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Especialistas defendem a criação de associação para proteger blogueiros

Jornalistas e advogados reunidos no debate “O Direito e a Internet”, na Campus Party, apoiaram a criação de uma entidade nos moldes da Eletronic Frontier Foundation para proteger blogueiros ameaçados ou sob processo judicial. Participaram do debate, realizado nesta quinta-feira (28/01), o jornalista Alessandro Martins, do queroterumblog.com; e os advogados Jorge Araújo, especializado em direito do trabalho; Marcel Leonardi, especialista em direito e internet; e Flávia Penido, do blog ladyrasta; moderados pelo jornalista e professor da PUC-RS, Marcelo Trasel.
 
Os advogados Jorge Araújo e Marcel Leonardi propuseram a criação de uma organização de proteção a blogueiros, mas alertaram para as burocracias e os tramites jurídicos que o projeto exige. No início, a entidade serviria de apoio educacional sobre os direitos na internet. “No primeiro momento seria uma associação educacional para ensinar aos blogueiros, em detalhes, sem ‘juridiquês’, quais são os limites. Porque vemos muitos erros primários cometidos por eles", afirmou Marcel Leonardi.
 
Jorge Araújo também apontou a mesma ideia. "Os blogueiros são uma categoria e isso permite a criação de uma associação nesse sentido".
 
A ideia de criar uma organização foi apoiada pela maioria dos blogueiros presentes na platéia, que pretendem se reunir para conversar sobre o assunto, e ainda demonstraram interesse em apoiar financeiramente a iniciativa.
 
A advogada Flávia Penido lembrou que existem muitas dúvidas em relação ao trabalho dos blogueiros. “Eles não sabem muito o que podem falar e o que não podem, é uma insegurança jurídica”, afirmou. Para ela, ainda falta o entendimento de que em público é proibida a ofensa, entre outras coisas.
 
Para Alessandro Martins, o blogueiro deve ter noção da responsabilidade que é escrever na web. "Nós estamos muito na defensiva, porque as pessoas têm o direito de buscar sua defesa. Nossa postura deve ser de que temos o poder da palavra, e que liberdade implica responsabilidade".

Os palestrantes também discutiram sobre o uso do direito de imagem, moderação de comentários e citaram casos conhecidos, como o das blogueiras Alcinéia e Alcilene Cavalcanti, processadas pelo presidente do Senado, José Sarney.

Enecos propõe criar nova articulação dos movimentos de comunicação

A partir da avaliação do cenário pós Conferência Nacional de Comunicação, a Executiva Nacional de Estudantes de Comunicação Social (Enecos) decidiu, em seu congresso nacional, defender a construção de uma nova articulação de movimentos sociais em torno das pautas da comunicação. A resolução do XVII Congresso Brasileiro dos Estudantes de Comunicação Social (Cobrecos) cita a continuidade da participação da Executiva nas comissões estaduais pró-conferência, de acordo com a realidade de cada estado.

A resolução do Cobrecos contrasta com o momento vivido pela Executiva, que passa por dificuldades de mobilização e participação. O congresso, principal evento político da Enecos, contou com cerca de 90 participantes. Foi também o momento para que uma nova diretoria tomasse posse depois de alguns anos em que a Executiva foi dirigida por gestões provisórias. Por outro lado, reforça posição anterior da Enecos em relação o Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). Há alguns anos, a Executiva, que foi uma das entidades fundadoras do FNDC, retirou-se da organização.

Segundo participantes do congresso, a decisão por participar de uma articulação alternativa ao FNDC tem forte relação com a postura da direção do Fórum durante a Confecom. A resolução aprovada pelos delegados cita a postura do FNDC que “colaborou para a limitação de avanços por parte dos movimentos sociais, como o fechamento de acordos que beneficiaram os interesses do governo e das entidades patronais”.

No texto do caderno de resoluções do Cobrecos, os estudantes reconhecem “o passado de luta do FNDC, fórum o qual a Enecos ajudou a construir. No entanto, o FNDC hoje se encontra burocratizado e engessado por meio do seu aparelhamento pela CUT e outros setores atrelados ao governo e patrões”.

