Arquivo da categoria: Notícias

Dossiê reúne denúncias sobre violações de DDHH na TV


Já se tornou rotina a profusão de baixaria e sensacionalismo nas programações das emissoras de TV brasileiras, tão ávidas por audiência que argumento nenhum parece lhes convencer de que todos os limites já foram ultrapassados. Ainda mais melancólica é a impunidade que fomenta esse insistente desrespeito aos direitos humanos e às obrigações legais de suas concessões públicas. Entidades ligadas à defesa dos direitos humanos, movimentos sociais e organizações ligadas à área da comunicação tem, entretanto, mostrado que a sociedade brasileira não está apática diante desta realidade e vêm aumentando o número de denúncias destes abusos.

Um bom apanhado de casos de violações a direitos fundamentais encontra-se agora em um recém-produzido documento preparado pelo Intervozes – Coletivo Brasil de Comunicação Social com base em denúncias reunidas por diversas entidades, algumas delas protocoladas na Justiça [veja o documento na íntegra]. O dossiê foi apresentado durante audiência pública na Câmara dos Deputados no último dia 27 de novembro, que discutiu a renovação das concessões vencidas em 2007 – cinco das Organizações Globo e as “cabeças” das redes Record e Bandeirantes [leia mais]. Por esse motivo, apenas as denúncias de abusos das três emissoras constam no relatório, que poderia dedicar, ainda, merecido espaço para SBT, RedeTV!, entre outras que não se furtaram à barbárie nos últimos anos.

“O capítulo que trata das denúncias de violação de direitos humanos no conteúdo das programações é resultado de um trabalho que vem sendo feito de forma cada vez mais organizada e sistemática por diferentes organizações da sociedade civil, com destaque para a Campanha Quem Financia a Baixaria É Contra a Cidadania”, conta Bia Barbosa, do Intervozes. Respaldado por uma série de entidades da sociedade civil, como o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST), o Conselho Federal de Psicologia (CFP) e a Central Única dos Trabalhadores (CUT), a iniciativa traz uma importante contribuição à discussão sobre controle social da mídia.

Ainda rechaçadas pelo empresariado de comunicação brasileiro como tentativas de “censura”, as ações de controle social do uso das concessões de TV ainda constituem um avanço tímido diante do laissez-faire instalado na República. Mas as experiências relatadas no dossiê e a própria realização da audiência de novembro na Câmara devem ser comemoradas.

“Esse é um marco da radiodifusão brasileira”, diz Laurindo Lalo Leal Filho, professor da Escola de Comunicações e Artes da USP e ouvidor da TV Brasil, avaliando a experiência da audiência pública. “Até hoje não havia ocorrido nenhuma ação institucional que mudasse a forma como são outorgadas as concessões no Brasil, tradicionalmente feitas de maneira burocrática. É um passo ainda pequeno, mas significativo.”

Preconceito, violência, baixaria…

“Há um consenso entre as entidades em relação ao papel que as emissoras de TV poderiam desempenhar para promover os direitos humanos”, conta Bia Barbosa, do Intervozes. “A realidade, no entanto, mostra que os canais de TV, ao contrário, são fontes de violação e estímulo ao preconceito, legitimando e perpetuando discriminações já presentes em nossa sociedade.”

Uma breve leitura do dossiê demonstra a variedade de temas presentes nas denúncias e o retrato caótico da TV brasileira dos anos 2000. Entre elas, discriminação religiosa, homofobia, machismo, racismo e banalização da violência saltam aos olhos de maneira pouco contestável. As denúncias demonstram afrontas à Constituição Federal, ao Estatuto da Criança e do Adolescente e até tratados internacionais de direitos humanos.

Boa parte é alvo de Ações Civis Públicas movidas pelo Ministério Público Federal, em geral a partir de provocações apresentadas por organizações sociais. As ACPs tornaram-se um dos principais mecanismos de exercício do controle social, tratando de temas cada vez mais diversos, como os reunido no dossiê e que vão da exploração da degradação humana em programas como o “Hora da Verdade”, da Bandeirantes, à ridicularização de homossexuais em atrações como o “Zorra Total”, da Globo.

Em outros tantos casos, a possibilidade das violações tornarem-se ações judiciais ainda não foi explorada pelos cidadãos e cidadãs. Nestes, o exercício do controle social tem se dado pela divulgação à sociedade de casos extremos. Exemplo relatado no dossiê é a prática sistemática das emissoras de criminalização de movimentos sociais, sobretudo em relação ao MST. Em julho deste ano, o “Jornal da Noite”, da Bandeirantes, veiculou uma série de cinco programas sobre o movimento, em um contexto que  incluía a crise do governo Yeda Crusius (PSDB) e a iniciativa do Ministério Público do estado em propor a dissolução do MST. Denúncias sem fundamento, provas forjadas, testemunhas suspeitas e nenhuma entrevista com membros do movimento fizeram parte do enredo criado pelo telejornal de Boris Casoy.

