Arquivo da categoria: Notícias

Conselho da EBC deve ser composto por representantes da sociedade, e não por personalidades

O termo público contém as noções de coletividade e de pertencimento. A Empresa Brasil de Comunicação (EBC) é uma entidade pública e, portanto, espera-se que o seu Conselho Curador seja composto pelos diversos segmentos da sociedade brasileira e escolhidos por ela, e não por personalidades. O órgão deve ter ainda entre seus membros entidades organicamente ligadas ao campo da comunicação, identificados com a causa fim de emissoras públicas. Essa premissa é considerada fundamental pelos representantes de entidades ligadas à democratização da comunicação. Conforme o Edital 01/2010, três novos nomes para o referido conselho devem ser indicados até o próximo dia 09 de abril.

A atual representação da sociedade civil no Conselho Curador da EBC é formada, em sua maioria, por personalidades que não representam o conjunto dos brasileiros. A escolha final dos seus membros, feita pelo Presidente da República com base em uma lista tríplice, “não considera o direito de escolha da sociedade”, afirma Nascimento Silva, presidente da Federação Interestadual dos Trabalhadores em Empresas de Radiodifusão e Televisão (Fitert) e um dos coordenadores executivos do Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC). O conselho formado por notáveis (veja composição) teve como efeito a falta de compromisso de muitos membros que não o entendem como espaço de participação fundamental da sociedade.

Modelo inadequado

Esse modelo de composição tem dois problemas, de acordo com Carolina Ribeiro, do Coletivo Intervozes. “O primeiro é jogar na mão do Presidente a indicação de um conselho que, em tese, não pode responder aos anseios de um ou outro governo. O segundo é ter personalidades sem qualquer respaldo nas várias representações que existem na sociedade”, expõe.

Segundo Cláudio Márcio Magalhães, presidente da Associação Brasileira de Televisão Universitária (ABTU) a escolha dos integrantes pelo Presidente da República demonstra que o critério para a nomeação é pessoal. “Não podemos chamá-lo democrático”, afirma, sugerindo que o Conselho seja formado por entidades e não por pessoas físicas. Magalhães considera legítimas as indicações do governo, por se tratar de um órgão público, mas pondera que “se a ideia é se distanciar do modelo estatal, o Conselho deve ser representativo de entidades de interesse público”.

Representação social 

Ao ampliar o perfil do Conselho legitima-se o seu caráter múltiplo para que as suas atividades contemplem os diversos segmentos da sociedade brasileira. Representações de organizações diretamente ligadas à comunicação garantiriam ao Conselho uma interlocução maior. Carolina Ribeiro salienta a necessidade de que haja algum mecanismo para garantir a participação dessas instituições no Conselho. “Não defendendo que seja um conselho hegemonizado por essas entidades, mas que esses setores organicamente ligados à comunicação façam parte”, ressalva.

Roseli Goffman, representante do Conselho Federal de Psicologia (CFP) na Coordenação Executiva do FNDC, adverte que o Conselho não deve ter caráter corporativista, com representação somente de trabalhadores. “Ele precisa ser um órgão colegiado, com todos os segmentos da sociedade civil, além da representação do Estado, para que possa possam ampliar a produção de conteúdo, contemplando a regionalidade e a diversidade”, opina. Tal representação deve abarcar também o setor empresarial.

Definir políticas públicas

No organograma da EBC o Conselho deveria ocupar um espaço deliberativo mesmo, numa relação direta e mais autônoma em relação ao Governo e mais efetiva e positiva em relação à direção e às políticas adotadas pela empresa, avalia Celso Schröder, coordenador geral do FNDC. Esse seria o espaço para definir as ações da entidade e não o contrário, como ocorre hoje, “onde as políticas são determinadas pela parte executiva e levadas para o Conselho aprovar, ou dar a sua opinião, o seu palpite”, critica o presidente da ABTU.

Para Magalhães o órgão deve ter como principal atribuição definir as políticas públicas de atuação das emissoras de rádio e televisão que compõem a EBC. “Ou seja, decidir o que vai ser determinado. Qual é a linha da grade de programação? Quais os tipos de programas que deve ter a EBC? Quais são os editais que devem sair em relação a essa política? Qual é política de expansão? De cobertura em todo o país? De relacionamento com redes? Essas discussões é que devem estar no bojo do Conselho”, acredita Magalhães.

Consulta à população  

O processo de consulta pública instalado pela EBC para a renovação de três integrantes do Conselho Curador (leia aqui), embora seja positivo, é limitado porque será mais finalizador do que definidor dos novos conselheiros. Na opinião de Nascimento a consulta “deixa a desejar quando se sabe que a lista tríplice pode não contemplar o nome que melhor atenderia a forma social de construção da EBC”.

