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Conferência de cultura pede acesso a internet como serviço público

Os participantes da II Conferência Nacional de Cultura (II CNC), realizada em Brasília, de 11 a 14 de março, elegeram a prestação do serviço de acesso a internet em regime público entre as 32 prioridades que nortearão as políticas públicas para o setor. E ainda defendeu a implantação do Plano Nacional de Banda Larga, a ser lançado no próximo mês pelo governo, como forma de conectar os pontos e equipamentos de cultura no país.

Segundo o Ministério da Cultura,aAs prioridades eleitas serão tratadas uma a uma, de acordo com sua natureza. Algumas poderão servir para incrementar políticas públicas já existentes, outras devem se transformar em projetos de lei para envio ao Congresso Nacional ou, ainda, integrarem ações interministeriais de estimulo a áreas afins, como cultura e educação, por exemplo.

Ao todo, foram analisadas 347 propostas dentre as quais artistas, produtores culturais, investidores, gestores e representantes da sociedade de todos os setores da cultura e de todos os estados do País. Dos 883 delegados credenciados, 851 votaram por meio de cédulas nas propostas prioritárias.

A aprovação do marco regulatório da Cultura, que já tramita no Congresso Nacional, foi a proposta mais votada (754 votos). O marco é composto principalmente pelo Sistema Nacional de Cultura (SNC),  Plano Nacional de Cultura (PNC) e proposta de emenda constitucional (PEC) 150/2003, que vincula à Cultura 2% da receita federal, 1,5% das estaduais e 1% das municipais. A proposta também explicita o apoio à aprovação do Programa de Fomento e Incentivo à Cultura (Procultura), que atualiza a Lei Rouanet.

Governo dos EUA divulga metas do plano de banda larga a ser anunciado nesta quarta, 17

A FCC, órgão regulador e formulador de políticas de comunicação dos EUA, divulgou um resumo dos principais pontos que deverão fazer parte do Plano Nacional de Banda Larga a ser enviado ao Congresso norte-americano nesta quarta, dia 17. Os principais problemas a serem enfrentados são a ausência de disponibilidade de banda larga para 14 milhões de pessoas e o fato de que 100 milhões de norte-americanos não utilizam banda larga ainda hoje.

O plano tem os seguintes objetivos:

1) Conectar 100 milhões de domicílios com um serviço de 100 Mbps a um custo razoável, de modo a tornar os EUA o país com a maior cobertura de banda larga do mundo.

2) Permitir que todas as comunidades tenham a possibilidade de adquirir conexões de 1 Gbps para que escolas hospitais e instalações militares possam estar plenamente conectadas à ultra banda larga.

3) Garantir a liberação de pelo menos mais 500 MHz de espectro.

4) Ampliar de 65% para 90% o grau de familiaridade com a tecnologia dos estudantes no momento em que deixam o ensino médio.

5) Levar banda larga para comunidades rurais a um preço razoável por meio do fundo de universalização, hoje destinado a tecnologias analógicas.

6) Promover a competição em toda a cadeia de valor da banda larga, por meio da redução das barreiras de entrada e por meio da análise de qualidade, preço e disponibilidade dos serviços em diferentes localidades.

7) Desenvolver uma rede de segurança pública wireless para serviços emergenciais.

O trabalho da FCC é parte do plano de recuperação econômica dos EUA, estabelecido em fevereiro de 2009. Para a elaboração do plano de banda larga, foram realizadas 36 seminários, nove audiências públicas e 31 chamamentos públicos que produziram mais de 75 mil páginas de contribuição. O resumo do plano a ser divulgado pela FCC está disponível no site TELETIME.

Brasil quer retaliar EUA no audiovisual, mas há dúvida sobre como fazer

Ainda não há uma reação articulada por parte dos setores que serão afetados caso seja efetivada a "suspensão de concessões ou obrigações relativas aos direitos de propriedade intelectual sobre o setor audiovisual", conforme proposta em consulta pública instaurada em resolução da Câmara de Comércio Exterior do dia 12 de março. Isto porque os especialistas no assunto ainda não conseguiram compreender como se colocaria em prática uma retaliação deste tipo. O Brasil está estudando uma forma de aplicar as retaliações contra produtos dos Estados Unidos autorizada pela Organização Mundial do Comércio (OMC) também sobre propriedade intelectual, o que envolveria bens culturais.

