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Anatel pode apreender equipamento sem aval de juiz, diz STF

A apreensão de equipamento de transmissão de rádio comunitária pode ser feita por agentes da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel). A conclusão é do Plenário do Supremo Tribunal Federal, ao rejeitar reclamação proposta por Cleber Guarnieri contestando a apreensão de equipamentos.

A reclamação foi apresentada contra decisão do juiz da 3ª Vara da Justiça Federal de Mato Grosso, que não aceitou pedido de mandado de segurança. O autor relata que, em abril de 2007, agentes administrativos da Anatel aprenderam, sem mandado judicial, um transmissor linear, modelo RO 25/50 W, série AH 069, de sua propriedade. Por isso, recorreu à Justiça.

Na Reclamação ao STF, o autor alegou que o juiz afrontou decisão proferida pelo Supremo na Ação Direta de Inconstitucionalidade 1.668. Na ocasião, o STF suspendeu a aplicabilidade do artigo 19, inciso XV, da Lei 9.472/97, sustentando que a busca e apreensão de bens está sujeita a prévio controle judicial.

Ao votar pela improcedência da reclamação, a ministra Cármen Lúcia se reportou a parecer da Procuradoria-Geral da República, que também se pronunciou pela rejeição da Reclamação. O procurador observa que a decisão do juiz federal de Mato Grosso não afrontou decisão do Supremo, porque não se baseou nos dispositivos suspensos pela corte.

“Segundo se extrai dos autos, o juízo reclamado amparou seu entendimento nas informações apresentadas pelo gerente da unidade operacional da Anatel, o qual alega que a medida de constrição está autorizada pela Lei 10.871, de 20 de maio de 2004.”

“Ora, além de tal legislação haver sido editada posteriormente à decisão proferida na ADI 1.668, não há notícia, nos autos, de que essa lei haja sofrido qualquer impugnação, encontrando-se, portanto, em plena eficácia”, concluiu a ministra Cármen Lúcia, citando o parecer da PGR. Ela foi acompanhada pelos demais ministros presentes à sessão de quinta-feira (3/4).

ABI chega aos 100 anos com dívida e busca revitalização

A Associação Brasileira de Imprensa, que na próxima segunda-feira completa cem anos de atividades, ainda não se recuperou totalmente do sufoco que vem passando desde os anos 90 com o excesso de dívidas e a falta de recursos, mas voltou a ter voz ativa nas discussões nacionais sobre liberdade de imprensa, como ocorreu recentemente durante os protestos contra uma série de ações movidas por fiéis da Igreja Universal contra três jornais e quatro jornalistas.

Segundo seu presidente, Maurício Azedo, responsável, desde 2003, pelo processo de revitalização da entidade, a defesa do direito à informação é a prioridade da instituição.

"Apesar de nos encontrarmos sob o império de uma Constituição democrática, a liberdade de informação e opinião está submetida a um cerco como demonstram iniciativas com a da Igreja Universal contra a Folha, Elvira Lobato, o "Extra" e "A Tarde". Há também o cerco resultante de dois aspectos do Poder Judiciário. Primeiro, a acolhida que dá àquilo que tem sido chamado de indústria do dano moral. E também o hábito de juízes determinarem a instituição de censura prévia que a Constituição veda", disse Azedo.

Dívidas

Internamente, o grande desafio é de gestão. A associação recorre na Justiça de uma dívida de R$ 3,2 milhões gerada com a perda do registro de entidade beneficente de assistência social e o descumprimento da obrigação de recolher a contribuição previdenciária patronal. Em busca de uma solução para o problema, a ABI recorreu até ao presidente Lula.

A Associação de Imprensa, assim foi o seu primeiro nome, foi criada em 1908 por um grupo de jornalistas liderados pelo catarinense Gustavo de Lacerda (1854-1909) com o objetivo de ser uma entidade assistencialista. Sua história, porém, acabou marcada pelas intervenções cívicas que empreendeu em defesa da liberdade de imprensa e na proteção a jornais e jornalistas perseguidos por governos autoritários.