Além disso, ao colocar sob a responsabilidade do próprio Conselho definir os nomes para a aprovação final do Presidente, o órgão corre o risco de tornar-se auto-referente. “O que acontece um pouco com a Fundação Padre Anchieta, da TV Cultura. Ao decidir sobre ele mesmo não tem a permeabilidade necessária para a sociedade poder participar”, compara a Carolina.

Articulação dos movimentos 

Nascimento acredita que embora o tempo seja curto, é preciso articular as entidades que lutam pela comunicação pública para tentar influir na escolha. “Sob pena de, mais tarde, termos mais um presidente do Conselho Curador da EBC sem nenhum compromisso com a democratização da comunicação como é hoje”, alerta.

Carolina corrobora a declaração de Nascimento ao dizer que os movimentos por uma comunicação democrática têm o papel de promover o debate público sobre as atribuições do conselho e as questões chaves para a EBC, definindo uma plataforma mínima que sirva de horizonte para esses novos conselheiros. “Cabe a nós, que militamos na área, fortalecer esse processo de consulta em torno de candidaturas que apresentam plataformas, pactuando alguns princípios que devem se respeitados independente de quem vai ser o candidato”, afirma.

Estado da Imprensa 2010: muitas perguntas, raras respostas e mais pessimismo

Uma coisa impressiona logo de cara quem lê o respeitado relatório Estado da Imprensa 2010 publicado anualmente pelo Pew Project for Excellence in Journalism.  Enquanto os informes anteriores destacavam invariavelmente as inovações e mudanças no dia a dia do jornalismo , especialmente nos Estados Unidos, desta vez o documento se concentra na análise da situação econômica da imprensa norte-americana e suas perspectivas futuras.

Os jornalistas de todo o mundo seguem de perto tudo o que acontece na imprensa norte-americana porque ela é tida como o padrão para a cultura ocidental em matéria de jornalismo e porque há uma crença generalizada de que o que acontecer com os jornais de lá, vai atingir, em maior ou menor escala, o resto do mundo ocidental.

E o relatório 2010 está carregado de pessimismo, a ponto de prever que os jornais norte-americanos têm um prazo até 2013 para achar um novo modelo de negócios, tanto para as versões impressas com as digitais (na Web), mesmo levando em conta uma leve recuperação em 2010 das perdas sofridas no ano passado, em conseqüência da turbulência global nas bolsas de valores.

Pesquisadores do projeto e do Instituto Poynter, da Flórida,  estimaram que a indústria dos jornais perdeu 30% de sua capacidade produtiva , avaliada em 1,6 bilhão de dólares, desde 2000. Eles dizem que com isto o setor tem agora apenas US$ 4,1 bilhões para tentar achar uma saída para a crise.

A situação está tão feia, que o informe reproduz uma queixa das empresas distribuidoras de jornais que reclamam do baixo peso e magreza das edições diárias, responsáveis pelo fato de que os entregadores não conseguem mais jogar os exemplares na porta das casas a partir da calçada. Elas dizem que isto obriga os jornaleiros a chegar mais perto da casa, o que diminui o ritmo de entrega e encarece a distribuição.

O informe cita a empresa Veronis Suhler Stevenson para a qual mesmo com uma leve melhoria em 2010, os jornais, revistas e emissoras de televisão dos Estados Unidos devem, em 2013, faturar 43% a menos do que em 2006. É uma queda assustadora e que fica ainda mais preocupante quando se leva em conta que a tiragem média dos jornais norte-americanos caiu 25,6% desde o ano 2000 e que aproximadamente 14 mil jornalistas ficaram desempregados desde 2007.

O pior de tudo é que o jornalismo pela Web também não está navegando num mar de rosas. A publicidade online continua raquítica e fica com apenas 10% dos investimentos feitos por anunciantes na mídia norte-americana. Os grandes jornais estão cada dia mais impacientes com a falta de indícios de que a cobrança de acesso às noticias na Web pode ser rentável. O The New York Times já se deu um prazo de um ano para que a versão online do jornal dê lucro.

No caso das iniciativas autônomas, os autores do Estado da Imprensa 2010, citam o projeto J-Lab, que pesquisa jornalismo online nos Estados Unidos, segundo o qual nos últimos quatro anos apenas 141 milhões de dólares foram investidos no segmento, cerca de um décimo do que foi perdido pela grande imprensa no mesmo período.

