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Teles temem perder R$ 20 bi com Telebrás

As companhias telefônicas temem perder R$ 20 bilhões anuais com a reativação da Telebrás. A cifra equivale à soma dos contratos do setor com a administração pública (federal, estadual e municipal e estatais), que representou 20% do faturamento líquido do conjunto das teles fixas e celulares em 2009 (R$ 97,8 bilhões).

Segundo a Folha apurou, a resistência das teles ao PNBL (Plano Nacional de Banda Larga) advém do receio de perder as contas do governo para a Telebrás, e não da eventual atuação da estatal na oferta de acesso à internet a usuários finais em locais remotos ou pobres, onde só consideram viável o atendimento com subsídio do governo e isenção de impostos.

As operadoras alegam que o atendimento à administração pública foi um item determinante em seus planos de negócios, quando participaram do leilão de privatização do Sistema Telebrás, em 1998.

Também afirmam que reativação da estatal seria um rompimento de compromisso por parte do governo.

A Telebrás contesta os números e diz que as reclamações das operadoras não se justificam.

Lei de Licitações

Para as teles, há espaço na legislação para que a administração pública contrate a Telebrás sem licitação.

A lei nº 8.666, que regula as contratações públicas, admite a dispensa de licitação para compra de bens e serviços de estatal criada antes da aprovação da lei, em 1993. A Telebrás foi criada em 1972 e se enquadraria na exceção.

As empresas entraram em alerta a partir de comunicado (fato relevante) que a Telebrás enviou à CVM (Comissão de Valores Mobiliários) e à Bovespa, no dia 4, no qual informou que irá integrar o PNBL e implementar a rede privativa de comunicação da administração pública federal, o que inclui serviços de voz, dados e vídeo.

O comunicado informava que a Telebrás dará apoio e suporte a políticas públicas de conexão veloz à internet para universidades, centros de pesquisa, escolas, hospitais, postos de atendimento, telecentros e outros pontos de interesse público, em grande parte atendidos pelas empresas privadas.

E, ainda, que oferecerá conexão em banda larga a usuários finais onde não houver oferta adequada do serviço.

Justiça

As empresas de telefonia, como a Folha antecipou, preparam-se para questionar a reativação da Telebrás na Justiça e contrataram pareceres dos principais advogados especializados em telecomunicações.

Entre os quais, estão Carlos Ari Sundfeld (um dos autores da Lei Geral de Telecomunicações) e Floriano Azevedo Marques, consultor do governo federal na elaboração dos contratos de concessão de telefonia e do regulamento da Anatel (Agência Nacional de Telecomunicações).

Os advogados sustentam que a Telebrás não tem autorização legal para atuar como prestadora de serviços, pois foi criada pela lei 5.792/72 só com as funções de holding (empresa-mãe das operadoras estatais que foram privatizadas em 1998).

Para mudar o objeto da empresa, afirmam, o Congresso teria que aprovar nova lei.

O governo tem entendimento oposto. O decreto 7.175, que criou o PNBL, diz que a estatal está amparada no artigo 3º, inciso VII, da lei que criou a Telebrás, segundo o qual ela poderá executar outras atividades que lhe forem atribuídas pelo Ministério das Comunicações.

Além de questionar a competência legal da Telebrás para oferecer banda larga, as teles tentam impedir que a Anatel fixe preço para a Telebrás usar as redes privadas de transmissão que interligam os municípios, o chamado ""backhaul".

A Abrafix (entidade que representa a telefonia fixa) move ação na Justiça Federal contra a tarifação do uso das redes. Alega que a banda larga é um serviço privado e que o preço deve ser livre.

Recentemente, a Anatel exigiu informações detalhadas de cada operadora sobre o preço cobrado de cada cliente para o uso de sua redes de "backhaul". As teles desconfiaram de que os dados poderiam ser repassados à Telebrás.

Deram as informações, mas notificaram a Anatel de que os 179 funcionários da Telebrás lotados na agência não poderiam ter acesso aos números.

Deputados contestam argumentos das móveis sobre preços altos

O elevado preço cobrado pelas ligações feitas a partir de celulares no Brasil foi tema de uma audiência pública na Comissão de Defesa do Consumidor (CDC) da Câmara dos Deputados nesta terça-feira, 18. Os parlamentares cobraram explicações de representantes das empresas, da Anatel e do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC) sobre os motivos de, no Brasil, se pagar preços elevados em relação a outros países. Pesquisa internacional da UIT feita no ano passado colocou o Brasil na quarta posição no ranking de custos do celular.