“Hoje não existe nenhum espaço em que possamos tocar lutas de democratização da comunicação a partir da perspectiva que temos – de oposição de esquerda ao governo”, afirmou Naiady Piva, estudante de jornalismo da UFPR. Esse novo fórum que a Enecos pretende construir ainda não tem forma definida. “Optamos por não fazer uma proposta por achar que isso tem que ser construído por vários setores”, explicou Naiady.

Diploma para jornalistas

O Cobrecos aprovou resolução que revê a posição da Enecos sobre a exigência da formação superior específica para o exercício profissional do jornalismo. Mais do que uma defesa de fato do diploma, essa deliberação foi encarada pelos seus propositores como uma ação tática contra a decisão do Supremo Tribunal Federal, que agia pelos interesses dos empresários de comunicação. Os estudantes também avaliaram que este seria um modo de se aproximar dos estudantes de muitas escolas de jornalismo, cuja posição anterior da Enecos – de não posicionamento na dicotomia diploma “sim” ou “não” – era uma barreira ao diálogo.

Valério Paiva, estudante de jornalismo da PUC-SP, foi um dos defensores desse novo posicionamento da Executiva e relembra o acúmulo de mais de dez anos de debate sobre o diploma entre os estudantes de comunicação. “Naquele momento [de defesa da não obrigatoriedade], seria contraditório defender a democratização da comunicação, a comunicação popular, e ao mesmo tempo o diploma. Essa discussão foi muito rica na década de 90, mas a conjuntura era outra. No governo FHC, o grau de criminalização era diferente, assim como o grau de precarização de lutas e a unidade da esquerda. Hoje estamos numa situação ainda mais frágil, de desarticulação”, compartilha.

A eleição do governo Lula, considera Valério, foi um fato que tornou alguns setores dos movimentos sociais não combativos, havendo um avanço do neoliberalismo e “dos patrões em busca da precarização”. “Como exemplo, tem-se a votação da obrigatoriedade do diploma de jornalismo no STF a pedido das rádios e empresas de televisão do Estado de São Paulo.”

A Enecos hoje busca uma formulação que contemple setores das universidades, que acreditam que a obrigatoriedade do diploma é fundamental. “Tem alguns setores dos estudante nas universidades que acham extremamente importante a obrigatoriedade, como um dos modos de garantir a qualidade”, explica.

O desafio da Executiva é expandir o debate pela regulamentação profissional, sem se preocupar com a dicotomia da obrigatoriedade. “De essência, a luta dos dois [por uma outra regulamentação e pela obrigatoriedade] é a mesma: é a defesa dos interesses profissionais, em defesa da democratização da comunicação e da qualidade do ensino”, diz Valério. 

“Tem que se unir pra se defender”, diz Naiady a respeito dos trabalhadores de comunicação, não apenas de jornalismo. “Esse é o debate central que colocamos hoje. Quanto ao diploma, é importante termos uma posição porque somos requisitados a todo o momento.”

A resolução final do Cobrecos fala em exigir a obrigatoriedade do diploma somente nas empresas e instituições públicas que tenham relação capital-trabalho, o que deixa de fora mídias livres e comunitárias.

EBC e Conselho Nacional

Outra deliberação dos alunos de comunicação foi o posicionamento contrário ao modelo atual da TV Brasil e da TV Cultura, por não contribuir com a construção de uma radiodifusão pública que tenha ampla participação da sociedade civil na elaboração e gestão das emissoras. Defendem que haja garantia de liberdade editorial e financeira, além de espaço garantido para a produção regional independente.

Ainda em relação à Confecom, mas desta vez tratando das resoluções aprovadas na etapa nacional, os estudantes apontaram como prioridade pressionar o governo Lula para a efetivação do Conselho Nacional de Comunicação Social.

*** Texto corrigido em 29 de janeiro, às 15h30.

Ministro volta a cobrar reestruturação da Anatel

O ministro das Comunicações, Hélio Costa, voltou a aproveitar um evento oficial da Anatel para pedir que a agência reguladora conduza rapidamente seu processo de reestruturação, em gestação há anos na autarquia. "A reestruturação da Anatel é essencial para que a agência esteja preparada para as demandas do futuro", afirmou Costa em seu discurso durante a posse do novo conselheiro da Anatel, Jarbas Valente. Em cerimônias anteriores, Costa já havia dado destaque a este ponto da agenda da autarquia. A última vez foi em junho do ano passado, durante a posse do conselheiro João Rezende.