Nesta sinuca de bico, o grande perigo mencionado pelo relatório não é uma quebra em massa de jornais impressos, revistas e telejornais mas o temor de que o segmento se torne irrelevante como fonte de informação. O sintoma desta crescente irrelevância é o fato de que somente 19% dos americanos consultados numa pesquisa do projeto Pew Internet and American Life terem dito que pagariam pelo acesso a notícias online.

Televisão na internet apenas muda suporte de distribuição de conteúdos

[Título original: 'Internet é mais banco de dados do que canal']

"Não se vê menos TV. Há mais gente assistindo do que há dez anos, mas em outras telas. A audiência está se diluindo. As coisas vão acontecer em todas as telas -é irrelevante discutir em qual delas", diz Silvio Meira, professor do Centro de Informática da Universidade Federal de Pernambuco e chefe do Cesar (Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Recife).

Segundo ele, no Brasil, emissoras se confundiram com redes de televisão. Juntaram, assim, duas discussões: o meio internet e TV e os conteúdos.

Há dez anos, a companhia espanhola Telefônica criou no Brasil o Terra TV, que funciona como várias emissoras e exibe séries, jornalismo e esportes.

Como empresa estrangeira, a Telefônica não poderia controlar uma emissora. Mas não há leis para esse serviço na web.

"No início, os detentores de direitos não tinham conhecimento do papel da rede", lembra Paulo Castro, diretor-geral do portal Terra Brasil.

A virada, diz, ocorreu em 2006, "quando a Fifa entendeu que havia espaço para novas mídias e conseguimos licenciar jogos da Copa".

Em 2010, o Terra TV foi alternativa na transmissão dos Jogos de Inverno de Vancouver. Detentora dos direitos da competição para sinal aberto, a Record levou 80 profissionais ao Canadá e transmitiu mais de cem horas de programação para 38,3 milhões de pessoas.

Já o Terra montou equipe de 60 pessoas e contabilizou 8,3 milhões de acessos aos vídeos. Ali, o internauta pôde acompanhar, quando quis, até várias competições ao mesmo tempo.

Para Castro, a internet concorre com a televisão pela atenção do usuário, "mas é mais um banco de dados que um canal".

A democratização da oferta é óbvia. Com o barateamento da tecnologia e facilidades de veiculação, em tese, qualquer um pode ter seu canal. "Mas é uma falácia dizer que a Globo vai competir com amigos que têm uma câmera. A capacidade empresarial será levada para a internet", diz Charo Chalezquer, da Universidade de Navarra.

Porém, mais do que qualidade, os direitos sobre o conteúdo chamam a atenção. O Congresso está longe de abordar o assunto, que se resolve na prática. Exemplo: nesse mês, a MTV notificou o Google para receber por vídeos no YouTube.

Além dessa, outra questão avança pelo subsolo: a rede de banda larga, a qual o governo promete universalizar. Sem infraestrutura, é inócuo falar de novos modelos de negócios ou tendências de consumo.

Em abril, o Executivo deve apresentar um plano nacional, com implementação efetiva em 2011. A meta será chegar a 300 municípios até o final do ano. O objetivo inicial, porém, era concluir o governo Lula com banda larga em 3.200 cidades.

Internet e programação em 3D podem salvar televisão

San Francisco – Até pouco tempo atrás, os televisores estavam destinados a serem varridos pela internet, mas, para satisfação dos fabricantes, é justamente a internet e o sucesso das imagens 3D que permitirão à TV continuar ocupando um lugar de destaque em nossos lares.

Continuaremos assistimos TV, mas de outra forma, opinam agora os analistas.

No mercado americano, já existem inúmeras empresas que oferecem equipamentos para acessar a internet na televisão, o que permite assistir confortavelmente em uma tela grande aos conteúdos que a maioria das redes, como Netflix e Hulu, oferecem legalmente na rede.

Nesta mesma semana, o Google entrava no mundo da nova televisão com um projeto chamado Google TV.

Segundo fontes ligadas ao projeto citadas pelo jornal "The New York Times", o site de buscas se associou com a Sony e com o fabricante de chips informáticos Intel para levar a internet ao salão de nossa casa na nova geração de televisores e adaptadores.

Alguns dos atuais televisores permitem o acesso à internet, mas as opções de sites disponíveis são muito limitadas.

Segundo o "The New York Times", o Google pretende abrir sua plataforma, baseada no sistema operacional Android para celulares, a desenvolvedores de softwares de fora da empresa e fomentar a criação de aplicativos para essa nova forma de acessar a internet, algo ao que já fez com Android e o que a Apple fez com o iPhone.