O diretor executivo do SindiTelebrasil, Eduardo Levy, responsabilizou os impostos por boa parte dos custos dos clientes móveis. "Em todos os estados, não há carga tributária mais alta do que a de telecomunicações, que varia de 40% a 60%. Se uma pessoa recebe uma fatura de R$ 100, pelo menos R$ 40 é para pagar impostos. O Brasil tem a segunda maior carga tributária do mundo", frisou o representante das empresas.

As operadoras têm reforçado o discurso para reduzir a carga tributária no setor desde o ano passado e também argumentam que a alta competitividade gera uma baixa rentabilidade para as empresas. Segundo Levy, o lucro obtido pelas companhias representa apenas 5% do preço pago pelos clientes e, portanto, o alto custo das ligações não seria causado por ganância das empresas.

Críticas parlamentares

A argumentação das empresas, no entanto, não sensibilizou os parlamentares. O deputado Chico Lopes (PCdoB/CE), autor do requerimento para a realização da audiência, refutou a tese de que as empresas do setor têm baixa rentabilidade. "Qualquer empresário brasileiro que tiver 10% de lucro está rindo para o vento. E vocês tiveram 23% de lucro", reclamou o parlamentar, referindo-se aos números apresentados pelo SindiTelebrasil com relação à margem EBITDA do setor.

O deputado Dimas Ramalho (PPS/SP) também não se convenceu de que o negócio de telecomunicações possui uma margem apertada de lucro. "É mau negócio a telefonia celular? Se é péssimo negócio porque há tanta disputa nesse setor?", questionou o parlamentar. Mesmo o argumento da alta carga tributária não foi totalmente apoiado pelos deputados. "Ficou claro na apresentação o alto custo Brasil, mas o ponto não é esse", comentou o presidente da CDC, deputado Cláudio Cajado (DEM/BA), ressaltando novamente a rentabilidade do setor. A deputada Ana Arraes (PSB/PE) chegou a defender a reforma tributária, mas ponderou que isso não resolverá todos os problemas do setor com relação aos consumidores.

Críticas do Ministério da Justiça

O alto índice de reclamação contra o setor de telecomunicações foi ressaltado pelo representante do Departamento de Proteção e Defesa do Consumidor (DPDC). O coordenador de assuntos jurídicos do órgão, Amaury Oliva, lembrou que entre as 10 empresas com mais reclamações nos órgãos de defesa do consumidor, quatro são operadoras de telefonia e outras quatro, fabricantes de equipamentos deste setor. "Ou seja, oito de 10 são do setor de telecomunicações." Além disso, o maior índice de reclamação por descumprimento do decreto do SAC – que impôs regras rígidas para o atendimento por Call Centers – é mais uma vez das teles (75%). "A situação chegou no limite", reclamou Oliva.

Para a Anatel, a evolução tecnológica e a demanda crescente por serviços de telecom, especialmente móveis, têm exigido grandes investimentos por parte das empresas. A relação entre o preço da cesta de serviços (que inclui telefonia fixa, móvel e banda larga) e a renda per capita do brasileiro teria caído bastante no último ano. Segundo o gerente de Comunicações Pessoais Terrestres da Anatel, Nelson Takayanagi, essa relação era de 7,68% em 2008 e, no ano passado, caiu para 4,14%. Esse percentual é mais baixo do que o registrado em países como Bolívia (18%) e Peru (5,98%), mais ainda alto em comparação ao México (1,68%) e Argentina (2,71%), por exemplo.  

Duas chapas concorrem à direção da FENAJ

Homologadas pela Comissão Eleitoral Nacional no dia 7 de maio, duas chapas estão inscritas para a eleição da FENAJ, que ocorre de 27 a 29 de julho. A chapa 1, “Virar o Jogo! Em Defesa do Jornalismo e do Jornalista”, é encabeçada por Celso Schröder (RS) e organizada pela atual gestão da FENAJ. Já a chapa 2, de oposição, é encabeçada por Pedro Pomar (SP). A Comissão Eleitoral Nacional volta a se reunir no dia 28 de maio para definir procedimentos organizativos do processo eleitoral da Federação.

Na reunião do dia 7 de maio, após analisar a composição das duas chapas e sua conformidade com os Estatutos e o Edital de convocação da eleição da Federação, e sem a ocorrência de pedido de impugnação de nenhuma candidatura, a Comissão Eleitoral Nacional homologou-as integralmente. Além da nova diretoria e Conselho Fiscal da FENAJ, no mesmo período será eleita, também, a nova Comissão Nacional de Ética. Embora as candidaturas à CNE possam ser avulsas, a Chapa 1 foi a única que inscreveu cinco candidatos para concorrerem às cinco vagas da Comissão.

