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RSF e Unesco promovem primeiro dia pela liberdade de expressão na web

Na próxima quarta-feira (12), acontece o primeiro dia internacional pela liberdade de expressão na internet.

Organizado pela Repórteres sem Fronteiras (RSF) juntamente com a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco), o evento tem o objetivo de denunciar a censura exercida pelos governos de diversos países.

A RSF pediu que, neste dia, os internautas se mobilizem durante 24h através de seu site, a partir das 7h, horário de Brasília.

Em comunicado, a organização delcarou que os visitantes poderão criar um 'avatar (clone virtual) e escolher uma mensagem, um cartaz e tomar parte nas manifestações cibernéticas que ocorrerão em Mianmar, China, Coréia do Norte, Cuba, Egito, Eritréia, Tunísia, Turcomenistão e Vietnã'.

Além disso, a RSF denunciou que, atualmente, no mundo todo, '63 ciberdissidentes estão atrás das grades por terem usado seu direito à liberdade de expressão na web'.

Ações judiciais são ‘só o começo’, diz Paulinho da Força Sindical

O presidente da Força Sindical e deputado federal, Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, disse ontem que vai se reunir na segunda-feira com advogados para discutir as ações que serão movidas por ele e filiados à central contra a Folha e o jornal 'O Globo'.

Anteontem, Paulinho disse que processará a Folha e 'O Globo' em 20 Estados devido à série de reportagens que os veículos publicaram sobre repasse de verba do Ministério do Trabalho para a central. A intenção é análoga à estratégia dos fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus, que entraram com várias ações semelhantes.

Segundo ele, se o número de ações não for suficiente para que os jornais parem com as reportagens, os sindicalistas irão ingressar com ações, de 1.000 a 2.000, em todo o país. 'Na segunda-feira, vai ter reunião com os advogados. A partir de então, vou ingressar [na Justiça]e as estaduais da Força vão ingressar em cada um dos Estados', disse à Folha. Segundo ele, as ações serão 'apenas o começo' do que a Força pretende fazer, e ameaçou: 'Depende do que vocês fizerem'.

Também se queixou da Folha. 'Sempre tive uma boa relação com o senhor Frias[Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha morto em 29 de abril de 2007], lamento que seja preciso chegar a esse ponto, não sei quem é lá que está levando a essa situação. O dr. Frias era meu conselheiro, não fazia nada sem perguntar para ele, lamento que o jornal que ele deixou, trabalhou a vida inteira, está indo para esse caminho, de ficar atacando os outros.'

'Como o jornal está fazendo putaria comigo, vou responder com putaria', disse. 'Na hora que doer no bolso dele [do jornal], ele vai ter que me ouvir. Se ele não me ouve, vai ter que ser desse jeito', completou o deputado, sobre sua intenção ao estimular filiados da central a ingressarem com ações na Justiça contra a Folha e 'O Globo'.

Sobre os alertas da OAB e de juristas, de que a Força pode ser processada por estimular ações pelo país, afirmou: 'Vamos ver. O que não vou aceitar mais é que eu falo, falo, peço para responder, falo que a Força não tem convênio com o Ministério do Trabalho nem com nenhum ministério, mando cartinha e não se publica'.

O deputado disse que a Força tem 16 milhões de filiados e que as denúncias constrangem os sindicalizados. 'Quando vocês me esculhambam, afetam as pessoas, quando a Folha fala que a Força está fazendo corrupção, companheiros do Brasil inteiro têm dificuldade de explicar. Quando acusam, têm que levar em conta isso.'

Ele disse que enviou 'várias' cartas à Folha explicando denúncias que foram publicadas e que o jornal publicou 'apenas' duas delas. 'Tentamos falar com a chefe de Redação, que não nos atendeu. Os dirigentes mandaram [cartas], e eles não responderam', afirmou.

'Depois das cartas, a Folha continuou dizendo que tínhamos um prédio e convênio com o governo. Foram publicadas duas [cartas] de todos os pedidos. Tinham mais cartas.' Paulinho disse que o PDT não teve participação na decisão da Força de processar os jornais. 'Faço isso como pessoa física, como cidadão que está se sentindo ofendido pelo jornal e não consegue responder.'