Três presidentes se destacaram na luta contra a censura, o empastelamento de jornais e as prisões de jornalistas: Herbert Moses (1884-1972) -durante o governo Vargas- e Prudente de Moraes, neto (1904-1977) e Barbosa Lima Sobrinho (1897-2000) -ao longo da ditadura militar (1964-1985) e da transição para a democracia.

Prudente de Moraes, neto abriu a ABI para o ato multirreligioso em homenagem ao jornalista Vladimir Herzog, morto em 25 de outubro de 1975 no DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações-Centro de Operações de Defesa Interna), em São Paulo.

Quase um ano depois, um atentado terrorista explodiu uma bomba no sétimo andar da sede da associação, no centro do Rio. Outra bomba foi encontrada e desarmada no prédio, em 27 de agosto de 1980, no mesmo dia em que explodiram dois artefatos na OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) e na Câmara Municipal do Rio.

Lutas externas

Barbosa Lima Sobrinho comprometeu a ABI com as lutas contra a Lei de Segurança Nacional, a favor de uma assembléia nacional constituinte, a favor da anistia ampla, geral e irrestrita (1979), na campanha das Diretas-Já (1983) pelo retorno de eleições diretas para presidente da República e, em 1992, liderou o processo de impeachment do presidente Fernando Collor de Mello.

A gestão de Barbosa Lima Sobrinho foi marcada por essa forte presença externa da ABI e por uma gestão administrativa cheia de problemas que levaram a entidade, nos anos seguintes, a praticamente só ter condições de cuidar das dívidas que acumulou, descuidando da administração e da relação com os associados. A ABI tem hoje um fichário desatualizado de 8.000 sócios, mas apenas pouco mais de mil estão em dia.

As comemorações do centenário começaram no dia 1º com um concerto com obras de Heitor Villa-Lobos no Palácio Itamaraty, no Rio.

Sindicatos reafirmam defesa da liberdade de imprensa e da democracia

Conscientes da sua função social, na qual se destaca a responsabilidade de defender o direito fundamental do cidadão à informação de qualidade, ética, plural e democrática, os jornalistas brasileiros comemoram o 7 de abril reafirmando as grandes lutas que, ultimamente, têm marcado a nossa pauta diária:

– a exigência de uma nova Lei de Imprensa e do fim da violência e ataques contra as liberdades de expressão, do jornalismo e dos jornalistas;

– a construção de uma Conferência Nacional de Comunicação com real participação da sociedade;

– a garantia das conquistas da categoria e o avanço na valorização da profissão.
 
Ratificamos a necessidade imperiosa de uma nova Lei de Imprensa em substituição a um dos entulhos da ditadura, a Lei 5.250 que já existe há 40 anos e além de ultrapassada, não atende aos interesses do jornalismo, da categoria e da sociedade. A FENAJ e seus 31 Sindicatos filiados defendem a imediata aprovação do PL 3.232/92, o chamado substitutivo Vilmar Rocha, que dorme na Câmara dos Deputados há mais de 10 anos, pronto para a votação em plenário desde agosto de 1997.
 
Conclamamos outras entidades representativas da sociedade e a categoria dos jornalistas como um todo para aderirem à campanha que a Federação e os Sindicatos dos Jornalistas já desenvolvem, com o objetivo de sensibilizar o Congresso Nacional e os parlamentares federais em cada estado para a urgência de revogar a lei atual e substituí-la por uma nova e democrática Lei de Imprensa.
 
Acreditamos que a aprovação desta nova Lei faz parte das nossas lutas-maiores pela liberdade de imprensa e democracia na comunicação no Brasil, que vêm sofrendo ataques através das mais diversas formas de violência contra o jornalismo e os jornalistas: censuras e cerceamentos econômicos, políticos, sociais e morais externos ou pelos patrões, intimidações, perseguições, assédios judiciais, agressões verbais e físicas por agentes públicos e privados descontentes com a cobertura jornalística sobre seus atos e interesses.
 
Reafirmamos que igualmente é nossa tarefa cotidiana – e na qual também colocamos imenso empenho – construir a realização de uma Conferência Nacional de Comunicação ampla, democrática, com efetiva interferência da população brasileira. Uma Conferência que envolva representação da sociedade civil, do governo e do empresariado, com três eixos temáticos: meios de comunicação, cadeia produtiva e sistemas de comunicação.
 