O projeto de reestruturação previa, originalmente, o abandono da estrutura voltada para "serviços", investindo em uma regulação por "processos". A ideia consiste em reorganizar a agência em superintendências mais sintonizadas com o processo de convergência dos serviços de telecomunicações, ao invés do perfil atual onde a divisão é em serviços "públicos", "privados" e de "comunicação de massa". Não se sabe, porém, se a reestruturação seguirá ainda estas premissas quando for executada pela Anatel.

Oportunidade única

O recém-empossado Jarbas Valente mostrou simpatia pela execução do projeto ao incluí-lo como um dos seus cinco objetivos para seu mandato como conselheiro. Após a cerimônia, Valente reforçou sua defesa na reestruturação. "Quanto mais rápido ela acontecer, melhor", declarou. O conselheiro já promoveu uma mini-reestruturação na Superintendência de Serviços Privados (SPV) quando comandava a área e disse que a experiência foi muito positiva. "Acho que há um ganho muito bom na eficiência do trabalho", afirmou.

A intenção de promover, enfim, a reestruturação da autarquia poderá afetar a escolha de um substituto para Jarbas Valente no comando da SPV. Com a entrada de Valente no conselho, a superintendência passará a ser conduzida interinamente por Dirceu Baraviera. E se a reestruturação deslanchar, a SPV pode ficar ser um superintendente efetivo na SPV. Isso porque Valente defende que ninguém seja efetivado até que a mudança estrutural na Anatel seja concluída.

Nesse quesito, o novo conselheiro não está sozinho, pois outros conselheiros já têm defendido, internamente, esta posição. Além da SPV, a Superintendência de Serviços Públicos (SPB) também está sem um superintendente efetivo, sendo comandada por Fernando Pádua interinamente. Para Valente, essas duas "vagas" acabam ajudando no processo de reestruturação. "Acho que enquanto tivermos substitutos, isso facilita", afirmou. Na visão do conselheiro, efetivar os funcionários na iminência de uma reforma na agência seria prejudicial para os próprios servidores. "Efetivá-los agora geraria expectativas que talvez se frustrem em uma reestruturação".

Celular é caminho para fim da exclusão digital, segundo o Fórum Econômico Mundial

Relatório do Fórum Econômico Mundial divulgado em meados de janeiro afirma que os celulares são o melhor caminho para promover a inclusão social por intermédio do uso das novas tecnologias. Segundo o documento, que conta com o apoio de acadêmicos de diversas universidades norte-americanas e européias, além de grandes companhias telefônicas, há hoje quatro bilhões de pessoas conectadas via telefonia móvel. A quantidade de pessoas com um celular em mãos, diz o relatório, abre espaço para diversas inovações, inclusive na relação dos governos com os cidadãos.

“Para muitas pessoas no mundo, o celular é o único meio de acesso à internet. Obviamente, isso tem implicações na saúde, empreendedorismo, educação, governo eletrônico e segurança pública”, comenta Paul Jacobs, CEO da Qualcomm.

O documento reconhece que ainda há muito a ser feito para que os moradores de países em desenvolvimento possam utilizar todo o potencial da telefonia móvel, utilizando a internet para obter serviços, por exemplo. Se, por um lado, Brasil, Índia, África do Sul e China responderam, juntos, por mais de 300 milhões de novos assinantes nos últimos 12 meses, por outro, boa parte da população dessas nações permanece afastada das redes mais modernas, capazes de fornecer acesso à rede mundial de computadores e serviços em “nuvem”.

E, alerta, William Dutton, diretor do Instituto de Internet da Universidade de Oxford, “as interrelações entre os avanços da internet os nas comunicações móveis estão entre as mais fascinantes novidades a serem assistidas nos próximos anos”.

De acordo com o Fórum Econômico Mundial, os celulares têm possibilitado, em alguns países, a oferta de novos meios de pagamento de impostos e consultas , além de conteúdos educacionais. Em Bangladesh, onde apenas 10% da população possuem acesso à rede bancária, a telefonia móvel  tornou-se uma forma eficiente de pagamento de contas, entre elas, encargos públicos.