A Camex, do Ministério do Desenvolvimento, propõe na consulta a criação de cinco medidas que afetam o setor audiovisual. A primeira é a "subtração, por tempo determinado, do prazo de proteção de direitos do autor e conexos sobre modalidades de execução pública musical". Nessa medida não está claro se a execução de obras musicais de autores dos Estados Unidos ficarão isentas de recolhimento de direitos, ou se o órgão arrecadador, o Ecad, continuará cobrando, mas não terá de repassar os direitos aos autores das obras.

Outra medida, de número dez, autoriza o "licenciamento de direitos do autor e conexos para o exercício da comunicação ao público de obras audiovisuais, sem autorização do titular e sem remuneração". Ou seja, permite a execução ou veiculação de obras sem autorização do representante legal, e sem a necessidade de remuneração para o requerente, titular ou licenciado dos direitos. Duas questões foram apontadas por fontes ouvidas por este noticiário. No caso das salas de cinema, onde seria quebrada a cadeia existente hoje? O exibidor não teria de pagar pela exibição de obra estrangeira? Ou o distribuidor local não precisaria pagar aos detentores dos direitos na origem? O mesmo vale para a exibição na TV, caso a obra tenha um representante local.

TV paga complicada

Já no caso da TV por assinatura é ainda mais complicado exibir o conteúdo das programadoras estrangeiras sem autorização, isto porque não há forma de obrigá-las a liberar seus sinais no satélite, que é codificado.

As outras medidas propostas criariam, caso aprovadas, taxações extras. Contudo, restam dúvidas sobre a viabilidade. As medidas 16 e 21 estão ligadas. A última propõe a "criação de obrigatoriedade de registro para obtenção e manutenção de direitos patrimoniais de autor e conexos", enquanto a 16 propõe a instituição de valores adicionais sobre os valores devidos aos órgãos de registro de direitos do autor e conexos para efetivação dos referidos registros. A questão é se seria necessário criar um órgão para registro destas obras, que cobraria os valores adicionais.

A medida 19 propõe a "aplicação de direitos de natureza comercial sobre a remuneração a que fizer jus titular de direitos de propriedade intelectual em matéria de direitos do autor e conexos, exceto os relativos a programas de computador". Ou seja, cria uma taxa.

Contribuição

A resolução pede que as partes interessadas, preferencialmente através de associações de classe, entreguem suas manifestações por meio do preenchimento de um "Roteiro de Manifestações" no prazo de 20 dias. No roteiro, as partes interessadas podem se posicionar favoráveis ou contrárias às medidas e indicar qual o potencial impacto da aplicação das medidas. A consulta está disponível no site http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=1&pagina=2&data=15/03/2010

Relator do PL 29 apresentará quatro emendas supressivas ao projeto

A apresentação do parecer sobre o PL 29/2007 na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados promete não ser nada tranquila. O projeto, que teve como principais polêmicas até aqui a criação de um sistema de cotas para a produção audiovisual nacional nas TVs por assinatura, também deverá levantar debates em outra frente: a questão da isonomia entre os atuais operadores e aqueles que ganharão o sinal verde para entrada no mercado de TV paga quando o PL 29 for aprovado (ou seja, as teles). O clima deve esquentar na CCJ porque o relator, deputado Eduardo Cunha (PMDB/RJ), pretende apresentar quatro emendas supressivas, mexendo em itens delicados do projeto.

A ideia de alterar o texto está exposta no site pessoal do deputado desde 18 de fevereiro. No texto, a equipe de Cunha explica que as emendas supressivas são necessárias para "eliminar pontos flagrantemente ilegais e injustificáveis no projeto". "É que a Lei, que deveria seguir o princípio da igualdade de direitos para os agentes econômicos, cria uma casta de privilegiados, para os quais, não obstante serem ex-detentores de outorgas (já vencidas) se atribui direitos excepcionais não aplicáveis aos demais interessados", argumenta a assessoria do deputado no material divulgado no site.