Para a reunião do dia 28 de maio, a Comissão deverá se debruçar sobre aspectos organizativos do processo eleitoral, como a relação completa dos associados aos 31 Sindicatos de Jornalistas do país, com seus respectivos endereços e data de filiação. A listagem dos jornalistas aptos a votar deverá ser elaborada até o dia 16 de julho. Ainda assim, associado que ficar em dia no momento do voto, exclusivamente na base a que pertence, com comprovação prévia perante a Mesa Receptora, poderá votar.

Também entre os procedimentos que a Comissão Eleitoral Nacional deverá iniciar a partir do dia 28 está a composição das Comissões Eleitorais Locais, que se encarregarão da coordenação do processo nas bases de seus Sindicatos. Estas deverão ser designadas pelos presidentes dos Sindicatos, ouvidas suas respectivas diretorias e consultadas as chapas concorrentes. A composição das Comissões Eleitorais Locais deverá ser comunicada à Comissão Eleitoral Nacional no máximo até 15 dias antes do início da eleição.

Veja, a seguir, a composição das duas chapas inscritas.

CHAPA 1 “VIRAR O JOGO! EM DEFESA DO JORNALISMO E DO JORNALISTA”

Executiva

Presidência – Celso Schröder (RS)
1ª Vice – Maria José Braga (GO)
2ª Vice – Suzana Blass (MRJ)
Secretaria Geral – Guto Camargo (SP)
1ª secretaria – Antônio Paulo Santos (AM)
Tesouraria – Déborah Lima (CE)
2ª Tesouraria – Valci Zuculoto (SC)
1ª Suplência – Sheila Faro (PA)
2ª Suplência – José Carlos Torves (RS)

Vice-presidências Regionais

Vice Centro-Oeste – Luiz Carlos Luciano (Dourados/MS)
Vice Sul – José Nunes (RS)
Vice Sudeste – Márcia Quintanilha (SP)
Vice Nordeste I – Rafael Freire (PB)
Vice Nordeste II – Marjorie Moura (BA)
Vice Norte I – Jane Vasconcelos (AC)
Vice Norte II – Volney Oliveira (AP)

Departamentos

Educação e Aperfeiçoamento Profissional: Carmen Pereira (MRJ), César Wanderley (AM), Patrícia Bandeira de Melo (PE)
Relações Institucionais: Beth Costa (MRJ), Sérgio Murillo de Andrade (SC), Luiz Spada (GO)
Mobilização, Negociação Salarial e Direito Autoral: Sônia Regina Gomes (MRJ), Valdice Gomes (AL), Osnaldo Moraes (PE)
Cultura e Eventos: Nelly Carlos (RN), Ângela Marinho (CE), José Gilvan da Costa (RR)
Mobilização em Assessoria de Comunicação: Douglas Dantas (ES), Júnior Veras (TO), Flávio Peixoto (AL)
Relações Internacionais: Ayoub Ayoub (Londrina/PR), Claylson Martins (CE), Alcimir Carmo (SP)
Departamento de Mobilização dos Jornalistas de Produção e Imagem: André Freire (SP), Luiz Vaz (RS), Milton Alves (MG)
Saúde e Previdência: Regina Maria Ferreira de Oliveira (BA), Gláucia Regina Loriato do Nascimento (ES), Lúcia Figueiredo (PB)

Conselho Fiscal

Carlos Fernandez (MG), Edson Verber da Silva (PB), Luiz Carlos de Oliveira Silva (PI)

Comissão Nacional de Ética

Regina Deliberai (MT), Júlio Tarnowski Júnior (PR), Rossini Barreira (PE), Suzana Tatagiba (ES), Gerson Martins (MS)

CHAPA 2 “LUTA FENAJ”

Executiva

Presidente: Pedro Pomar (SP)
1º Vice-Presidente: George Washington (SE)
2ª Vice-Presidente: Cláudia de Abreu (RJ)
Secretária-Geral: Elaine Tavares (SC)
1ª Secretária: Leonor Costa (DF)
1ª Tesoureira: Bia Barbosa (SP)
2º Tesoureiro: Dilamar Machado (RS)
1º Suplente: Leovegildo Leal (MG)
2ª Suplente: Élida Miranda (AL)

Vice-presidências Regionais

Vice Norte I – Evelyn Morales (RO)
Vice Norte II – Rosemary Gomes (PA)
Vice Nordeste I – Iano Flávio Maia (RN)
Vice Nordeste II – Flávia Adriana Azevedo (BA)
Vice Sudeste – João Montenegro (SP)
Vice Centro-Oeste – Alcione dos Anjos (MT)
Vice Sul – Lenise Klenk (PR)