Nota da Redação

A Folha apenas praticou jornalismo. O jornal publicou as duas cartas que recebeu do presidente da Força Sindical e fez renovados pedidos de entrevistas. A editora-executiva, Eleonora de Lucena, não foi procurada pelo sindicalista.

Jornalistas denunciam repressão policial no Rio Grande do Sul

Sindicato dos Jornalistas do RS divulga nota oficial denunciando impedimento, por parte da Brigada Militar, do trabalho dos jornalistas na cobertura da ocupação da fazenda Tarumã por mulheres da Via Campesina. Repórteres foram impedidos de registrar agressões contra as manifestantes.

PORTO ALEGRE – O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul divulgou nota oficial denunciando o cerceamento ao direito de informação por parte da Brigada Militar, por ocasião dos episódios envolvendo a ação da Via Campesina em uma fazenda da Stora Enso, em Rosário do Sul. A nota afirma:

"Na semana em que se comemora o Dia Internacional da Mulher, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Rio Grande do Sul denuncia o impedimento, por parte da Brigada Militar, do exercício profissional de jornalistas na cobertura da ocupação, pelas mulheres da Via Campesina, da Fazenda Tarumã, em Rosário do Sul. Repórteres fotográficos e cinematográficos foram impedidos de registrar a agressão sofrida por mulheres e crianças que estavam na manifestação, inclusive tendo equipamentos profissionais apreendidos. Outra jornalista foi retirada do local pelos policiais.

Vivemos em uma sociedade democrática de direito e não vamos aceitar as velhas práticas do período da ditadura militar. O Código de Ética dos Jornalistas, em seu artigo 2º, inciso V, aponta que "a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação de censura e a indução à auto-censura são delitos contra a sociedade". O mesmo Código também identifica, no artigo 6º, ser "dever do profissional opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão".

A Secretaria de Segurança do Estado deve explicações sobre esse fato não só aos jornalistas agredidos no seu direito de trabalhar, mas a toda a sociedade, que foi impedida de ser livremente informada. As constantes denúncias que chegam ao Sindicato revelam que ameaças aos jornalistas têm sido prática constante por parte da Brigada Militar.

O Sindicato dos Jornalistas Profissionais do RS está atento a esse tipo de comportamento e levará o caso à Federação de Periodistas da América Latina e Caribe que, já em sua Carta de Lima, Peru, de dezembro de 2007, exigia dos governos assumir a responsabilidade de garantir a todos os jornalistas o direito à vida, ao trabalho digno, à liberdade de expressão e o direito cidadão à informação”.

O conflito em Rosário do Sul

Na quinta-feira, oito rodovias do Rio Grande do Sul foram bloqueadas por trabalhadores rurais Sem Terra em protesto contra a violência da Brigada Militar durante o despejo das 900 trabalhadoras rurais, na Fazenda Tarumã. Segundo a Via Campesina, cerca de 50 mulheres foram feridas por balas de borrachas e estilhaços de bombas, além de agressões físicas pela Brigada Militar, sob ordens da governadora e dos comandantes Binsel e Paulo Mendes. Duas agricultoras chegaram a ser presas.

Ainda na quinta, o juiz Roberto Coutinho Borba, da 2ª Vara Judicial da Comarca de Rosário do Sul, homologou a prisão em flagrante e concedeu a liberdade provisória a uma integrante da Via Campesina, determinando a expedição do alvará de soltura. Ela foi indiciada pela prática de lesão corporal leve e formação de quadrilha, durante a ocupação da fazenda Tarumã.

Segundo a Via Campesina, a Stora Enso, empresa sueco-finlandesa, desrespeita a lei n° 6.634, de 1979, e o artigo 20, parágrafo 2 da Constituição Federal que diz que estrangeiros não podem adquirir terras em uma faixa de 150km da fronteira do Brasil com outros países. A Stora Enso vem comprando dezenas de áreas nesta região com o objetivo de formar uma base florestal de mais de 100 mil hectares e implantar uma fábrica de celulose na região.

