar as conclusões expostas no parecer e nas notas da consultoria do Ministério das Comunicações.

Para o ministro, a decisão do Ministério de anular a homologação baseou-se em dois aspectos. O primeiro refere-se à existência de ações judiciais alterando o controle da empresa, algumas vezes pela determinação de exclusão do sócio majoritário, outras pela inclusão no quadro social de dois outros sócios, o que resultaria na transferência indireta da permissão. O segundo seria a falta de comunicação à comissão de licitação das alterações societárias, o que ocorreria com a apresentação da documentação dos sócios.

Por fim, o ministro Delgado ressaltou que, havendo vício que implique nulidade do ato administrativo, a administração pode revogá-lo a qualquer tempo, especialmente se se tratar de licitação para execução de serviços públicos em que o estrito cumprimento às exigências do Código Brasileiro de Telecomunicações e de seu decreto regulamentador devem ser rigorosamente observados pela administração pública.