Departamentos

Relações Institucionais: Juliana Nunes (DF), Daniel Hammes (RS), Keka Werneck (MT)
Relações internacionais: Mário Augusto Jakobskind (RJ), Lúcia Rodrigues (SP), Jonas Valente (DF)
Educação e Aperfeiçoamento Profissional: Emília Magalhães (DF), Gibran Lachowski (MT), Ernesto Marques (BA)
Cultura e Eventos: Bernardete Travassos (RJ), Valnísia Mangueira (PR), Luisa Monteiro de Sá (MG)
Mobilização, Negociação Salarial e Direito Autoral: Miriam Santini (SC), Luis Gustavo Mesquita (SP), Adriano Boaventura (MG)
Mobilização em Assessoria de Comunicação: Álvaro Britto (RJ), Caroline Santos (SE), Pedro Carrano (PR)
Mobilização dos Jornalistas de Produção e Imagem: Wellington Inácio (SP), Fátima Gonçalves (PA), Juliano Nery (MG)
Saúde e Previdência: Luiz Edmundo Continentino Porto (RJ), Elisângela Valença (SE), Marcos Erlan (MG)

Conselho Fiscal

Najla Passos (DF), Cláudio Sommacal (RS), Márcia Raquel (MT)

Conselho Curador promove audiência pública sobre a programação da TV Brasil e das rádios da EBC

O Conselho Curador da EBC realizará a sua primeira audiência pública do ano no dia 1º  de junho, no Rio de Janeiro. A audiência – determinação prevista na Lei que criou a EBC – tem como objetivo coletar críticas e sugestões sobre a programação da TV Brasil e das emissoras de rádio da empresa, dando ao órgão subsídios para avaliar o conteúdo desses diferentes veículos e, assim, indicar à diretoria-executiva as mudanças necessárias para que a programação das emissoras cumpra de forma cada vez mais adequada a missão para a qual foi criada.

A audiência será realizada no Auditório da Rádio Nacional, na Praça Mauá, das 13h30 às 18h30. A atividade será dividida em dois períodos: na primeira parte, serão colhidas contribuições sobre a programação da TV Brasil. A segunda parte ficará reservada para as contribuições do público sobre a programação das emissoras de rádio da EBC, como a Rádio Nacional e as rádios MEC AM e FM. Em ambos os momentos, as discussões serão precedidas por uma apresentação da diretoria-executiva da EBC sobre as recentes mudanças na programação das emissoras, assim como os principais planos para o futuro.

“A participação do público é fundamental para a construção da EBC, tanto das entidades organizadas como dos ouvintes e telespectadores em geral. É partir dessas contribuições que podemos definir os rumos para que o conteúdo gerado pelos veículos da empresa cumpra da melhor forma possível a sua missão pública”, afirmou a presidente do Conselho Curador, Ima Vieira.

Inscrições

As inscrições para a audiência devem ser feitas pelo email conselho.curador@ebc.com.br, informando nome completo, RG e, caso haja, a entidade que o inscrito representará na audiência.  Ao enviar o email, o interessado deve informar se pretende fazer uso da palavra no momento da audiência. Contribuições por escrito devem ser enviadas para o mesmo endereço eletrônico e serão remetidas a todos os membros do Conselho Curador.

Em cada um dos debates (programação da TV Brasil e emissoras de rádio), cinco oradores serão sorteados entre as incrições antecipadas e outros dez serão sorteados entre os inscritos no momento da audiência. A Ouvidoria da EBC ainda indicará, a pedido do Conselho Curador, alguns ouvintes e telespectadores para que apresentem suas observação sobre a programação das emissoras. Cada intervenção terá no máximo cinco minutos, para que o maior número possível de cidadãos e cidadãs possa se manifestar.

Durante a audiência, que será transmitida pela Internet, internautas também poderão enviar suas considerações, que serão, na medida do possível, apresentadas a todo o plenário pela coordenação dos trabalhos da audiência.

A presidente do Conselho ainda afirma que o órgão está trabalhando para ser cada vez mais aberto às críticas e sugestões do público: “Esperamos ainda este ano implementar  instrumentos mais permanentes de diálogo com a sociedade, realizando consultas públicas periódicas e disponibilizando ferramentas que permitam maior interatividade por meio da Internet”, completou Ima Vieira.