Neste 2008, quando celebramos 200 anos de imprensa no Brasil, 70 anos da nossa primeira regulamentação profissional, 100 anos de fundação da ABI e 90 anos do primeiro congresso nacional da categoria, também assinalamos como agenda diária dos jornalistas a denúncia do arrocho salarial, do desemprego e da precarização das relações trabalhistas e a reivindicação de melhores condições de trabalho. Com o mesmo peso, pautamos a defesa da obrigatoriedade da formação universitária especifica, um dos pilares da nossa regulamentação, e da constituição de um Conselho Federal dos Jornalistas que, como os demais conselhos profissionais existentes no país, garanta à nossa categoria a auto-regulação da profissão.  
 
A FENAJ e seus Sindicatos, neste 7 de abril de 2008, nosso Dia, parabenizam os jornalistas do Brasil – profissionais e professores -, além dos estudantes de jornalismo.  Celebramos com vocês e com a sociedade, cujo direito à informação é a razão maior das nossas grandes e pequenas lutas, as vitórias já alcançadas ao longo destes 200 anos de imprensa no país.  Ao mesmo tempo, fazemos uma convocação: pelo papel social desempenhado pelo jornalismo e jornalistas, continuemos firmes nas batalhas pelo fortalecimento e valorização da profissão, pela liberdade de imprensa e democracia na comunicação.
 
Brasília, 7 de abril de 2008.
 
FENAJ Federação Nacional dos Jornalistas
Sindicato dos Jornalistas do Acre
Sindicato dos Jornalistas de Alagoas
Sindicato dos Jornalistas do Amapá
Sindicato dos Jornalistas do Amazonas
Sindicato dos Jornalistas da Bahia
Sindicato dos Jornalistas do Ceará
Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal
Sindicato dos Jornalistas de Dourados
Sindicato dos Jornalistas do Espírito Santo
Sindicato dos Jornalistas do Estado do Rio de Janeiro
Sindicato dos Jornalistas de Goiás
Sindicato dos Jornalistas de Juiz de Fora
Sindicato dos Jornalistas de Londrina
Sindicato dos Jornalistas do Maranhão
Sindicato dos Jornalistas do Mato Grosso
Sindicato dos Jornalistas do Mato Grosso do Sul
Sindicato dos Jornalistas de Minas Gerais
Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro
Sindicato dos Jornalistas do Pará
Sindicato dos Jornalistas da Paraíba
Sindicato dos Jornalistas do Paraná
Sindicato dos Jornalistas de Pernambuco
Sindicato dos Jornalistas do Piauí
Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Norte
Sindicato dos Jornalistas do Rio Grande do Sul
Sindicato dos Jornalistas de Rondônia
Sindicato dos Jornalistas de Roraima
Sindicato dos Jornalistas de Santa Catarina
Sindicato dos Jornalistas de São Paulo
Sindicato dos Jornalistas de Sergipe
Sindicato dos Jornalistas de Tocantins

Record assedia afiliada da TV Globo em Minas

Depois de tomar várias afiliadas do SBT, a Record quer agora conquistar uma das 121 emissoras que compõem a Rede Globo.

A rede do bispo Edir Macedo negocia a troca de bandeira da TV Leste, retransmissora da programação da Globo em 106 municípios mineiros, que somam 1,6 milhão de telespectadores potenciais. A emissora tem sede em Governador Valadares e cobre o Vale do Aço.

Uma reunião entre executivos da Record e os donos da TV Leste está marcada para esta quarta-feira. O contrato da TV Leste, com a Globo desde 1986, vence no próximo dia 30.

Mas o que levaria uma emissora a trocar a programação líder pela da segunda colocada, que tem pouco mais de um terço da audiência nacional da primeira colocada?

"Sair da Globo para outra emissora tem um impacto muito grande. Perder o "Jornal Nacional", a novela das oito e o futebol pesa, mas pagar para ter a Globo é muito mais pesado. Além disso, parece que uma emissora ligada à Globo comprou uma TV no Vale do Aço e vão dividir a nossa região. Se ficarmos sem o Vale do Aço, vai ser difícil se manter na Globo", explica Edson Gualberto, diretor e um dos sócios da TV Leste. Gualberto enfatiza que as negociações com a Record ainda são "embrionárias".