Transição

Procurada por esta reportagem, a equipe de Cunha confirmou as intenções do deputado, mas não forneceu mais detalhes sobre as emendas. Em princípio, a intenção do parlamentar é mexer nas "Disposições Finais e Transitórias" do substitutivo aprovado pela Comissão de Ciência e Tecnologia (CCTCI) no fim do ano passado. Neste capítulo, os deputados criam um sistema de transição para as outorgas em vigor, estimulando as atuais operadoras a migrarem para o novo Serviço de Comunicação Audiovisual de Acesso Condicionado sem que as novas obrigações tenham impacto imediato. É essa política de estímulo que está sendo considerada ilegal e inconstitucional pelo relator por não assegurar o princípio da isonomia.

Outra regra das disposições transitórias é o enquadramento dos Serviços Especiais de TV por Assinatura (TVAs, operados em um úncio canal de UHF) nas mesmas regras dos demais serviços de TV paga.

Sem acatar emendas

Por ser apenas uma comissão de análise técnica da legalidade e constitucionalidade dos projetos em tramitação na Câmara, a CCJ não tem como deliberar sobre uma nova redação do texto, mas apenas suprimir partes que considerar em choque com a Constituição Federal. Além de apresentar as emendas supressivas, Cunha rejeitará todas as emendas apresentadas pelos demais parlamentares da comissão, conforme contou o parlamentar a este noticiário na semana passada. A equipe do deputado confirmou que a ideia de rejeitar plenamente todas as sugestões continua firme. Com isso, outra coisa é certa: nenhuma das emendas de Cunha terá conteúdo semelhante aos das emendas parlamentares já apresentadas até então. 

Nova lista de retaliação aos EUA inclui direito autoral de filmes, livros, música e software

A Câmara de Comércio Exterior publicou hoje para consulta pública por 20 dias a lista com 21 medidas contra o pagamento de patentes e direitos autorais de produtos como filmes, livros, música e medicamentos norte-americanos. Além de propor a importação desses produtos sem o pagamento ao detentor da patente, há também propostas para a redução do prazo de patente por até um ano, autorização para a importação cruzada (produtos patenteados que são fabricados por terceiros países), aumento de taxas de registros de patentes e direitos autorais no Brasil e criação de novas taxas.

O valor da retaliação sobre propriedade intelectual pode chegar a US$ 238 milhões, o que elevará o total da retaliação a US$ 829 milhões –valor autorizado pela OMC (Organização Mundial do Comércio) para as sanções brasileiras.

Em agosto do ano passado, a OMC autorizou o Brasil a aplicar sanções aos EUA por conta do contencioso do algodão. Em novembro, o governo colocou em consulta pública uma lista com 222 produtos que poderiam ser retaliados e, no início de fevereiro, a Camex aprovou uma lista preliminar de produtos que poderiam sofrer retaliação. O governo decidiu publicar para consulta pública a nova lista porque os Estados Unidos ainda não sinalizaram com qualquer negociação que envolva a questão principal, que são os subsídios ao algodão, condenado pela OMC. As contribuições para a consulta terão que ser impressas e endereçadas à secretaria-executiva da Câmara de Comércio Exterior em Brasília.

A seguir os itens que afetam os segmentos vinculados à comunicação:

“(…)5) subtração, por tempo determinado, do prazo de proteção de direitos do autor e conexos sobre modalidade de execução pública musical;(…)

9)licenciamento de direitos do autor e conexos sobre obras literárias, sem autorização do titular e sem remuneração;

10) licenciamento de direitos do autor e conexos para o exercício da comunicação ao público de obras audiovisuais, sem autorização do titutal e sem remuneração;(…)

20) aplicação de direitos de natureza comercial sobre remuneração a que fizer jus titular de direitos de propriedade intelectual em matéria de direitos do autor e conexos relativos a programas de computador.

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