Audiência Pública Conselho Curador
Tema: Programação da TV Brasil e das emissoras de rádio da EBC
Data: 1/6/2010, às 13h30
Local: Auditório da Rádio Nacional (Praça Mauá, 7,  21º andar, Centro, Rio de Janeiro)
Inscrições: conselho.curador@ebc.com.br (informar nome, RG e entidade, caso o inscrito seja vinculado a alguma); Inscrições no momento da audiência serão aceitas de acordo com a capacidade do auditório.

Um começo promissor para o Centro de Estudos ‘Barão de Itararé’

São Paulo – Quase 300 pessoas, entre comunicadores e lideranças sociais, “batizaram”, na noite de sexta-feira (14), o Centro de Estudos da Mídia Alternativa “Barão de Itararé”. Um debate sobre “A Cobertura Jornalística da Sucessão Presidencial” abriu o seminário “A Mídia e as Eleições de 2010” e marcou o lançamento da entidade, no Sindicato dos Engenheiros de São Paulo.

Não faltaram denúncias, relatos incisivos e até autocríticas na atividade — que confrontou as opiniões dos jornalistas Paulo Henrique Amorim (Conversa Afiada), Leandro Fortes (CartaCapital), Maria Inês Nassif (Valor Econômico) e Altamiro Borges (Vermelho). Numa das intervenções mais polêmicas, Amorim cobrou os jornalistas independentes que abusam da opinião — mas sonegam notícias — na internet, sobretudo na blogosfera.

“Até agora, estamos vendendo opinião. Só vamos parar de falar para nós mesmos e ampliar quando houver informação. O que decide é a notícia, o hard news. Os blogs sobreviverão à medida que forem mais informação e menos opinião”, disparou o jornalista do Conversa Afiada — e também da TV Record.

Sobre a grande mídia — ou PiG (Partido da Imprensa Golpista), como costuma dizer —, Amorim não poupou qualificativos. “A mídia é sombria e gordurosa. Os textos do Fernando Henrique Cardoso no Estadão estão cheios de colesterol”, discursou. “Mas há, em contrapartida, um panorama de sinistro de unanimidade contra o Lula, que perdeu, em seus governos, a oportunidade de criar mecanismos para enfrentar o PiG. O Lula encantou e dobrou o PiG, mas o PiG continua forte.”

De todo modo, prevaleceram no debate os petardos contra a grande mídia e seus expoentes. Leandro Fortes afirmou que o noticiário político produzido em Brasília é “basicamente uma farsa” — e o Senado, “uma casa de comadres, uma pantomima absurda”: “A quem interessa saber o que o senador Álvaro Dias (PSDB-PR), ou o Arthur Virgilio (PSDB-AM), vai falar todos os dias na tribuna?”.

Boa parte disso, segundo ele, é de responsabilidade da própria categoria de jornalistas. “Nem todo mundo que trabalha no PiG está ideologicamente aprumado (com os patrões), mas é o próprio jornalista quem faz o jogo sujo hoje”, acredita. Fortes desmascarou, ainda, a classe média brasileira, que, em sua opinião, é “iletrada e apavorada”, “está distanciada da sociedade” e “vive basicamente com o que sai na revista Veja”.

“Imaginar os jornais como partidos exige uma articulação orgânica dos jornalistas, que fazem parte do jogo, do movimento ideológico”, concordou Maria Inês Nassif. Citando o revolucionário italiano Antonio Gramsci (1891-1937) e o jornalista brasileiro Perseu Abramo (1929-1996), a repórter especial do Valor avançou na comparação entre as estruturas dos partidos e das redações. Enquanto as legendas têm programas, estatutos, filiados, militantes e quadros, os jornais ostentam linha editorial, manual de redação, comando, profissionais fiéis e leitores.

Para Mania Inês, essa configuração dita as regras da grande mídia nos dias de hoje. “Existem explosões de pânicos, a sensacionalização da informação política e econômica. Ao recorrer a isso, os jornais falam para setores restritos, não fazem mais a opinião pública”, diz Maria Inês. “A internet e a mídia alternativa também não podem falar para si próprio. Têm de ampliar o escopo de cada site.”

Já o primeiro presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa “Barão de Itararé”, Altamiro Borges, também evocou análises de Perseu Abramo e de outros especialistas da mídia. “O Perseu estava certo ao dizer que a manipulação não está na mentira, mas no que você realça ou oculta da verdade”, disse de início. “A mídia, como diz muito bem o professor Denis de Moraes, exerce duplo poder — um econômico e outro político”, agregou posteriormente.

Segundo Altamiro, a nova entidade nasce com quatro funções: lutar de forma mais sistematizada e eficiente pela democratização dos meios de comunicação; fortalecer as mídias alternativas atuais; investir em pesquisas; e formar comunicadores sob os princípios da emancipação humana.