Controle social x Censura

Sempre que uma emissora extrapola os limites do aceitável, o debate sobre controle público das concessões de rádio e TV ganha novo capítulo. Fernando de Almeida Martins, procurador da República em Minas Gerais, conta que a ação mais recente promovida por ele estava relacionada à veiculação de conteúdo erotizado em horário impróprio no caso da “dança do poste” da personagem Alzira (Flávia Alessandra), na novela “Duas Caras”. “As cenas foram veiculadas em horário impróprio e depois a Globo ainda reprisou no programa da Ana Maria Braga. Então entramos com uma nova ação cobrando o dobro”, conta.

As emissoras, por sua vez, tentam bloquear o avanço do debate tachando as ações judiciais e as tentativas de regulação dos conteúdos impróprios de “tentativa de censura”. Um argumento que ganha cara de ponto final, sobretudo em um país que ainda se ressente de seu passado autoritário. A sociedade tem respondido subindo o tom. “Ora, se a prática do racismo, por exemplo, é considerada crime no Brasil e há programas de TV que incitam ao racismo, por que os responsáveis por tal conteúdo não são considerados criminosos?”, questiona Bia Barbosa.

Caso Eloá

Nas últimas semanas, mais uma vez uma emissora vale-se da retórica da “liberdade de expressão” e da “volta da censura” para se abster de qualquer responsabilidade social com o que veicula. Trata-se da cobertura do seqüestro de Santo André, quando a RedeTV! entrevistou ao vivo a adolescente Eloá Cristina Pimentel e seu ex-namorado Lindemberg Alves, que mantinha ela e uma amiga reféns. Aconteceu no programa “A Tarde é Sua”, apresentado por Sônia Abrão. Sem mais, a emissora interferiu num crime em pleno andamento. O final da história é conhecido.

“A RedeTV! teve uma atuação que extrapola os deveres que ela assumiu enquanto concessão pública. Quando ela interveio numa ação criminal, ela extrapolou os limites da legalidade constitucional”, afirma Lalo. Diante da repercussão, o MPF entrou com uma Ação Civil Pública cobrando indenização de R$ 1,5 milhão por danos morais coletivos.

A emissora, em nota, disse que “defenderá sempre a liberdade de expressão e o não cerceamento do direito do jornalismo informar os telespectadores considerando, portanto, essa iniciativa do Ministério Público Federal, uma forma velada de censura”. Curiosamente, a RedeTV! negou-se a responder a esta reportagem e a “informar” o que pretendia ao entrevistar um criminoso em pleno ilícito e uma menor de idade.

“A notícia diz respeito aos atores do processo, o cenário e sua relevância para a comunidade. Quando a emissora pega esses dados é começa a explorá-los de maneira emocional, a transformar agentes em personagens dramatizados, está deixando de lado a informação e indo para o sensacionalismo” diz Lalo. “Informação não pode se tornar um elemento da ação, não pode intervir, esse é o limite da informação.”

Bia Barbosa lembra que todos os tratados e convenções internacionais afirmam que a liberdade de expressão não pode ser considerada absoluta se outro direito também estiver em jogo. “No caso, estamos falando da dignidade humana, que não pode ser desrespeitada em nome da liberdade que empresas comerciais reivindicam em nome da audiência e do lucro que pretendem obter ao veicular tais conteúdos.”

Concessões públicas

Ao mesmo tempo que demonstra a insatisfação da sociedade civil organizada com o conteúdo televisivo, o dossiê elaborado pelo Intervozes é uma tentativa de interferir no processo de renovação das concessões. “As concessões sempre foram tratadas como algo que diz respeito à empresa e não a sociedade. E como o Estado sempre esteve submisso, esse processo era público apenas formalmente, pois na prática era algo privado”, diz Lalo.

O documento reforça a idéia, amadurecida aos poucos pela ação de diversas organizações, de que as violações de direitos humanos precisam constar como critério de avaliação permanente do uso das concessões públicas de radiodifusão. “O que precisamos garantir agora é que, no caso de desrespeito, estas violações sejam punidas imediatamente”, insiste Bia. “Isso precisa ser assumido pelo Ministério das Comunicações, que tem o dever de fiscalizar os conteúdos veiculados, e também pelo Congresso Nacional, que opina no momento da renovação das concessões.”