Se cada vez mais gente acessar a internet através de seus televisores, o Google quer garantir que todos os seus serviços e páginas são acessíveis.

"O Google quer estar em todos os lugares onde há internet para lá colocar seus anúncios", afirma uma pessoa próxima ao projeto e citada pelo diário.

A plataforma, que não foi confirmada ainda por nenhuma das empresas participantes, se basearia nos chips Atom fabricados pela Intel e incluiria a colaboração da Logitech, uma empresa especializada na fabricação de controles remotos, alguns deles com teclado.

Mas, se não conseguirem que todos nós acabemos acessando Orkut, Facebook e Youtube nas telas de nossos televisores, os gigantes da indústria eletrônica têm outra importante carta na manga: o sucesso das imagens em 3D.

As televisões que transmitem imagens em três dimensões custam em torno de US$ 3 mil, requerem o uso de óculos especiais e ainda contam com poucos conteúdos em 3D. No entanto, os analistas preveem um grande sucesso para essa tecnologia. A Sony assegurou, inclusive, que metade dos televisores vendidos dentro de três anos serão 3D.

Todos os grandes fabricantes – Sony, Panasonic, Samsung, LG – já vendem aparelhos 3D no mercado ou planejam disponibilizá-los antes do meio do ano, para chegar a tempo da Copa do Mundo que, pela primeira vez na história, serão transmitidos também em três dimensões.

O êxito do 3D chegou ao mercado pelas mãos do cinema a partir de filmes como "Avatar" e "Era do Gelo 3", mas se espera que o leque de conteúdos para televisão nessa tecnologia abranja no futuro muitos outros gêneros e possa se ampliar também ao mundo dos videogames.

As televisões, portanto, devem transmitir programações em 3D em um futuro não muito distante, mas alguns analistas não descartam que a tecnologia possa ser prejudicial para a visão.

Martin Banks, professor de Oftalmologia da Universidade de Berkeley (Califórnia, EUA), publicou recentemente um estudo sobre o que ele denomina "fadiga do 3D", assegurando que, em muitas ocasiões, ver conteúdos em três dimensões pode provocar dores de cabeça, visão confusa e cansaço.

Segundo Banks, a tecnologia 3D viola as normas de percepção às quais nossos olhos e nosso cérebro estão acostumados e nos obriga a fixar nossa visão simultaneamente nas imagens do fundo e nas mais próximas, o que provoca fadiga visual.

No entanto, conscientes do problema, alguns cineastas realizaram seus filmes levando em conta esse efeito. É o caso de "Avatar", na qual em cada cena o diretor faz com que nossa visão se fixe em apenas um objeto, evitando a fadiga, assegura Banks.

Oi será fornecedora de telecom para Copa no Brasil

A Oi anuncia que se tornou patrocinadora global da Copa do Mundo da Fifa 2014TM no Brasil. Com o acordo, a empresa será fornecedora oficial da FIFA dos serviços de telecomunicações do Mundial de 2014.

“Com o patrocínio à Copa do Mundo da FIFA 2014, a Oi, que é uma empresa brasileira, reforça a relevância crescente do país no cenário econômico mundial e a nossa capacidade, em termos de recursos humanos e materiais, de prestar serviços dentro de um padrão internacional. A Oi tem um compromisso com o Brasil que se traduz não só por meio de investimentos em infraestrutura e serviços de telecom, mas também por seu comprometimento em promover o desenvolvimento humano. O esporte é importante fator de transformação social e por isso a Oi e o Oi Futuro apóiam projetos de formação de atletas, atividades sócioesportivas e grandes eventos”, diz o presidente da Oi, Luiz Eduardo Falco.

“Para a Oi, participar diretamente de um evento esportivo de alcance mundial é um marco, na medida em que equipara a companhia a gigantes internacionais do setor. Ao mesmo tempo em que divulgamos a marca no exterior, vamos contribuir para reforçar a imagem do Brasil como um país comprometido com o desenvolvimento econômico e social e que está equipado com infraestrutura de ponta. ”, acrescenta Falco.

O diretor da Divisão de Marketing da FIFA, Thierry Weil, expressa sua satisfação com a parceria: “Comunicações eficientes e confiáveis são uma parte vital e integral de tudo o que fazemos no mundo moderno, e realizar uma Copa do Mundo sem a ajuda e a expertise de uma grande empresa de telecomunicações seria impensável. Portanto, temos o prazer de anunciar que a Oi se junta à FIFA como patrocinadora global para a Copa do Mundo de 2014 no Brasil", diz Thierry Weil, diretor da Divisão de Marketing da FIFA.