Para tanto, adquiriu terras em nome da empresa Derflin. Mas como essa empresa também é estrangeira, não conseguiu legalizar as áreas. A Stora Enso criou, então, outra empresa, agropecuária Azenglever, de propriedade de dois brasileiros: João Fernando Borges e Otávio Ponte (diretor florestal e vice-presidente da empresa para a América Latina, respectivamente). Cerca de 50 fazendas, totalizando mais de 45 mil hectares, já foram compradas pela Azenglever.

A Via Campesina e o MST estão liderando um movimento contra essas aquisições de terras.

ONGs apresentam relatório sobre processos contra a imprensa na OEA

Um relatório sobre os processos contra a imprensa no Brasil será entregue para a Organização dos Estados Americanos (OEA), na segunda-feira (10/3), em Washington. O dossiê será apresentado pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e pelas ONGs Artigo 19 e Centro para a Justiça e o Direito Internacional.

Segundo o relatório, existem casos recorrentes de litigância de má-fé e abusos jurídicos contra a mídia, jornalistas e ativistas de Direitos Humanos. Um dos casos usados como exemplo são as mais de 50 ações movidas pela Igreja Universal do Reino de Deus em diversas cidades do país contra o jornal Folha de S.Paulo e a jornalista Elvira Lobato.

Com a entrega do dossiê à OEA, as três entidades esperam chamar a atenção para o uso abusivo de ações de indenização por danos morais contra a imprensa. As entidades argumentam que esse tipo de estratégia representa uma restrição indireta à liberdade de expressão e produz um efeito intimidatório nocivo à democracia.

Também deve ser sugerido que a OEA incentive o Brasil a promover treinamento de juízes de primeira instância e dos Tribunais de Justiça sobre como são os padrões internacionais para difamação e como proceder em casos de abusos quando há litigância de má-fé.

Segundo levantamento da revista Consultor Jurídico ( (Clique aqui para ler), existe praticamente uma ação de indenização por danos morais para cada jornalista em exercício nos cinco principais grupos de comunicação (Globo, Abril, Folha, Estado e Editora Três).

Em 2007, eram 3.133 processos num universo de 3.237 profissionais. O valor médio das indenizações passou de R$ 20 mil, em 2003, para R$ 80 mil, no ano passado, de acordo com o levantamento.

Senado discute limites legais para a regulamentação da propaganda comercial

A Comissão de Ciência, Tecnologia, Inovação, Comunicação e Informática (CCT) realiza audiência pública em conjunto com a Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) , na próxima quarta-feira (12), às 9h, para discutir a questão dos limites legais para a regulamentação da propaganda comercial. O debate foi requerido pelos senadores Wellington Salgado (PMDB-MG), presidente da CCT, Jefferson Peres (PDT-AM) e Marcelo Crivella (PRB-RJ).

Foram convidados para a audiência a gerente de Monitoramento e Fiscalização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Maria José Delgado Fagundes; o assessor da presidência da Associação Brasileira de Agências de Publicidade (Abap), Stalimir Vieira; o vice-presidente-executivo do Grupo Bandeirantes de Comunicação, Walter Ceneviva; e o vice-presidente-executivo da Associação Brasileira de Anunciantes (ABA), Rafael Sampaio.

Tramitam nas comissões permanentes do Senado várias proposições sobre a regulamentação dos limites da propaganda comercial, abrangendo a publicidade de bebidas alcoólicas, tabaco, medicamentos, alimentos, embalagens, além de limites de exploração dessa propaganda pelos veículos de comunicação social, principalmente rádio e televisão.

Em outubro de 2007, a Câmara dos Deputados realizou audiência com essa finalidade na Comissão de Defesa do Consumidor (CDC). Proposta pelo deputado Júlio Delgado (PSB-MG), a discussão contou com a participação derepresentantes da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e do Conselho de Auto-Regulamentação Publicitária (Conar), entre outros.

Nesse debate, foi criticada a decisão da Anvisa de realizar consultas públicas antes de baixar resoluções normatizando apropaganda comercial de alimentos, bebidas alcoólicas e outros produtos. Os deputados argumentaram, à época, que a competência para realizar debates oficiais sobre o assunto é do Congresso Nacional, conforme estabelece a Constituição.