*********************************************

VEJA TAMBÉM:

Entidades denunciam Estado e emissoras por irregularidades em concessões de TV
– Comissão aprova propostas de modernização da legislação
– Arrendamento de tempo de programação evidencia uso indevido de outorgas de TV
– Deputados querem novas cláusulas em contratos de outorga de rádio e TV

BrT-Oi não tem restrições para venda a estrangeiros

Nada impede que a nova tele nacional, chancelada pelo Palácio do Planalto com a injeção de R$ 6,87 bilhões de dinheiro público e uma mudança sob encomenda da legislação do setor de telefonia, seja vendida para o capital estrangeiro logo após sua formação.

Não há no decreto presidencial que permitiu a compra da Brasil Telecom pela Oi nem nos acordos de acionistas vedação a um grupo estrangeiro de fora da telefonia fixa do país a adquirir a gigante.

A única proteção contra uma transação como essa seria promover uma reestatização branca da nova empresa por meio do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) e dos fundos de pensão estatais, com base no direito de preferência estabelecido no acordo de acionistas da Telemar Participações, que controlará a nova tele.

Ainda assim, o governo teria somente 45 dias para confirmar o interesse em cobrir a oferta e levantar o dinheiro necessário para aquisição -ou seja, mais bilhões de reais em recursos públicos. Do contrário, os dois sócios controladores, os grupos Andrade Gutierrez e La Fonte, estariam livres para vender a nova companhia.

O ministro Hélio Costa (Comunicações) chegou a defender publicamente, em 2007, que o governo tivesse uma "golden share": uma classe especial de ação que dá poderes de veto ao detentor em certas circunstâncias, como a que o governo tem na Vale. Para barrar a transferência do controle da mineradora para o capital estrangeiro, basta o governo dizer "não", ou seja, inexiste a necessidade de cobrir eventual oferta de um terceiro interessado na empresa. Mas os empresários Sérgio Andrade e Carlos Jereissati, respectivamente, os donos da Andrade Gutierrez e da La Fonte, não aceitaram essa condição e conseguiram eliminá-la da redação final do acordo de acionistas.

Amanhã, a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) deve confirmar a autorização formal ao negócio.

O BNDES e os fundos terão maior participação em questões estratégicas da controladora da nova tele do que tinham antes do novo acordo de acionistas, como poder de veto em casos de emissões de ações que ponham em risco o controle da empresa, fusões, aquisições e gastos vultosos da controladora e das controladas relevantes. Mas o próprio banco estatal reconhece que o controle da tele pode ser transferido para uma multinacional.

"Além do direito de preferência e do poder de veto acima referidos, ainda que venha a ocorrer a venda de participações acionárias ou a entrada de empresa estrangeira no bloco de controle da Telemar, obrigatoriamente seria necessária, nos termos do acordo de acionistas, a adesão do novo sócio a esse instrumento, o que o vinculará às regras de governança da companhia, que prevêem o exercício compartilhado do controle com a BNDESPar [braço de participações do banco] e os fundos de pensão", informou o BNDES, em resposta a perguntas encaminhadas pela Folha.

Mais: a palavra final no comando da companhia será sempre dos sócios privados, que têm direito a indicar a maioria dos conselheiros e prevalência na escolha do presidente e da maior parte dos diretores da controladora e das controladas.

Lei sob medida

Os acionistas da Oi e da BrT assinaram os acordos que selaram a venda da segunda empresa para a primeira (no dia 25 de abril) sete meses antes de o governo mudar a legislação sob medida para que a operação pudesse ser sacramentada.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva regulamentou as alterações no Plano Geral de Outorgas no dia 20 do mês passado. Antes do ajuste no PGO, uma empresa só podia ter uma concessionária por região – ou seja, a Oi, operadora da região 1 (RJ, MG, ES, mais Região Nordeste e os Estados de PA, AP, AM e RR), não poderia comprar a BrT – região 2 (Centro-Oeste, mais RS, SC, PR e TO, RO e AC).

Para justificar a alteração do PGO, Lula dizia que a transação só seria realizada se houvesse "travas" que impedissem a venda da nova tele para o capital estrangeiro. O presidente teria recebido estudos mostrando que os preços praticados pelas multinacionais em outros países, principalmente a mexicana Telmex, estão muito acima das tarifas do Brasil.

No PGO, o governo incluiu uma limitação quanto ao número de regiões em que uma concessionária pode operar. Para permitir a compra da BrT pela Oi, o governo autorizou uma mesma companhia a deter concessionárias em até duas das quatros regiões em que o sistema de telefonia fixa do país foi subdividido.