A Globo fica com a metade das receitas publicitárias locais das afiliadas e repassa a metade proporcional à população da região do que arrecada com publicidade nacional. A Record oferece percentuais maiores para suas afiliadas e costuma pagar "luvas".

A situação balançou a TV Leste. "Estamos contratando uma equipe para avaliar se vale a pena ficar com a Globo", revela Gualberto.

Jornal do interior paulista é proibido de publicar notícias e imagens de políticos

O jornal Tribuna das Águas, da cidade de Águas de Lindóia (SP), tem que publicar as suas notícias, por ordem judicial, com uma tarja preta cobrindo as autoridades. De acordo com uma liminar do dia 24 de março, da juíza substituta da cidade, Fernanda Helena Benevides Dias, o jornal está proibido de publicar "notícias com nomes e imagens de agentes públicos relacionadas aos serviços, obras, atos e programas da administração pública".

A cada vez que cita o nome do presidente, ministros de estado, governadores, senadores, deputados, prefeitos e vereadores, o semanário recebe multa diária de R$ 5 mil. A sentença não explica como se aplica multa.

Assim, o leitor que abrir o Tribuna das Águas depara-se com a seguinte notícia: "O presidente L. participou ontem de evento em Brasília ao lado da ministra da Casa Civil D. R. e do governador de São Paulo J. S.". Ao lado do texto, as autoridades na foto estão cobertas por uma tarja preta.

A editora Eliane Prado explicou que, "para não tomar a multa, publicou as notícias colocando uma tarja nas fotos e sem o nome das autoridades. Colocamos uma nota explicando o motivo para os leitores e nos desculpando por não seguir o padrão do jornalismo profissional".

A Ação Civil Pública foi proposta pelo promotor Rafael Beluci. Ele já havia enviado, em setembro do ano passado, uma recomendação à jornalista pedindo para que não citasse as autoridades. A recomendação, por motivos óbvios, foi ignorada pelo jornal.

O promotor fundamentou sua recomendação no parágrafo 1º do artigo 37 da Constituição: "A publicidade dos atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverá ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, dela não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores públicos."

Para o promotor, ao noticiar reportagens com fotos e nomes de autoridades, o jornal afronta a norma constitucional nos moldes da Lei de Improbidade Administrativa. Trata-se de estranha maneira de interpretar a função de um meio de comunicação.

O Tribuna das Águas é editado por uma empresa particular que pertence a Eliane. Como é o único jornal da cidade, é ele quem publica os atos oficiais da prefeitura. "Tenho um contrato com a prefeitura. A venda é feita por centímetros em um espaço reservado para publicidade. Da mesma forma que tenho outros anunciantes. Já as notícias quem faz é a equipe do jornal. É como qualquer jornal que publica atos oficiais", afirmou a editora.

Além de Eliane, o prefeito cassado Eduardo Nicolau Âmbar, o atual prefeito Charles Franco de Godói, a diretora de Saúde Adriana Aparecida Moraleti Fregoniesi e o vereador Caio Tacla são também são reús na ação. "O vereador saiu no jornal apenas uma vez em uma foto com outras pessoas. Na mesma página, tinha um texto sobre o Serra. O promotor tinha que ter processado o governador também, ora", questiona a jornalista.

Entidades de classe saíram em defesa do jornal. A Associação Nacional de Jornais dibulgou uma nota lembrando que nenhuma autoridade pode determinar o que pode ou não ser publicado pelos meios de comunicação. "0 inciso IX do artigo 5º da Constituição expressa claramente que é livre a expressão da atividade de comunicação, independente de censura ou licença", disse a organização.

Já a Associação Brasileira de Jornais e Revistas repudiou a atitude, que classificou como uma tentativa de cerceamento à liberdade de imprensa. "Ao tentarem impedir que a comunidade de Águas de Lindóia e região tenham acesso à informação honesta e objetiva, temos um desserviço à democracia brasileira, retomando uma prática nefasta do pior período da ditadura militar", declarou o órgão em nota.

Com informações do site Consultor Jurídico