Setor de telecomunicações enfrenta momento da verdade

O setor mundial de telecomunicações se reunirá na cidade espanhola de Barcelona na semana que vem com a esperança de encontrar maneiras de contornar a crise, superar novos e poderosos rivais e derrotar os programadores de software que ameaçam roubar sua posição.

O Mobile World Congress, maior evento anual do setor de telecomunicações, surge ao final de uma temporada de anúncio de resultados negativos para 2008, na qual predominaram cortes nas projeções de lucro, anúncios de pesadas demissões e reduções severas nos investimentos.

O setor de telefonia móvel está encarando novos rivais, na computação e na Web, entre os quais o Google e a Apple, que perceberam mais rápido o potencial de convergência entre os recursos de telefonia móvel e de Internet.

Este ano, diversos fabricantes de computadores entrarão no jogo.

Os fabricantes taiuaneses de notebooks Acer e Asustek devem lançar novos celulares inteligentes, e há fortes rumores de que a fabricante de computadores Dell também estaria pensando em se reformular como produtora de celulares.

Bengt Nordstrom, da consultoria de gestão de telecomunicações Northstream, diz que os fabricantes de notebooks desenvolveram relacionamentos com as operadoras à medida que a banda larga se tornava realidade, o que facilita o próximo passo na comercialização de seus celulares.

"Dell, Fujitsu, Lenovo, Acer são empresas bem conectadas. Os laptops se tornaram parte integral do mercado de banda larga móvel", diz ele. "E essas empresas são muito boas em logística, em enxugar os processos de produção."

O setor de comunicações móveis, antes controlado por imensos monopólios estatais integrados, se fragmentou de forma a que hardware, software e serviços agora podem ser facilmente fornecidos por diferentes provedores.

Sistemas operacionais agora estão disponíveis gratuitamente por fornecedores como o Google, ou a Symbian Foundation, controlada pela Nokia. Fornecedores independentes podem comercializar arquivos de música, fotos ou mapas sem aprovação das operadoras de redes.

Teste de sobrevivência

Mas são os fabricantes tradicionais de celulares que estão sendo os mais pressionados.

Apesar de celulares serem o produto eletrônico de consumo mais popular da história, o número de aparelhos vendidos este ano deve cair pela primeira vez desde 2001.

Analistas esperam um volume 11% menor de celulares vendidos este ano em relação a 2008. As estimativas deles já foram várias vezes reduzidas nos últimos meses e há risco de novas reduções mais para frente.

Mesmo a maior fabricante de celulares do mundo, a Nokia, cuja posição dominante de mercado a faziam parecer intocável, registrou uma queda de 15% nas vendas de aparelhos do último trimestre.

Por isso, para compensar a pressão sobre as margens e vendas, a Nokia e outros fornecedores estão correndo para vender serviços aos consumidores.

Enquanto isso, operadoras de redes, também, têm tentado entrar no mercado de serviços e aplicativos, mas sem muito sucesso fora do Japão, com exceção da Vodafone.

As operadoras móveis temem se tornar meros "tubos" da mesma maneira como aconteceu com provedores de Internet fixa, que fornecem acesso a preço fixo, permitindo a terceiros entregarem serviços de busca, mídia e lojas online que ficam com a maior parte dos benefícios.

"É muito difícil evitar esse destino", afirma o consultor Nordstrom. Mas ele acrescenta: "Não é de todo mal. Se você administrar o custo direito e for um entre três ou quatro nomes no mercado, ainda será um negócio bem lucrativo para se estar."

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