Assim, as novas regras não permitiriam hoje que a Telmex, controladora da região 4 (cobertura nacional de longa distância), ou que a espanhola Telefónica (região 3, Estado de São Paulo) comprassem a nova tele, pois isso significaria deter três regiões -a menos que se desfizessem de suas atuais concessões. No caso da Telefónica isso seria muito improvável, pois o Estado de São Paulo é o mais rentável da telefonia brasileira.

Para outros grupos estrangeiros, contudo, não há restrições. Das 10 maiores companhias de telefonia do mundo (excluídas as duas estatais chinesas), 7 não operam no Brasil. A esse número podem ser acrescidas Portugal Telecom e Telecom Italia, que não atuam em telefonia fixa no país, portanto também estão fora do enquadramento do PGO.

Os grupos La Fonte e Andrade Gutierrez tiveram uma vitória importante também no tempo de exercício do direito de preferência inicialmente pretendido pelo governo. O BNDES queria um ano, o que lhes permitiria com mais folga tentar negociar novos sócios privados nacionais para substituir os atuais ou levantar os recursos necessários para cobrir uma eventual oferta.

Mas Sérgio Andrade e Carlos Jereissati impuseram 45 dias – 30 para a formalização do interesse na aquisição e mais 15 dias para o exercício efetivo do direito de compra, ou seja, a reestatização branca. Se o prazo não for cumprido, o que não é improvável em um ambiente de crise global de liquidez, La Fonte e Andrade Gutierrez ficam desimpedidas para vender a empresa.

Muito dinheiro

O apoio do governo para a criação da nova tele ocorreu em duas etapas. Na primeira, o BNDES financiou a Andrade Gutierrez e a La Fonte para que aumentassem seu capital na Telemar Participações de modo a deter isoladamente o controle da companhia. Os dois sócios privados tinham 10,275% cada um e passaram a contar com 19,34% individualmente. O restante da participação (11,50%) para garantir o controle (50,18%) da empresa ficou com a Fass (Fundação Atlântico), o fundo de pensão dos funcionários da Oi, cujo comando é indicado pelos controladores da Telemar Participações, ou seja, Andrade Gutierrez e La Fonte.

O BNDES subscreveu R$ 1,239 bilhão de ações preferenciais (sem direito a voto) da Telemar Participações, além da compra de R$ 1,33 bilhão em debêntures da Andrade Gutierrez e da La Fonte, o que permitiu às duas empresas comprar a participação de outros acionistas do bloco de controle. O segundo passo foi o empréstimo concedido pelo Banco do Brasil de R$ 4,3 bilhões para a Oi comprar a BrT.

A aquisição direta da Brasil Telecom sairá por aproximadamente R$ 5,86 bilhões. A transação, no entanto, pode ultrapassar R$ 12 bilhões. Além do dinheiro empregado para a compra do controle da companhia, deverão ser necessários mais R$ 3,5 bilhões para as ofertas aos demais donos de ações ordinárias, conforme determina a lei, e mais R$ 3 bilhões para comprar papéis preferenciais no mercado.

******************

Nota da Folha de S. Paulo:
ERRAMOS: A reunião da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações) que deve aprovar formalmente a compra da BrT pela Oi está agendada para quarta-feira, e não para amanhã.

CCTCI vira moeda de troca na eleição para presidente da Câmara

Há duas semanas, o presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Comunicação e Informática (CCTCI), deputado Walter Pinheiro, surpreendeu muita gente ao pedir o apoio dos demais parlamentares durante uma audiência para evitar a cisão da comissão. O desabafo de Pinheiro foi cauteloso e não revelou de onde teria partido a estratégia de dividir o grupo, nem como ela seria colocada em prática. Tudo leva a crer que o motivo da prudência tem relação com o tamanho da briga: a CCTCI teria virado moeda nas negociações para a sucessão da presidência da Câmara dos Deputados.

Segundo altas fontes partidárias, a idéia de cindir a comissão em duas partiu do PSB e tem o apoio do líder Márcio França (PSB-SP). A proposta é ter uma comissão apenas para Ciência e Tecnologia, deixando questões relacionadas à Radiodifusão com outro grupo de deputados. Apesar de a cisão não ser vista com bons olhos pelos grandes partidos representados na Câmara, a sugestão tem agitado os bastidores da eleição para presidente da Casa. Isso porque o PSB está disposto a votar em quem abraçar a idéia.