Outra possibilidade é o fornecimento de informações médicas via telefone aos moradores de áreas rurais distantes dos postos médicos. O relatório sugere a abertura de linhas de atendimento para que dúvidas sejam sanadas e pequenos acidentes possam ser resolvidos no próprio local, caso não demandem a presença de um profissional de saúde.

“Os governos também podem estimular a adoção de soluções móveis de TIC para o cuidado com a saúde e outros serviços sociais. Se os governos criam políticas para apoiar seus próprios objetivos de oferta de serviços móveis, pode haver um segundo impacto, no qual outras atividades floresçam e ganham escala”, diz o documento.

Porém, afirmam os especialistas do Fórum, para que esse tipo de ação se torne uma realidade presente mundo afora, é preciso inovação e modelos de negócios alternativos. É por meio deles que serão gastos os US$ 2,3 trilhões de investimentos a serem feitos para incluir os cidadãos do mundo que ainda não possuem celular com acesso à internet.

O documento, intitulado “Escalando oportunidades: tecnologias da informação e comunicação para inclusão social” pode ser lido, em inglês, no link http://www.weforum.org/pdf/ICT/ScalingICT.pdf.

Empresários e Hélio Costa acreditam que plano não está fechado

[Título original: Empresários continuam em dúvida sobre objetivos do plano de banda larga]

No que depender das empresas de telecomunicações e do Ministério das Comunicações, ainda há muito o quê ser discutido antes que o governo anuncie oficialmente o Plano Nacional de Banda Larga. Apesar de já existir uma minuta de decreto presidencial com os parâmetros do projeto, o ministro das Comunicações, Hélio Costa, disse nessa quarta-feira, 27, que nada está decidido na cúpula do governo. "Não é o Ministério das Comunicações, o Ministério do Planejamento ou a Casa Civil quem vai decidir. É o presidente Lula e ele ainda não decidiu", declarou o ministro ao chegar à posse de Jarbas Valente no Conselho Diretor da Anatel.

O evento, que reuniu vários empresários e servidores do setor, teve a "banda larga" como tema recorrente nos discursos das autoridades e nas conversas informais após a cerimônia. Enquanto autoridades como o ministro Hélio Costa e o novo conselheiro Jarbas Valente elegiam em seu discurso a massificação do serviço como a principal meta a ser alcançada nesse ano, os empresários ainda se perguntavam quando as concessionárias serão chamadas oficialmente para contribuir com a proposta.

"Nós fomos chamados pelo Ministério das Comunicações para fazer um plano conjunto, mas agora estamos vendo que há outro plano, do governo, e que, por enquanto, estamos de fora. O que queremos saber é se vamos ou não participar desse projeto", comentou o presidente de uma operadora presente à solenidade. Os empresários alegam que não têm "medo" do Plano Nacional de Banda Larga, nem da revitalização da Telebrás. Mas são obrigados a se posicionarem contrariamente ao projeto neste momento por entenderem que é um "desperdício de dinheiro público" reativar uma estatal para prestar um serviço que já é oferecido por empresas privadas.

"A verdade é que não sabemos que plano é esse. Precisamos saber qual é o que realmente o governo pretende com esse plano de banda larga. É o quê? A reativação da Telebrás? Nós não temos medo disso não", afirmou outro executivo. "Só acho que nós poderíamos contribuir. Quem fez a universalização da banda estreita nesse país tem experiência no assunto que poderia ser aproveitada, não?", pergunta-se o empresário, referindo-se à expansão da telefonia fixa pelas concessionárias.

Reuniões

Enquanto o setor tenta descobrir os objetivos do governo com o plano, o próprio governo continua realizando reuniões técnicas para arrematar pontos do projeto e posicionamentos com relação à proposta. Nessa quinta-feira, 28, a Anatel deverá fazer uma reunião sobre o assunto, onde os representantes da autarquia nos grupos de trabalho responsáveis pela construção do plano (coordenados pela Casa Civil) atualizarão os conselheiros sobre as propostas em desenvolvimento.

Quanto à reunião que pode finalizar o projeto, onde os ministros se encontrarão com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a agenda continua atribulada. Comenta-se que o grande encontro só ocorrerá em março, após o Carnaval, mas a data definitiva ainda não foi acertada.