A estratégia teria potencial para beneficiar o candidato Ciro Nogueira (PR/PI). Assim como Severino Cavalcanti (PP/PE), que chegou a presidência da Câmara em 2005 após uma conturbada eleição, Nogueira tem o perfil de "azarão" na disputa para a cadeira em 2009. Regimentalmente, o partido com a maior bancada na Câmara escolhe o presidente. Sendo hoje este partido o PMDB, com 92 deputados, seguida a regra do regimento seria eleito o candidato desse partido: Michel Temer (PMDB/SP). No entanto, a Câmara tem optado por fazer votações para a sucessão, onde o "candidato oficial" disputa com outros pleiteantes ao cargo.

O PSB teria oferecido o voto de seu partido aos candidatos desde que a CCTCI seja dividida. O interesse do PSB está na área tecnológica, apesar de a radiodifusão ser alvo de diversos interesses políticos históricos. Com o regimento a seu favor, o PMDB teria rejeitado a oferta. Outros partidos de peso dentro da Câmara, como PSDB, DEM e PT também são contra a idéia de cindir a CCTCI. Ainda assim a idéia pode movimentar alguns partidos.

Não se sabe no momento se todo o chamado "bloquinho" – bloco parlamentar que reúne PSB, PDT, PCdoB, PMN e PRB – concorda com a proposta do PSB. Mas alguns parlamentares temem que a sugestão ganhe força e crie uma união entre os partidos menores para a eleição de Nogueira ao invés de Temer. Como Nogueira já entrou em desvantagem na disputa – uma vez que a grande negociação para a presidência tem se dado entre o PMDB e o governo – existe a preocupação de que o candidato esteja "disposto a tudo" para reunir votos.

Parlamentares da CCTI têm se movimentado para anular a idéia. Mas assim como no início deste ano a comissão foi alvo de diversas disputas partidárias por conta da renovação de concessões de grandes emissoras de TV, o fim de 2008 tem se revelado bastante conturbado. Nos corredores da Câmara, a aposta é que a cisão não prosperará. Resta agora observar a movimentação dos partidos na votação, agendada para a primeira semana de fevereiro.

Funcionários elegem representante no Conselho Curador

O jornalista Lourival Antônio de Macedo foi eleito ontem (11) representante dos funcionários no Conselho Curador da Empresa Brasil de Comunicação (EBC). Segundo o resultado da eleição, conhecido hoje (12), Macedo teve 63,24% dos votos, contra 34% do seu adversário, o também jornalista Eduardo Mamcaz. Os votos brancos e nulos somaram 2,57%.

Macedo trabalha na empresa há quase 30 anos. “Eu conheço bem a empresa e a luta de todos para transformar essa empresa em uma empresa pública, essa luta não começou agora, lutamos há muito tempo para ela ser voltada para o interesse público” afirmou.

A função do Conselho Curador é aprovar o plano de trabalho e a linha editorial da empresa, acompanhar a programação, julgar sua qualidade e o cumprimento das finalidades da TV pública. O Conselho é composto por 22 membros, sendo 15 representantes da sociedade civil, quatro representantes do governo (por meio dos Ministérios da Educação, Cultura, Ciência e Tecnologia e Comunicação Social), dois representantes do Congresso Nacional e um represente dos funcionários da empresa.

Entre os representantes da sociedade no Conselho Curador da EBC estão o ex-ministro e ex-deputado Delfim Netto; o ex-governador de São Paulo Cláudio Lembo; o economista Luiz Gonzaga Belluzzo, que preside o conselho; o cantor e compositor MV Bill; e José Bonifácio de Oliveira Sobrinho (Boni), entre outros.

Abepec quer criar unidade de pesquisa de audiência

O XVIII Encontro Nacional da Associação Brasileira de Emissoras Públicas, Educativas e Culturais (Abepec), que terminou em Florianópolis nesta sexta-feira (12), reuniu dirigentes das emissoras públicas de todo o Brasil para definir propostas da entidade para o II Fórum Nacional de TVs Públicas. Segundo a associação, foram definidas as posições que a entidade terá frente às questões do setor público de comunicação como regulamentação da legislação específica, as alternativas e possibilidades de financiamento, a implantação da TV digital do ponto de vista da infra-estrutura técnica e da multiprogramação, além dos parâmetros de aferição de audiência e qualidade.

Também foi proposta a criação de uma unidade de pesquisa específica para o campo público. A unidade mediria a audiência e faria a análise de características dos telespectadores, primeiro os que entram em contato com emissoras e também os que assistem simplesmente. Estes dados se tornariam tanto insumo como produto para ações de produção das emissoras.

No evento, foi apresentado também o projeto de criação do Instituto de Comunicação Pública, um centro de estudos e pesquisas sobre a televisão pública que transcende a administração das emissoras e deve reunir universidades, profissionais do mercado, pesquisadores, pensadores e outras entidades.